O Dragão que não rugia
4 Confiança
— Está na hora do seu próximo teste!
— Se for mais um daqueles circuitos, eu tô fora.
— Relaxa. Esse vai ser bem fácil.
Finalmente, Luiz e Drum, estavam se dando bem. Mas, o garoto insistia em treiná-lo, da sua maneira.
— Um teste de confiança?
— Isso mesmo. Agora que somos parceiros, vamos aprender a confiar um no outro.
— Parceiros? Eu e você? Não me lembro de ter dito isso.
— Mas, você disse...
— Ei, eu falei que você poderia ficar. Mas não falei nada, sobre parceria ou amizade. Não confunda. Além disso, não pense que engoli aquela história, de que você me criou.
— Puxa, você é muito desconfiado. Tenha calma. Eu só quero testar a nossa sincronia. Vai ser rápido, prometo.
Luiz fez uma cara de pena e, Drum, não resistiu. O garoto era muito convincente.
— Ah, está bem! Mas que seja rápido!
— Valeu, Drum! Você é o melhor!
— Onde será o local do teste?
— Aqui mesmo.
— Como é?
— Neste teste, não será necessário nenhum objeto, ou, lugar específico. Podemos fazer, em qualquer lugar.
— Está bem. Então, como é o teste?
— É bastante simples. Você se joga para trás, e eu te pego. Só isso.
— O quê?! Quer mesmo, que eu acredite, que você iria me pegar?
— Eu quero. Confie em mim, por favor.
— Confiar...
Agora o motivo do teste, estava claro. Drum não queria arriscar. Mas, ao olhar para os olhos de Luiz, sentiu que poderia fazê-lo.
— Confiarei.
— Beleza!
Drum posicionou-se na frente de Luiz.
— Tem certeza? Eu sou meio pesado.
— Hahaha, confia em mim! (sorrindo)
Acreditando no garoto, o dragão se jogou. Mas, para a sua surpresa...
— Que diabos, foi isso? Por que não me segurou? (irritado)
— Hã?! Porque eu faria isso? Olhe para você. É tão pesado, quanto uma baleia.
— E aquele papo todo de confiança? Era mentira?
— Sim, era.
— E ainda admite, na cara dura?
Drum estava furioso. Já Luiz, extremamente, calmo.
— Você não entendeu mesmo, o propósito deste teste. Não é?
— Desculpa esfarrapada! Você me pregou uma peça!
— Pense o que quiser. Mas, vou te dizer a verdade. Este teve um propósito claro, desde o começo. Fazer com que pare de confiar em alguém.
A atmosfera mudou. Quando Luiz ficava sério, era sempre assim.
— Não estou entendendo.
— Não pode confiar em ninguém, exceto você mesmo. Até mesmo, o seu amigo mais próximo, pode te apunhalar pelas costas. E é por isso, que você sempre deve manter os pés no chão, antes de se entregar para alguém.
— Esse é um jeito perigoso de ver as coisas.
— É a verdade! Eu sei disso melhor do que ninguém!
— Nem quero saber da história.
— Foi há quatro anos atrás.
— Eu falei que não quero saber!
— Eu tinha, quero dizer, achava que tinha amigos, com quem podia confiar.
— E lá vamos nós...
— Eles se chamavam: Ravel, e Carvalho.
Flashback
— Amanhã, é o dia da nossa apresentação. Vale ponto, para a nota. Por favor, não faltem!
— É claro que não, cara!
— Confia na gente! Vamos estar aqui.
— Assim espero.
‘’Mas, eles faltaram. Não vieram, como prometeram. E no fim, eu tive que apresentar todo o trabalho, sozinho.
— Eles devem ter tido bons motivos...
‘’Quando a aula acabou, passei na casa do Carvalho, para saber o que tinha acontecido. E lá estavam os dois. Jogando vídeo game, e falando mal de mim, pelas costas’’
— Luiz, o que você tá fazendo aqui?
— Espera! A gente pode explicar!
‘’Eu fui embora, correndo o mais longe possível, daquela casa. E desde então, eu aprendi uma valiosa lição. Nunca confie em ninguém’’
Fim do Flashback
— Uau, isso foi profundo.
— Vou dar uma saída.
— Vai pra onde?
— Dar uma volta, e esfriar a cabeça.
— Tome cuidado, com os dragões.
— Tá! (ao longe)
Caminhando entre os dragões, Luiz não sentia medo. Parecia algo, bastante, comum para ele.
— Ei, olha por onde anda!
— Me desculpa, aí. Eu tava distraído.
Andando com a cabeça baixa, o garoto esbarrou em um dragão. E ele era, bem peculiar. Andava sobre duas patas, era branco, usava um chapéu, e uma roupa de espadachim. Sobretudo, portava uma espada consigo.
— Ora, ora. Você é aquele humano, amigo do Drum, não é?
— Eu não diria ‘’amigo’’, mas é por aí...
— Vejam, é aquele humano!
— Aquele, que vive perto do Drum!
— Pelo visto, estamos atraindo muitos convidados. Até um outro dia, foi um prazer!
— Pra quê a pressa, meu amigo?
Com sua espada, o dragão bloqueou o caminho de Luiz.
— Escuta, eu não sei quem você é, e não sou seu amigo. Agora, se me permite passar...
— Mil perdões! Onde estão os meus modos? Meu nome, é Thousand Rapier Dragon.
— E eu, sou a rainha da Inglaterra. Agora dá licença...
— Vejam! Ele gosta de fazer piadas, Hahaha!
— Ai!
Com um único movimento, Thousand, cortou a bochecha de Luiz.
— Ei, o que foi isso?
— Aquele Drum, vem me enchendo a paciência, há muito tempo.
— E eu com isso?
— Atacando seu amiguinho, finalmente terei a minha vingança!
— Me deixa fora disso!
Com mais um movimento, o dragão fez um corte, na perna de Luiz.
— Briga, Briga, Briga!
— Veja só! Todos reconhecem o meu talento! Todos me admiram! E se não fosse pelo Drum, eu seria ainda mais famoso!
— Mas o que ele te fez?
— Era o torneio de dragões. Havíamos chegados juntos à final. Eu estava confiante nas minhas habilidades, e almejava a vitória, mas do que qualquer um. Então, ele veio, e acabou com os meus sonhos. Arruinou a minha vida! Agora, ele vai pagar!
— Isso é ridículo! Era só um torneio idiota!
— Ridículo? Será a sua morte, prematura!
Desta vez, fez um corte no peito.
— AAAHHH!
— O que foi? Por que não chama seu amigo?
— Cala a boca! Não preciso que ele venha!
— Ridículo. Essa sua atitude, só vai apressar a sua derrota!
Aproximando-se do garoto, Thousand lhe deu um chute.
— Não banque o valente. Vamos, chame por ele!
— Mesmo que eu chamasse, ele não viria.
— O quê?
— Eu não confio nele; e nem ele, em mim!
— Hahahaha! Que lindo! Os dois brigaram. Pena que isso, custará a sua vida.
Thousand Rapier Dragon, ergueu sua espada, e preparou-se para dar o golpe final.
— Morra!
— Então, este é o meu fim. Que ótimo. Vou poder morrer, sem que ninguém, faça algo a respeito. Afinal, eu nunca precisei de ninguém. (pensando)
Fechou os olhos, e aguardou a morte.
— DRILL RAM...
— O quê?! Não, não! Não chegue perto!
Luiz abriu os olhos novamente.
— BUNKER!!!
— AAAAAAAAAAHHHHHHH!
Vindo do céu, a uma velocidade incrível, Drum chegou a tempo. Thousand Rapier, sentiu o impacto, de sua poderosa arma.
— Você conseguiu de novo. Por que fica no meu caminho?
— No momento, em que você o envolveu. Já não era, mais uma disputa. E sim, algo pessoal.
— Maldito! Cof, cof!
Thousand Rapier, foi derrotado. Todos comemoraram. Mas a condição de Luiz, ainda era crítica.
— Drum...
— E aí, garoto. Sua aparência, não é nada boa.
— Como foi que chegou até aqui?
— Eu estava observando o vale, quando vi esta baderna de longe. Sabia, que estava metido nisso. Mas não pensei, que fosse tão burro, a ponto de desafiar um dragão.
— Você está certo. Então, esse é o poder da sua DRILL BUNKER?
— Sim, é esse. Diz aí, ficou impressionado?
A ‘’Drill Bunker’’ é uma super broca, que usa o poder de três propulsores, na parte traseira. Drum pode usá-la, para voar, e atacar o inimigo.
— De alguma forma, eu sabia que você viria...
— Como é ingênuo. Se você morresse, eu não teria mais escravos.
Drum colocou Luiz nas costas, e voltaram juntos para a caverna. A jornada dos dois, ainda estava longe de acabar.
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