Notas iniciais
Mais um capitulo saindo do forno, queridos leitores e queridas leitoras :) Espero que apreciem a leitura ;) Próximo capitulo entre os dias 18 e 25 de Maio

– Nunca imaginei que seria possível trazer um demônio do Abismo – respondeu o velho com sinceridade após ouvir as palavras do jovem.

– Foi o que li e que pode confirmar lendo o senhor mesmo – disse Daan terminando a cerveja que lhe havia sido servida.

– Jamais duvidaria das palavras de um Irmão. Conheço melhor que qualquer um nosso Código e nossa ética.

– Sei disso, Coletor. Perdão se o ofendi.

– Não precisa pedir perdão por algum tão estúpido. Então recapitulando, você gostaria de minha ajuda para reunir outros Exorcistas a sua causa e impedir este ato.

– Sim. Não consigo ver chance alguma de vitória se realizar tal ato sozinho.

– Também não vejo. Mas devo ser sincero com você e também dizer que não vejo chances de conseguir um bom grupo. Como disse o encontro será daqui a duas luas, mas a primeira já está bem próxima.

– Será que não é tempo suficiente para convocar a outros? Sei que sendo o senhor a chamá-los tenho chances. Principalmente se enviar também para eles réplicas do pergaminho que posso produzir com velocidade sem problemas.

– Talvez consiga, mas sabendo a distância para o local onde ocorrerá o ritual e o tempo que demorarei para convocar a todos e receber suas respostas pode ser que não tenhamos tempo para reunir muitos.

– Sete contando comigo está mais do que de bom tamanho. Atualmente o Coven tem apenas cinco delas já que eliminei outras duas como já o informei e se a informação sobre o feiticeiro for correta então haverão seis ali.

– Então que os deuses nos ajudem a reunir tão grande grupo. Ser uma Ordem de eremitas é sempre problemático quando precisamos nos reunir. Para sorte do mundo raramente precisamos de mais do que um para realizar um trabalho.

– Isso é uma verdade.

– Devo agradecê-lo pelos colares por sinal. Auxiliou em meu trabalho.

– Como falei achei os três em posse da bruxa. Com eles quanto possui consigo?

– Cinco. Dois de meus pupilos foram considerados aptos e levaram suas peças para o mundo.

– Falando em pupilos só possui no momento esses três?

– No momento sim. Já estou velho então diferente do começo em que podia ir atrás de jovens aptos tenho que esperar que algum Exorcista os traga até mim e só aceito aqueles com até cinco anos diferente de alguns que tomam garotos mais velhos como foi o seu caso. Alguns Irmãos são preguiçosos demais para treinar um eles mesmos então me entregam seu fardo.

– Entregar seu fardo para um homem de oitenta e cinco anos não me parece algo muito justo.

– Não me importo. Foi o trabalho que tomei para mim ao meu aposentar e é este que quero até o último de meus dias. Falando em aposentar soube de seu Mestre. Tive o prazer de conhecê-lo, era um grande Exorcista.

– Sim, ele era.

– E como todo bom Exorcista provavelmente se deixou matar.

– Tinha minha suspeitas, mas então o senhor acha que realmente foi isso?

– Tenho certeza absoluta. Você não deve saber, mas além de mim deveria haver mais três aposentados contando com seu Mestre. Todos morreram numa missão. Causado pela idade? Duvido muito. Aposto que foi muito mais medo do que o futuro os aguardaria. A maioria de nós começa essa vida aos cinco anos então não conhece nada além de nosso Código. Não saberiam como viver fora disso e sempre após trinta anos de serviço a peça lhe abandonará mesmo que não deseje. Então para não recorrerem ao suicídio eles pegam um trabalho muito difícil e se deixam morrer. Pode querer não aceitar, rapaz, mas é a verdade mais provável.

– Não contestaria suas palavras e na verdade é bem a cara do Mestre, morrer em ação.

– Ele era um grande guerreiro, mas como posso ver pelo nível da sua magia ele não gostava muito das runas.

– E está mais que correto. Nunca aprendi mais que o básico delas. Cura, pirotecnia, libertação, influência psíquica básica, fortalecimento físico e purificação. De acordo com ele tudo que um bom Exorcista precisa durante um combate.

– Seu Mestre preferia seguir o que chamo de o caminho da espada e focava no uso das poções e nas pericias armadas. Não é um erro, mas eu por sinal prefiro o caminho das runas e em vida usei muito mais a magia do que minha espada.

– Magia sempre me desgastou muito e sempre incita o poder do djinn então prefiro não utilizá-la além do necessário.

– Por isso seu Mestre foi perfeito no seu caso. Mas se eu tivesse o treinado teria tentando fazer com que canalizasse o poder do seu olho e não fugisse dele, poderia usar magias inimaginavelmente mais poderosas se conseguisse domar o poder dele.

– Acha que isso é possível?

– Com o treino adequado sim, mas não temos tempo para algo assim. Temos um Coven para exterminar além de um suposto feiticeiro.

– Acredita que um feiticeiro pode realmente existir?

– Vi coisas demais na minha vida para duvidar disso. Mas preferia que não. Agora pode sair, irei escrever algumas cartas. Aproveitando que está aqui poderia me fazer um favor?

– O que o Coletor deseja de mim? Se estiver ao meu alcance farei com prazer.

– Aqueles três ali fora são jovens habilidosos. Os dois rapazes têm dezesseis anos cada e a garota tem dezoito como você. Gostaria que lhes desse algumas aulas. Apenas um deles tem verdadeira aptidão ao caminho das runas e já que não sou um bom guerreiro gostaria que os treinasse mesmo que um pouco no caminho da espada.

– Será um prazer, Coletor. Mas antes me diga por que havia uma vila amaldiçoada tão próxima daqui e o senhor não fez nada para ajudar? Poderia até ter enviado seus pupilos como uma forma de treino.

– Sendo pupilo de quem foi acho que seu Mestre deve ter o ensinado a sempre pesquisar sobre o local e as pessoas que envolvem seu trabalho.

– Sim, sim.

– Pesquisou sobre esse? – o pardo apenas fez que não com a cabeça se odiando por dentro – Uma jovem da cidade deitou-se com um homem casado e pai de três crianças então como punição ambos foram queimados vivos. A garota tinha aptidão a magia negra.

– Então num momento de alento final em meio ao sofrimento por tal execução ela despertou seus poderes e rogou uma maldição.

– Exatamente.

– Entendo seu ponto em não querer ajudar. Tinham que pagar por queimar uma jovem viva, mas todo o povo estava pagando por isso incluindo aqueles que talvez tivessem sido contra a execução.

– Vamos debater algo assim nesse momento?

– Claro que não – diferença de opinião na hora de um caso, o maior motivo de intriga dentro da Ordem e pelo qual não trabalhavam juntos. Não podia deixar isso atrapalhá-lo logo agora e nem no futuro então era bom que começasse dali – Estou indo ajudar seus pupilos.

O gamuriano saiu do cômodo em que estava a mais de duas horas. Faltava pouco tempo até o crepúsculo, mas ali aquilo não era um problema. Diversas tochas eram espalhadas pela ilha mesmo que ainda não estivessem acesas e nenhuma criatura selvagem da floresta atravessaria o lago a nado. Apenas um humanóide com más intenções faria isso e para evitar tais coisas havia os kubolds. O moreno logo descobriu que as criaturas serviam ao ex-Exorcista e em troca de impedirem pessoas más intencionadas de chegarem ali eles não seriam exterminados. Eram um grupo de mais de cem deles e como ele também descobriu os únicos que eram realmente feridos ali em Givia eram aqueles que entravam no caminho da pedra do cavalo, pessoas que só seguissem a estrada escapavam sem problemas algum.

Os outros quatro que habitavam a casa estavam sentados em confortáveis cadeiras acolchoadas em frente a uma mesa circular com seis lugares e comiam com calma uma série de frutas untadas com mel. Daan não deixou de estranhar que Bonham não estivesse tocando seu alaúde, mas não comentou nada, apenas puxou uma cadeira e se sentou ao lado do amigo ficando de frente a última cadeira vazia:

– Então você é Daan, o matador de lobos – comentou o pupilo de cabelo aparado como um guarda – Sou Tytus e esses ao meu lado são Ioleu e Driane – a garota de cabelos castanhos grunhiu como um cão raivoso ao som de seu nome e fuzilou o pardo com seus olhos – Perdoe meus colegas, Driane está furiosa com você pelo ocorrido na floresta já que ela nunca tinha sido derrotada de maneira tão ridícula antes e Ioleu é surdo-mudo, ele não fala nem escuta nada.

– De nascença? – indagou o gamuriano e recebeu como resposta um aceno positivo da cabeça – Entendo, magia branca como a nossa então é inútil. Nunca imaginei um surdo-mudo como Exorcista. Como treinam?

– Nosso mestre fala tão rápido quanto escreve então ele basicamente usa uma magia de luz e escreve tudo que fala no ar então Ioleu lê e aprende.

– Assustador – então logo o moreno notou porque Bonham não tocava, não queria tocar se não poderia ser ouvido por todos os presentes – Perdão pelo ocorrido, Driane. Garanto que meu objetivo não era ofendê-la com meu ato, apenas derrotá-la – pela fúria que queimou nos olhos da garota ele soube que cometeu um erro ainda maior falando aquilo, ela provavelmente preferia ter morrido na queda a ter que ouvir aquele pedido de desculpas dele.

– Se já fez tudo que queria vá embora – foi a única coisa que a garota disse e Daan não deixou de se surpreender com aquilo, ela tinha uma belíssima voz mesmo estando tão recheada de raiva.

– Ainda tenho assuntos pendentes com seu mestre que ainda demorarão a ser resolvidos. Enquanto isso gostariam de algum exercício?

– Quer lutar? – perguntou Tytus sorrindo e fazendo um gesto para o outro moreno que sorriu entendendo o que acontecia – Não sou um bom guerreiro, prefiro as magias rúnicas. Como pôde notar utilizei apenas lançamento de punhais contra você. Mas meus colegas adorariam, acredito eu.

– Adorar não define – disse a garota com raiva emanando de seu hálito enquanto Ioleu apenas mexia a cabeça em concordância.

– Ótimo então. Será um prazer ser seu tutor com a espada mesmo que momentaneamente.

Bonham podia sentir a tensão ardendo no ar mesmo não tendo o aparente sexto sentido que seu companheiro tinha. Aquilo talvez não acabasse sendo apenas um simples treino.

Notas finais
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