O Diário

8 Capitulo 8


Notas iniciais
Ola, gente o/ Demorei?! Então esse é o cap 8 Traz uma primeira revelação da historia (Sobre a Hinata e o pai) e uma pequena pista para outra que surgira mais a frente. Será que vocês adivinham? Espero que gostem =)

8.

O que é a morte?!

Era a pior sensação que jamais senti. Algo parecido com meus sonhos... Não, era bem pior do que qualquer pesadelo que já tive.

Estava presa ao chão, de fato, a pele arrepiada e minhas mãos tremendo tiravam o controle dos meus músculos. Mantinha-me sentada com as costas escoradas em algo que pensava ser uma parede e tomava cuidado para não acabar caindo deitada de vez. Sei que não levantaria se isso acontecesse, pois cada neurônio do seu corpo gritava reagindo negativamente as suas tentativas de se mover.

Minha respiração era retida enigmaticamente, obrigando a me esforçar mais para tentar oxigenar o corpo. A falta de ar mantinha minha fraqueza, tonta e letárgica, drogada pela ausência do Oxigênio.

Sentia o coração batendo acelerado contra o peito, tão forte que causava dor. Podia quase que ver o sangue em minhas veias fervendo conforme os segundos passavam sem reação.

O que era isso afinal?! Eu tinha informações, mas não conseguia entende-las ou interpreta-las. O que eu sabia: Era o quarto do hospital e eu cai no chão do banheiro, após ver aquelas... Marcas...



... Marcas...

Meu estomago estava mareado, dando voltas e mais voltas, pensar naquilo piorou tudo. Enjoada, eu acabara devolvendo minha ultima refeição, em um mal súbito. O gosto amargo se mantinha presente em minha boca seca, parecendo selar minha voz, pois era incapaz de emitir qualquer som.


O quarto de repente se tornara muito mais escuro, tudo que meus olhos focalizavam parecia se tornar incrivelmente mais distante do alcance das mãos, minha visão periférica não passava de uma nuvem borrada de cores encobertas pelas sombras.

Minha mente estava presa nas cicatrizes e sentimentos das ultimas lembranças e isso era o que mais me torturava! Ver e rever aquela briga em um lugar desconhecido ou lembrar da duvida de não saber se meus recentes pesadelos não seriam reais;

A pior sensação que nunca senti, mas que sabia exatamente o que era: a morte se aproximando.

***

Tsunade que estava com a mesa lotada de papeis quando Hiashi entrou na sala sem qualquer cerimonia. A diretora se desfez da atenção de sua secretaria que tentava impedi-lo e, quando esta saiu, levantou o olhar para encara o Hyuuga.

– Então você ainda esta com essa ideia na cabeça... – Tsunade bufou.

– Como a senhora foi avisada ontem, quero levar minha filha para casa! – Hiashi disse simples. – Já assinou a dispensa dela, ou eu terei que abrir um processo contra o Hospital?!

Ela ficou calada um tempo, voltando seus olhos por um segundo no papel que lia antes da chegada dele. Então simplesmente suspirou, dizendo:

– Certo, mas eu tenho uma condição.

– Sem condições, vou leva-la de uma forma ou de outra!

– Me escute, Hiashi! É para o bem da sua filha. – Tsunade ficou de pé. – Quero que ela venha uma vez por semana para conversar com uma Psiquiatra.

Um olhar furioso apareceu no semblante do Hyuuga, mostrando toda sua indignação as palavras da médica.

– Psiquiatra?! O que acha que Hinata é?! Uma desiquilibrada?!

– Negar que o problema existe não é o mesmo que resolve-lo! Hinata não vai se recuperar sozinha, ela precisa de ajuda!

– Não precisa! – Hiashi disse de imediato e Tsunade cruzou os braços desacreditando de suas palavras e dando-lhe tempo para se explicar, ele prosseguiu baixo em um tom nada confiante. – Talvez ela esteja bem assim desse jeito... Se ela realmente sofreu tudo aquilo que a senhora disse, é melhor não lembrar, certo?!

Tsunade deu a volta na mesa, sentando-se na beirada, ela não queria responder aquilo, ser melhor lembrar ou não, não era a questão, a saúde mental da garota é que estava em risco e negligenciar isso poderia lhe custar muito caro.

– Então você esta preocupado com os traumas dela?! Ou com o que ela sabe?

– Eu já estou cansado das suas insinuações, Tsunade!

– Então me conte o que você quer tanto esconder e talvez nós dois consigamos entrar em um acordo pelo bem dela!

Hiashi não disse nada a principio, parecia pensar sobre suas opções. Vendo cada caminho que poderia tomar com aquela conversa, Tsunade percebeu que ele não queria falar de mais.

– Desde criança, ela nunca mostrou qualquer interesse sobre a empresa da família, nunca, ate a morte da mãe a três anos. – Hiashi bufou pensando nas próximas palavras. – A partir daí, Hinata se tornou a herdeira que eu sempre quis: começou um estagio na empresa; fez cursos de administração e publicidade; abandonou tudo que gostava para se dedicar a isso.

Tsunade não disse nada apenas, esperou o Hyuuga por seus pensamentos em ordem.

– Nos últimos tempos Hinata e eu andávamos discutindo muito. Ela estava extremamente “insatisfeita” com minha forma de administrar a empresa.

– Insatisfeita por qual motivo?!

– Isso é um assunto interno que não lhe diz respeito! – Hiashi disse rudemente.

– Eu não ligo para a sua empresa, Hiashi, é da Hinata que estamos falando. – Tsunade o repreendeu e em resposta ele prosseguiu.

– Ela reclamava muito de muitas coisas que discordava de mim e, como eu não lhe dei a devida atenção, ela fez isso...

Hiashi tirou um papel dobrado do bolso do paletó e entregou a Tsunade, que o leu atentamente.

– Esse documento, você...

– Não, eu não tenho nada haver com isso. Ela mesma procurou um advogado, falsificou minha assinatura, lidou com um juiz... Tudo as minhas costas.

– Nossa...

– Naruto me revelou recentemente: Hinata pediu a emancipação para exigir sua parte da herança e da empresa para ter voz no conselho de acionistas.

– Ela pretendia mesmo isso?!

– Era um segredo dela, Naruto só foi descobrir no dia do acidente e não teve coragem de me contar ate agora. – Hiashi disse pensativo. – Hinata não estava fugindo de casa, estava dando inicio ao seu pequeno plano de tomar a empresa de mim...

– Então ela era bem mais forte do que pensei. – Tsunade riu.

– Sim, era! Hinata conhece muitos segredos da empresa, coisas que poderiam destruir nosso legado se a pessoa errada descobrir! E ela pretendia usar esse conhecimento contra o próprio pai! – Hiashi disse em um tom forçado, querendo não demostrar sentimentos. – O estranho é que me sinto orgulhoso dela... Não decepcionado, não furioso, mas orgulhoso.

Um silencio se pôs entre eles e a diretora já estava perto de forçar o assunto novamente quando ele disse finalmente, em um tom triste:

– Desde o acidente de minha esposa, Hinata e Neji são minha única família, mas a casa ficou extremamente vazia sem ela. – Ele parou por um segundo e Tsunade pode ver algo lhe escapando dos olhos e escorrendo pela face. – E esses meses todos que Hinata ficou internada...

Tsunade não imaginou ver isso algum dia, em anos de amizade entre as famílias, nunca viu um dos tenebrosos patriarcas da família Hyuuga chorar e aqui estava aquele que ela julgava o mais ríspido e frio deles caindo em prantos.

– Eu vou levar Hinata daqui de qualquer jeito! – Falou firme agora. – Quero a minha filha de volta!

– Poderia ser simples, mas não é!

– É sim, eu a levarei e será como se nada tivesse acontecido!

– Eu entendo você, Hiashi, mas não vai ser como era antes. Hinata só tende a piorar e a garota que você tanto tem orgulho pode se perder para sempre!

– Não, sei que ela...

– Então leve a Hinata para casa! – Tsunade disse interrompendo-o. — Mas não seja egoísta a ponto de afasta-la do tratamento. Deixe-me acompanhar o caso dela e contrate a psiquiatra que escolhi. Talvez, a Hinata volte para casa de verdade algum dia.

Hiashi apenas assentiu com a cabeça e se pôs pensativo.

***

Isso era a morte?!

Hinata sabia que tinha que fazer alguma coisa, devia esboçar uma reação ou conseguir ajuda, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Ainda estava jogada naquele chão, entre a porta que levava do quarto para o banheiro, onde acabara de vomitar. Onde sabia que morreria se não reagisse.

Usou a visão turva para buscar algo e viu o controle que chamava a enfermeira encima da cama, mas era longe, muito mais do que percebera ser antes. Não tinha forças para se arrastar ate lá e talvez não tivesse para se quer apertar o botão se ele estivesse perto. Não conseguia esticar os braços, ou mover as mãos.

Tinha que gritar por ajuda, mas não tinha folego!

Sua consciência parecia ser a única parte que poderia exercer alguma autoridade, porem, ainda assim, estava cercada de morte, dor e medo, provocada por lembranças que, só de pensar, já a machucavam.

Ela estava consciente! E precisava se manter assim e, acima de tudo, se manter calma!

Calma?! Pensar nisso parecia uma piada em vista de como estava se sentindo agora.

Hinata fechou os olhos e parou de tentar conter a tremedeira de suas mãos. Organizou seus pensamentos, dando prioridade aos acontecimentos reais que lhe aconteceram desde que acordou:

Falei com a Dra. Tsunade; Percebi que não se lembrava de nada; Depois falei com o Sr. Hyuuga, meu pai; Fiquei horas atoa imaginado como minha vida era; Conheci Neji e Sakura e descobri que tinha amigos e uma ótima vida; Vi Naruto pela primeira vez...

As lembranças da sua briga com o rapaz atrapalharam sua concentração no exato momento que pensou nele. A pobre garota balançou a cabeça tentando afasta-lo e sentiu dor por isso, mas não desistiu, continuou organizando os fatos.

... Tive meu primeiro pesadelo; Conversei sobre isso com minha médica; Tentei escrever um diário sobre o assunto; Conheci Kakashi, o socorrista que me salvou; Fui para a sala da diretora e fiz um teste psicológico; Emprestei um livro a Kakashi; Briguei com Naruto e me arrependi depois; Escrevi sobre ele e meus sentimentos em meu diário; Tive outro pesadelo; E descobri que não eram só pesadelos;

Não adiantava! Manter a mente focada ajudava, mas não impedia o que estava sentindo, nem revitalizava o seu corpo. Então decidiu desesperadamente organizar as lembranças que recuperara nesse pouco tempo:

Estar jogada na rua sem amparo ate a chegada de Naruto; Discutir com ele na chuva e fugir; Ser levada para a ambulância e o sentir segurar a minha mão; Brigar com Naruto em seu apartamento; lembrar da dedicatória que ele fez para mim em um livro; Lembrar de como nos conhecemos;

As lembranças estavam na ordem que foram lembradas e não em como elas de fato devem ter acontecido, mas isso não importava. Tudo era Naruto, Naruto, Naruto...

Seu mal estar parou seus pensamentos: Ainda não conseguindo respirar; tremendo e suando frio; com aquela dor no coração; sem se mover; com náuseas; e de olhos fechados e chorosos;

Tudo que ela se lembrara ate agora foi sobre ele?! O pouco que ela sabia se resumia a pequenos fatos: Eles brigaram, ela sentia ódio, foi dele que ela fugiu! Por que os sentia tão, estranhamente, conectados?!

Então percebeu que, apesar de difícil, ao pensar nele, pelo menos, a tortura mental que a atormentava acabou se silenciando. Manteve o foco e voltou para quando o conheceu, aquele sentimento de paz que ele transmitiu e o sorriso que a cativou. Sim! Foi essa imagem que ela guardou em sua mente:

Naruto sorrindo para ela;

Se concentrando, logo todos os males passaram; cada um simplesmente sumiu, como se nunca estivesse lá a principio. A sensação de morte se foi!

Hinata abriu os olhos, respirando forte e aliviada. Ainda estava fraca de mais para se levantar, mas já podia se mover, não estava mais tremendo também.

A garota não entendia o que tinha acontecido ou porque, nem como uma lembrança tão simples podia exercer tanta influencia.

Porem tinha absoluta certeza que foi o sorriso de Naruto que a salvou...

***

Ele bufou de novo, frustração e raiva misturada a um toque de dor. Como ela pudera dizer que estava fingindo amizade ou que era culpado do acidente?! Quem era aquela garota?! A Hinata, ele tinha certeza, que não era!

Naruto manteve a cara fechada, encarando a garrafa de agua que comprara, ignorando as duas garotas irritantes que teimavam em tentar interroga-lo sobre o que aconteceu.

Sakura e ino era boas amigas, mas não sabiam a hora de calar a boca, sua vontade era manda-las para o Inferno, mas sabia qual era o risco, não queria ser internado naquele hospital.

– Imaginem só, Hinata e Naruto discutindo aos berros... Esse deve ser um dos sinais do apocalipse! – Ino disse sorrindo zombeteira e recebendo um olhar mortal do rapaz.

– Ino, piadas assim não tem graça! – Sakura a repreendeu.

– Qual é... – Ino revirou os olhos. – Ele mesmo já ficou se culpando pelo acidente por meses e superou. Não tem nada haver ficar pensando nisso agora que ela esta tão bem!

– A gente tem que entender que a Hinata anda confusa desde que acordou. – Sakura disse.

– Aah, Naruto! Ela não te odeia nem nada assim, aposto que se lembrou de alguma besteira que você fez, não tenho dedos suficiente para contar suas mancadas! – Ino disse simples. – Daqui a pouco a raiva dela passa.

Naruto se manteve quieto o tempo todo e tentava parecer o mais incomodado possível para ver se elas o deixavam em paz. Em vão, elas não se mancavam, principalmente Ino!

– Ela não deveria lembrar das coisas pela metade...

Foi apenas um sussurro para si mesmo, baixo o suficiente para elas não ouvirem ou não entenderem o que disse.

– Eu quase te ouvi murmurando, Naruto! – Ouviram uma voz se aproximar.

– Kakashi-sensei?! – Sakura o observou chegando com uma mulher que ela nunca virá no hospital.

– Sensei?! – Kurenai encarou o socorrista, cruzando os braços com um sorriso irônico.

– É um apelido idiota que Naruto me deu, só porque vivo lhe passando sermões. – Kakashi deu os ombros e encarou os jovens. – E essa é Kurenai, a psiquiatra responsável pelo caso da Hinata.

– Prazer em conhecê-la. – Sakura sorriu.

– Psiquiatra?! Pensei que Hinata só tivesse batido a cabeça. – Ino disse.

– A mente humana é bem confusa, sou só uma precaução para ela lidar bem com essa situação.

– Entendo, a senhora é do hospital? – Sakura perguntou.

– Na verdade, não. Eu tenho meu próprio consultório e trabalho como consultora do departamento de policia.

– Isso é incrível! – Ino a olhou com os olhos brilhando. – Então a senhora é como aqueles agentes das series de TV que desvendam a mente de Serial Killers?!

– Não, não... – Kurenai prontamente negou, sabia que tinha falado de mais. – Eu apenas ajudo as vitimas com os traumas, as vezes faço uma analise em algum bandido que tenta se passar por louco para escapar da sentença. Tudo muito simples e chato.

– Kurenai tem alguma experiência com amnesia também. – Kakashi disse disfarçando.

A doutora desviou o olhar para ele que estava ao seu lado, tentando ver sua reação, o socorrista mantinha os olhos em seu livro, fingindo não ter nada de errado com a pergunta da garota loira.

– Então Hinata esta em boas mãos! – Sakura disse animada.

– E ela tá precisando mesmo. Aquela estressada... – Ino disse.

– Por isso vim ajuda-la a manter os pensamentos em ordem ate se recuperar.

– Hunf, Hinata não quer sua ajuda! – Naruto disse ríspido, foi a primeira vez que ele falou, de fato. Se levantou da mesa encarando a doutora. – O que você tem de especial que acha que ela vai se deixar ser ajudada?! Ela nunca aceita ajuda!

– Naruto! Não seja mal educado! – Sakura reclamou, se levantando também, furiosa.

Para Naruto não fazia sentido que uma desconhecida pudesse entender melhor Hinata do que ele! Essa mulher se achava mesmo capaz de quebrar os muros que ele levou meses para aprender a burlar?! Não! Ela não tinha a menor chance, Hinata nunca abriria a guarda assim!

Ele, primeiro, a olhou desafiadoramente, mas sabia que só estava descontando nela, discutir de cabeça quente era em vão também, então saiu, bufando de raiva.

– Mas o que deu nele? – Kurenai perguntou.

– É que o apocalipse tá chegando! – Ino sorriu irônica.

– Ele e Hinata brigaram por algum motivo. – Sakura respondeu, ignorando a brincadeira de Ino. – Ela ate expulsou ele do quarto.

– Ela expulsou todo mundo do quarto! O Naruto, o Gai-san e ate a gente! – Ino disse emburrada. – A testuda da Sakura eu ate entenderia, mais eu?! Sempre nos damos tão bem!

– Ino-porca! – Sakura a encarou ameaçadoramente.

– Ah, esses jovens são assim... – Kakashi fechou o livro e encarou as garotas sentadas. – Tudo é absoluto: para sempre ou nunca mais; ou ama ou odeia...

– Você esta falando como um velho. – Ino riu. – Vê porque todo mundo te chama de “sensei”?!

– Hinata passou por um momento difícil, é compreensível ela se sentir um pouco irritada de vez em quando. – Kurenai disse.

– Mas nem tudo mundo entendi isso, né... – Sakura encarou a saída da cafeteria, por onde Naruto desaparecera. – Aquele idiota...

***

Tsunade bateu na porta antes de entrar, encontrando a garota sentada a beira da cama, encarando quem quer que havia chegado, notou seu olhar triste e cansado.

– Achei que a encontraria dormindo. – A diretora disse entrando.

– Não, estou sem sono. – Hinata respondeu simples desviando o olhar.

– Bem, eu vim avisar que por insistência do seu pai, irei te dar alta mais cedo.

– Como assim?! – A garota perguntou confusa.

– Como assim que você ira para casa amanhã bem cedo.

– Amanhã?! – Hinata a olhou surpresa por um segundo e depois baixou novamente o olhar. – Eu estou bem?! Quer dizer, para receber alta?

– Seus exames são bons e eu acho que ficar em um ambiente familiar pode ajudar a recuperar a memoria. – Tsunade respondeu, sem transparecer que, na verdade, não queria deixa-la ir. Mas depois notou que a garota pouco se importava com o que ela estava dizendo, isso a deixou desconfiada. – Por que a pergunta, Hinata?! Tem se sentido mal?

A Hyuuga ponderou na resposta, era hora para contar tudo: Que já descobrira suas cicatrizes e a origem delas; E que passara por uma horrível experiência a pouco, onde tinha certeza que iria morrer e ficou jogada ao chão estática na ultima hora, sem ter forças para levantar ou se mover;

O coração de Hinata começou a acelerar quando foi formando algumas frases para revelar a situação a médica. Quer dizer, poderia estar acontecendo de novo. A qualquer momento se repetiria, neste quarto, sozinha ou enquanto andar pelos corredores na frente de todos! A morte era imprevisível.

Porem, quando tomou ar para dizer algo, um sentimento estranho assumiu sua mente: Por que deveria falar qualquer coisa? Hinata achava que Tsunade já saberia das cicatrizes, mas poderia não saber o que as causou. Como explicar algo assim? E aquilo que aconteceu depois do pesadelo, foi um momento deplorável. Era tão humilhante!

Tudo já passou e não achava que conseguiria explicar realmente.

Teve um pesadelo e ficou abatida no chão, presa em pensamentos, só isso, não aconteceria de novo. Era algo que ela conseguira lidar, não precisava desperdiçar o tempo de Tsunade se já estava melhor.

No fim, depois de tudo que pensou responder, o que realmente saiu de sua boca foi:

– Eu estou bem... Eu só perguntei se eu deveria ter alta porque, bem, eu não pensei que sairia daqui antes de lembrar das coisas.

– Mesmo?! – A médica não acreditou na desculpa. – Você parece um pouco abatida.

– Deve ser fome, não consigo comer essa comida de hospital! – A garota mentiu forçando um sorriso. – Parece ate que alguém já mastigou antes de mim...

– Ah, entendi. – Tsunade riu. – Talvez mais tarde, eu peça para Shizune te trazer um hambúrguer ou outra coisa que os jovens gostam. Já que é sua ultima noite aqui...

Hinata manteve o sorriso forçado, minimamente, e Tsunade lhe fez alguns exames de rotina, medindo a pressão e coisas assim. Depois conversaram sobre a sessão teste de Kurenai, contou a garota que fora decidido que deveria se consultar com ela uma vez por semana.

Obvio que a Hyuuga tentou contestar, mas todos seus argumentos foram derrubados.

Por fim começaram a conversar sobre outras coisas, apenas para passar o tempo.

– Doutora, posso perguntar algo?! – Hinata não se conteve em falar quando percebeu que Tsunade já iria embora, provavelmente não teria outra chance de saber. – É sobre o Naruto.

– Naruto?!

– Sim, quantas vezes ele veio me visitar aqui?!

– Quantas? Ele praticamente morou aqui no Hospital, nenhum médico ficava tanto tempo de plantão quanto ele! – Tsunade riu. – Se deixássemos ele seria capaz ate de fazer um acampamento no seu quarto.

– Mesmo...

Hinata percebeu o quanto ele se dedicou a ela, isso a fazia se sentir pior por ter se deixado levar por um momento de raiva e confusão. Ele devidamente não merecia a forma que o tratou, mesmo com aquela discussão estupida. Tendo memoria ou não, ela tinha consciência suficiente para saber reconhecer os próprios erros.

– Por que a pergunta?

– Houve um “mal entendido”... – Hinata explicou tentando simplificar ao máximo para não entrar no detalhe das suas lembranças.

– Uhum...

– Terei que me desculpar em breve e agradecer também... – Ela disse por ultimo para si mesma completando em pensamento “Se não fosse por ele, não sei o que seria de mim naquela hora”.

Lembrou-se do sorriso dele de novo.

Notas finais
Bem, esse "fim" não teve muita cara de "fim", certo?! Como já disse no cap passado, o capitulo que eu, de fato, escrevi era muuuito grande e eu tive que dividi-lo para não ficar muito extenso. O próximo cap tem momento NaruHina e talvez mais(se tudo sair como planejado) Então... O que acharam dos planos da Hinata em relação ao pai e a empresa?! Será que é isso mesmo?! E vocês viram a pequena pista sobre mais um dos mistérios que deixei?! Duvido um pouco, mas nem gosto de deixar rastros, tenho medo de estragar a surpresa kkk Obrigada a todos que estão lendo Comentários não são obrigatórios, mas me deixam extremamente feliz =) e ainda me ajudam a saber se estou conseguindo atingir meu objetivo com a narração Ate mais o/