O Duque dos Meus Sonhos
6 Conto de fadas
Notas iniciais
Capítulo 6 – Conto de fadas
O Conde Massen conduzia com maestria a jovem Bella pelo salão, embora tivesse jurado nunca mais se casar, não se apaixonar, ele não conseguia negar a atração que sentia pela jovem, ela era bonita, mas nada exuberante, era uma beleza natural, rosto em forma de coração, lábios rosados, olhos castanhos, como chocolate derretido.
A forma como ela o olhava, parecia enxergar sua alma, encantada talvez por estar dançando com um futuro Duque, mas o que mais lhe chamava atenção, era o jeito de menina ingênua e pura, ele buscava pela memória algo que se assemelhasse a isso, mas nada vinha.
Depois que valsaram pelo salão, Edward lhe serviu um copo de limonada, pegou seu cartão e viu que nele não havia nenhuma assinatura até o momento, assinou seu nome como uma bela letra, devolvendo o cartão logo em seguida.
Bella amarrou novamente o cartão de dança ao pulso como se valesse ouro, buscou com o olhar encontrar Alice ou Rosalie, mas parecia que elas tinham desaparecido no meio da multidão. O Baile de Lady Trowbridge estava bem cheio.
– Procura por alguém senhorita Isabella?
– Ah... sim... Alice Halle.
– Você conhece Alice, da onde?
– Sou filha de uma amiga de sua mãe, e vim com ela ao baile hoje.
– Então você não é daqui?
– Não necessariamente.
– A senhorita me dá respostas muito evasivas.
– E vossa Alteza é muito curioso.
– Já lhe disse que pode me chamar de Edward.
– Então pare de me chamar de senhorita Isabella e me chame só de Bella, sim?
– Como queira Bella. Olha lá, Alice está conversando com o Baronete Mike Newton.
Os dois foram ao encontro de Alice que ficou aliviada por poder dispensar a corte insuportável de Sir Newton. Alice continuou uma agradável conversa com os dois, imaginando como seria se Edward abrisse novamente seu coração para o amor.
Não seria uma tarefa fácil, mas ela estaria disposta a ajudar Bella na conquista, se bem que, pelos olhos brilhando do Conde, a amiga nem precisava de ajuda. Dentro de Edward uma batalha era travada, ele estava tão encantado pela pequena e ao mesmo tempo, tinha tanto medo de se envolver novamente com alguém, e essa pessoa viesse a morrer? Só em pensar na possibilidade de ver Bella morta o deixava em pânico!
A despedida foi calorosa entre os amigos, a noite não foi muito tranquila para os apaixonados, Bella não conseguiu pregar o olho, passou a noite toda falando com a mãe, e contado tudo que tinha visto e ouvido, a noite tinha sido realmente mágica para ela. Não soube o momento em que Esme adormeceu, mas a menina demorou a perceber, falava sem parar até que ela mesma embarcou no mundo dos sonhos.
Carlisle percebeu a mudança em seu filho, Emmett também, o amigo parecia andar nas nuvens. Os três ao chegarem ao Castelo Clyvedon, pararam para tomar uma dose de brandy e falar sobre as belas mulheres que estavam no baile.
Emmett ainda lembrava do pânico que sentiu quando viu a arma apontada para si, tinham feito uma loucura!
– Ainda bem que sua palavra ainda vale alguma coisa bom amigo, se não euzinho aqui, já era!
– Eu ainda não acredito no que você dois fizeram, que loucura Edward, e você Emmett teve é muita sorte do Major não chama-lo para um duelo de armas!
– Foi mais sorte que juízo, mas vamos mudar de assunto, tem muitas senhoras viúvas e bonitas no mercado de casamentos Carlisle, não pensa em se casar de novo?
– Eu não estou à procura Emmett, mas também não estou fechado para o amor, se um dia eu vier amar alguém, me casaria, mas agora apenas por amor. Não tenho por que me casar por obrigação, em um casamento arranjado. Mas e você Edward, gostou de alguém em especial essa noite?
Carlisle ainda tinha esperança que o filho se casasse e lhe desse netos, ele mesmo poderia se casar se conhecesse alguém que valesse a pena, aos 48 anos, não queria entregar-se a solidão.
– Eu ainda não sei... estou pensando nas possibilidades.
– E você Emmett, se encantou por alguém?
– Sim meu amigo, vi um anjo e estou bem disposto a conquistar o coração de uma loirinha!
Emmett estava embasbacado com a beleza estonteante de Rosalie e determinado a conquistar o coração da loira, passou a divagar sobre maneiras de conquistar a moça. Edward apenas ouvia calado, com os pensamentos em uma certa morena que conseguia tirar toda sua sanidade.
Na manhã seguinte, Emmett e Edward levantaram cedo, logo estavam impecavelmente vestidos, passaram na floricultura. Emmett comprou um buquê de tulipas e Edward um enorme de buquê de flores chocolate cosmos, elas eram nativas do México, em um tom vermelho escuro amarronzado, lembravam os olhos de sua Bella.
Emmett bateu com força desnecessária a aldrava de bronze na porta da entrada da casa do Visconde de Halle, fazendo um grande barulho. Levou como resposta um olhar recriminador de Edward.
O mordomo veio abrir a porta e logo encaminhou os jovens ao salão principal, Alice abriu um sorriso ao ver o amigo, enquanto Rose fingia não enxerga-los.
– Alteza!
Edward ergueu o olhar e percebeu Alice vindo correndo em sua direção.
– Srta. Hale.
– Que ótimo vê-lo – disse ela, com um sorriso de satisfação.
Edward ajeitou as flores e começou a caminhar, cumprimentou Alice e deixou que Emmett também lhe beijasse a mão sob a luva branca.
– Você trouxe flores? Para quem?
– Oh, eu trouxe para sua amiga, Isabella Swan. – Edward disse com uma extrema segurança o que deixou Alice de olhos arregalados.
– E eu trouxe para a senhorita Rose, um lindo anjo. – Emmett, negando o fato da loira estar o esnobando, ajoelhou-se ao seu lado, entregando o belo buquê de tulipas.
Não teve como negar, as flores eram belas e caríssimas, Rosalie levantou, pegou o buquê e agradeceu rudemente. Deixando o engenheiro perplexo pelo tamanho da afronta. Ela era linda e ao mesmo tempo esnobe e arrogante.
– A senhorita não vai falar comigo? – perguntou o grande homem, já com os nervos a flor da pele.
– Não. Obrigada pelas flores senhor engenheiro. Vou me retirar. – a bela loira saiu da sala com graça e desenvoltura, deixando Emmett com cara de bobo na sala.
– Não liga para Rosalie não Emmett, ela no fundo amou as flores, as tulipas são as preferidas dela e faz muito tempo que ela não recebe flores de ninguém. – Alice disse de forma a consolar o novo amigo.
– Por quê ela não recebe flores pequena anã?
– Simples, desde que Royce King II começou a cortejá-la todos os pretendentes deixaram o campo livre para ele, e só entre nós, ele não presta, vive em mesa de jogos e não gastaria um tostão com flores para Rosalie.
– Bom saber, acho que vou investir minha artilharia pesada, estou encantado pela sua irmã. Essa ainda vai ser minha, a senhora McCarty. – Emmett deixou a mansão dos Halle disposto a saber mais sobre Rosalie e Royce, ele ficaria de olho, e no menor vacilo daquele cidadão desprezível, ele conquistaria o coração de seu anjo.
Edward ainda esperava com as rosas na mão quando a viscondessa entrou na sala e se surpreendeu com a visita do Conde. Quando ele lhe falou que as flores eram para Isabella, Eloisa ficou branca como um papel, sentou-se e precisou esperar alguns segundos até recobrar a fala.
– Vossa Alteza veio trazer flores para Isabella?
– Sim my lady, eu poderia vê-la?
– Oh! Minha nossa! Veja bem alteza, eu não sei nem por aonde começar ... – Enquanto a viscondessa tentava encontrar as palavras certas, Edward já impaciente lhe falou. – Bem é só chama-la.
Decidindo que o melhor a fazer, era mostrar para Edward quem era Isabella, sem rodeios, a viscondessa pediu para que ele a seguisse sem fazer barulho. Pois nada que ela dissesse faria sentido. O melhor seria ele ver com os próprios olhos, sendo assim, A viscondessa Eloisa subiu as escadas rumo aos quartos, com Edward nos seus calcanhares, abriu a porta lentamente, só uma frestinha, o suficiente para que ele visse a morena arrumando a cama.
Edward abriu a boca pasmo com o que via, ela era uma criada, estava vestida com uma toquinha branca na cabeça, um vestido cinza com um avental branco por cima. Ele virou-se imediatamente, retornando apressadamente para a sala, descendo os degraus da escada em uma desembalada carreira.
–Exijo que me explique o que significa isso? Isabella estava no baile ontem, dancei com ela, e hoje a vejo como arrumadeira?
– Sente-se alteza, eu explicarei. – A viscondessa tentava encontrar a coragem para contar – ontem foi aniversário de Bella, 17 anos, minhas filhas nos convenceram a deixar Bella ir ao baile, como presente de aniversário para ela. Mas Bella, é nossa criada, filha de nossa cozinheira.
– E vocês deixaram que eu dançasse com ela e ficasse conversando com ela quase metade da noite e não me falaram nada?
– Não imaginei que vosso alteza se interessaria por ela, me perdoe.
O Conde de Massen andava de um lado para outro na enorme sala, milhões de pensamentos vinham em sua mente. Ela era diferente de todas as mulheres que ele já havia cortejado um dia.
Tanya era refinada e fútil, Penélope sabia tudo sobre arte e literatura e Juliet uma grande conquistadora. Todas tinham uma coisa em comum, eram cultas, tinham educação, graça e sabiam os costumes da sociedade. Isabella parecia ser de outro mundo, a conversa era simples, girava sempre entorno do que ele gostava de comer, de fazer, e ela parecia entender tudo sobre doces e sobremesas que ele adorava.
Fazia todo sentido agora, mas embora ela fosse da criadagem, seu coração havia sido conquistado, com um firme propósito, Edward parou, olhou firmemente para a condessa e pediu novamente.
– A senhora poderia me levar até a cozinha?
– A... Até a cozinha?
– Sim, eu gostaria de fazer o pedido formalmente para sua cozinheira, a mãe de Bella não é?
– Esme?
– Esme, poderia me levar até ela, por favor?
– Tem certeza que é isso que vossa alteza deseja?
– Absoluta.
Sem ter como negar um pedido tão veemente, Eloisa acompanhou Edward até a cozinha, ao entrar no recinto muito bem limpo e organizado, surpreenderam Esme que arrumava uma saladeira de prata.
– Esme, bom dia, esse é o Conde Edward Massen, filho do Duque Carlisle Cullen ele veio para falar com você.
Esme parou repentinamente o que estava fazendo olhando de forma incrédula para o homem alto e muito bonito que estava em sua frente. Fez uma reverencia tímida e mal conseguiu falar.
– Gostaria de falar comigo alteza?
– Por certo Dona Esme.
– Pode falar.
– Eu conheci sua filha ontem no baile de Lady Trowbridge, e fiquei encantado, por isso eu vim lhe pedir permissão para cortejá-la?
– Vossa Alteza quer cortejar a Bella?
– Exatamente.
– oh! Meu Deus!
Esme não conseguia mais falar, precisou sentar-se, receber um copo d’água e acalmar o coração.
– Veja bem alteza, Bella é minha filha e nós moramos aqui desde que eu estava grávida e desamparada. Não fazemos parte de seu mundo, não acho que Bella seja moça para ser cortejada por alguém de tamanha nobreza.
– Eu entendo seu ponto de vista senhora, mas eu não quero brincar com sua filha, eu lhe trouxe essas flores, permita ao menos entrega-la com o tempo a senhora entenderá meus sentimentos.
– O senhor é o conde amaldiçoado não é? Aquele que já se casou três vezes e as três esposas faleceram de uma hora pra outra?
– Digamos que até hoje não tive sorte com meus casamentos. Mas não acredito em maldição!
– Não sei se devo permitir tamanha loucura. – os olhos azuis de Edward lhe passavam confiança. – quer cortejar a Bella e por acaso pretende se casar com ela?
– Ainda é cedo para falar em casamento minha senhora, mas quero cortejar sua filha e veremos o que o destino nos reserva.
– Se vossa alteza se casar com minha filha, ela certamente morrerá!
– Eu não creio que seja um homem amaldiçoado senhora, acredito que tudo, que tudo que vivi até hoje foi à vontade de Deus, não tenho poder para ir contra a vontade de um ser supremo. – embora nem ele acreditasse nessas palavras, fazia um esforço enorme para crer, ele não queria ser um homem amaldiçoado, queria poder casar e ter filhos, uma família linda e feliz.
– Tudo bem, vou chamar a Bella aqui na cozinha para que lhe entregue as flores e nada mais. – Esme via sinceridade nos olhos do homem a sua frente, ele parecia triste e solitário, e também podia realmente estar falando a verdade e querer cortejar sua filha, por que não?
Edward soltou um sorriso vitorioso, Esme deixou a cozinha subindo em direção os quartos, encontrou Bella cantarolando sozinha enquanto terminava a arrumação. Ela explicou brevemente o que acontecia e ambas desceram as escadas rapidamente.
Na cozinha, Edward estava impecavelmente, com uma postura digna de um verdadeiro rei, recebeu a pequena morena com um leve cumprimento, pegou sua mão e a beijou em reverência, lhe entregou as flores.
Bella estava estarrecida com o que acontecia, mal podia acreditar no que segurava com as mãos trêmulas. Edward estava ali em sua frente, em toda sua graça e poder para lhe trazer flores. Flores para ela! Com um sorriso bobo nos lábios, ela recebeu as flores e seus olhos se encheram de lágrimas.
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