O Filho da Lua

2 II – Historia de Sereias.


Notas iniciais
Sempre devemos abrir os olhos para o que está a nossa frente!

–Aconteceu há milênios – começou Guilherme, depois que saiu da banheira sua cauda virou pernas revelando o mesmo jeans escuro que ele usava quando entrou na casa, agora ele estava em pé na frente de Matheus no quarto do jovem aspirante a tritão – desde o inicio da formação da terra existem espécies inteligentes no mar, são os merpeoples, ou sereianos como também são conhecidos, uma raça antiga, e até hoje existe em rios ou migrando pelos mares da terra, não são como as sereias e tritões que você ver na televisão, ou que você é, eles são um pouco mais.... excêntricos.

–Feios? – perguntou Matheus.

–Não, eu até os acho bonitos – comentou Guilherme fazendo uma pausa pra pensar – Mas eles são meio acinzentados, orelhas pontudas, membranas entre os dedos das mãos... e a cauda é meio estranha.

–Os de Harry Potter! – interrompeu Sr. Simon – Ele vai saber mesmo agora que faz parte desse mundo.

–Harry Potter é real? – perguntou Matheus que já estava ficando verde como se fosse vomitar.

–Você não faz ideia de quanta coisa é real, e tá na hora de descobrir! – respondeu Guilherme continuando a historia – Bem, os sereianos avisaram aos habitantes de Atlântida que a ilha estava afundando, então os Atlantes começaram a se preparar, construíram as “bolhas”, que são tubos de cristais que pecorrem toda a cidade, cheios de ar e as pessoas podem transitar por ele. Mas, mesmo assim o único jeito de sobreviver, seria a transformação. Tritão, o filho de Poseidon, príncipe dos mares, e atual rei de Atlântida, refez os habitantes a sua própria semelhança, criando então as sereias e Tritões que você conhece.

–Até ai entendi! – respondeu Matheus. – Porque Diabos eu preciso saber disso? – perguntou.

–Pra quando você for pra Atlântida! – respondeu Guilherme – Ok, Tritão se casou com Parténope, a primeira sereia, ela era uma semideusa filha de Poseidon que foi transformada em sereia por Afrodite.

–Poseidon tem filhas? – perguntou Matheus, como se isso fosse a única coisa que o preocupava.

–Bem, ela não é vista como filha dele na mitologia, porque isso é meio que um segredo, mas alem dela Poseidon tem outras filhas bem famosas, Despina por exemplo, filha dele com Demeter, e irmã de Arion – comentou Sr. Simon, ele já estava cansado de saber dessas coisas, estudou historia grega durante anos – Esses “semideuses” fãs de Rick deviam pesquisar mais antes de espalhar boatos falsos.

–Percy Jackson é real? – perguntou Matheus.

–Claro que é! – respondeu Guilherme. – Em que mundo ele vive? – perguntou ao Sr. Simon.

–Eu sempre disse a ele mas ele não acreditava! – defendeu-se o Sr. Simon.

–Bem, Parténope hoje é conhecida como “Sereia” ou Mermaid, depende do país – continuou Guilherme – mas você entendeu, ela quis mudar o nome pra se afastar das antigas companheiras do Mar monstro, você sabe, aquelas famosas por enfeitiçar os marinheiros até a morte.

A mente de Matheus estava embaralhada ele ouvia tudo com atenção, mas não conseguia pensar em nada que pudesse fazer.

–Os dois filhos mais velhos de Tritão e Sereia, se casaram e fundaram um reino nas praias da Austrália, afastado de Atlântida.

–Pera, eles não são irmãos? – perguntou Matheus.

–Vei, são gregos, quer mesmo falar disso? Hera é irmã de Zeus, e Zeus já foi casado com uma das tias, Hades é casado com a sobrinha, não se pode olhar parentescos gregos! – comentou Guilherme em resposta. – Alem do mais, o único motivo que Deus proibiu o casamento entre irmãos, era o nascimento de bebes acéfalos, ou com outros problemas de formação, isso não ocorre com seres meio divinos como sereias e tritões.

–Bem – continuou agora o Sr. Simon – depois dele as amazonas que estavam em Atlântida e não conseguiram fugir na hora que afundou, fundaram um reino só de mulheres, bem para o norte do planeta.

–Como elas se reproduzem? – perguntou Matheus.

–Partenogênese – respondeu Guilherme – é um processo bastante comum com abelhas e outros animais, e é possível em seres humanos, onde o ovulo sofre um estimulo por meio de proteína ou sei lá o que.... bem, nasce uma criança apenas com DNA feminino e é a copia quase exata da mãe, elas fazem isso o tempo todo, e com humanos de verdade, ocorreu algo assim a uns dois anos em Londres se eu não me engano, o primeiro caso registrado...

–Mas o que importa é que existem sete reinos de sereias – interrompeu Rafael Simon atraindo a atenção do filho – Você vai pra Atlântida, a capital, e a única com as “bolhas”, assim você vai poder se adaptar, vai ter que ficar um ano lá com o Guilherme e com sua mãe.

–Minha mãe? Pera, porque ela escolheu ficar lá? – perguntou Matheus, o garoto sentia que agora ele realmente explodiria – mesmo que ela dormisse na água, viesse me ver uma vez por semana, ou por ano pelo menos, porque ela me abandonou? Porque ela acha que eu vou aceitar sem questionar ir ficar com ela agora? No mar pra sempre?

–Pensei que você amasse o mar – argumentou Guilherme.

–E amo, mas não quero sair da terra, não quero ficar um ano embaixo d’água! – argumentou Matheus – Amanhã eu vou ganhar uma cauda quando me molhar? É isso?

–Amanhã as escamas começaram a aparecer toda vez que você se molhar, mas ainda tem uma ou duas semanas – respondeu Guilherme.

–Tem que ter um jeito de parar isso! – lamentou Matheus.

–Achei que você queria ser isso! Sempre quis! – comentou Sr. Simon.

–Sabe aquela velha historia de cuidado com o que deseja? Pois é! Não quero que um rabo apareça toda vez que eu me molhar! – respondeu Matheus que já estava andando de um lado pro outro do quarto.

–Mas só vai aparecer quando molhar os pés, e assim que sair da água some, não precisa nem estar totalmente seco! – explicou Guilherme.

–Afinal, quem é você? – perguntou Matheus.

–Seu primo, minha mãe é irmã da sua, ela também se apaixonou por um humano e ficou na terra, mas eu nasci com cauda, isso é algo muito raro... só aos dez anos minha cauda virou perna, que é a idade normal de quando os tritões e sereias podem sair da água, mas esses dez anos eu fiquei com sua mãe. Eu era pequeno quando ela estava grávida de você, só tinha três anos, mas acompanhei tudo, vi a tristeza dela, ela não podia ir ficar com você, e sabia que você ia nascer com pernas.

–Como ela sabia? – perguntou Matheus.

–Alem do ultrassom? É a coisa mais comum de acontecer! – respondeu Guilherme – O poder da nossa família é muito grande pra ela abrir mão, foi por isso que eu nasci com cauda quando minha mãe abriu mão da dela, e se ela escolhesse ficar na terra, seriamos nós dois sozinhos em Atlântida, e ainda teria o Otavio que é um perigo.

Matheus nem prestou atenção quando aquele nome saiu da boca de Guilherme, tudo que ele queria naquele momento era ser normal novamente, e ele sabia que a partir de amanhã, nada mais seria igual.

–Chega, preciso pensar! – exclamou Matheus correndo pra fora do quarto, e depois saindo da casa.

Guilherme ia seguir Matheus, mas Rafael o segurou, ele sabia que o filho precisava pensar.

Matheus caminhou pelas areias da praia da Ribeira, olhando pro seu estrelado e pra água. Mais do que nunca ele sentia vontade de entrar na água e se deixar levar pelas ondas. Mas agora ele tinha medo. Medo da cauda aparecer e ele ter que se afastar de todos que ama. “Cuidado com o que deseja!” dizem que pra castigar os fieis, os deuses lhe presenteavam exatamente com aquilo que eles queriam, e agora ele se sentia castigado. Mas tinha alguém que poderia ajuda-lo.

Contou até dez antes de bater na porta, era sua única opção, mas o ego dele iria doer muito. Ele bateu três vezes na porta, e a própria Luna o atendeu. Ela fechou a porta quase que imediatamente, mas ele era mais forte e segurou impedindo-a de fechar a porta. Ela desistiu e o olhou com raiva.

–O que quer Matheus? – perguntou ela.

–Preciso de sua ajuda. – respondeu ele.

–Porque acha que eu vou te ajudar? – perguntou ela.

–Você disse que Wiccas ajudam inocentes, sou um inocente pedindo ajuda. – argumentou ele usando o que seria a ultima esperança.

–De inocente você não tem nada... Mas é minha obrigação. – respondeu ela dando-se por vencida.

Ele entrou e a seguiu até o quarto dela. Ela abriu a porta e entrou mas quando ele tentou entrar bateu numa espécie de vidro invisível.

–Só um teste – justificou ela – meu pai colocou esse feitiço, as pessoas só entram quando eu convido, e como geralmente o povo que me visita tem convite não dá pra saber se ainda está valendo. Ele se inspirou nos vampiros que precisam de convite pra entrar nas casas então colocou isso no meu quarto em caso de emergência.

–Vai me convidar pra entrar? – perguntou Matheus num tom de voz gentil.

–Entra logo!

Ele passou sem problemas e quando ela perguntou o que estava acontecendo ele explicou seu “segredo de família”. Ela não acreditou de primeira então fez algumas perguntas sobre a historia das sereias que por sorte Guilherme e seu pai haviam contado pra ele.

–Isso explica como você me viu hoje! – comentou ela – a magia se esconde, seu aniversário é amanhã então você pode me ver azarando aqueles babacas! – explicou ela.

–Você fez aquilo antes? – perguntou Matheus.

–Muitas vezes, desde que aprendi que a “Deusa” é justa e protetora, e soube canalizar a energia mágica a minha volta.

–Vou fingir que entendi! – respondeu Matheus – O que mais isso explica.

–Já chegou perto de uma academia alguma vez? – perguntou ela.

–Não – respondeu confuso.

–Mas aos doze anos tem um corpo forte e definido? – perguntou ela.

–Isso é coisa de Tritão? – perguntou Matheus confuso.

–Claro, lei de adaptação de Darwin, a pressão embaixo da água é muito grande, por isso o esqueleto dos seres do mar em geral, sendo Sereiano, Tritão, sereia, até mesmo Selkin, é duro e reforçado, e são fortes, por isso seu corpo é definido! – explicou ela de um tom de voz um pouco estranho.

–Gosta do meu corpo? – perguntou Matheus se insinuando pra ela.

–Eu revogo seu convite pra entrar nesse quarto – exclamou e uma força sobrenatural puxou Matheus pra fora do quarto dela tão forte que ele se bateu na parede oposta a porta que se fechou assim que ele saiu.

–Espera, Luna desculpa! – chamou batendo na porta – Desculpa ok? Preciso de sua ajuda!

–Entra! – exclamou ela abrindo a porta claramente irritada. – O que você quer afinal?

–Ser humano, ser normal novamente! – respondeu ele.

–Você nunca foi normal, e pra que você quer isso? – perguntou ela – Matheus, você ama o mar.

–Amo mas...

–É aquela coisa de pobre menino rico! – exclamou ela andando de um lado pro outro pelo quarto – Sabe quanta gente queria trocar de lugar com você? Olha, aqui na nossa dimensão, temos o que? Humanos tem os bruxos, que conseguem fazer o que querem apenas mexendo a varinha, ou melhor, a varinha é apenas um canalizador, algo pra fazer o feitiço ter precisão, então eles podem realmente fazer o que quiserem, os feiticeiros, que tem um controle maior e as vezes nem precisam de varinhas, os magos, tantos os egípcios que possuem poderes dos deuses quanto os bruxos que são tão poderosos que evoluíram pro posto de mago, ou os como eu, Wiccas, que tem poderes pra manter o equilíbrio e protegerem inocentes, ok, alguns como eu e minha mãe são apenas pessoas da religião, que conseguem canalizar e sentir a energia, mentalizar e rezar pra deusa, coisa normal que qualquer um pode fazer se tiver disposto a entrar nesse mundo.... Mas os que são como meu pai.... que podem literalmente controlar os seres mágicos, pra manter o equilíbrio, que tem uma grande empatia espiritual, isso é outro nível.... Te falei quatro tipos diferentes de humanos, os Wiccanos, os bruxos, os feiticeiros, e os magos, sabe quantos norminhos, ou trouxas se preferir, daria tudo pra ser como um deles? Isso só nessa dimensão, em Utopia temos os dominadores, cada um dobra um dos quatro elementos,e tem o Avatar, e nessa dimensão se você não sobrar nada, você ainda nasce com uma inteligência fora do comum, as maiores intenções que temos aqui vieram de lá, televisão, computador, carros, e ainda tem Animália a dimensão 3 pra onde as Wiccas e Wiccanos que evoluíram seu potencial e se elevaram vão, e os humanos normais de lá caminham lado a lado com espíritos.

–Eu sei! Ainda tenho que me acostumar com essa ideia de dimensões – comentou absorvendo o que ela disse, mas... Ok, você falou humano, eu vou ser metade peixe! – argumentou Matheus.

–Ok, vamos então pra os meio humanos, Tritões e sereias, semideuses, dragões (alguns, principalmente em uma dimensão que não vem ao caso, são humanos que se transformam), lobisomens, o ultimo não é bem visto, mas mesmo assim tem gente que trocaria de lugar com qualquer um desses só por admirar! Tenha orgulho de o que você é!

–Toda vez que eu molhar meus pés, uma cauda vai crescer! Não vou nem mais poder surfar!

–Vai sim, e sem a prancha, que parece ser muito melhor, e vai mergulhar muito mais fundo que qualquer humano normal, vai falar com golfinhos ou qualquer outros seres aquáticos inteligentes! – comentou Luna caindo de vez na cama e olhando pro teto – Sua magia é muito especial, poderia parar com isso e se orgulhar?

–Surfar sem prancha? Vou fazer isso? – perguntou ele.

–Claro que vai! – respondeu ela.

–Obrigado! – agradeceu ele.

–Filha tem alguém com você? – uma mulher alta negra com cabelos castanhos enrolados num coque entrou no quarto de Luna – Ola! – exclamou ao ver Matheus – Não vai me apresentar seu amigo?

–Esse é Matheus, ele veio me pedir ajuda com um problema mágico dele! – respondeu a garota.

–O que ele é? – perguntou a mãe de Luna depois que o sorriso desapareceu de seu rosto.

–Calma mãe, ele é só um tritão, não é nenhum lobisomem ou vampiro. – respondeu ela.

–Tritão? Grego? Isso não é nossa área filha, e mesmo se fosse já disse que não quero você envolvida com seres do mundo mágico, logo isso pode gerar problemas pra gente!

–Eu sou uma Wicca, posso não ser como meu pai, posso ser apenas uma praticante, mas não vou negar meu caminho perante a deusa!

–Eu te proíbo! – respondeu a mãe dela batendo o pé.

–Não tem esse direito, sou livre, e retiro seu convite, saia do meu quarto! – exclamou Luna, e sua mãe saiu deslizando lentamente do quarto dela, e a porta se fechou.

–Luna, desculpa eu não... – tentou Matheus sentindo-se culpado pela briga.

–Não se desculpe, ela nunca vai me entender, eu queria ter só metade dos poderes do meu pai, o que eu faço qualquer trouxa que esteja disposto a entrar na religião pode aprender a fazer com treino e dedicação, ela não entende que eu quero mais...

–Eu vi o que você fez – interrompeu ele – Muita gente queria saber fazer aquilo!

–Obrigada! – respondeu ela – Mas bem, eu realmente não posso te ajudar, os Atlantes são gregos, isso é fato, minha religião descende dos celtas, Wiccas e Druidas (que estavam extintos até pouco tempo atrás) respondem a deusa mãe. Sereias e tritões não são minha área.

–Você me ajudou, acho que não quero mais ser humano! – respondeu Matheus, acho que tenho que aceitar meu caminho de meio peixe!

–Que bom que ajudei! –exclamou ela.

–Será que poderia... revogar meu convite? – perguntou Matheus cauteloso – Eu gostei de ser arremessado contra a porta.

–Se eu revogar calma você vai sair deslizando como minha mãe, então, tente me irritar, você é mestre nisso! – comentou ela.

–Você nunca parecia irritada! – comentou ele.

–Eu nunca ligava pro que os outros pensavam de mim, só pro que eu penso de mim mesma, mas você irrita qualquer um! – explicou ela.

–Como quando eu te chamei de quatro olhos? Ou aberração? Ou de bruxa? Ou de gorda?

–GORDA? – gritou ela – QUANDO ME CHAMOU DE GORDA, ESCUTA AQUI EU LUTO E FAÇO ACADEMIA E MEU CORPO É PERFEITO, VISTO P TÁ ENTENDENDO? QUANDO ME CHAMOU DE GORDA.

–Não foi na sua frente! – argumentou ele vendo que ela estava claramente irritada.

–IDIOTA SAIA DO MEU QUARTO EU RETIRO SEU CONVINTE!

Dessa vez a pancada foi forte e a porta se fechou com um grande estrondo. Luna gritou dizendo que ele não ia sentir nada pela manhã por ter a “cabeça dura” mas também o xingou e mandou ele sair da casa. Pelo menos ele não foi jogado a força na rua.

Voltou pra casa desejando acima de tudo se jogar na banheira e dormir lá... porem da ultima vez que fez isso seu pai tinha berrado dizendo que ele poderia se afogar. Aquilo também era algo de tritão? Algo de seu corpo preparando-o? o modo como ele se sentia confortável na água era estranho. Quando ele chegou em casa foi atacado por um abraço esmagador de seu pai.

–Me preocupou campeão! – comentou ele apertando o filho.

–Pai, vai me esmagar! – gemeu Matheus.

–Olha, desculpa por não ter te contado antes mas....

–Eu não ia acreditar, na verdade, só vou realmente acreditar quando ver as escamas nascendo. – justificou Matheus. – Tá tudo bem, eu resolvi parar com o drama, há alguns dias ser um tritão era tudo que eu queria!

–E você tem a mim pra te ajudar! – exclamou Guilherme se levantando do sofá da sala – Pode contar comigo primo!

Notas finais
No capitulo seguinte: -Você é um meio tritão como eu ou é totalmente? – perguntou Matheus a Guilherme na manhã do sábado que seria seu aniversário de treze anos. -Meio, meu pai é irmão de sua mãe, ele se apaixonou por uma humana e desistiu da cauda, mas algo aconteceu e eu nasci com ela, então sua mãe cuidou de mim até meus dez anos que foi quando eu tive a capacidade de ganhar pernas ao sair da água! – explicou Guilherme. -Pera, você nasceu com cauda? – perguntou Matheus confuso. -A magia da nossa família é muito forte, o universo não ia deixar se perder, acho que por isso eu nasci com cauda, pra garantir que eu teria o nosso genes – explicou Guilherme. – Por isso sua mãe não veio pra terra com sue pai, ela estava cuidando de mim, e tinha medo de você nascer com cauda, então seriamos nós dois sozinhos no mar. -Mas é comum bebes nascerem com cauda? – perguntou Matheus. -Na verdade, sou o primeiro caso desde três décadas atrás, é muito raro! – respondeu Guilherme.