— Está na hora do seu próximo teste!

— Se for mais um daqueles circuitos, eu tô fora.

— Relaxa. Esse vai ser bem fácil.

Finalmente, Luiz e Drum, estavam se dando bem. Mas, o garoto insistia em treiná-lo, da sua maneira.

— Um teste de confiança?

— Isso mesmo. Agora que somos parceiros, vamos aprender a confiar um no outro.

— Parceiros? Eu e você? Não me lembro de ter dito isso.

— Mas, você disse...

— Ei, eu falei que você poderia ficar. Mas não falei nada, sobre parceria ou amizade. Não confunda. Além disso, não pense que engoli aquela história, de que você me criou.

— Puxa, você é muito desconfiado. Tenha calma. Eu só quero testar a nossa sincronia. Vai ser rápido, prometo.

Luiz fez uma cara de pena e, Drum, não resistiu. O garoto era muito convincente.

— Ah, está bem! Mas que seja rápido!

— Valeu, Drum! Você é o melhor!

— Onde será o local do teste?

— Aqui mesmo.

— Como é?

— Neste teste, não será necessário nenhum objeto, ou, lugar específico. Podemos fazer, em qualquer lugar.

— Está bem. Então, como é o teste?

— É bastante simples. Você se joga para trás, e eu te pego. Só isso.

— O quê?! Quer mesmo, que eu acredite, que você iria me pegar?

— Eu quero. Confie em mim, por favor.

— Confiar...

Agora o motivo do teste, estava claro. Drum não queria arriscar. Mas, ao olhar para os olhos de Luiz, sentiu que poderia fazê-lo.

— Confiarei.

— Beleza!

Drum posicionou-se na frente de Luiz.

— Tem certeza? Eu sou meio pesado.

— Hahaha, confia em mim! (sorrindo)

Acreditando no garoto, o dragão se jogou. Mas, para a sua surpresa...

— Que diabos, foi isso? Por que não me segurou? (irritado)

— Hã?! Porque eu faria isso? Olhe para você. É tão pesado, quanto uma baleia.

— E aquele papo todo de confiança? Era mentira?

— Sim, era.

— E ainda admite, na cara dura?

Drum estava furioso. Já Luiz, extremamente, calmo.

— Você não entendeu mesmo, o propósito deste teste. Não é?

— Desculpa esfarrapada! Você me pregou uma peça!

— Pense o que quiser. Mas, vou te dizer a verdade. Este teve um propósito claro, desde o começo. Fazer com que pare de confiar em alguém.

A atmosfera mudou. Quando Luiz ficava sério, era sempre assim.

— Não estou entendendo.

— Não pode confiar em ninguém, exceto você mesmo. Até mesmo, o seu amigo mais próximo, pode te apunhalar pelas costas. E é por isso, que você sempre deve manter os pés no chão, antes de se entregar para alguém.

— Esse é um jeito perigoso de ver as coisas.

— É a verdade! Eu sei disso melhor do que ninguém!

— Nem quero saber da história.

— Foi há quatro anos atrás.

— Eu falei que não quero saber!

— Eu tinha, quero dizer, achava que tinha amigos, com quem podia confiar.

— E lá vamos nós...

— Eles se chamavam: Ravel, e Carvalho.

Flashback

— Amanhã, é o dia da nossa apresentação. Vale ponto, para a nota. Por favor, não faltem!

— É claro que não, cara!

— Confia na gente! Vamos estar aqui.

— Assim espero.

‘’Mas, eles faltaram. Não vieram, como prometeram. E no fim, eu tive que apresentar todo o trabalho, sozinho.

— Eles devem ter tido bons motivos...

‘’Quando a aula acabou, passei na casa do Carvalho, para saber o que tinha acontecido. E lá estavam os dois. Jogando vídeo game, e falando mal de mim, pelas costas’’

— Luiz, o que você tá fazendo aqui?

— Espera! A gente pode explicar!

‘’Eu fui embora, correndo o mais longe possível, daquela casa. E desde então, eu aprendi uma valiosa lição. Nunca confie em ninguém’’

Fim do Flashback

— Uau, isso foi profundo.

— Vou dar uma saída.

— Vai pra onde?

— Dar uma volta, e esfriar a cabeça.

— Tome cuidado, com os dragões.

— Tá! (ao longe)

Caminhando entre os dragões, Luiz não sentia medo. Parecia algo, bastante, comum para ele.

— Ei, olha por onde anda!

— Me desculpa, aí. Eu tava distraído.

Andando com a cabeça baixa, o garoto esbarrou em um dragão. E ele era, bem peculiar. Andava sobre duas patas, era branco, usava um chapéu, e uma roupa de espadachim. Sobretudo, portava uma espada consigo.

— Ora, ora. Você é aquele humano, amigo do Drum, não é?

— Eu não diria ‘’amigo’’, mas é por aí...

— Vejam, é aquele humano!

— Aquele, que vive perto do Drum!

— Pelo visto, estamos atraindo muitos convidados. Até um outro dia, foi um prazer!

— Pra quê a pressa, meu amigo?

Com sua espada, o dragão bloqueou o caminho de Luiz.

— Escuta, eu não sei quem você é, e não sou seu amigo. Agora, se me permite passar...

— Mil perdões! Onde estão os meus modos? Meu nome, é Thousand Rapier Dragon.

— E eu, sou a rainha da Inglaterra. Agora dá licença...

— Vejam! Ele gosta de fazer piadas, Hahaha!

— Ai!

Com um único movimento, Thousand, cortou a bochecha de Luiz.

— Ei, o que foi isso?

— Aquele Drum, vem me enchendo a paciência, há muito tempo.

— E eu com isso?

— Atacando seu amiguinho, finalmente terei a minha vingança!

— Me deixa fora disso!

Com mais um movimento, o dragão fez um corte, na perna de Luiz.

— Briga, Briga, Briga!

— Veja só! Todos reconhecem o meu talento! Todos me admiram! E se não fosse pelo Drum, eu seria ainda mais famoso!

— Mas o que ele te fez?

— Era o torneio de dragões. Havíamos chegados juntos à final. Eu estava confiante nas minhas habilidades, e almejava a vitória, mas do que qualquer um. Então, ele veio, e acabou com os meus sonhos. Arruinou a minha vida! Agora, ele vai pagar!

— Isso é ridículo! Era só um torneio idiota!

— Ridículo? Será a sua morte, prematura!

Desta vez, fez um corte no peito.

— AAAHHH!

— O que foi? Por que não chama seu amigo?

— Cala a boca! Não preciso que ele venha!

— Ridículo. Essa sua atitude, só vai apressar a sua derrota!

Aproximando-se do garoto, Thousand lhe deu um chute.

— Não banque o valente. Vamos, chame por ele!

— Mesmo que eu chamasse, ele não viria.

— O quê?

— Eu não confio nele; e nem ele, em mim!

— Hahahaha! Que lindo! Os dois brigaram. Pena que isso, custará a sua vida.

Thousand Rapier Dragon, ergueu sua espada, e preparou-se para dar o golpe final.

— Morra!

— Então, este é o meu fim. Que ótimo. Vou poder morrer, sem que ninguém, faça algo a respeito. Afinal, eu nunca precisei de ninguém. (pensando)

Fechou os olhos, e aguardou a morte.

— DRILL RAM...

— O quê?! Não, não! Não chegue perto!

Luiz abriu os olhos novamente.

— BUNKER!!!

— AAAAAAAAAAHHHHHHH!

Vindo do céu, a uma velocidade incrível, Drum chegou a tempo. Thousand Rapier, sentiu o impacto, de sua poderosa arma.

— Você conseguiu de novo. Por que fica no meu caminho?

— No momento, em que você o envolveu. Já não era, mais uma disputa. E sim, algo pessoal.

— Maldito! Cof, cof!

Thousand Rapier, foi derrotado. Todos comemoraram. Mas a condição de Luiz, ainda era crítica.

— Drum...

— E aí, garoto. Sua aparência, não é nada boa.

— Como foi que chegou até aqui?

— Eu estava observando o vale, quando vi esta baderna de longe. Sabia, que estava metido nisso. Mas não pensei, que fosse tão burro, a ponto de desafiar um dragão.

— Você está certo. Então, esse é o poder da sua DRILL BUNKER?

— Sim, é esse. Diz aí, ficou impressionado?

A ‘’Drill Bunker’’ é uma super broca, que usa o poder de três propulsores, na parte traseira. Drum pode usá-la, para voar, e atacar o inimigo.

— De alguma forma, eu sabia que você viria...

— Como é ingênuo. Se você morresse, eu não teria mais escravos.

Drum colocou Luiz nas costas, e voltaram juntos para a caverna. A jornada dos dois, ainda estava longe de acabar.