O Exorcista
17 Capitulo 17
Notas iniciais
Os três combatentes saíram com calma da casa enquanto os outros dois saíram logo atrás apenas comentando entre si e rindo de tudo ali enquanto por dentro imploravam que realmente fosse apenas um treino e nenhuma cabeça rolasse. Tytus conhecia muito bem sua amiga para saber como ela ficava com raiva e Bonham tinha ouvido a voz dela e cada uma das emoções ali contidas.
Daan pegou uma espada bastarda de aço que havia no local e a girou com calma em mãos enquanto saia da casa e parava na terra batida do lado de fora da ilha. Logo atrás vinham Ioleu e Driane também carregando espadas em mãos. Cada um carregava apenas uma espada e não tiravam os olhos um dos outros enquanto os cavalos relinchavam parados ali do lado de fora presos a estacas de madeiras e comendo com calma a alimentação que lhes tinha sido entregue:
– O crepúsculo já está sobre nós como devem saber – comentou o Exorcista analisando seus dois rivais – Lutaremos até o anoitecer cair e as tochas começarem a queimar. Vocês têm até lá para lutarem comigo.
– Não preciso de tanto tempo para acabar com um único homem e nem mesmo de um parceiro – disse Driane entrando numa pose de batalha – Um contra um.
– Certo, não irei contestar e duvido que seu amigo também. Se não fizer diferença de quem começa prefiro que seja ele por simplesmente uma questão de querer e nada mais.
– Não faz diferença. Só uma pena, talvez assim não sobre nada para mim.
Daan apenas sorriu e deu de ombros em resposta. Podia sentir que aqueles dois ali eram bons. A posição de combate que assumiam, a segurança com que tinham a espada em mãos e que emanavam ao redor deles. Não eram amadores. Mas também não eram bom os suficientes para ele. Eles treinavam desde os cinco anos se o Coletor fazia o processo corretamente então Ioleu que era o menos experiente já tinha onze anos de treino, o gamuriano tinha apenas cinco. Mas não foi considerado um Exorcista pelo seu medalhão se não fosse bom o suficiente para isso. Era um prodígio e tinha que provar para aqueles ali presentes.
Os dois morenos se posicionaram a sete metros de distância um do outro. As espadas seguradas com firmeza pelas mãos calejadas de tantos treinos incessantes e com seus espíritos em chamas. Assim que Bonham gritou um “comecem logo!” ambos avançaram.
As espadas se chocaram bem no ponto central entre eles. O ar tremeu com o impacto, mas nenhum dos dois fraquejou. Eles se encaravam, ambos com sorrisos nos lábios. Daan por surpresa da força do adversário enquanto o de Ioleu era por puramente diversão. Então com um simples movimento preciso e ágil de pé para trás a base do pardo foi alterada de maneira que o encontro das lâminas se rompeu e o peso do adversário caiu contra ele enquanto a base dele quebrava e a do Exorcista se refazia num piscar de olhos.
Com um giro de calcanhar o corpo do gamuriano ficou sobre o do surdo-mudo e então sua espada desceu de encontro a carne do inimigo. O cauca-siano notando o que iria ocorrer girou o braço para trás e defendeu o golpe com sua própria espada, mas caiu com força contra o chão.
Tudo havia ocorrido tão rápido que os olhos não acostumados de Bonham quase não registraram tudo que ocorreu. Já os outros dois pupilos do Coletor encaravam tudo sem esconder o choque pelo acontecido. Nunca tinham visto alguém capaz de rivalizar com Ioleu e muito menos alguém tão veloz. Os três tinham como experiência lutas realizadas entre si, frequente-mente contra os kubolds e as vezes contra cavaleiros andantes nas vezes que seu mestre permitia que saíssem da floresta. E nada se comparava aquilo.
Daan apenas suspirou, não esperava que seu adversário tivesse conseguido escapar daquilo, mas isso indicava o quanto tinha experiência de combate. Muito mais do que o próprio pardo. Mas aquilo não mudaria o resultado daquele confronto. Ele era muito melhor que o garoto mais novo e tinha bem mais experiência na luta que envolvia vida e morte diferente dele. E aquilo era algo que pesava muito mais na prática.
O Exorcista atacou com velocidade Ioleu enquanto o surdo-mudo ainda tentava levantar. Os golpes foram mais focados em velocidade do que em força e graças ao ritmo acelerado o branco acabou caindo novamente e quando notou tinha a lâmina da espada apertando contra seu peito. Os dois se enca-raram por um longo segundo e então o pardo ofereceu a mão recebendo a do outro em resposta se deixando levantar:
– Quando lutarem cometam um único deslize e morrem – disse o gamu-riano levando o garoto até os outros e acenando para Tytus que entendeu o recado e começou a escrever as palavras ali ditas – E isso não só com a espada, mas também com a magia. Por isso nós Exorcistas nos focamos em dois caminhos de combate e não apenas um – o escritor abaixou a cabeça envergonhado, mas sem parar de escrever – Posso sentir o poder que emana de você Tytus e algo me diz que é enorme, mas se nunca aprender a lutar jamais vai ganhar seu colar. Imagine lutar com uma fera e sua magia acabar o desgastando antes de vencer? Ficará fraco e não saberá usar uma espada para se defender. Enquanto a você Ioleu, enquanto não souber usar as runas não importa o quão habilidoso seja também não irá ganhar. Quando lutar e acabar se ferindo como vai fazer? E se alguém precisar da cura de uma maldição e precisar usar uma série de ervas seguido de algumas sessões de magia de purificação e cura como fará? Seguimos dois caminhos e precisam pelo menos dominar o básico deles. Já sabem no que são bons, basta só se focar com todas as forças no que são ruins então. Tem quatro anos ainda.
– Acabou a aula? – perguntou Driane rangendo os dentes – Se sim gostaria de lutar logo. O crepúsculo já está perto do fim e preciso de tempo para puni-lo por ferir meus olhos com aquele movimento idiota de espada.
– Está bem, está bem – Daan deu de ombros e foi na direção do local em que começara o duelo anterior – Quando quiser.
A garota avançou e ele respirou fundo deixando os músculos relaxarem enquanto seus dedos ficavam mais rígidos sobre o cabo da espada. O golpe vinha na direção da sua garganta e ele deixou seu corpo cair fazendo a espada passar a menos de um centímetro de seus cabelos e enquanto caia fez sua espada avançar num corte horizontal. Mas quando o pardo pensou que iria acabar com aquilo facilmente uma mão surgiu empurrando a espada para baixo enquanto um corpo deslizava para longe.
Daan quase cambaleou para o lado, mas conseguiu manter sua base e ergueu a espada a tempo de parar o ataque que veio na direção da sua cara. Seu corpo foi jogado para trás ainda com a base firme e a sua frente uma figura furiosa envolta em uma massa marrom encaracolada voltava a atacar. Seus movimentos eram velozes demais e mesmo atacando daquela maneira que parecia ser animalesca cada movimento dela era muito bem medido e não deixava que ele tivesse brechas para seus movimentos rápidos de contra-ataque que ela agora sabia que ele tinha pela luta anterior.
Se continuasse daquela forma ele provavelmente acabaria fazendo o combate durar mais do que deveria. Mas duvidava muito que iria perder.
O próximo ataque vinha em direção ao ombro direito enquanto sua espada era lançada para o lado esquerdo. Se defendesse o ataque continuaria preso naquele frenesi de ataques dela e aquilo não era mais uma opção. Então tomou sua decisão e simplesmente deixou seu corpo cair no chão de propósito.
A espada passou direto pelo seu corpo e Driane observou com os olhos esbugalhados um Daan que caia sorrindo. Antes que o corpo dele tocasse o chão se apoiou com a mão direita impedindo a queda e deu uma rasteira na garota fazendo-a cair na direção dele graças ao seu movimento de espada que deu errado. O corpo dela se chocou em cima dele e tomou como resposta apenas um riso:
– Do que está rindo imbecil? – perguntou com raiva a garota levantando, mas o foco de Daan foi apenas no hálito dela que tinha um gostoso cheiro de hortelã enquanto seu cabelo cheirava a canela, lembrava ele d’Ela – Ainda temos que acabar a luta.
– Já acabou, garota – respondeu o pardo levantando enquanto as tochas do lado de fora da casa acendiam como por mágica e ele tentava apagar a comparação idiota da cabeça e sorria – Agora vamos comer porque estou morrendo de fome.
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