O Doce Amargo da Premonição
4 Capítulo IV
Capítulo IV
Abri os olhos rápido demais, olhando assustada para as paredes do meu quarto... Está se tornando comum eu acordar desse jeito... Hum... O que foi aquilo?
Olhei pro relógio constatando que ainda eram apenas 15h00min, ou seja, eu não ‘sonhei’ por muito tempo. Levantei-me e comecei a andar por meu quarto, observando o vazio, pois meus olhos vagavam pelo quarto sem nada realmente ver.
Esses sonhos malditos! Eu poderia dizer que o primeiro havia sido coincidência, mas esse segundo ‘sonho’ havia colocado essa idéia por água à baixo. Não quero ver mais uma pessoa morta. Não mesmo...
E ainda havia o garoto estranho que falou comigo nesse sonho. O que ele estaria tentando me dizer com a frase “Você também vê?”? Seria uma espécie de pegadinha que meu próprio corpo está tentando me pregar? Ah, só pode ser...
Hum... Mas o que eu faço agora? Acho que é melhor eu não contar isso a ninguém, nem mesmo minha mãe, mesmo que eu saiba que ela me ajudaria, eu não teria coragem de contar, pois ela poderia me chamar de louca e eu não quero que minha mãe pense isso de mim.
Meus olhos de repente pararam em um ponto que me fixou. Aqueles olhos azuis me encaravam novamente, parecia interessado em alguma coisa, mas Yin apenas abaixou a cabeça quando viu que eu observava-o sem desviar os olhos de mim.
Ah... Legal... Meu gato também é estranho...
Senti que precisava sair daquele quarto antes que enlouquecesse em meio a tantos pensamentos... Seria provável que isso realmente acontecesse...
Eu iria até a sala, se no caminho não houvesse a cozinha. Passar pela cozinha me lembrou que eu não havia comido nada durante o dia... Também, depois de um dia como esse, era esperado que algo assim acontecesse.
Entrei na cozinha que estava vazia e comi alguma besteira que achei pelos armários. Depois fui para os fundos da minha casa que era uma espécie de jardim, pequeno, mas confortável.
Sentei-me no chão, entre algumas flores, que ainda estavam abertas, certamente cairiam no outono. Fiquei ali olhando o céu por bastante tempo, tanto que quando entrei em casa novamente já estava anoitecendo.
E um medo começou a tomar conta de mim... Eu não quero mais ter esse tipo de sonho... Tanto que vou fazer de tudo para não dormir essa noite...
Depois de dar comida ao Yin, decidi que ficaria em meu quarto apenas para minha mãe pensar que estou dormindo e depois vou ver o que faço...
Eram quase 22h00min quando ouvi os passos da minha mãe perto da porta do meu quarto, percebi que ela abriu a porta com cuidado para não fazer barulho, e eu continuei fingindo que estava dormindo e devo ter me saído bem porque ela não notou.
Depois de ouvir a porta ser fechada abri meus olhos e comecei a pensar no que faria, acho que vou ler um livro. Procurei na minha mochila escolar algum livro para ler, mas não achei nada, então decidi que escutaria música.
Liguei meu MP3 em qualquer música, apenas queria me ver livre dessa realidade que está começando a me assustar...
XxX
Trrrrrriiiiimmmmmmm
Ah! Que barulho de despertador irritante! ... Mas, hum...? Ahhh! Eu acabei dormindo mesmo com aquela força de vontade de não dormir? Minha força de vontade não valeu nada? É, acho que sim...!
Eu respirei tranqüila, pelo menos dessa vez eu não tive nenhum ‘sonho’. Isso me alegrava. Mas, eu, não vou pra aula de inglês hoje. Não mesmo!
O último ‘sonho’ que eu tive acabou acontecendo, de verdade, e era bem provável que o segundo também, e eu, não quero correr o risco de ver uma cena daquelas novamente, ah! Como eu estou ficando confusa com tudo isso!
Mas, enfim, vou ignorar isso por enquanto.
XxX
Dessa vez eu cheguei em minha a casa na hora certa, o que, deixou minha mãe bem animada. A aula havia sido desgastante, mas eu superei...
O almoço era algo bem simples, um arroz básico, e de carne tinha bife... Err... Pelo menos eu acho que era bife, já que aquela carne estava irreconhecível... Esqueci de comentar que minha mãe é ótima na cozinha...
E logo após o almoço, mais ou menos 12h45min, eu tinha que me arrumar para ir ao curso de inglês, mas eu decidi que iria ficar quieta pra ver se aminha mãe esquece que hoje eu tenho curso de inglês...
Mas, minha mãe, justo hoje, decidiu dar uma de ‘senhora que não esquece nada’, quer dizer, senhora não, pois ela só tem 38 anos.
- Filha você não vai se arrumar para ir ao curso? – me perguntou ela calmamente enquanto terminava de lavar louça.
- Mãe... – vamos lá, Yuuki! Use sua criatividade! – eu não estou me sentindo muito bem hoje – certo, na hora do desespero a gente não pensa direito e acaba tendo cada idéia... – Sério! – eu disse quando vi o olhar dela que dizia claramente que não está acreditando.
- Sei... E eu sou o papai Noel – minha mãe disse enquanto me olhava com um olhar reprovador – Filha, você não pode faltar! Você sabe como foi difícil conseguir uma bolsa de inglês...
- Mas, mãe! Eu não quero ir hoje!E é só um dia, não vai fazer falta! – eu estava começando a ficar desesperada, mesmo não demonstrando isso
- Nem um piu, nem dois piu! Pode ir se arrumar, não quero minha filha sendo irresponsável! – ela falou firme não deixando nenhuma escolha pra mim.
Saí da cozinha batendo os pés e quando cheguei ao meu quarto bati a porta com força. Eu estou realmente nervosa e irritada! Eu não quero ir nesse maldito curso! Não depois do sonho que tive...
Eu percebi que se eu não me arrumasse logo eu acabaria arranjando uma briga feia com a minha mãe, então, mesmo com medo, acabei me arrumando para ir nesse curso.
Quando fiquei pronta eu fui em direção a sala arrastando os pés, talvez se eu demorasse um pouco pra chegar nesse curso eu não veria nada...
- Mãe! To indo! – gritei da sala, olhei pro relógio, eram ainda 13h15min, eu teria quinze minutos para chegar ao prédio do curso.
- Espera aí! Eu vou com você! – minha mãe gritou em resposta.
- Mãe, você começa a trabalhar daqui a quinze minutos, você vai chegar atrasada! – eu não gritei dessa vez, já que minha mãe havia entrada na sala e estava com as chaves do carro em mãos
- Não ligue pra isso, eu dou um jeito – eu e ela saímos de casa e enquanto ela fechava a porta ela emendou – E também quero me certificar de que você vá ao curso
Certo! Minha idéia de chegar atrasada não vai dar certo! Céus, o que eu faço agora? Não quero ver aquilo de novo, por favor, alguém mande alguma luz pra mim?
Mas, como eu sou uma garota sortuda, logo minha mãe encostou o carro um pouco longe do prédio, mas dava pra ver muito bem ele.
E o que eu temia aconteceu. Havia uma multidão em frente o prédio, o que, acabou chamando a atenção da minha mãe, que desceu do carro comigo. E ela foi comigo até a frente do prédio.
E... E... Havia um homem prestes a se jogar do terraço. Meus olhos se arregalaram junto com os da minha mãe. Tudo parecia saído de um filme de terror...
E eu olhei pros lados vendo se achava o garoto que falou comigo nesse mesmo lugar no meu sonho, mas não havia ninguém, somente a minha mãe que parecia mais assustada que eu.
E foi como no meu sonho. Eu ouvi um baque ensurdecedor e as pessoas exclamarem assustadas. E minha mãe, ela olhava pra mim de um jeito estranho.
- Eu disse pra você que não queria vir...
Continua...
Fale com o autor