O Elmo Roubado
13 Conhecemos uma nova... pessoa.
Notas iniciais
Seriam cerca de quinze horas de carro, dirigimos cerca de quatro horas e paramos em Omaha, onde pegaríamos um avião até Detroit no dia seguinte.
Ficamos em um hotel próximo ao aeroporto alugamos dois quartos, novamente, pois os dólares estavam acabando e, infelizmente, os mortais não aceitavam dracmas. A divisão dos quartos foi a mesma da primeira parada. Comemos algumas coisas no restaurante do hotel e aproveitamos para pegar lanches para a viajem. Subimos. Os quarto econômicos – os que tínhamos alugado – só tinham uma cama de casal.
- Hã, eu vou pedir um colchão lá em baixo e eu durmo no chão. – Nico disse saindo do quarto.
- Não. Tudo bem, você deve estar tão cansado quando eu, merece uma “cama de verdade” – disse fazendo as aspas com a mão.
- Você não se importa mesmo? Quer dizer... Depois de tudo o que vimos hoje?
- Bem, você não vai me dar uma chave de braço e abusar de mim, vai? – Ele pareceu se divertir e deu um sorriso, o primeiro sorriso desde que saímos da casa de Eros.
- Eu vou tomar um banho. – Ele entrou na suíte e quando ele saiu, eu entrei. De banho tomado, me deitei na cama ao seu lado.
NICO
As coisas que Eros tinham falado rodavam em minha mente. Quando ele disse que eu estava apaixonado, eu nem sabia que estava. E quando Jully desmentiu nosso namoro ele disse “não é isso que vejo que querem”. Meus sentimentos estavam confusos. Até então Jully era minha protegida. Eu sentia obrigação de protegê-la de qualquer forma. Quando me passou a hipótese de pessoas tocando em Jully, eu não sei o que me deu. Não foi os mesmo ciúmes que sinto de Hazel quando ela está perto de Frank... Era... Diferente.
- Que dia, hein?! – Jully se deitou suspirando ao meu lado.
- Jully, sobre aquelas coisas que Eros disse... Eu queria dizer que...
- Nico, ele só estava tentando nos atiçar. Eu entendo que seja mentira e tal, acho que o cheiro daquele lugar confundia meus pensamentos.
- Mas não era de todo mentira...
- Como assim, Nico?
- Eu... Eu não sei. Talvez o que ele disse fosse verdade, sobre quando ele disse “Ah, o garoto está apaixonado”. – Disse fazendo minha melhor imitação da voz de Eros.
- Você não sabe se está apaixonado, Nico? – Ela sorriu. E o sorriso dela fez minhas mãos suarem.
- Na verdade... Não.
- Olha, vamos dormir tudo bem? Amanhã você pensa se está ou não apaixonado. – A ideia pareceu diverti-la por ela parecia reprimir um riso. Jully me deu um beijo ma bochecha e um “boa noite” se virou para o lado e apagou a luz.
Silêncio absoluto durante sei lá quando tempo, cinco minutos? Dez? Ela não estava dormindo, tenho certeza. E eu nem havia fechado os olhos. Sempre achei ridícula aquela coisa de “borboletas no estômago”, mas agora eu estava sentindo elas – era ruim de uma maneira boa. Eu estou me sentindo ridículo com esses pensamentos. Virei-me para o lado.
- Jully, eu posso te abraçar? – depois que disse isso, senti vontade de enfiar minha cara do travesseiro e gritar IDIOTA! Quem você tá pensando que é? Talvez ela já esteja dormindo e não tenha me escutado.
Ela resmungou algo como “uhum” e num impulso eu passei meu braço por sua cintura. Sua pele estava quente e ao entrar com o toque da minha – sempre, sempre fria – ela se arrepiou. Aconcheguei-me ali sentindo o cheiro de seus cabelos.
- Se importa de me fazer sonhar com você? – Eu disse e ela sorriu. Então eu adormeci e, obra dela ou não, sonhei com ela.
HAZEL
Chegamos ao aeroporto duas horas antes da saída do voo prevista. Fizemos o chek-in e aguardamos. Uma senhora com cabelos grisalhos e uma bengala se aproximou.
- Com licença. Os jovens poderiam me informar qual voo irão pegar?
- Voo número 1... Uh. – interrompi Frank dando-lhe uma cotovelada na barriga
- A senhora precisa de alguma informação?
- Bem, na verdade, eu só gostaria de entregar esse belo anel a uma bela garota chama Jully Alvim.
A velha carregava um anel negro reconheci que era feito de Obsidiana e Ônix, duas pedras preciosas.
Jully ficou pálida. Nico colocou-se na frente dela.
- Ah, é só uma ajudinha de seu pai. Não precisam ficar com medo, crianças.
- Meu pai? – Jully saiu de trás de Nico.
- Ah, que menina linda! E poderosa também. Perdoe meus anos de ausência.
- Que é você? – A velha riu e olhou para Jully – Eu sou ícelus, seu pai.
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