O Exorcista
21 Capitulo 21
Notas iniciais
Daan ainda não conseguia entender o que havia se passado ali. Driane havia ido de uma guerreira valente em meio a fúria para uma garota em pânico em meio a lágrimas. Ele não entendia como uma simples investida podia ter causado toda aquela mudança. Simplesmente disse o óbvio referente ao pacto que fizeram e se aproximou com o combate obviamente vencido, mas para ela parecia ter sido algo completamente diferente.
Ambos caminhavam para fora da floresta, mas a garota estava a uma boa distância dele e isso estava o assustando. Queria tentar falar algo, entretanto o mais leve movimento dele causava pânico nela. Já temia que algo acontecesse quando viu o lago e finalmente poderiam os dois descansar de tudo aquilo.
Antes mesmo de chegar ao caminho de gelo o pardo viu enquanto sua vista era tomada por um bando de cachos que corriam um pouco a sua frente para chegar o mais rápido possível a seu destino. Ele queria tê-la feito ir com mais calma, mas assim que os dedos dele se encontraram aos dela e viu suas feições ele a largou e deixou ela correr o quanto quisesse.
Os olhos assustados de todos foram as primeiras coisas que ele viu e aquilo o incomodou mais do que queria enquanto Driane subia as escadas na pressa:
– O que você fez pra deixá-la daquele jeito? – as palavras de Bonham eram o que ele mesmo se indagava a minutos.
– É isso, só isso, que eu quero tanto saber. Garanto a vocês – pelo olhar no rosto de Tytus e Ioleu eles também não compreendiam o que se passava, ou ao menos não totalmente.
– Ela agia assim no começo – comentou Tytus encarando Daan nos olhos em busca de algo, mas encontrou apenas dúvida – Quando chegou aqui. Eu e Ioleu já estávamos aqui a um ano e adoramos saber que mais uma pessoa viria para cá, mas ela nem sequer olhava para gente ou trocava um oi. Fugia sempre que nos aproximávamos e gritava se por um acidente tocássemos nela. Com o passar dos meses isso foi mudando e em menos de um ano ela tinha virado a irmã que nenhum de nós jamais teve e por isso ia dizer que ia te matar por deixá-la daquele jeito de novo. Mas nem você parece saber como fez isso.
– Só venci o combate e falei o que ela mesma propôs, ou seja, que ela agora é minha. No momento seguinte eu ia dizer que já que a vida dela era minha eu a forçaria a ser livre para todo o sempre e que ela devia voltar as pressas para casa e nunca mais fazer uma promessa daquela. Nunca cheguei a terminar a frase. Vou falar com o Coletor, enquanto isso tentem acalmá-la. Ajude-os com isso tocando alguma coisa, Bonham – pelo olhar lançado o ruivo entendeu que não era para ser apenas uma mera música, mas devia se esforçar e tentar usar os dons que tinha mesmo que fosse difícil.
O gamuriano seguiu para o quarto do velho que ele já conhecia o caminho e bateu na porta com calma e com a entrada permitida a abriu, fechando logo em seguida, e foi em direção a um banco no qual sentou suspirando pesadamente e encarando o ex-Exorcista que o encarou de volta:
– Presumo que ganhou – falou o ancião retornando as cartas que escrevia e que Daan notou já estarem em bom número.
– Sim, sim. Por mais que não da maneira simples como previ inicialmente que seria – disse o atual Exorcista – E não terminou da maneira como esperava.
– O barulho de correria teria a ver com o termino da sua luta?
– Exato. Assim que destrói o arco dela e tomei o combate como vencido disse que ela agora era minha e ia tirar a aljava dela para eu mesmo levar, mas quando minha mão ia se aproximar ela começou a enlouquecer e a gritar “não” enquanto me afastava. Só queria ter conseguido dizer que ela era livre.
– Ela talvez não tivesse tempo de processar o que você fez da forma como desejava.
– O que quer dizer?
– Deve saber que a Ordem tem preferência por órfãos.
– Sei disso, sei disso – ele não havia sido escolhido apenas por seu olho, mas também por agora não ter mais o que chamar de família. O Código pregava que isso era bom, que os únicos que devia chamar de Irmãos eram seus colegas e que sem laços familiares se esforçavam mais. E ele não conseguia concordar com aquilo completamente mesmo entendendo.
– Como já sabe sigo a risca algumas medidas da Ordem como os cinco anos de idade e o fato de serem órfãos. Com Driane ignorei a idade por motivos que logo irei lhe explicar, mas ela é órfã assim como os outros dois. Bem, ao menos ela eu sei que é realmente órfã e não abandonada pela família, algo que o Código também acha digno então não preciso me preocupar com o que Tytus e Ioleu são de fato.
– Aonde quer chegar?
– Quando o Exorcista a trouxe aqui ele deixou claro que ela era órfã e disse que ele mesmo havia averiguado isso. A família dela havia sido morta por um grupo de mercenários e somente ela havia sobrevivido. Pelo que ele viu em prática ele duvidava que em algum momento iriam matá-la. Ao menos tão cedo quanto o resto. Já praticam algo bem pior ali.
– Algo que pior que a morte. O que eles fizeram? Eles a estupraram? – a cabeça em afirmativa o chocou – Uma criança de oito anos?
– Foi o que ele me garantiu. Ela estava em choque quando a achou. Pelas palavras dele ela era alguém apta a magia rúnica e precisava de cuidados que ele mesmo não poderia fornecer então a trouxe até mim. Eu a acolhi, curei seus ferimentos, purifiquei seu corpo e sua mente com as mais diversas ervas e runas na esperança de livrá-la de um trauma muito grande e até da loucura. Mas sempre temi que a força dela e a brutalidade excessiva fossem formas de esconder algo que eu havia falhado em cuidar.
– Ela nunca esqueceu o que aconteceu – então o pânico dominou seus sentidos, ele entendia o desespero dela agora – Ela pensou que após vencer eu iria possuí-la e a forma como agi só serviu para fazê-la interpretar isso ainda mais avidamente de maneira errada.
– Acredito que seja isso.
– Por todos os deuses de todas as religiões, como posso dizer que ela estava enganada no estado atual dela?
– Não pode. Espere ela melhorar e descansar um pouco. Só ai irá falar com ela e explicar o ocorrido. Ela não é uma criança, sei que entenderá que foi tudo um terrível e nefasto engano. E mesmo que ela não entenda não fará diferença, ela é sua agora mesmo para cometer um estupro – Daan não controlou sua fúria e não sabia se foi o golpe na mesa que quase a quebrou ou seu olho que ele sabia brilhar em vermelho, mas era visível que o Coletor entendera o recado – Foi apenas um comentário. Mas saiba que ela não aceitará ser libertada. Ela leva muito a sério Pactos de Fogo.
– Temia isso. E não posso reclamar, sou um Exorcista e vivo pelo meu Código e minha palavra. Jamais poderei julgar alguém por seguir até o fim de sua vida com um pacto.
– Se não soubesse suas histórias em cortes diria que seu Mestre conseguiu criar um excelente Exorcista em apenas cinco anos.
– Não foi minha culpa, era necessário para concluir os trabalhos como deve bem saber.
– Sei disso e não contestarei seus atos. Mas lembre-se que não nos metemos com políticas e reinos por um bom motivo.
– O que me importa agora é pedir perdão a Driane pelo meu ato, que mesmo não sendo intencional, machucou-a tanto.
– Se não era a intenção então por que se desculpar?
– É exatamente por isso que tenho que fazer isso – o velho sorriu por dentro, um trabalho muito bom para míseros cinco anos mesmo que soubesse que nem todo o código de conduta dele fosse proveniente apenas de seu mentor morto, mas também de sua família original. Ele realmente faria bem a ela.
– Deixe-a ao cuidado dos outros por hora. Pela noite ou no máximo amanhã ela já estará melhor. Assim tanto poderá acertar o engano como poderão partir.
– Já esta perto de acabar as cartas?
– Faltam poucas. Espero que seja o suficiente e que consigam chegar a tempo. Precisaremos do máximo possível para esse trabalho.
– Por mais que ainda tema dizer isso, realmente precisaremos. Presumo que vai querer que eu leve ela comigo?
– Driane é forte o suficiente para cuidar de si mesma e algo me diz que ela nunca aprenderá as runas com o meu método de ensino. Talvez ela precise de você como seu guia para isso. Também estive pensando na situação de Tytus e Ioleu, mas isso não é do seu interesse. Relaxe, jovem Exorcista. Não cometeu nenhum erro grave. Vá ver como está o estado do almoço que os rapazes começaram a preparar na ausência de vocês dois e prepare a mesa caso a refeição já estava pronta ou próxima disso. É sempre bom comer, descansar e se receber carinho quando se está triste e os dois últimos sei que ela já esta tendo ali em cima.
Daan apenas assentiu com a cabeça e saiu em silêncio do cômodo. Foi até a cozinha e notou que ainda demoraria um tempo até o faisão que estava sendo assado ficar pronto assim como o resto da comida. Calmamente então ele pôs a mesa que se resumia a um prato de madeira para cada, um par de talheres de latão e canecas de madeiras. Sentou-se em uma das cadeiras e respirou fundo enquanto pensava na melhor forma de se desculpar, mas vendo que algo assim não era para ser feito de tal forma ele foi a cozinha olhar o almoço sendo pronto.
Todas as palavras que fosse usar tinham que ser espontâneas e diretas, sem enrolar. Apenas sinceras. Se não bastasse aquilo então nada mais bastaria. Talvez também flores e coisas caras. Sempre dava certo com nobres, tinha que funcionar com ela. Mas pela forma como ela era ele duvidava disso, tinha que ir apenas com sua sinceridade e nada mais. Teria feito assim com ELA e sentia que com Driane era igual.
Quando já tinha posto a mesa os legumes e os grãos cozidos o trio de homens começou a descer as escadas e o auxiliaram na tarefa mesmo parecendo sonolentos com exceção do ruivo. Tytus apenas passou do seu lado dizendo com o olhar que ele não tinha com o que se preocupar enquanto Ioleu batia no seu ombro com calma indo a cozinha. O gamuriano sentou a mesa sendo acompanhado por Bonham que pôs seu alaúde no canto da cadeira em que sentou e o encarou por alguns segundos:
– Eles não sabem, mas fiz mais do que apenas tocar para ela – comentou o bardo sabendo que não eram ouvidos – Por isso estão com aquelas caras.
– Entendo, entendo – disse o pardo suspirando passando os dedos pela sua cicatriz no lábio e depois pelos cabelos.
– Também soltei alguns acordes para acalmar e limpar a mente. Não tenho pleno controle dos meus poderes e nem da sua completa intensidade, mas acho que serviu muito bem já que os outros dois estão daquele jeito.
– Previsão para ela acordar?
– Isso só depende dela. Só espero que depois do almoço. Assim sobra mais para nós – os dois não deixaram de rir.
– Vamos partir amanhã.
– Já? Uma pena. É tão agradável esse lugar.
– Realmente é, mas temos prioridades. Tenho que chegar ao local indicado o mais rápido possível para preparar tudo.
E antes que a discussão se estendesse o cheiro do faisão assado dominou todo o recinto e logo chegou sendo carregado pelos dois aspirantes a Exorcista. A refeição foi silenciosa e mesmo sendo tão bom Daan não conseguiu gostar tanto assim de comer. Sem Driane ali na mesa almoçar parecia um ato errado, mas o olhar do Coletor ao chegar era direto, eles tinham que fazer aquilo.
Ioleu pegou um pouco do que restou da comida, mais do que esperavam, e levou para o quarto da garota caso ela precisasse comer assim que acordar. Mesmo que estivesse frio era melhor do que ficar sem comer.
A tarde passou mais rápido do que o esperado. Daan tentou ensinar a Ioleu o funcionamento de novas runas enquanto ele mesmo era ensinado por Tytus sobre novas delas e quando viu que o garoto era bem melhor que ele o deixou ministrar os ensinamentos sozinho tanto para ele quanto para o surdo-mudo.
Quando a noite caiu o Exorcista deixou claro sua surpresa em ter aprendido as duas novas runas que lhe seriam muito úteis ainda que bem perigosas. Uma delas aumentava a rijeza das coisas, isso incluía da pele. De acordo com Tytus ela poderia tornar a pele humana mais dura do que ferro se usada por alguém habilidoso no caminho das Runas, mas quanto mais rígida a pele ficava menor se tornava a transpiração e isso não era nem um pouco bom para alguém que vivia em combates e precisava suar para não morrer. De acordo com o garoto a rijeza também podia ser expandida para outros materiais como espadas e roupas e alguns diziam que até o próprio ar. A outra era a runa da empatia, era capaz de ligar todos os sentimentos e pensamentos de duas pessoas. Era uma técnica perigosa de ser usada, mas da maneira correta podia ser um excelente meio de interrogatório e até a diferença entre a vida e a morte. Runas como a de gelo e outras elementais ainda eram um desafio para ele.
Enquanto aprendia essas duas runas novas, o gamuriano ensinou a Ioleu o uso da runa do fogo que ele tanto gostava e também treinou com Tytus as runas que já conheciam para se tornarem ainda mais efetivas. Quando o sol se punha os três estavam famintos e mesmo sem o cansaço físico a cabeça deles doía e a barriga implorava por comida grunhindo como uma besta.
Pelo cheiro que emanava o prato da noite seria algum peixe do lago. O pardo logo descobriu que poucas eram as coisas que eles não obtinham da própria floresta de Givia. Nela diversos faisões, javalis e esquilos viviam, algo que proporcionava belas refeições ocasionalmente, além dos peixes que enchiam o lago. Ervas cresciam em locais que os pupilos já conheciam e a pequena horta atrás da casa rendia vários grãos e legumes que poucas vezes não eram o suficiente para o quarteto usual e então eles iam até vilas próximas da floresta comprar algumas coisas e voltavam.
Novamente Daan estava certo e notou que na cozinha Driane preparava uma enorme traíra que ele nem sabia que podia chegar aquele tamanho. A outra já parecia próxima de estar pronta e pelo cheiro o resto dos pratos também. Tytus e Ioleu foram a cozinha auxiliar sua colega enquanto o moreno sentava ao lado de Bonham a mesa:
– Ela melhorou? – perguntou o Exorcista com sinceridade e teve de resposta um aceno positivo com a cabeça e um leve sorriso.
– Assim que saíram fui vê-la e ela tremia na cama e suava frio, provavelmente graças a algum pesadelo, então toquei para acalmá-la. Assim que ela parou desci para fazer um lanche e revisei as baladas que escrevi sobre você além de checar e afinar meu alaúde. Pouco tempo depois ela acordou e começamos a conversar aos poucos. Ela parecia desconfortável em falar com um homem ainda tão desconhecido então resolvi falar algumas coisas a ela.
– Suas origens?
– Obviamente que não – a expressão no rosto do ruivo de choque fez Daan rir por um instante – Mas falei a ela sobre meu gosto peculiar para parceiros e de alguma forma isso a acalmou. Talvez por parar de me ver como um possível abusador. Ela disse que suspeitava disso pelos barulhos da noite anterior por mais que não tivesse entendido completamente.
– Falou sobre mim também?
– Claro, fiz questão de deixar claro que gosta das duas coisas para ela então me agradeça por não estragar o relacionamento de vocês.
– Relacionamento? Tirou isso do mesmo lugar que nossa amizade? A única relação que temos é que eu tenho a vida dela após derrotá-la num combate sem sentido guiado apenas pela raiva e depois fiz ela reviver um horrível trauma da infância.
– E a forma mais bonita de se começar um relacionamento? Daria uma canção interessante.
–Fale sério ao menos uma vez.
–Estou falando oras. Um grande amor proibido ou impossível, amores de infância, amores que superam a morte e pessoas que usam o ódio para mascarar o amor são sempre as melhores histórias.
–Que tal continuar a falar sobre Driane?
–Bem o resto da conversa foi quase tensa. Ela perguntou sobre como eu poderia gostar de tomar algo naquele lugar e quase respondi que se pra ela era bom por que pra mim não seria, não é? Mas controlei a língua a tempo. Sabia que ela não tem experiência nenhuma em qualquer forma de pratica sexual? Conversar durante o preparo de uma refeição pode render muito. Ela é uma cozinheira inigualável, por sinal. Eu com aquelas mãos ganhava qualquer homem. Como já diria o grande bardo Will Ian, para se ganhar um homem não deve conquistar seu coração, mas sim seu estômago, seu olhar e sua mente.
– Ela não ter experiência era algo meio óbvio de se prever tendo ela sido estuprada quando criança. Deve ter um trauma absurdo com isso.
– E tem. Já não bastasse crescer isolada saindo apenas para rápidas compras em vilas ela passou por algo assim na infância. Uma presa fácil para você.
– Jamais passaria uma noite com ela. Antes mesmo do meu membro provar do molhado dela, uma faca dela já estaria molhada no sangue da minha carótida.
– Você se subestima demais. E se não for com você com quem será? Ela é uma jovem que não conhece o mundo e sendo uma mulher qualquer erro pode acarretar em uma gravidez que vai consumir muito do seu tempo de trabalho como Exorcista.
– Por isso mulheres não são bem vindas. Mas acredito que isso era um problema antigo. Hoje em dia é comum mulheres nobres e até algumas camponesas com conhecimento herbáceo tomarem certos chás abortivos. Ela como Exorcista terá conhecimento suficiente para fazer os seus próprios bem melhores que os vendidos pelos boticários.
– Mas ela poderia ser enganada. Levada aos maus caminhos por algum rapaz mais esperto e se desviaria do Código.
– Exatamente como você quer que eu faça com ela.
– Mas você é alguém que posso controlar e vai fazer besteiras para ensiná-la a combatê-las.
– Por que essa vontade de reger a minha vida?
– Só falo do que sei.
– E sabe que eu dormirei com ela?
– Não sei do desejo da sua parte, mas da dela isso é um fato.
– Ela é uma biruta que quer me matar por tê-la derrotado e já ter minha medalha na metade do tempo dela, ela não me deseja. E eu jamais usaria nosso pacto para tal ato.
– Sei disso, relaxe. Tudo entre vocês acontecerá no tempo certo agora que ela irá conosco. Ela deixou claro que não vai te largar e não vai aceitar ser liberta até ganhar sua própria medalha.
– Já previa tudo isso.
– E também disse que se formos ficar transando que pelo menos a deixasse num quarto separado.
– Agora ela pensa que somos dois depravados que fazemos isso a toda hora.
– Eu gostaria muito que fosse assim – o sorriso sacana no rosto de Bonham fez ambos rirem por alguns bons segundos – Depois ela perguntou então o que eu tinha de histórias e vamos apenas dizer que é melhor que a conversa acabe agora ou não vai conseguir jantar.
– Por todos os deuses, você é insano.
– Insano e ainda você não me larga.
– Você é que não me deixa em paz!
A dupla riu enquanto o cheiro do jantar inundava suas narinas e uma figura velha surgia aos poucos no local carregando uma série de pergaminhos enrolados e saindo da casa por alguns segundos até que ouviram o bater de asas. Sua partida estava próxima.
Fale com o autor