Notas iniciais
Espero que gostem, meu primeiro romance, ou sei lá, algo que achei que viria a se tornar romance.

Era quase noite naquela quinta-feira no Rio de Janeiro, apesar da brisa frequente, o calor era intenso, como sempre. Estava no apartamento que um dia dividia com meu progenitor, meu pai, meu melhor amigo, seu nome era Gabriel Masqueto, meu pai sempre esteve comigo, desde que me conheço por gente, nós tinhamos uma relação de confiança e amizade, eramos transparentes um com o outro, ainda me lembro de tudo que ele me ensinava, desde mecânica até relacionamentos, meu pai era mecânico e tinha sua própria oficina, não era o homem mais rico mas dava para nos sustentar sem problemas com direito a viagens mensais, me ensinou tudo oque sabe, sempre me falou que eu poderia escolher meu destino, oque seria quando crescesse, mas que eu teria, que por obrigação, aprender tudo o necessário da oficina, para que um dia caso eu não tivesse condições de seguir meus objetivos, eu pudesse ter sempre um refugio.

Recebi a notícia enquanto estava checando o cofre da oficina, estava tudo no lugar, meu celular tocou, era meu pai.

- Falae meu velho. — atendi dizendo. -

- Alô, quem fala? — disse uma voz desconhecida. -

- Hãn? Quem ta falando? Esse é o celular do meu pai certo? — falei tirando o telefone do ouvido por um segundo para checar o nome na tela. -

- Sim, aqui é o Doutor Peter do hospital Santa Maria de Madalena, você é filho de Gabriel Masqueto Loureno? — disse o doutor com voz de quem estava lendo o nome de meu pai de algum lugar. -

- Sim, porque? Oque aconteceu? — perguntei. -

- Bom, primeiramente gostaria de saber se algum adulto est... — dizia ele. -

- Não tem mais ninguém, só eu e ele, oque ouve? — perguntei apressadamente. -

- Sim, sim, você poderia comparecer aqui no hospital? Ouve um acidente de trânsito e seu pai foi envolvido, não posso dar detalhes pelo telefone, mas faria bem trazer os documentos dele. — disse o doutor. -

Fiquei atônito. Por um momento eu não tinha mais chão. Tudo bem, calma lá, eu sabia que todos estavam sujeitos a fatalidades, e a acidentes, essas coisas aconteciam, mas convenhamos, até que aconteça conosco, nunca nos preocupamos.

Juntei os documentos do meu pai em uma pastinha e fui com a moto dele, uma Harley Davidson 7. Chegando lá a recepcionista me deixou na sala de espera, não precisei esperar muito e fui atendido.

- Senhor Lúcio Masquete? — perguntou uma enfermeira com uma prancheta nas mãos. -

- Sim sou eu. — disse me levantando com minha pasta em mãos. —

- Me siga por favor, o Doutor Peter gostaria de falar com o senhor. — disse a enfermeira. -

Ela me levou até a sala do doutor, um escritório humilde, o hospital publico se encontrava em melhores condições que a maioria que eram mostrados nos jornais polêmicos, mas ainda não se comparava aos particulares.

- Então Sr. Lúcio, eu serei sincero e não vou lhe enrolar, seu pai se encontra em uma situação muito crítica, o acidente foi sério, duas pessoas morreram, parece que um caminhão tentou fazer uma ultrapassagem o carro de passeio na frente da vã de entregas de seu pai foi atingido em cheio, o casal que estava no carro nos acentos da frente morreram no mesmo instante, e a vã do seu pai não foi capaz de parar a tempo. Infelizmente, o crânio do Sr. Gabriel foi aberto em três lugares. — disse o doutor. -

- Ele... morreu? — perguntei sem delongas. -

- Não. Ainda não, infelizmente não gosto de dar falsas esperanças Sr Lúcio, a situação do seu pai é precária, ele entrou na sala de cirurgia exatamente a 15 minutos atrás, algo dessa magnitude pode levar horas, sinto muito, mas serei sincero, com todos os meus 30 anos de experiencia, posso dizer que será um milagre se seu pai sair vivo da cirurgia. — disse o doutor com seus olhos fixados nos meus. -

Não chorei, sabia que tinha que ser forte, eu sabia disso no momento em que atendi aquele telefone. Mas um vazio se abriu dentro de mim, um buraco, uma sensação forte de perda, de esquecimento, era doloroso.

- Você tem que ser forte. A polícia já entrou em contato com sua mãe em São Paulo, disseram que ela estará pegando o primeiro voo para cá, podendo chegar pela madrugada. — disse o doutor. -

Com isso eu acordei do meu estado de desnorteamento.

- Mãe? Como assim? — uma centelha de esperança se fez. -

- Sua mãe, encontramos uma foto com seu nome na carteira de seu pai, ela confirmou. — disse o doutor meio confuso. -

- Eu não tenho mãe. — disse. -

O doutor me olhou nos olhos, como que esperando para ver se eu estava em choque de mais para pensar, então enrugando a testa, tirou da gaveta a carteira do meu pai.

- Você reconhece essa mulher? — disse o doutor levantando uma foto. -

A mulher na imagem devia ter por volta dos 36 anos, bem jovial, cabelos castanhos, olhos da mesma cor, a reconheci de fotos antigas de casamento que meu pai havia me mostrado, mas esta, esta foto que o doutor me mostrou era recente, ela estava mais envelhecida do que na época em que morreu.

- Sim, é ela, mas... como? — perguntei mais uma vez atônito. -

- Bom, imagino que esse assunto seja delicado para você por algum motivo que desconheço, o importante é que ela está a caminho, provavelmente chegará antes do fim da cirurgia, você pode ir embora se quiser, ligaremos para você quando tivermos notícias... Ou esperar na sala de espera. — disse o bom doutor. -

Confirmei com ele que ficaria no hospital, fui para o telhado e chorei. Chorei mesmo, igual um bebê, não sabia mais oque seria da minha vida. A única pessoa cuja qual eu me importava poderia ser arrancada de mim da noite para o dia. Me escorei em uma parede e dormi chorando.

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Acordei algumas horas depois, olhei no meu celular, haviam se passado 4 horas, era 1 hora da manhã. Desci pelas escadas com medo das noticias, minhas penas bambas, eu estava acabado, nunca estive assim, era um atleta, praticante de 3 artes marciais, mas naquele momento não tinha força nenhuma.

Estava andando pelos corredores quando uma enfermeira me parou.

- Ei, você é o Lúcio né? — perguntou. -

Olhei nos olhos dela.

- Sim.

- Tem alguém que gostaria de vê-lo. — o tom dela mudou com meu olhar, eu estava tão lixo assim? -

Ela estava me levando até a sala de espera, chegando lá, meu coração bateu duas vezes fora de ritmo.

Uma senhora com um vestido verde esmeralda estava sentada, sua maquiagem estava borrada, uma pequena bolsa de colo na cadeira ao lado, sua beleza era comparável com garotas do colegial, tinha um corpo definido, jamais pensaria que essa senhora teria 36 anos, jamais suspeitaria que era minha mãe.

Seu olhar levantou e se encontrou com o meu. Ela esteve chorando também.

- Lúcio. — as palavras saíram da boca dela com amor e saudades, mas com medo também. -

- Mãe. — disse chorando mais uma vez. -

Ela se levantou e me abraçou, seus seios fartos me esmagando, em outras situações aquilo teria sido excitante, mas naquele momento era aconchegante, essa era a sensação de amor materno? De se sentir protegido em momentos de dificuldade? Meu pai com certeza já me dera abraços nestes mesmos momentos, mas isto era diferente.

Ficamos la chorando, nos sentamos calados, sem explicações por enquanto, e eu também não estava no clima pra isso.

Nossas mãos ainda atadas, ela segurava a minha com força, como que procurando apoio, foi ai que entendi, que eu não era o único sofrendo com o acidente de meu pai, ela achava que eu era mais forte... Coitada.

O doutor veio andando de repente pelo corredor, ainda me lembro do momento em que virei a cabeça em sua direção, vi seus passos um de cada vez. Nós dois levantamos, ele falou algo que não pude escutar para a enfermeira e saiu andando.

- Posso lhes garantir de que a equipe de cirurgia fez tudo oque pode, mas infelizmente o ferimento era muito profundo, o senhor Gabriel Masquete Loureno faleceu as 1h e 36min de hoje. Sinto Muito. — disse ele alternando entre os meus olhos e os de minha mãe. -

Foi ai que entendi que aquele vazio dentro de mim nunca mais iria sumir.

Notas finais
Ficou legal? xD