O Elmo Roubado
1 Acampamento para pessoas especiais?
Notas iniciais
JULLY
- Então Lavoisier concluiu que a massa final de um recipiente fechado, após ocorrer dentre dele uma reação química, é sempre igual à massa inicial. Na página 61 da apostila de vocês há um exercício para a fixação dessa teoria, resolvam-no e tragam para a próxima aula.
Liberada daquele inferno, finalmente. Tentei ir para a casa o mais rápido possível, simplesmente para me trancar em meu quarto.
- Como foi a aula, filha? — Minha mãe estava arrumando alguma coisa na cozinha.
- Normal, mãe. — Disse e entrei para o meu quarto, o meu lugar mais seguro do mundo.
- Filha? — Ouvi batidas de minha mãe na porta — Filha escute, eu conversei com seu professor de química, ele me disse que suas notas estão caindo. Você já pensou em pedir ajuda a alguma amiga de classe ou quem sabe um amigo, eu...
- Mãe — disse abrindo a porta e colocando minha cabeça para fora — Eu não tenho amigos, todos naquela sala me detestam. Você sabe disso.
É, mas talvez, haja alguém na escola... não sei. Se quiser convidar alguém para vir aqui qualquer dia eu vou ficar muito feli... — Ela foi interrompida pela porta se fechando.
Minha mãe é uma mulher doce, talvez por isso nunca vá entender que ninguém além dela, em nenhum lugar do mundo, vai querer minha companhia. O por quê? Eu realmente não explicar, as pessoas tem medo de mim, como seu eu fosse uma aberração ou algo do tipo.
Deitei-me na cama e fui ler Um Trabalho Sujo de Christopher Moore. Cerca de uma hora depois, ouço uma conversa na sala. Eu e minha mãe moramos sozinhas desde... Desde sempre e nunca foi do nosso cotidiano receber visitas a não ser de minha avó Maria, que vinha todas as quintas-feiras. Desci até a sala e pude ver minha mãe conversando com dois jovens com aproximadamente 16 anos.
- Olha senhora Luce, Jully realmente precisa ir para o acampamento, é o único meio de mantê-la a salvo. — Disse uma garota loira com uma trança descendo sobre os ombros.
- Mas e os estudos? Ela não terminou o Ensino Médio ainda. — Minha mãe dizia com o rosto apoiado em uma das mãos.
- Ela pode estudar conosco. Ou então volta para a casa no fim deste período. Mantínhamos um observador em Jully, ela não está segura aqui, senhora Luce. Entenda, é para a segurança dela e a sua. — Disse o jovem moreno, com os olhos bem verdes. Ambos os jovens usavam uma camiseta alaranjada, como trabalhassem em uma loja que vendesse modinhas promocionais.
- Mãe? Eu disse descendo os últimos degraus da escada. Quem são eles?
- Filha, esses são Percy e Annabeth eles são, hã, eles são amigos.
- E o que eles estão fazendo aqui? — Eu não queria soar mal-humorada, mas eu e minha mãe sempre vivemos à mercê de ladrões e trapaceiros, eu não conseguia confiar fácil nas pessoas, principalmente com a conversa que eu ouvi.
- Eles vão te levar para um lugar seguro, meu bem.
- Eu estou segura, mãe. Estou com você, não é?
- É, mas eu não posso te proteger de tudo, querida. — Seu semblante era cansado, as rugas a baixo dos olhos estavam mais fundas, as olheiras estavam em um tom escuro, resultado de oras de trabalho. Ela usava uma roupa simples, mas ainda sim eu a achava a mulher mais linda do mundo.
- Eu não vou, mãe.
- Filha, por favor. Entenda que há muitos perigos aqui.
- Que perigos, mãe? Ladrões? O que mais eles vão roubar?
- Jully — A garota loira, Annabeth se levantou — Eu sei que deve ser difícil entender, mas você não é normal como os outros adolescentes. Você é Ela piscou os olhos, como se tentasse encontrar a palavra certa para usar. Você é estranha? Acho que essa seria a palavra que mais encaixaria na situação Você é especial. E existem vários adolescentes como você espalhados pelo mundo, a grande maioria está nesse acampamento ao qual queremos te levar.
- Especiais? Tipo crianças com sindrome de down?
- Não exatamente, nós somos descendentes de Sua fala foi cortada com um estrondo fundo dos fundos da casa. O que foi isso?
- Não faço ideia, vou lá olhar. — O garoto de olhos verdes se dirigiu até lá. Todas nós fomos atrás e nos deparamos com uma coisa muito estranha.
- Era um cavalo negro, isso eu tinha certeza. Mas ele tinha asas. Um cavalo que tinha asas.
- Blackjack! Você deveria estar com os outros pégasos esperando lá em cima!
O cavalo pareceu realmente entende-lo (e vice-versa) porque os dois ficaram olhando uma para o outro e às vezes Percy sussurrava algumas coisas para o cavalo, digo, Pégasus. Temos que voltar para o acampamento. Percy disse olhando para Annabeth que assentiu com a cabeça e me olhou.
- Então, vamos?
Altura, cavalos com asas, altura, pessoas que eu nuca vi na minha vida, altura. Eu definitivamente estava animadíssima com isso.
- De jeito nenhum!
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