Notas iniciais
E aqui está o segundo capitulo de hoje, queridas leitoras e queridos leitores :) O próximo capitulo deve sair entre os dias 29 de Abril e 6 de Maio ;) Aqueles que tiverem interesse, no momento estou no começo da criação de um blog sobre resenhas sobre livros, hqs e o que mais minha mente achar pertinente kk Aos interessados aqui vai o link: pontodevista42.blogspot.com.br

A inusitada dupla composta pelo bardo e o Exorcista pararam apenas em algumas poucas ocasiões durante sua viagem. Normalmente ocorrendo no zênite, quando faziam sua refeição, e quando a noite caia, para dormirem.

Por sorte dos três dias que se passaram em apenas um necessitaram erguer acampamento e dormir no caminho já que no resto sempre acharam alguma pequena vila com uma estalagem ou alguém que lhes emprestou um quarto.

No segundo dia de viagem a dupla havia chegado a uma cidade com uma pequena feira onde o pardo agradeceu a qualquer força superior por ter achado um boticário. Raramente em feiras o Exorcista conseguia achar as raras ervas e flores que precisava para as poções da Ordem e para outros extratos, mas com um boticário tudo ficava mais simples. Depois de gastar duas moedas de ouro ele tinha obtido tudo que precisava e muito mais. Agora tinha três de suas bolotas de ervas preparadas de cada uma das misturas além de um quarto da vermelha. As massas verde e azul que havia deixado pronto anteriormente já estavam no ponto caso precisasse utilizá-las.

Ali foi o único dia da viagem em que dormiram numa confortável estalagem e mesmo assim não os impediu de no começo do dia já voltarem a seguir seu caminho.

Por volta do quarto dia, no meio da tarde chegaram a outra cidade, a última antes da floresta de Givia pelo que descobriram. Vendo que já estavam bem a frente do necessário resolveram descansar ali e também dar tempo para os cavalos se recuperarem.

Naqueles dias Bonham havia feito questão de tentar aprender a lutar com espada, mas como notou rapidamente ele não tinha a mínima habilidade para aquilo. Seu corpo era magro e esguio demais para o uso de arma tão pesada mesmo sendo uma espada curta, menor que a bastarda que Daan carregava.

Mas logo notou que era bom com punhais. Tinha dedos ágeis e isso o tornava bom com armas pequenas como aquelas. Não era tão bom assim lançando elas, mas com o treino rudimentar que recebia do companheiro as vezes sabia que podia se defender de um mero ladrão caso fosse necessário, mesmo perdendo facilmente para o pardo todas as vezes. Chegou até mesmo a comprar um punhal de aço um pouco menor que os de seu colega e guardou consigo para necessidades futuras. Um pedaço de metal com quase vinte centímetros de lâmina que ele escolheu mais pela aparência do que por qualquer outro fator, ela era linda com seu cabo de madeira vermelha e adornos que pareciam chamas na lâmina.

O gamuriano logo não podia mais negar a utilidade de se ter um bardo ao lado. Nas três cidades que visitaram as habilidades musicais dele haviam sido de tão grande agrado que na única que tinha estalagem o dinheiro arrecado no show na rua teria sido o suficiente para pagar as acomodações, por mais que ele mesmo tenha pagado tudo, e nas outras duas a qualidade de sua música foi o suficiente para os mais ricos os convidarem a passar a noite em seus recintos. Na primeira logo o moreno descobriu que o objetivo da filha do dono da casa era mais do que apenas lhe dar uma cama e ele não reclamou tanto assim já que saíram do local antes de qualquer adulto acordar.

Na terceira cidade e última cidade, além do punhal, o risonho enlinar também conseguiu achar o item que tanto desejava. Uma gaita. Uma peça realmente cara, feita toda de escuro e resistente ébano e moldada de tal forma que possuísse o desenho de um lobo em relevo. Pelo rosto que o pardo fez Bonham sabia que ele havia adorado o presente. Tinha até recebido um agrado naquela noite por aquilo. Um excelente agrado.

Ali também o Exorcista encontrou trabalho de uma maneira que o surpreendeu. Aparentemente a lavoura da cidade estava sofrendo de alguma praga rogada por uma bruxa que passou por ali meses atrás. Agora nada crescia por toda a extensão da cidade e forçava o povo a importar grãos de outros locais.

No final das contas era um trabalho bem simples, jogando uma série de ervas que havia conseguido antes com o boticário e usando uma magia de cura no próprio solo Daan pode ver a gosma negra característica saindo do solo em pontos específicos. Pediu para que todo aquele material maligno fosse recolhido sem ser tocado diretamente e depois queimado. Depois daquilo jogou mais ervas no chão e disse que poderiam voltar a adubar o solo como sempre faziam que logo tudo voltaria ou normal.

Qualquer Exorcista poderia ter resolvido aquele caso, mas como o gamuriano averiguou era verdade que nenhum passava na região a muito tempo e menos ainda passavam próximos da floresta de Givia mesmo com a alta recompensa pela morte dos kubolds imposta pelos nobres que tinham as principais estradas de seus baronatos passando por ela.

Ao finalmente partirem no começo da manhã, pouco após o nascer do sol e logo após o desjejum servido muito cedo no local, o ruivo pode confirmar as habilidades de Daan em outra coisa que não fosse na cama ou com o oficio de sua Ordem. No começo o pardo pareceu receoso, mas depois de alguns minutos a melodia finalmente começou e em pouco tempo ele havia parecido voltar a ter as habilidades que lapidou na infância para impressionar as garotas e fazer inveja a seus amigos.

O bardo não conhecia nenhuma das canções, mas logo fez questão de aprendê-las de ouvido e a reproduzi-las no alaúde de maneira um pouco diferente pela mudança de instrumento, mas ainda assim era perceptível que se tratava da mesma obra. Algo que Daan achou fantástico. Nunca tinha visto ninguém aprender uma música de ouvido antes e recriá-la em outro instrumento. Era fascinante.

Então próximo do zênite estavam dentro da floresta. Era menos densa do que imaginavam. Em vários pontos a luz do sol passava por entre as folhas iluminando todo o caminho só que bem menos forte do que deveria graças as folhagens. Havia uma estrada principal que era por onde seguiam e nela podiam ver placas indicando certos baronatos ou vilas próximas dali. Mas não era nada daquilo que os importava. Pelo caminho descobriram que realmente havia uma ilha no centro da floresta e mesmo sem saber muito sobre eles sabiam como chegar até lá.

Não demorou para avistarem aquilo que necessitavam para se guiar. Aquilo que o povo chamava de pedra do cavalo era uma formação rochosa que parecia a cabeça de um eqüino e que dependendo do horário do dia formava uma sombra semelhante a do animal de verdade. Deveriam ficar em frente a pedra do cavalo e então seguir para dentro da floresta pelo lado esquerdo da formação e assim fizeram.

Desceram dos seus cavalos de verdade e começaram a andar com eles segurando-os pelo arreio já que ali não havia trilha definida e andar sobre os animais não seria agradável e poderiam cair a qualquer momento. Bonham agradeceu por aquilo.

Após quase uma hora de caminhada em linha reta em meio as árvores acharam uma trilha e já iam seguir por ela quando começaram a ouvir grunhidos. Da floresta, carregando espadas de aspecto envelhecido e até mesmo enferrujadas, começaram a surgir criaturas humanóides de não mais que um metro e meio com caras que lembravam alguns repteis e escamas de um vermelho intenso. Vestiam-se com peças de roupas de linho barato e babando muito deixando visível que queriam atacar.

Daan não pensou duas vezes em puxar a espada de aço das suas costas enquanto as mãos do bardo desciam rumo ao seu punhal. Então as bestas avançaram.

Notas finais
Comentários, elogios, críticas, ou melhorias, comentem :) Não há combustível melhor para mim como escritor do que seus feedbacks ;)