O Elixir

13 Sobre descobertas e alguns testes


Notas iniciais
Hey people voltei! Fiquei meio doente essa semana (cof cof) então me atrasei para postar os caps. Mas antes tarde do que nunca, então está aqui. Espero que gostem e boa leitura =)

Maura

“Não deveria estar aqui.” A voz seca de Athanasiadis fez com que Jane direcionasse o olhar a ela, a examinando dos pés até a cabeça.

“É muito bom te ver também Ana.” Falou voltando-se novamente para a mesa iluminada pela forte luz da sala de necropsias.

“Apenas estou te alertando já que você não deveria estar aqui porque atirou no garoto.”

“Sim Ana, não precisa me dizer, eu estava lá.”

“Está infligindo às regras Rizzoli.” Ana insistiu. “Isso pode ser ruim para as audiências, sem contar que a corregedoria pode te suspender por isto.”

“Só se alguém aqui contar.”

Senti os olhos de Jane sobre mim enquanto me ocupava procurando marcas no corpo frio do jovem Mike.

“Dra. Isles.” Jane diz totalmente sarcástica com suas mãos sobre seu cinto de utilidades. “Pretende contar para a corregedoria sobre isto?”

“A detetive tem razão, Jane.” Ainda continuo a minha busca por qualquer marca diferente que eu possa ter deixado passar. “Mas não sou policial então não tenho nada com essa discussão.”

“Viu.” Jane gesticulou para Ana. “Maura não vai dizer, e eu também não, você vai ter que bancar a dedo duro daqui.”

“A Dra. Isles não disse que não contaria nada.” Athanasiadis virou-se para Jane com as sobrancelhas erguidas.

Ergo minha cabeça e vejo as duas detetives do outro lado da mesa ainda naquela discussão sem sentido. Nunca ficou claro para mim qual o motivo de tanta rivalidade entre a divisão de homicídios e a narcóticos. Tudo que eu sabia era que Jane não era uma policial fácil de trabalhar, pelo menos era o que a maioria dos policiais alegavam; e tudo indica que Ana se comporta da mesma maneira, só que bem mais rígida em segui normas e regras.

“Detetive.” As duas olharam para mim ao mesmo tempo e me segurei para não rir daquilo. “Não encontrei marcas recentes no corpo, só algumas cicatrizes que foram feitas há anos atrás. Além disso, não há qualquer marca de agulhas ou outras perfurações, se ele estava sobre efeito de alguma substância precisamos ver o conteúdo estomacal, portanto irei abri-lo.”

“Dra. Isles.” Athanasiadis me chamou desta vez. “Antes de abri-lo poderia colher uma amostra de sangue? Assim podemos saber mais sobre os hormônios do garoto.”

“Já providenciei isto, as amostras estão sendo processadas agora mesmo.”

“Seu palpite esta nos hormônios?” Jane a questionou.

“Exato, mas preciso confirmar antes de dizer o que me fez ligar para a Dra. Isles tão cedo.”

Olhei novamente para o corpo pálido e fresco, fazia menos de 24 horas que Mike estava morto; ainda não possuía aquela característica pútrida o que tornaria o trabalho mais fácil. De fato, quando coloquei a ponta do bisturi e cortei a carne fria tudo parecia fluir naturalmente, Mike era magro e por isto não havia muito tecido para cortar.

Quando por fim separei as costelas do esterno usando um separador, levantei os ossos expondo o coração e os pulmões. Toquei, respirei, senti a textura e o peso, não havia nada de diferente, eram órgãos saudáveis esperado de um garoto de 14 anos.

Direciono-me então para os órgãos abdominais passando o bisturi mais uma vez separando tecidos e veias. Neste momento, percebo que Jane se afastou dando passos para trás até encostar-se a pia mais próxima.

Ergo o olhar até ela e vejo a lividez em seu rosto. Sempre espero este tipo de reação em muitas pessoas durante as necropsias, porém Jane era diferente; sempre se manteve firme e atenta parecia nunca se importar com o que via ou cheirava, pelo menos não a este ponto.

“Jane, está tudo bem?” Falei.

Ela dobra os lábios em um sorriso morno e acena com a cabeça.

“Claro, babe...” Ela diz. “Só estou descansando um pouco.”

“Eu disse que você não deveria estar aqui.” Athanasiadis falou mais uma vez fazendo Jane revirar os olhos de forma teatral.

Jane poderia dizer o quanto quisesse que estava bem, mas eu sabia que de alguma forma aquele pequeno garoto sobre a mesa ainda a afetava. Quando voltei minha atenção para o corpo, percebi que Ana me encarava com um brilho estranho nos olhos, sem entender exatamente como, aquilo me fez recuar o bisturi.

“Hey! Vocês transaram?” Ana falou abrindo ainda mais os olhos madeirados e tanto eu quanto Jane ficamos em silêncio pegas pela surpresa da pergunta.

“O-O que...?” Jane quebrou o silêncio sorrindo totalmente tímida. “Eu e a Maura? A gente... De onde veio esse assunto Athanasiadis?”

“Você a chamou de babe, e agora sinto o cheiro de sexo em vocês.” Ana sorriu de forma pervertida e naquele momento sinto meu rosto arder de vergonha.

“Como sente cheiro de sexo se tem um corpo aberto aqui?” Jane estava tão incrédula quanto eu.

“Rizzoli, trabalho com drogas, consigo distinguir vários cheiros diferentes e vocês estão cheirando a uma boa transa.” Ana voltou-se para mim com uma leve expressão de vitória no rosto. “Não precisam ficar com vergonha disto, milhões de pessoas devem ter transado ontem. Se eu soubesse que um tiro de raspão ia resolver as coisas entre vocês, eu mesmo teria atirado em você, Rizzoli.”

“Não você não iria, seria presa se o fizesse.” Jane falou rapidamente se aproximando da mesa mais uma vez.

“Verdade, não quero ser presa por sua causa.”

Acabei rindo balançando minha cabeça levemente por perceber que exatamente por causa de um tiro, a Jane e eu cruzamos finalmente a linha da amizade. No fundo, nós apenas precisávamos de um empurrão seja por um suposto elixir ou um tiroteio em um colégio.

Preciso dizer que estou feliz com aquilo? Bem, acho que já devem saber como me sinto após ouvir da boca da própria Jane que ela me amava do mesmo modo que eu a amo. Se eu entrasse em uma máquina de ressonância agora, meu cérebro iria brilhar por causa de todos os neurotransmissores, responsáveis pelo prazer e felicidade, escoando em cascata como uma enorme cachoeira.

Estar com a cabeça nas nuvens nunca fez tanto sentido para mim como agora. Mas ainda havia trabalho para se fazer, e eu precisava que minha cabeça voltasse para a terra firme.

Lembrei-me dos exames que deixei processando no equipamento assim que cheguei hoje mais cedo, os resultados já deveriam estar prontos. Retirei minhas luvas e o meu avental caminhei rapidamente até o laboratório, apanhei os papéis e voltei correndo para a sala de necropsia evitando qualquer tipo de contaminação.

Foliei as folhas mal acreditando no que estava vendo.

“É a mesma.” Digo chamando mais uma vez a atenção das detetives para mim. “É a mesma concentração encontrada no corpo de Jason.”

“2,5ng/mL?” Ana falou se aproximando como se soubesse o que havia por trás daquele valor.

“Sim.” Deixei as folhas sobre o balcão e encarei Athanasiadis seriamente. “Como sabia?”

“Cruzei informações de compostos com essa concentração, e que podem desencadear episódios de paranoia ou agressividade, já que o Jason possuía esta mesma quantidade circulando pelo corpo, logo o que encontrei foi exatamente o...”

“Trembolona.” Ela apontou para o papel sobre a bancada indicando o valor limite da substância.

Foliei rapidamente os gráficos da dosagem hormonal me concentrando em cada valor. Não havia dúvida, aquele valor da janela de detecção era o mais próximo que vi de um surto de testosterona no corpo de alguém.

Como deixei isto passar?

“E que merda é essa?” Jane pergunta confusa.

“É uma anabolizante de uso veterinário.” Falei me direcionando a ela. “É injetado em animais de gado para ganho de massa muscular. Essa substância é proibida em humanos justamente pela quantidade de efeito colateral que ela possui.”

"O efeito colateral do tipo que te faz levar uma arma para o colégio e atirar nos colegas caso sofresse bullying, ou furar a irmã mais nova com uma chave de fenda Philips." Ana completou.

“Ora! Aposto que não é em petshops que se consegue uma droga destas.” Jane falou com um sorriso de canto. “Então já sabemos onde procurar.”

Notas finais
Enquanto Jane e Maura estava se amando, Ana estava trabalhando. Parabéns para a Ana! O próximo já vai sair =P