Notas iniciais
E mais um novo capitulo para todos os leitores e leitoras :) Espero que gostem deste e o próximo será lançado entre os dias 23 e 30 deste mês ;)

O barulho dos pássaros e dos bichos seria até agradável se a tensão da situação não fizesse tudo aquilo se tornar muito mal vindo. Daan precisava achar o mínimo som ou vislumbre de sua adversária e interceptá-la. Na sua cabeça o rapaz tentava lembrar de tudo que sabia da garota e as únicas informações que focava eram que ela tinha dez anos de treino e não dominava as runas. Ele supunha que ela tinha dezoito então começou seu treino aos oito mesmo o Coletor deixando claro que só treinava as crianças aos cinco como deveria ser feito de acordo com o Código. Ainda assim ele a treinou.

A maioria dos Exorcistas faria questão de averiguar em primeiro lugar se a criança escolhida era apta a magia branca e se não fosse era simplesmente ignorada, mas o velho ainda assim continuava a treiná-la. Dez anos a ensi-nando mesmo isso indo contra o Código que ele mesmo defendia. E isso devia ter um excelente motivo.

E quando o gamuriano pensava que o som dos animais era um problema foi quando o silêncio reinou que ele ficou mais preocupado. Ela realmente era boa se escondendo. No dia anterior agora notava que tinha sido mero descuido da garota por não saber de quem ele se tratava e havia o subestimado, agora ela estava levando a sério o conflito. O pardo controlou sua respiração e apertou com firmeza a espada, podia usar as runas ou o poder de seu olho, mas não seria justo. Tinha que derrotá-la com apenas as suas habilidades normais então precisava afiar seus instintos.

Suor frio ameaçava começar a sair e a tensão começava a se tornar palpável ao seu redor, mas em troca podia quase sentir a presença de Driane ali e a vontade de matar dela ao seu redor. Foi então que uma flecha rasgou o espaço e com um rápido reflexo o Exorcista escapou tomando um corte na bochecha esquerda. Fios de sangue começaram a escorrer e seus olhos foram na direção da flecha tentando prever para onde a garota iria, mas notou quase tarde demais que ela não saiu da sua posição.

Outra flecha veio até ele e com um rolamento conseguiu escapar de mais uma flecha, mas no momento em que foi se levantar outra flecha veio mirando no seu peito e ele defendeu acertando a espada com precisão jogando a flecha para longe. Só então Driane começou a se mover e devido ao tempo que perdeu para avançar graças a posição ruim e desajeitada Daan não conseguiu acompanhar o rastro dela perdendo-a novamente na floresta.

Pelo que lembrava o rapaz ela agora só tinha mais nove flechas na aljava, mas se ele continuasse a ser pego de surpresa daquela forma duvidava que fosse durar muito mais. Tinha que ser ainda mais cauteloso e para isso precisaria usar a estratégia da garota contra ela. Estava na hora de mostrar que ela não era a única que sabia se camuflar. Ela tinha dez anos de vivência na floresta, mas ele por treze viveu pelas ruas de uma das maiores florestas de pedra do mundo.

Daan se embrenhou em meio as folhas da alta vegetação do solo. Podia ouvir de longe sons que ele sabia reconhecer e precisaria deles se quisesse vencer e ainda mais precisaria que Driane não os ouvisse. Então mantendo uma distância segura do grupo e sabendo que sua inimiga ainda não sabia sua posição exata ele pôs o plano em ação.

Deixou que ela o notasse de propósito e logo voltou a se esconder. Conseguiu notar com dificuldade o vulto que agora estava metros acima dele a direita. Ela realmente era boa e se ele não soubesse para onde olhar jamais teria visto seu trajeto. Mas logo ela perderia sua camuflagem tão preciosa.

Com cuidado e sabendo que não era visto, o moreno jogou uma pedra para longe e moveu-se ao mesmo tempo revelando sua posição e tirando o foco da garota para que ela não ouvisse a pedra ou se ouvisse não desse a devida atenção. Notou o vulto que era a garota o seguindo sem sequer notar o que ele fizera e também sombras que se aproximavam bem atrás dele, então metade do plano já havia sido bem sucedido.

Agora precisava acelerar o ritmo sem que ela notasse o porquê então voltou a se esconder e segundos depois lançou uma pedra fazendo um barulho alto para que ela também ouvisse. Daan ergueu seu corpo e observou na direção do som fingindo um sorriso e avançou guardando a espada na cintura. Aquilo devia ser o suficiente para terminar a segunda e penúltima parte do plano. Ela agora devia pensar que ele estava animado por pensar ter descoberto a posição dela e estar seguindo uma falsa pista. Mas era ela que fazia isso.

Correndo a toda a velocidade e no chão, o pardo conseguiu uma vantagem que ela não esperava. Estabilidade na sua posição e providenciando a terceira e última parte do plano. Quando notou que ela estava mais próxima do que deveria ele pulou girando seu corpo e atirando seu punhal rumo às alturas. No ar era impossível ela desviar e acabaria por cair em direção a alguns galhos que amorteceriam a queda e a fariam desmaiar. Fim do combate.

Mas ele não contava que ela fosse tão boa. Com um simples golpe do arco a garota prendeu o punhal nele escapando do ataque. No entanto caiu no plano B do gamuriano e o real motivo pelo qual ele buscou uma base tão boa.

Defendendo o golpe, Driane não prestou atenção na sua queda e caiu com a postura errada no galho escorrendo e indo em direção a outros mais baixos sem poder fazer nada. Daan já iria contar vitória, mas novamente foi surpreendido pelas habilidades da garota que mesmo caindo conseguiu girar seu corpo e agarrar um galho com as mãos girando até se lançar em direção a outro galho caindo em posição perfeita para preparar seu arco e de frente para o moreno que apenas grunhiu de raiva.

O punhal de Bonham voou na sua direção, mas ele esquivou puxando a espada e sem tirar os olhos de cima onde Driane já preparava e lançava sua primeira flecha. Com o suco da espada Daan conseguiu parar a flecha e graças a base firme se manteve pronto para qualquer outro golpe que logo veio em seguida mirando no seu ombro direito e ele a parou movendo apenas da cintura pra cima de seu corpo para a esquerda e cortando a flecha.

Então a primeira parte do seu plano chegou para auxiliar no plano C. O grupo de kubolds chegou grunhindo e batendo suas armas contra o chão tirando toda a atenção de Driane dele por um instante. Sendo guiados pelo barulho da pedra e posteriormente do próprio Daan, as criaturas vieram com um pequeno grupo de oito para averiguar o que acontecia e daquela forma deram ao pardo chance suficiente não apenas para recolher o punhal, mas também sumir da vista da arqueira.

Quando a garota deu por si seu adversário havia sumido e ela começou a se preocupar. Os kubolds não iriam atrapalhá-la por já serem conhecidos, mas foram uma distração momentânea mortal. Por mais que ela buscasse por ele não conseguia achar um mínimo rastro. Conseguia apenas seguir alguns poucos metros após a marca do punhal e então sumia e isso a preocupava.

Driane sabia que ele não estava pelas copas como ela, não teria chances num combate ali em cima. Isso a preocupava ainda mais. Se continuava no chão era porque tinha plena fé que poderia derrotá-la dali antes que suas flechas acabassem. E Restavam sete.

Os cabelos encaracolados caiam pelo seu rosto cobertos de suor pela tensão da situação e quando os afastou do rosto ouviu o barulho de pedras se movendo logo atrás dela e longe dos kubolds. Ela com alguns saltos chegou mais perto e logo ouviu mais pedras e não demorou a perceber que ele a forçava a seguir para onde ele queria agora.

E como ela odiou ao notar qual era o caminho ao qual ele a levou a seguir. Não demorou para avistar a Pedra do cavalo então resolveu cair em cima da cabeça da figura que todos diziam ser um cavalo, mas para ela pareciam apenas pedras. De cima da cabeça do animal ela viu com clareza a figura do gamuriano parado no meio da estrada.

Estava a quase duas dezenas de metros, mas ela podia ver com clareza o sorriso no seu rosto. Driane preparou seu arco e apontou a flecha para sua cabeça enquanto pulava da cabeça da formação rochosa para o chão entendendo o que ele queria. Ali acabariam o combate de uma vez.

A corda do arco foi tensionada ao máximo enquanto o espadachim assumia uma estranha posição que a arqueira nunca viu. Seus pés estavam bem afastados uns dos outros com o direito a frente. Sua mão direita estava sobre o cabo da espada sem a sacar e todo seu corpo estava de lado com o ombro direito e o rosto virado de frente para ela.

A garota podia sentir na espinha que aquela posição era perigosa, mas a distância entre os dois era grande o suficiente para ela poder lançar flechas a vontade contra ele e impedir o seu avanço. Ficar em campo aberto e forçá-la a descer não seria a chave para sua vitória, mas sim a sua ruína.

Ou isso ela pensava enquanto o arrepio a dizia para sair dali como se ela fosse uma criançinha indefesa contra um urso negro e pensava que tivesse chance de vitória só por ter uma pedra em mãos.

A seta zuniu enquanto Daan soltava o ar que prendia nos pulmões e jogava sua espada para o alto e simplesmente girava sua cintura para o lado avançando um passo. Faltavam seis flechas.

Como previu uma segunda flecha veio logo em seguida então ele agarrou o cabo da espada em pleno ar e desceu seu braço formando um arco vertical enquanto avançava sua perna de trás para a frente e cortou a flecha bem antes de acertá-lo avançando outro passo e logo em seguida com calma andou mais um pouco sem sair da postura final do ataque. Agora cinco.

Driane respirou fundo pensando que seu inimigo avançaria para atacar, mas o gamuriano continuava na mesma posição com a espada próxima do chão e o seu corpo curvado. A única diferença que ela podia notar era que ele rapidamente girou suas mãos sem as tirar do cabo. Ele realmente a desafiava e se era assim ela não recuaria um centímetro sequer.

Ela não se demorou e depressa já tinha feito seu próximo movimento. A flecha parecia buscar pelo próprio sangue do pardo, mas ele não se incomodou com aquilo. Sua espada subiu rasgando a flecha em pedacinhos enquanto sua base avançava mais um passo e os destroços iam ao chão. Ele calmamente andou mais dois. A cada momento aqueles vinte metros não pareciam mais tão seguros assim. E nem sequer mais tão longos. Quatro flechas.

Toda a tensão que poderia acometer o corpo da arqueira foi passada para seu arco enquanto disparava tentando acertar aquele alvo que parecia intocável. E era intocável.

A ponta da flecha ia tocar seu corpo quando ele girou todo seu corpo apoiando seu peso no seu calcanhar direito e então jogando tudo para frente avançando com velocidade e ferocidade sendo recebido de frente por uma outra flecha que também tentava tirar sua vida, mas por pouco não o acertou, pois ele literalmente foi ao chão fazendo sua ponta metálica passar raspando pelos seus cabelos. Restavam duas.

Quando Driane pensou que ele iria cair de cara no chão toda aquela silhueta da cor da terra subiu continuando a avançar. Com uma flexibilidade absurda o rapaz havia conseguido por seu pé esquerdo a frente e abusando de todos os seus músculos contidos na perna e forçando suas articulações ao máximo ele se lançou para cima. A garota tentava preparar um lançamento duplo de flechas quando a espada bastarda destroçou ambas e o arco.

O impacto foi tamanho que o vento erguido jogou seus cachos castanhos para o alto e fez seu rosto formar apenas uma feição de susto. Seus braços tentavam se mover em busca de seus dois punhais, mas encarar aqueles olhos negros tão de perto depois de tal ataque impediu que ela fosse capaz de fazer qualquer outra coisa além de cair de joelhos:

– Acabou.

Aquela palavra solta por ele reverberou por entre as árvores e os ouvidos da arqueira. Ela queria gritar que não, mas o ar em seus pulmões parecia cada segundo mais rarefeito então permaneceu em silencio enquanto a única coisa que observava era a silhueta dele se aproximando do seu rosto e encarando-a. Os olhos brilhando. A mão se aproximando.........:

– Você é minha agora.

Naquele instante, lembrando de coisas que sua mente tanto queria apagar, Driane enfim gritou. De seus lábios saíram um estridente “não”. Um não carregado de medo e terror.

Notas finais
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