O Elixir

16 Sobre câmeras e ações


Notas iniciais
Hello pessoas! Espero que estejam gostando, as coisas vão ficar um pouco agitadas agora. Então segura ae e vamos juntos =) Boa leitura!

Jane

4 cameras, e apenas 2 funcionavam.

Este era o tipo de segurança que o sistema público nos ofereciam, e como se não fosse ruim o bastante apenas uma das câmeras mostrava aquilo que precisávamos.

Estávamos na salinha de vídeo esperando o técnico rebobinar as fitas antes de assistir por inteiro e até aquela pequena tarefa estava me enlouquecendo.

Como diabos alguém leva a legista chefe do estado de dentro do departamento de polícia? É de fato um movimento muito desesperado, por certo os passos de Maura estavam sendo viajados por muito tempo, já que ele sabia que naquele horário a encontraria sozinha, e nem eu ou ela percebemos que alguém nos observava.

Entre tantas pessoas, porque justamente levar a Maura?

“Pode ter sido um assalto.” Frankie falava. “Não encontramos os pertences dela, alguém deve ter levado.”

“Um assalto?” Me voltei para ele. “Se é um simples assalto por que deixar o Lexus e sequestrar a legista?”

“Porque a legista pode ter algo que eles queiram e ainda não podemos enquadrar como sequestro, Jane.”

“Ah Claro! A Maura saiu para fazer uma caminhada noturna enquanto sangrava, já que o sangue que encontramos no chão é o dela.”

“Se não tiver nada nos vídeos, será impossível convencer Cavanaugh que se trata de um sequestro.” Ana falou algo que eu já sabia. Não houve pedido de resgate, ou carta com ameaças nem sequer havia um motivo plausível para leva-la. Seria ótimo saber que não aconteceu nada com ela, que a Maura ira aparecer sorrindo dizendo que estava bem, mas eu sabia que algo estava errado mesmo se todos dissessem o contrário.

“O que você sabe sobre esse Doug?” Frankie questionou chamando minha atenção.

“Não muito. Maura me disse que ele foi um colega de turma da faculdade que sofreu um acidente e precisou se afastar por algum tempo e voltou agora.”

“A Maura teve algum envolvimento com ele?”

“Não, Frankie.”

“Tem certeza?” Ele continuou. “Ela não saiu com ele em nenhum momento e por alguma razão não te contou?”

“Ela estava comigo o tempo todo, Frankie.” Digo. “Maura não tinha interesse algum no Doug, acredite.”

Até porque os olhos de Maura estavam sobre mim, estávamos tão ocupadas descobrindo uma à outra e o sentimento que crescia entre nós que não vimos à ameaça se aproximar.

“Não acho que seja algo passional.” Ana falou colocando as mãos nos bolsos de sua calça. “Se passou muitos anos desde que a Dra. Isles se encontrasse novamente com esse Doug, e isto aconteceu justamente durante um caso de drogas e uma possível ligação com a empresa que Doug trabalha. Eu diria que ele procura algo que a Dra. Isles tem ou sabe.”

“Só não sabemos o que.” Murmurei levando as mãos a cabeça.

A sensação de impotência me sufocava me deixando ainda mais impaciente. Sento-me novamente na cadeira e aperto os olhos, mais uma vez a dor latente em meu ferimento surgiu, me dilacerando, me abrindo.

“O que é esta dor perto do que ela deve estar sentindo, ou sentiu?” Este pensamento me estremece me paralisando como um soco certeiro.

“Está pronto.” O técnico ao meu lado falou pausando o vídeo. “Ás 19h30 como pediram.”

O homem se afastou e eu assumi rapidamente o computador.

“Korsak não vem?” Frankie questionou respirando atrás de mim; tudo o que eu mais precisava agora era ter meu irmão fungando no meu pescoço.

“Ele está com a equipe de pericia vasculhando o carro da Maura.” Digo tentando não me incomodar mais do que já estava.

Ana puxou uma cadeira ao meu lado se concentrando no monitor, e neste momento Frankie trocou o meu pescoço pelo de Ana. Bom, isto estava ótimo para mim, antes ela do que eu.

A marcação do vídeo era de 5 em 5, a resolução era ruim de uma vista parcial do estacionamento, mesmo assim consegui identificar parte do Lexus preto. Se Maura chegou até aquele ponto em algum momento ela deve aparecer no vídeo.

Esfreguei meus olhos antes de me aproximar ainda mais do monitor, o registro de hora marcava 19h45 quando avistei a silhueta da Maura avançando direto para o veículo.

“Ali está ela!” Frankie falou “E parece apressada.”

Maura para quando um homem surge por de trás do Lexus se aproximando dela, eles parecem conversar por alguns instantes e eu fico atenta às características dele. Não era possível ver o seu rosto, a iluminação e a resolução da imagem não ajudava a identificação facial, porém a altura e a posição dos ombros eram bastante familiares.

“É esse o cara, Rizzoli?” Ana questionou com os olhos tão presos ao monitor tanto quanto eu. “É o Doug?”

“A estatura é a mesma, os ombros largos, braços grandes, as roupas...” Digo.

Neste momento, aquela conversa simples entre Maura e o sujeito mudou completamente. Maura se vira, abre a porta do Lexus e o homem rapidamente a fecha de forma brusca a impedindo de entrar, é possível ver que ela se machuca com isto, já que puxou o braço para mais perto do corpo o segurando com a outra mão.

“Provavelmente é dai que veio as manchas de sangue que encontramos.” Athanasiadis falou novamente se aproximando ainda mais do monitor.

Foi então que outro sujeito, vestindo roupas tão escuras quanto, surgiu por de trás de uma pilastra indo em direção a Maura, a envolvendo com um dos braços enquanto a sua mão fechava o seu nariz e boca.

Aquilo me faz prender a respiração.

Vejo sua bolsa Prada escorregar até o chão enquanto Maura se debate contra o homem, logo ela fica imóvel caindo adormecida sobre seus braços. Ele então a ergue com cuidado enquanto o primeiro homem apanha a sua bolsa caída no chão e os dois partem para longe do campo de visão da câmera para a penumbra do estacionamento.

Pauso o vídeo e o silêncio se instala na sala, onde todos ainda atordoados mantinham o olhar preso ao monitor como se fossemos sugados para dentro da tela, e naquele instante, a única coisa que me lembro de ouvir foi o meu sangue correr em minhas veias, me agitando, me enfurecendo.

“Claramente isto foi um sequestro.” Frankie falou aturdido.

“Já temos o suficiente para acionar toda a divisão iniciando as buscas.” Ana complementou me encarando.

Minha garganta secou e eu não sei se era por sede ou ansiedade. Levanto-me rapidamente e caminho pela pequena sala esperando que assim eu possa pensar melhor.

“Por que não entraram em contato?” Falo. “O que o Doug quer com a Maura?”

“Rizzoli?”

“Eu sabia que aquele Doug não era um simples colega de turma, por que diabos não fiquei de olho nele?”

“Rizzoli?”

“O que?!” Gritei me virando para Ana que me chamava insistentemente.

“Esta sangrando.” Ela diz inclinando a cabeça para o meu abdômen. Paro e vejo a mancha vermelha crescendo na minha camiseta verde.

“Estou bem.” Bufei revirando os olhos. “Tem coisas mais importantes para me preocupar agora.” Então como uma flecha, Ana se levanta e para diante de mim com o olhar sério e congelante.

“Ouça!” Ela diz seriamente. “Você está preocupada, eu estou preocupada, todos aqui estamos preocupados e com certeza vamos encontra-la, e quando a Dra. Isles sair dessa, eu não quero ter que lhe dizer que a sua namorada começou a sangrar entrando em choque sendo completamente inútil para as buscas. Então se quiser encontra-la, por favor, verifique se você consegue dar o seu melhor para isso.”

Estreito os olhos por alguns segundo antes de encarar o chão. Athanasiadis tinha razão, eu não poderia ser de grande ajuda se continuasse assim, se as minhas emoções tomarem conta do meu racional, e meu corpo começasse a se desfazer. Eu precisava pensar, e naquelas condições seria quase impossível obter resultados bons.

Respire, é o que Maura diria neste exato momento e me pergunto se é o que ela esta fazendo agora, respirando em algum lugar até que eu possa alcança-la.

“Athanasiadis esta certa Jane.” Frankie fala colocando uma das suas mãos no meu ombro enquanto a outra vai parar no ombro de Ana. “Vamos achar a Maura, mas vamos acha-la juntos e precisamos que você esteja bem para isto.”

Ergo o olhar e vejo o rosto seguro de Frankie e o espanto de Athanasiadis com a mão do meu irmão em seu ombro e aquilo me faz sorrir, mesmo que brevemente.

“Vou pedir para a Susie dar uma olhada.” Falo e tanto Ana quanto Frankie me olham aliviados.

“Ótimo!” Frankie levantou as mãos como se estivesse se rendendo. “Agora, você e a Maura estão namorando?”

Volto o olhar para a Ana que sorri levemente, algo me diz que ela se diverte espalhando sobre mim e a Maura aos sete cantos.

“Frankie não é hora pa...”

“Nossa, isso é tipo, nossa...” Frankie ria me interrompendo. “A Ma vai surtar, de um jeito bom, claro. Depois de tanto tempo hein irmanzinha? Finalmente.”

Frankie me abraçou, normalmente eu recusaria este tipo de afeto, mas o meu estado não me permitiu me afastar apenas deixei que de alguma forma aquela braço do meu irmão me confortasse, pelo menos por alguns segundos.

“Vamos encontrar minha cunhada, Jane.” Ele dizia. “Vá ver se está tudo com seu ferimento enquanto eu e a Ana vamos procurar as pistas e encontramos você assim que possível.”

“Vou levantar os dados do Doug e da Dolphin, se soubemos exatamente no que eles trabalhavam acharemos o que tanto procuram.” Athanasiadis completou.

“E eu vou avisar o Cavanaugh e ver se Korsak achou algo antes de acionar o alerta de buscas, em algum momento alguém deve ter visto algo suspeito dentro do departamento.”

Meneio com a cabeça e rapidamente sinto meu coração saltar em meu peito.

“Espera, pensem comigo” Falei chamando a atenção dos dois. “Se eles não levaram o Lexus da Maura então havia outro veículo de fuga. Eles não iam carrega-la por ai sem que ninguém visse nada.”

“Mas a câmera não mostra nenhum outro veículo por perto.”

“Não esta, mas a câmera da entrada pode nos dar alguma ideia de quem entrou. Ela estava funcionando, certo?”

“Podemos cruzar os horários e ver se algo bate.” Ana ergueu suas sobrancelhas perfeitas. “E rastrear a placa.”

Nos concentramos no monitor da segunda gravação. Observando atentamente cada detalhe quadro a quadro, cada imagem desfocada que surgia. Exatamente quando o relógio marcava 19h53 um furgão Ford cinza deixa o estacionamento e neste instante Athanasiadis pausa o vídeo.

“501 AGA.” Ela diz se levantando apressadamente. “Vou emitir um alerta para todas as patrulhas.”

“Te pegamos Doug.” Murmurei encarando o furgão parado no monitor.

Notas finais
O que acham? Vou soltar o próximo cap rapidinho. Até lá ^^