O Elmo Roubado
14 Derrotamos uma Equídna, ou o que parecia uma.
Notas iniciais
Já a Equídna (a diferença nas duas palavras é apenas o acento!) é uma criatura mitológica - um Titã, casado com Tifão (citado no livro: O Último Olimpiano)
Espero que fique claro a "piadinha" que fiz no meio do capítulo.
Boa leitura!!
JULLY
Quase caí para trás. Aquela senhora de setenta anos era meu PAI? Ela/ele riu novamente.
– Estava passando por perto, resolvi ver minha filha mais poderosa.
Então eu tinha irmãos? Por que ele nunca havia me visitado antes ou coisa parecida? Ele pareceu ler meus pensamentos, porque o que ele dizia era exatamente o que eu queria saber.
– Bem, você tem alguns irmãos por ai... Nenhum tão poderoso quanto você, minha preciosa! Eu sempre te visitei! Em pesadelos, é claro. Bem, ando muito ocupado fazendo pessoas do mundo todo terem pesadelos.
– Você é... poderia ficar em sua forma cotidiana? Imaginar o pai de Jully como uma senhora não ajuda muito... – Frank disse, aparentemente tremendo de medo atrás de Hazel.
– Ah, claro.
O deus estalou os dedos e se transformou em um homem alto, moreno com os olhos negros e sombrios. Era impossível descrever suas emoções, ele tinha os olhos confusos, não dava pra encarar por muito tempo. Usava uma blusa do Guns’n Roses e calças jeans. Havia uma mecha vermelha em seu cabelo.
– É, bem melhor assim... eu acho. – Frank tentava não transparecer medo, eu podia ver isso.
– Bem, minha filha. Você está quaaase dominando todos os poderes que herdou de mim. Entrar nos sonhos, ler mentes e emoções. Ver as memórias. E como um presente de parabéns, vou te dar meu anel! – ele disse sorrindo e retirando o anel. – você sabe o que pode fazer com ele, né? Ficar invisível e coisas do tipo.
– Você não deveria ser tipo, assustador? – Nico questionou e Ícelus o observou com cautela.
– Hum, filho da morte. Boa observação. Bem, eu não gosto de sair por ai fazendo as pessoas gritarem. Eu sou um cara legal! – ele soltou uma risada que parecida com a do Barney dos Flinstones – Não temos mais tempo para conversa, o voo de vocês sai daqui a pouco. Jully foi bom ver você. Estou torcendo para obter sucesso em sua primeira missão. Vou manter contato pelos sonhos. Embora esteja muito ocupado ultimamente. Tchau, beijos e fui!
Então, o deus dos pesadelos. Um dos caras mais temidos no mundo. O assustador deus Ícelus. O meu pai. Saiu pelo aeroporto carregando uma jaqueta jeans no ombro assoviando alguma música infantil. Parou na porta, fez um sinal de paz e evaporou.
NICO
Até metade do voo, todos pareciam atordoados de mais para falar. Eu estava realmente impressionado com o “temido deus Ícelus”. No avião, Jully e Hazel sentaram-se com um cara bem gordo que colocou seus fones no ouvido e assim permaneceu até o fim do voo. Eu fiquei com um casal que ficava trocando carícias durante a viagem. Frank ficara no meio de duas crianças que pareciam gostar de cutucá-lo. Jully e Hazel conversaram bastante durante o voo. Algumas vezes elas olhavam para Frank ou para mim e soltavam uma risadinha ou uma cara de espanto. Jully usava o anel que seu pai dera. Às vezes olhava para ele e fica o encarando por algum tempo.
Uma mulher sentada atrás de mim emitiu um sibilo. Talvez fosse apenas coisa da minha cabeça. Outro sibilo e minha mente respondeu em impulso: Medusa!
NICO
Percy já havia matado a Medusa antes. Não seria possível que ela já tivera se recomposto. Seria? Me virei para trás e vi uma mulher parecida com as ilustrações feitas das sereias, mas no lugar da calda de peixe, se encontrava o corpo de uma serpente que ocupava os três assentos.
– Equídna! – Ergui minha espada e subi em meu assento. O casal do meu lado pareceu não se importar.
Jully me olhou assustada.
– Equídna não é um parente do ornitorrinco?
Frank me olhou e em seguida olhou para a mulher atrás de mim. Deu um grito desesperado e se transformou em uma équidna de cerca de quarenta centímetros. As crianças do seu lado começaram a brincar com ele.
– Equídna é um monstro, eu li sobre elas e no livro dizia que ela se casou com Tifão e era do tamanho de um titã... acho que titãs não cabem em um avião. – Hazel disse se levantando do banco.
– E nenhuma pessoa tá vendo essa cobra de dois metros aqui? Me barraram por passar com quinze mls de xampu e deixaram essa cobra passar? – Jully disse indignada e se levantando também.
Avaliei o território: teríamos que acabar com a víbora sem chamar muita atenção. Eu não conseguiria chamar reforços esqueléticos para ajudar, nem Hazel conseguiria atacar a víbora com diamantes. Frank estava sendo atacado por duas crianças. Nos restavam os poderes de Jully, e a minha espada e a espata de Hazel. Mas primeiro teríamos que sair de perto das pessoas.
Saltei do banco e corri até onde tinha um espaço maior. Havia carrinhos com café, suco, wisky e amendoins. Os empurrei para o lado e vi Jully e Hazel se aproximarem de mim, seguidas pela Equídna.
– Como matamos essa coisa? – Hazel empunhava sua espata, nos dando cobertura enquanto eu pensava em alguma coisa.
– Não faço ideia!
– Então, vamos lutar! – Jully ergueu a espada e partiu para cima da víbora. Hazel a acompanhou.
Com a calda, a Equídna derrubou Hazel e mandou Jully para o meio da cabine.
Hazel se levantou e atacou a cobra por trás. Jully permanecia imóvel. Ataquei a víbora no braço e um líquido de cor verde começou a jorrar de onde eu avia atacado. No lugar onde Hazel atacara também jorrava o líquido.
– Ech! Que nojo! – Hazel estava coberta pela gosma verde. Olhei para ela por meio segundo e a calda da Equídna jogou minha espada longe.
O monstro começou a me encurralar. Olhei para trás e não vi Jully. A calda agarrou Hazel e começou a aperta-la. Frank surgiu em sua forma humana e tentava ajudar Hazel.
Peguei uma xícara de café quente e taquei no monstro que soltou um sibilo e colocou as mãos nos olhos.
Alguma coisa a apertou pelo pescoço. Equídna se contorceu e se virou para trás, hipnotizada. Começou a dizer com sua voz aguda e fina.
– Para Éris. Não. Sim, causar a discórdia apenas. Não. Sim – ela abriu a calda e Hazel caiu nos braços de Frank. – Sim. – A víbora se dirigiu até os fundos do avião e saltou.
Olhei para os lados, tentando encontrar Jully. Ouvi um “Bu!” e Jully se materializou do meu lado sorrindo.
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