O Espelho Mágico
15 O Baile de Inverno
As portas de carvalho da entrada se abriram e todos se viraram para olhar os alunos de Durmstrang entrarem com o Prof. Karkaroff. Krum vinha à frente da delegação, acompanhado, para a grande surpresa de Hydra, por Hermione que estava irreconhecível de tão linda, Gisele também estava maravilhosa com uma veste de seda azul de brilho prateado acompanhada de seu par da Durmstrang.
Hydra viu que a área do gramado logo à entrada do castelo fora transformada em uma espécie de gruta cheia de luzes encantadas – ou seja, centenas de fadinhas vivas encontravam-se sentadas nas roseiras que tinham sido conjuradas ali e esvoaçavam sobre as estátuas que pareciam representar Papai Noel e suas renas.
Então a voz da Prof a Minerva McGonagall chamou:
— Campeões aqui, por favor! — A professora, trajava vestes a rigor de tartan vermelho, e enfeitara a aba do chapéu com uma guirlanda bem feiosa de cardos – a flor nacional da Escócia.
Harry e Padma, uma menina do quarto ano se adiantaram, assim como Krum e Hermione, Fleur e Rogério Davies, que parecia tão aturdido com a felicidade de ter Fleur como par que mal conseguia desgrudar os olhos dela e também Cedrico e Cho Chang, uma menina bonita e com aparência asiática da Corvinal .
Hydra entrou no salão com os demais alunos, muitos meninos ainda olhavam encantados e ela se sentiu bem em ver que Fleur não era a única que chamara atenção.
Quando as portas do Salão Principal se abriram, as meninas que ficavam suspirando pelo Krum passaram, lançando a Hermione olhares de profundo desprezo. Pansy Parkinson boquiabriu-se ao passar com Draco, e mesmo ele não pareceu capaz de encontrar uma ofensa para usar contra a menina.
— Ela realmente ficou lindíssima! – Disse Angelina no ouvido de Hydra.
Depois que estavam todos sentados no salão, a Profa Minerva mandou os campeões e seus pares formarem um cortejo, de dois em dois, e a seguiram. Os garotos obedeceram e todos no salão aplaudiram, quando eles entraram e se dirigiram a uma grande mesa redonda no fundo do salão, onde estavam sentados os juízes.
As paredes do salão estavam cobertas de gelo prateado e cintilante, com centenas de guirlandas de visco e azevinho cruzando o teto escuro salpicado de estrelas. As mesas das Casas haviam desaparecido; em lugar delas havia umas cem mesinhas iluminadas com lanternas, que acomodavam, cada uma, doze pessoas.
Dumbledore sorriu feliz quando os campeões se aproximaram da mesa principal, mas Karkaroff tinha uma ruim ao ver Krum e Hermione se aproximarem. Ludo Bagman, esta noite de vestes roxo-berrante, com grandes estrelas amarelas, batia palmas com tanto entusiasmo quanto qualquer estudante; e Madame Maxime, que trocara o uniforme costumeiro de cetim negro por um vestido rodado de seda lilás, os aplaudia educadamente. Hydra reparou então que a quinta cadeira à mesa estava ocupada por Percy Weasley.
— O que seu irmão está fazendo aqui afinal? – Perguntou Hydra para Jorge.
— Não sei, algo chato, provavelmente – Respondeu ele observando.
Hydra se acomodou em uma mesa com Jorge, Fred, Angelina, Gabrielle, Pierre (eca!), Alicia, Lino, Gisele, Mikael, Jeniffer e Greg.
Para o nojo de Hydra, Pierre não tirava os olhos dela, parecia quase tão hipnotizado por ela do que Rogério Davies por Fleur Delacour.
Ainda não havia comida nas travessas de ouro, apenas pequenos menus diante de cada conviva.
Ela então ordenou para o seu prato:
— Canard à l'orange (um prato Francês).
E o pedido apareceu em seu prato. Entendendo a ideia, os demais ocupantes da mesa também fizeram os pedidos aos seus pratos.
— A decoração aqui é sublime! – Dizia Gisele – É claro que sinto falta das estátuas de gelo da Beauxbatons no natal, lembra delas, Hydra?
— Oui, realmente eram lindíssimas! – Disse Hydra, observando o par de Fleur na mesa principal errar o garfo da boca várias vezes e a admirando como se ela não fosse real.
— Você está tão linda quanto ela. – Disse Jorge vendo que Hydra olhava para a cena – De você quiser eu também posso ficar te olhando que nem idiota, um monte de garotos no Salão estão já de qualquer maneira. – Brincou ele.
— Nem pensar! – Riu Hydra um pouco sem graça e agradeceu ao amigo por animá-la — Que tal a Gabrielle, ela não está linda hoje? – Disse ela olhando para a menina que estava com uma linda veste rendada rosa clarinha e cabelos presos.
— Está sim, eu acho que vou chamar ela pra dançar mais tarde, se ela quiser e esse engomadinho francês se mandar... – Disse Jorge em tom de brincadeira, mas sem deixar de olhar para a menina do outro lado da mesa e como Hydra notou, Pierre não deixava de olhar para ela.
— Por favor, só não me deixa sozinha com o Pierre se você puder evitar.
— Pode deixar – Disse Jorge.
Angelina e Fred pareciam a vontade conversando e rindo, a cena deixou Hydra muito feliz, afinal ela queria muito que finalmente os dois se acertassem.
Quando toda a comida fora consumida, Dumbledore se levantou e pediu aos estudantes que fizessem o mesmo. Então, a um aceno de sua varinha, as mesas se encostaram às paredes, deixando o salão vazio, em seguida ele conjurou uma plataforma ao longo da parede direita. Sobre ela foram colocados uma bateria, alguns violões, um alaúde, um violoncelo e algumas gaitas de foles.
— Eu não acredito que as Esquisitonas realmente vão vir! – Disse Fred animado.
As Esquisitonas realmente então subiram no palco sob aplausos delirantemente entusiásticos; eram todas extremamente cabeludas, trajavam vestes negras que haviam sido artisticamente rasgadas.
Hydra notou então que as lanternas de todas as outras mesas tinham se apagado e que os outros campeões e seus pares estavam em pé.
As Esquisitonas tocaram uma música lenta e triste; os campeões e seus pares entraram na pista de dança bem iluminada, então começaram a dançar. Logo depois, os outros começaram a acompanhá-los.
— Vamos – Disse Hydra para Jorge.
— Nem pensar – Respondeu ele.
— Vamos sim! – Disse Hydra puxando o rapaz e o levando para o meio da pista aonde os dois começaram a valsar.
Dumbledore valsava com Madame Maxime. Ficava tão pequeno junto a ela que a ponta do seu chapéu cônico mal roçava o queixo da bruxa; no entanto, Madame Maxime se movia graciosamente para uma mulher daquele tamanho. Olho-Tonto Moody estava seguindo um compasso de dois tempos extremamente desajeitado com a Profa Sinistra, que nervosamente evitava a perna de madeira do seu par.
As Esquisitonas pararam de tocar, os aplausos encheram mais uma vez o Salão Principal.
— Finalmente – Suspirou Jorge.
As Esquisitonas começarem uma nova música, que era muito mais movimentada e todos dançavam animadamente, dessa vez Jorge nem mesmo reclamou de estarem ali, Hydra, Gisele e Gabrielle dançaram juntas e muitos olhares estavam voltados para as três.
Foi extremamente animador a sensação de liberdade que a dança trazia para Hydra, ela esqueceu completamente de todos ao redor e se divertia com suas amigas, ela nem notou quando Fred e Angelina desapareceram e logo depois Gisele e Mikael.
— Para onde eles foram? – Perguntou Hydra para Gabrielle.
— Você quer mesmo saber? – Perguntou ela com risinhos.
Hydra então viu Jorge que estava dançando com elas e percebeu que Pierre não estava por perto.
— Eu vou tomar um pouco de ar fresco, vocês continuem por aqui, sim? – Disse ela saindo do salão antes que eles pudessem responder
Ela seguiu até o Saguão de Entrada, sendo interrompida diversas vezes por meninos que surgiam perguntando se ela não queria dançar, as portas estavam abertas, de par em par e as fadinhas luminosas no roseiral piscavam e cintilavam quando ela desceu os degraus da entrada e se viram cercados de plantas que formavam caminhos serpeantes e de grandes estátuas de pedra.
Sentiu frio, mas decidiu olhar ao redor, ela se sentou em um dos bancos e então viu uma cena que não esperava, Draco e Pansy se beijando encostados em uma árvore. Foi um misto de sentimentos, um pouco de repulsa por Draco ter escolhido alguém tão repulsivamente metida quanto Pansy Parkison, mas principalmente uma certa tristeza, seu irmão se tornara um homem e ela não acompanhou isso, se afastou tanto dele com os anos que esquecera que os dois eram inseparáveis até seus onze anos, o tanto quanto seu pai deixava que fossem, pelo menos, realmente uma pontada de dor a atingiu bem no estômago e seus olhos se encheram D'guá, mas antes que pudesse fazer algo, Pierre se sentou ao seu lado.
— Seu irmão, não é? – Perguntou ele em francês apontando para Draco e Pansy.
— Sim, meu irmão. – Respondeu Hydra também em Francês – O que você quer, Pierre?
— Nada, só conversar...
— Ok então...
— Por que você me detesta tanto, Hydra? – Perguntou ele sério olhando para ela
— Porque você partiu meu coração, você foi meu primeiro namorado, ou pelo menos eu achei que era meu namorado e então eu te vi cantando aquela menina, qual o nome dela? Natalia Moraes, uma menina de Portugal, isso depois de você ter tentado... bem, ter tentado avançar o sinal comigo, eu fiquei irada, eu pensei que aquilo era a única coisa que você queria comigo, o que sinceramente eu acho que era e jurei que nunca mais teria nada com você.
Pierre ouvia parecendo meio incomodado com a resposta.
— Ora Hydra, eu era novo e idiota, eu não sabia muito bem o que fazia, você era a menina mais bonita, você e a Fleur e uma das mais legais... — Disse ele fazendo o rosto de Hydra se contorcer – Além de ser uma pessoa maravilhosa, eu fui um grande idiota de ter feito aquilo. – Ele parecia quase sincero, se Hydra não o conhecesse tão bem talvez acreditaria em sua inocência.
— Tudo bem Pierre, vamos deixar então as coisas no passado – Respondeu ela.
— Mas por quê? Será que não podemos recomeçar? Eu gosto tanto de você Hydra e você é tão bonita... Parece ainda mais bonita a cada dia, eu fico te observando e lembrando de tudo que passamos juntos, Hydra, vai dizer que você não sente mais nada por mim?
— Não Pierre, não sinto mais e sinceramente eu acho que nem você, talvez sinta desejo e além disso eu tenho namorado! – Afirmou Hydra indignada.
— E ele está longe, bem longe pelo que sei, lá em Londres trabalhando, não está?
— Pierre, não interessa que ele esteja longe ou perto, ele continua sendo o meu namorado, você não entende isso?
Pierre a encarou e então, tentou beijá-la, mas Hydra o parou imediatamente e gritou o afastando, fazendo com que Draco aparecesse.
— O que você está fazendo? – Perguntou o menino para Pierre.
— Nada, só estamos conversando... – Disse ele com seu olhar cínico com seu sotaque carregado.
— Mentira, ele tentou me agarrar! – Disse Hydra se levantando ainda vermelha de raiva.
Draco levantava a varinha quando o Professor Snape surgiu.
— O que está acontecendo aqui? – Disse ele raivoso.
— Nada Professor – Respondeu Draco guardando a varinha – Só estamos conversando.
— Ótimo, então sugiro que conversem lá dentro! – Disse o professor de forma tão séria que era quase ameaçadora.
Os quatro entraram, Pansy parecia extremamente chateada de ter sido interrompida e Draco ainda estava vermelho de raiva encarando Pierre, que saiu correndo para dentro do salão.
— Draco, eu posso falar com você um minuto? – Pergunto Hydra quando estavam no salão principal (Pansy olhou ainda com mais raiva).
— Tudo bem – Respondeu Draco parecendo meio confuso e pedindo para que Pansy o esperasse no salão principal (o que ela fez quase fuzilando Hydra com os olhos).
Hydra sentou na escada e Draco a seguiu sentando do lado.
— A gente se afastou muito, você não acha? – Perguntou a menina para o irmão que parecia ainda mais confuso com a pergunta
— Eu acho que sim... – Respondeu ele meio sem graça
— Eu não queria isso Draco, nós éramos tão unidos – Hydra novamente tinha lágrimas nos olhos e Draco ficou confuso.
— Mas o que houve afinal? – Perguntou ele.
— Eu vi você... Você e aquela menina, não me leve a mal, na sua idade eu já namorava também, é só que... Eu percebi o quanto eu perdi da sua vida – As lágrimas corriam pelos olhos de Hydra e Draco parecia desesperado.
— Não chora, para, é sério, está tudo bem! – Dizia ele sem saber o que fazer.
— Eu não estou triste, eu só queria que a gente pudesse conversar mais, sermos mais amigos – Disse ela secando as lágrimas – O que você acha disso?
— Eu não sei Hydra, você que se isolou de todo mundo lá de casa, me deixou sozinho... – Ele hesitou em falar.
— Eu sei, eu fiquei tão desconfortável na nossa casa que acabei não pensando que eu estava te deixando sozinho também, me perdoe por favor, não foi sua culpa tudo que aconteceu... – As lágrimas voltaram a cair
— Tudo bem Hydra, por favor para de chorar! – Disse Draco secando as lágrimas da irmã.
— Eu acho que sei lá, podemos sentar uma vez por semanas pelo menos, só para conversarmos, nada demais, só nós dois, o que acha? – Disse ela olhando com seus grandes olhos cinzas para o irmão que ainda parecia meio chocado.
— Tudo bem Hydra, podemos fazer isso... – Disse ele e Hydra o abraçou.
— Você viu a Gisele? – Mikael que parecia sem fôlego e com raiva acabara de chegar perto dos dois perguntando para Hydra.
— Eu achei que ela estava com você... – Disse Hydra surpresa.
— Ela estava... – O rapaz entrou então raivoso no salão principal e minutos depois, Gisele apareceu seguida de um rapaz da Lufa-Lufa, disfarçando e também entrando no salão principal.
— Eu acho que é melhor eu entrar – Disse Hydra para Draco e os dois seguiram para o salão principal.
Algumas pessoas ainda dançavam, Gisele e Mikael discutiam em um canto e Hydra decidiu se sentar junto de Jorge, Gabrielle e Jeniffer.
— Aonde você estava? – Perguntou Jorge
— Conversando com meu irmão. – Disse ela e os três pareceram surpresos – Aonde está seu par, Jeniffer?
— Não sei, eu mandei ele pastar – Disse ela com raiva cruzando os braços.
— Ele tentou ser mais ousado do que deveria, digamos assim – Explicou Gabrielle para Hydra.
— Cadê o Fred? – Perguntou Hydra para Jorge.
— Eu o vi lá fora, mas ainda não voltou.
— E o que você estava fazendo lá fora heim? – Brincou Hydra baixinho para Jorge e os dois riram.
— Você viu o Pierre, Hydra? – Perguntou Gabrielle.
— Ele estava lá fora, depois não o vi mais, espero que esteja bem longe! – Disse ela com uma expressão parecida com a de Jeniffer, que pareceu entender.
Quando as Esquisitonas terminaram de tocar à meia-noite, receberam mais uma rodada de aplausos estrepitosos e começaram a sair em direção ao saguão de entrada. Muitas pessoas expressaram o desejo de que o baile pudesse continuar por mais tempo.
— Eu acho que vou dormir – Disse Hydra sentindo que o baile já dera tudo que tinha que dar para ela.
— Eu vou também – Disse Jeniffer e as duas se despediram de Jorge e Gabrielle e foram em direção a torre da Grifinória.
— Eu queria tanto que o Abbas pudesse ter vindo... – Disse Jeniffer triste e Hydra se sentiu mal, ela sabia que Jeniffer via muito menos Abbas do que ela via o Peter e que por uma promessa feita aos gêmeos, não podia mudar isso.
— Eu sei, eu também queria que o Peter estivesse aqui, acredite.
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