O Espelho Mágico

21 O Medalhão da família Malfoy



— O que você acha que o ganhador vai fazer com o ouro que ganhar? – Perguntou Fred, para Hydra e Jorge, afim de desviar a atenção da tensão da espera.

— Não sei, eu acho que se for o Krum ele deve guardar, ele já ganha o suficiente como astro do quadribol, não? – Perguntou Hydra.

— É, o Harry acho que também faria isso, ele já tem bastante ouro... – Completou Fred.

— Ele tem? – Perguntou Hydra, curiosa com a nova informação.

— Sim, ele é rico, é que não mostra muito isso – Disse Jorge.

— E você, Hydra, o que faria? – Perguntou Gui, entrando na conversa.

— Ela já é rica, esse prêmio é o que? O que seu pai ganha em um dia? – Perguntou Fred rindo.

Hydra ignorou o comentário e só respondeu à pergunta de Gui.

— Eu com certeza guardaria um pedaço, com o outro compraria uma casa para mim, viveria longe dos meus pais assim que fizesse 17 anos sem precisar da ajuda dele e daria uma parte para esses dois idiotas construírem a loja deles.

— Que boa amiga você é! Os meninos se deram bemn — Disse Gui, enquanto os gêmeos pareciam sorrir timidamente.

— E você, Gui? – Perguntou Hydra.

— Eu guardaria um pedaço também, ajudaria meus pais, meus irmãos, compraria outro lugar se eles quisessem sair da Toca ou reformaria melhor a casa se quisessem também, coisas desse tipo – Respondeu ele.

— Isso é muito legal da sua par... – Hydra parou de falar, a menina então reparou que tinha o coração batendo forte, a sensação de algo ruim no ar era grande, ela não sabia o porquê, começou a se sentir mal, o lugar aonde seu medalhão (que ganhara de Draco) tocava parecia arder e ela sentia uma sensação de pânico, como se fosse desmaiar, começou a ter dificuldade em ver as pessoas ao seu redor.

— Hydra, o que houve? – Perguntou Fred vendo o olhar da amiga, que agora estava branca e parecendo doente.

— Eu não sei, eu não sei o que está acontecendo – Disse ela tremendo –, eu estou com medo, é como se eu estivesse em algum lugar ruim, como se algo que me assustasse muito estivesse acontecendo – Hydra quase chorava e Fred, Jorge e Gui a amparavam.

— Do nada isso, Hydra? – Perguntou Fred.

— Sim, do... – Hydra mais uma vez ficou calada, dessa vez, apenas fechou os olhos, sentindo uma forte dor de cabeça.

"Até você, Lúcio..." – Ela ouviu uma voz dizer.

— HYDRA? HYDRA? Vamos, vou te levar para a ala hospitalar! – Dizia Fred, segurando Hydra em um braço enquanto Jorge segurava no outro.

— Não, eu... Eu estou melhor... Eu... – Hydra colocou a mão no medalhão, que ardia um pouco ainda.

— Hydra, de onde é esse medalhão? – Perguntou Gui o examinando.

— Meu irmão me deu no Natal, tem uns três anos, é uma herança de família – Respondeu ela com dificuldade.

— Ele parece ter algum tipo de encantamento nele, é melhor você tirar imediatamente – Fred e Jorge tiraram o medalhão de Hydra que imediatamente se sentiu melhor, ela o guardou no bolso.

— O que aconteceu? – Perguntou ela assustada – Eu nunca tinha sentido nada com esse medalhão antes, por quê agora?

— Não sei, eu pediria ajuda ao seu professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, teria certeza de que não tem nenhuma maldição nele – Disse Gui parecendo preocupado.

— Não é melhor você ir para a ala hospitalar? – Perguntou Fred.

— Não, eu estou bem já, ouvi alguém, alguém dizendo, até você Lúcio? Não consegui ver nada e nem quem era – Disse a menina, ficando mais calma.

— Que estranho, Hydra... Você definitivamente tem que ver o que tem nesse medalhão – Afirmou Gui.

— Hydra, vamos, eu te levo para a ala hospitalar agora! – Disse Jorge.

— Não, não, eu já estou bem, de verdade, me sinto muito melhor agora.

A Senhora Weasley começava a se recuperar do efeito da poção e Hydra decidiu disfarçar.

— Obrigada... – Disse ela aos meninos.

Mais um tempo se passou e Hydra não tirava da cabeça que algo tinha acontecido, ela sentiu um desespero, um medo real, ela parecia ter sentido a presença de seu pai, mas não sabia como explicar, decidiu então que assim que a tarefa acabasse, perguntaria ao Prof. Moody para identificar o que tinha naquele medalhão, sabia somente que fosse o que fosse, não achava que Draco não daria para ela um medalhão amaldiçoado, não de propósito pelo menos.

— Essa tarefa realmente está ficando mais ruim se esperar do que a segunda! – Disse Fred

— Eu estou preocupada – Disse Hydra –, não é normal que eles demorem tanto tempo assim, é?

— Eu não sei, nunca vi um torneio Tribruxo antes – Afirmou Gui.

— Eles estão demorando demais, demorando demais... – Reclamou a Sra. Weasley, que tinha saído para procurar alguém que soubesse sobre a prova e porquê estava demorando tanto assim e estava de volta finalmente, sem ter muitas informações novas.

Mais um tempo se passou sem nada acontecer, estava difícil controlar a Sra. Weasley e seu nervosismo. os pensamentos de Hydra se voltavam mais uma vez para o medalhão e seu conteúdo e o que era aquela voz, se era realmente alguém falando com o seu pai.

Então finalmente, Harry repareceu junto de Cedrico, Hydra viu que ele levava nas mãos a taça do torneio Tribuxo.

A arquibancada explodiu com aplausos e gritos, Hydra sentiu dificuldade de se concentrar no que estava acontecendo, era muito barulho e confusão de gente gritando e correndo em direção a Harry, decidiu ir junto com Fred e Jorge até o menino.

"Ele está morto!", "Ele está morto!", "Cedrico Diggory! Morto!".

Hydra ouviu pessoas repetindo essas frases e entrou em um estado de choque, não conseguia se mexer, ficou parada, Fred e Jorge apenas observando, seria aquilo que sentira? Mas por quê?

Hydra finalmente sentiu suas penas novamente e correu para onde a multidão se aglomerava, viu Dumbledore segurando Harry e as pessoas exclamando:

"Que foi que houve?", "Que aconteceu com ele?", "Diggory está morto!".

— Ele precisa ir para a ala hospitalar! – dizia Fudge em voz alta.

— Ele está mal, está ferido, Dumbledore, os pais de Diggory estão aqui, estão nas arquibancadas...

— Dumbledore, Amos Diggory está correndo... está vindo para cá... você não acha que deve lhe contar... antes que ele veja...?

Garotas gritavam, soluçavam, histéricas... Hydra entre elas, chorava com a cabeça apoiada no ombro de Fred e com Jorge a abraçando, o corpo de Cedrico sem vida no chão era uma cena que a marcou profundamente, ela não conseguia controlar o choro, sentia seus olhos ardendo.

— Não é possível, o que aconteceu? Tão novo, quem iria imaginar? – Dizia ela, soluçando.

O Professor Moody arrastou Harry para longe da multidão que gritava e chorava.

— MEU FILHO, MEU FILHO! – O pai de Cedrico apareceu gritando em um desespero, partindo o coração de Hydra em pedaços, logo sendo acompanhado pela mãe do menino.

— MEU FILHO, MEU MENINO – Gritava ela.

Hydra chorou tanto que Fred e Jorge não aguentaram mais e a puxaram para longe da cena horrível.

— TODOS OS MONITORES LEVEM OS ALUNOS DE SUAS CASAS DE VOLTA PARA SUAS SALAS COMUNAIS – Gritou Dumbledore na multidão.

Hydra não lembra como chegou até a entrada do castelo, só lembra que estava sentada na escada no saguão de entrada com Fred e Jorge a abraçando e então Gui e a Sra. Weasley passaram correndo em direção a ala hospitalar.

Hydra os acompanhou, mas os três foram impedidos pela Professora Minerva de continuar.

— Subam, vão para a sala comunal, nós mandaremos chamar depois, prometo! – Disse ela.

— Por favor, é minha família ali, é nosso amigo! – Reclamou Fred.

— Eu sinto muito, Sr. Weasley, contaremos tudo que descobrirmos para os senhores pela manhã – Disse a professora, com sua voz severa de sempre.

Nunca foi possível responder como ela chegou até a sala comunal da Grifinória, nada ao seu redor parecia real, ela estava sentada em uma poltrona em meio a pessoas que ainda choravam em choque, Fred e Jorge estavam perto, porém sem falar nada.

— O que será que vai acontecer agora? – Perguntava Angelina, ainda chorando.

— O que aconteceu lá? Você acha que o Harry está machucado também? – Falava Kate.

— O Cedrico... Ele era tão novinho, tão... tão... – Alícia começou a chorar novamente antes de continuar.

— Quem o matou? Será que ele morreu sozinho? – Perguntou Lino.

— Não sabemos – Respondiam todos.

Hydra não respondeu, ficou completamente muda, encarando a parede.

— Vem com a gente... – Disseram Fred e Jorge, puxando ela para fora da sala comunal, depois de distrair os monitores da casa.

— Aonde estão me levando? – Perguntou Hydra.

— A um lugar aonde você deve se sentir melhor – Disse Jorge.

A menina seguiu para uma das torres, a de Astronomia, que estava vazia agora.

— Fique aqui, nós já voltamos, ok? – Disseram eles.

Hydra esperou por quase meia hora até os meninos retornarem, cheios de coisas na mão, doces, cerveja amanteigada, etc.

— Foram na cozinha? – Perguntou ela.

— Eu acho que nós tivemos todos uma noite difícil e merecemos nos distrair – Disse Jorge, passando as bebidas e comidas para ela.

— O que será que houve afinal? –Perguntou Hydra, ainda tremendo, bebendo um gole de cerveja amanteigada.

Os gêmeos se olharam e respiraram fundo.

— Nós ouvimos, enquanto estávamos lá embaixo, ouvimos algo que não sabemos se é verdade ou como te contar – Disse Fred.

— O que? – Perguntou Hydra assustada.

— Você-Sabe-Quem, ele voltou! – Disse Jorge, finalmente.

Foi como se um filme em câmera lenta passasse na sua frente, toda sua vida, todo o medo do passado, todos os problemas, tudo parecia pequeno e distante agora, diante de um fato tão horrível quanto esse.

— Como você sabe, Jorge? – Perguntou Hydra, minutos depois, finalmente conseguindo falar.

— Nós ouvimos os professores comentando enquanto passávamos em um corredor, quase não acreditamos nós mesmos – Disse Jorge.

— E vocês tem certeza que era isso mesmo? – Perguntou ela, agora sentindo que o que seu pai falara com Peter fazia sentido.

— Tenho, Hydra – Disse Jorge.

— E agora? O que vai ser de nós? DE TODOS NÓS? – Perguntou Hydra, começando a chorar.

— Vamos lutar se necessário, Hydra, mas não vamos pensar no pior por enquanto, ok? – Pediu Fred.

— O que vamos fazer então, por agora? – Perguntou Hydra.

— Vamos deitar e olhar as estrelas, comer esse pavê, essa torta de abóbora, beber a cerveja amanteigada e fingir que nada aconteceu – Disse Fred.

— E o que ganhamos com isso? – Perguntou Hydra.

— Mais um dia de paz, porque amanhã, nós vamos saber a verdade do que aconteceu com o Harry Potter, amanhã, nós vamos ouvir a notícia do Você-Sabe-Quem de verdade, amanhã, a nossa vida vai mudar, então só por hoje, vamos viver mais um dia normal – Disse Jorge.

Era tão estranho como naquele momento seus amigos pareciam tão sábios de repente, tão maduros, tão adultos, não fizeram brincadeiras e nem piadas, apenas deitaram e olharam as estrelas, acompanhados logo depois, de Hydra e assim ficaram, por muito tempo.

No dia seguinte, ainda com a escola em choque e Harry e Prof. Moody ausentes, Dumbledore falou com os alunos no café.

— Peço que todos dêem espaço a Harry Potter, não o aborreçam ou façam perguntas sobre a imensa trangédia que aconteceu ontem no labirinto, com o tempo tudo será esclarecido, mas no momento peço que por favor deixem o colega de vocês descansar.

Hydra contara, ainda chorando muito na noite anterior tudo para Peter pelo espelho e esse não sabia se ficava mais em choque pelo acontecimento ou preocupado com o medalhão.

— Por favor procure o Prof. Snape o mais rápido possível e eu sinto muito pelo Cedrico, ele parecia um rapaz muito legal, isso é muito triste – Disse Peter triste.

— Snape? Mas por quê o Snape? Por quê não o Moody? – Perguntou Hydra.

— Porque ele está desaparecido, não está? Não foi você quem disse? – Perguntou Peter.

— Sim, mas...

— Snape sabe bastante sobre as Artes das Trevas, todo mundo sabe disso! – Disse Peter – Ele vai poder ajudá-la, ele sabe bastante sobre as artes das trevas e como se defender dela, todo mundo sempre disse isso.

— Disseram que ele voltou, Peter... – Disse Hydra.

— Nós vamos ainda ouvir oficialmente sobre isso, Hydra, não vamos nos preocupar agora, ok?

Harry parecia miserável, mais do que qualquer um ali, do que todos juntos na verdade, mas não falou nada sobre o ocorrido e ninguém perguntou, todos respeitaram o aviso de Dumbledore.

Da mesa da Lufa-lufa, choros e gritos podiam ser ouvidos constantemente, era uma cena muito triste, um dia muito triste, Hydra pensava nunca ter vivido nada parecido antes.

— Fleur não lembra de muita coisa – Disse Gisele, quando se juntou a eles no café, ela disse que foi atacada, mas não quis nos dizer por quem.

— Atacada? Então alguém realmente atacou os alunos... – Disse Angelina.

— O que será que estava dentro daquele labirinto afinal? – Perguntou Katie.

— Uma coisa horrível... – Afirmou Hydra, não querendo entrar em mais detalhes.

— Quem ganhou o torneio afinal? Não que isso seja importante agora – Perguntou Rita, que estava perto deles na mesa.

— Acho que foi o Harry, não? – Perguntou Jeniffer.

— Provavelmente sim, ele foi o último... O último sobrevivente – Disse Hydra, triste.