O Doce Amargo da Premonição
5 Capítulo V
Capítulo V
A volta para casa foi silenciosa. Também, o que eu esperava depois daquela cena? Mamãe não disse mais nada depois da minha fala: “Eu disse pra você que não queria vir...”, ela estava irreconhecível, estava agindo estranho e ficava olhando para os lados o tempo todo.
Não entendi o porquê de ela estar tendo essa reação, certo que não era algo comum, mas também não era algo completamente estranho... Certo? Certo! Nem eu sei o que dizer, talvez seja a minha última frase antes desse silêncio incômodo se instalar no carro que a tenha deixado dessa forma, mas... Eu esperava que ela considerasse isso uma coincidência...
E eu não sei de mais nada. Até domingo antes de dormir eu era uma garota normal, mas quando acordei, na segunda, eu era uma garota com ‘sonhos’ que se tornavam realidade. Tudo estava estranho, era até estranho eu estar admitindo isso, mas agora, isso era uma verdade.
Eu não quero que as coisas sejam assim, quero voltar a ser uma garota normal, mesmo que eu antes considerasse minha vida entediante, ainda era melhor do que saber que tem algo acontecendo, mas não saber o quê e como evitar. É realmente frustrante.
Fui tirada dos meus pensamentos pela minha mãe.
- Filha... Você está bem? – percebi que ela estava medindo as palavras, como se temesse usar palavras que fossem mal compreendidas por mim.
- Sim – menti – Quer dizer, na medida do possível, né? – falei escondendo totalmente minhas dúvidas, mesmo que fosse doloroso, eu preferia ficar quieta enquanto não estivesse certa do que estava acontecendo.
- Entendo... – sorriu de um modo reservado, como quem tem um prêmio, mas não pode mostrá-lo, realmente ela estava estranha – Filha... – ela me chamou novamente quando eu pensava que a mini-conversa havia terminado
- Fala... – resmunguei. Eu estou nervosa e preciso de um tempo para pensar, e não sei por que, mas a voz dela, que parecia orgulhosa, sem motivo, me deixou mais irritada.
- Eu não sei como te dizer isso... – enrolou – Mas, preciso levar você a um lugar... – falou calmamente, decidindo por fim, me contar o que queria falar desde o começo daquela conversa, ou assim eu imaginava.
- Pra quê? – falei enquanto encostava minha cabeça no vidro do carro – Você tem que trabalhar agora, lembra? – continuei, olhando as casas daquela rua por onde estávamos trafegando. Eu quero ir pra casa, eu quero um tempo pra pensar, eu quero decidir o que fazer, mas tudo parece estar conspirando contra.
- Esqueça o meu trabalho, ele não importa agora – olhou em minha direção e piscou – Vamos passar em casa antes, para pegar algumas roupas e logo estaremos na estrada – não sei se era impressão minha, mas ela parecia... Festejar? ... Mas o que havia para festejar? ...
- Mãe, eu tenho aula... Não posso faltar agora em época de provas... – alertei – E também, não estou nenhum pouco afim de viajar... – bocejei, eu só quero voltar pra casa...
- Nem vem... Esqueça as provas, depois eu falo com seus professores – ela pôs um fim a conversa sem me deixar alternativas. Quer dizer, eu até teria, mas não posso desobedecê-la, afinal é minha mãe, e mesmo sendo avoada e totalmente autoritária eu a amo.
Suspirei cansada. Agora terei que adir o tempo para pensar, se bem que... Eu posso pensar enquanto viajamos, não, pensar num carro em movimento, não é algo correto para as decisões que eu realmente precisaria tomar.
E... Eu tenho que pesquisar em algum lugar: revistas, livros ou internet o que está acontecendo comigo, mesmo que eu tema a resposta. Eu sei que... Melhor, não sei de nada. Vou deixar a maré remar do jeito dela, por enquanto...
Notei que o carro parou, então suspirei novamente, desci do carro com uma lentidão incrível, com certeza uma tartaruga ganharia de mim. Mas, fazer o quê? Estou sem nenhum ânimo para viver esse dia...
Entrei em casa, e para minha surpresa, Yin pulou em cima de mim quando eu coloquei o primeiro pé dentro de casa. Meu gato estranho e ninja, parecia sorrir, hum, mas como eu sei que ele está sorrindo? ... Sei lá...
Ele se aninhou em meus braços, confortavelmente, e fechou os olhos. Decidi que o levaria junto na viajem, mesmo que a minha mãe dissesse não, até por que não posso deixá-lo sozinho em casa.
- Mãe, vou levá-lo junto e acho que você devia levar o seu... – falei pra minha mãe, que conferia os documentos na carteira.
- Que seja... Agora vá até seu quarto, pegue algumas roupas, apenas o básico e volte rapidamente – me analisou de cima a baixo e voltou a conferir os documentos na carteira.
Fiz o que ela me pediu, peguei alguns conjuntos de roupas e voltei pra sala, onde ela me esperava impacientemente, sorrindo ela abriu a porta, e eu coloquei minha mochila com as roupas nas costas, enquanto com os olhos procurei Yin, encontrando-o sentado ao lado da porta, como se me esperasse.
Peguei-o no colo e caminhei pra fora de casa, mas algo me fez parar. Minha mãe parecia tão distraída que se esqueceu de pegar Yang, então eu, percebendo que minha mãe não tinha nenhuma intenção de voltar, olhei pela sala para ver se o encontrava, e por sorte, ele estava no lugar onde Yin estava antes.
O peguei também, aninhando os dois gatinhos em meus braços, e por sorte, Yang resolveu não me arranhar dessa vez. Com um pouco de trabalho fechei a porta de casa e fui até o carro, onde minha mãe já parecia estar uma pilha de nervos pelo meu atraso, mas essa não seria a reação dela, normalmente ela apenas sorriria, então o que está acontecendo com ela!? Porque ela está tão nervosa?
Mas, enfim, não tenho saco pra pensar agora, vou apenas deixar esse dia chegar ao fim, amanhã eu penso direito. Coloquei a minha mochila no banco de trás do carro, depois entrei nele, entregando a chave de casa para minha mãe, e em seguida coloquei o cinto de segurança. Aninhei da melhor forma possível os dois gatinhos em meu colo e...
Saímos em direção a qualquer lugar que seja...
Continua...
Notas finais
São sempre bem-vindas ^.^
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