O Diário

10 Capitulo 10


Notas iniciais
Ola gente, voltei finalmente ^.^ Trago aqui o capitulo 10 Mais focado na Hinata desta vez e com alguns pontos do mistério sendo revelados. Não é um cap tão surpreendente ou chamativo, mas é necessário para a continuação dos próximos.. Esperou que gostem =)

10.

– Vocês são muito lentos...

– Não vale se você começa antes de todo mundo, Hanabi-sama!

– Você esta sempre trapaceando, Hanabi...

– Papai diz que vale tudo para ganhar.

– Mamãe diz que é importante seguir as regras.

– Regras são só sugestões, onee-sama...

– Haha, Hanabi-sama parece com o tio quando fala assim...

***

Não enxergava rostos, eram apenas vozes espalhadas em uma conversa sem sentido em sua cabeça. Uma simples lembrança pela metade que não lhe permitia saber quem eram as pessoas que conversavam com ela, algo despertado no exato momento que viu os grandes portões da residência a frente pela janela do carro.

Hinata estava parada em frente a enorme... Casa?! Não, chamar aquilo de casa seria uma ofensa.

Era uma mansão de verdade, retirada de alguma revista de celebridades ou de um filme de Hollywood. Quantos empregados seriam precisos para manter tudo tão impecavelmente arrumado quanto estava agora?! Eram três ou quatro andares, talvez dezenas de quartos e ainda tinha o belíssimo jardim que mais parecia um parque paisagista.

Acabara de sair do carro, após ficar cinco minutos tentando criar coragem para isso, e agora não conseguia parar de olhar ao redor. Qualquer um que não a conhecesse pensaria que estava deslumbrada com o grande patrimônio dos Hyuuga. Mas tanto Hiashi, Neji, Kou e a empregada que vinha recebê-los sorridente, sabiam que, para Hinata, aquele lugar sempre foi mais que uma simples “casa”; Era um refugio, um lar.

Cada canto deste lugar parecia conter algum tipo de lembranças preciosas, estavam ali, ela as sentia, mas não conseguia alcança-las. Tinha aquela sensação de estar quase se lembrando, quase reconhecendo, de que algo pudesse fazer sua cabeça funcionar a qualquer momento.

– Hinata-sama, a senhorita fez tanta falta! – A mulher de avental a abraçou forte antes de qualquer coisa. A garota não sabia o que responder, o gesto, apesar de caloroso, a pegou de surpresa. –Ah, sim, quase me esqueci do seu problema de memoria. – A empregada disse recobrando uma postura mais neutra. – Sou Natsu, a governanta. Como esta se sentindo?

– Bem, eu acho...

– Como estão as coisas aqui, Natsu? – Hiashi perguntou.

– Tudo conforme me pediu, senhor. Eu mesma cuidei do quarto da Hinata-sama.

– Leve-a para se acomodar e depois mostre a casa. Neji e eu vamos adiantar algumas coisas do escritório. – Hiashi disse simples.

– Eu pensei que seria melhor fazer companhia a Hinata-sama. – Neji disse.

– Não, você não quis ir a empresa então vai trabalhar comigo aqui mesmo.

Então entraram e a primeira vista estavam em um grande hall, para o lado direito era possível ver que havia uma sala de estar, ao lado esquerdo uma grande mesa cheia de cadeiras, uma possível sala de jantar, não havia porta ou paredes separando esses cômodos. Uma escadaria fazia o caminho para o segundo andar e um grande lustre brilhava no teto.

– Acho que entrei em um cenário de novela por engano... – Hinata sussurrou para si mesma, enquanto andava tímida ate o centro do hall.

– Não há engano nenhum. – Neji disse parecendo se divertir com as reações da garota.

– O quarto da senhorita é lá em cima. – Natsu disse.

Hinata ouviu a governanta, mas algo chamou sua atenção e ela simplesmente se encaminhou para o caminho a direita, adentrando a enorme sala de estar com um olhar analítico.

Havia uma lareira, quadros na parede, uma janela de vidro que mais parecia uma vitrine de tão grande, sofás sofisticados, uma mesa de centro e outra escada para o segundo andar que parecia ter uma conexão com a escadaria do hall, porem o que realmente chamou sua atenção foi o Piano.

Estava posicionado no canto da sala, longe dos outros assentos, como se aquele fosse um lugar reservado apenas para ele, de frente para a janela, quem quer que tocasse teria uma vista privilegiada de um especifico canteiro de flores do jardim.

– Sr. Hyuug... – Hinata se deteve ao chamar Hiashi, queria lhe perguntar sobre o instrumento, mas não conseguia chama-lo de pai ainda, por outro lado, pensar em chama-lo de outra forma ali, naquele lugar, parecia errado.

– Se lembrou de algo? – Ele perguntou.

– Não, mas...

Ela não conseguia colocar o que sentia em palavras, mas conhecia aquele lugar, era uma sensação de familiaridade que a deixava meio eufórica e ansiosa.

Andou um pouco para dentro daquele ambiente e viu alguns porta-retratos na mesa de centro. Pegou uma por uma, vendo cada foto atentamente. De todas que haviam, uma a comoveu, era de uma mulher, estava sorrindo, seu cabelo longo preso em um coque, usava um kimono. Hinata nunca a viu, não havia fotos dela em seu celular, mas sabia exatamente quem era.

– Mamãe...

Ela precisou se sentar, sentia as lagrimas encharcando seus olhos e a respiração cerrada, ela não se lembrava de sua mãe, nada a respeito dela vinha a sua mente, mas sabia que era aquela mulher da foto, sentia isso.

– Esse era um lugar especial para minha Tia. Ela mesma decorou e arrumou, escolheu os quadros, os retratos, o piano, tudo... – Neji disse e então voltou os olhos para o topo da escada. – Depois que ela faleceu, você gostava de ficar observando lá de cima, as vezes passava horas ali.

– Mesmo?! Eu acho que gostava de admirar o trabalho dela... Esse lugar é lindo.

Hiashi desviou o olhar por um momento, fazendo um pigarro forçado. Hinata o encarou e percebeu que sua expressão estava rígida e fria novamente, como quando ela o questionou sobre si no hospital. Naquela ocasião ele foi extremamente superficial em todas as suas respostas, tanto que duvidou que ele a conhecia de verdade.

Agora, com essa ação repetida, percebia outra coisa, aquele assunto o incomodava profundamente.

– Neji, precisamos revisar alguns contratos, então é melhor começarmos. Natsu fara companhia a Hinata. – Ele disse já saindo da sala.

– Sim, já estou indo. – Neji respondeu e se voltou para Hinata. – Pode me chamar se tiver qualquer outra duvida.

Ele saiu e Hinata voltou a observar a sala, tentava imaginar a mulher do retrato ali em uma vida cotidiana, lendo algum livro ou recebendo alguma visita.

– Vamos para o quarto, Hinata-sama. Acho que a senhorita gostaria de tomar um banho e colocar roupas mais cômodas. – Natsu disse sorrindo, despertando a garota de seus pensamentos. – Poderá volta aqui mais tarde.

O quarto a surpreendeu.

Com que via do resto da mansão tão grande e extravagando, imaginou algo parecido para seu quarto: Talvez um closet só de roupas e outro de sapatos; uma varanda ou uma sacada na janela; uma escada para um piso superior exclusivo; Ou um carrossel, talvez; Qualquer outra coisa que garotas ricas e mimadas teriam;

Hinata não queria pensar que era assim, mas sua imaginação era fértil e quando enfim chegou à porta do quarto que Natsu disse que era o seu, ela se surpreendeu.

Era, de longe, o menor cômodo da casa, umas três vezes maior que o quarto do hospital. Simples em todos os sentidos, uma decoração sóbria, uma janela de vidro igual ao da sala, só que bem menor, e uma linda vista da entrada da propriedade e do jardim.

Tinha uma cama de solteiro e um guarda-roupa normal, uma prateleira com poucos livros, uma escrivaninha e uma mesa com o computador, além de uma coleção de pequenos animais de pelúcia que ficava em um sofá no canto próximo a janela. Tinha uma porta que levava a um banheiro particular, mas lá era tão típico quanto o resto do quarto.

Tudo arrumado e ajeitado de forma aconchegante.

Hinata ficou feliz em saber que não era apenas mais uma garotinha de pai rico do mundo empresarial. Quer dizer, era, mas, diferente de muitas, ela não parecia ter obsessão por bens materiais fúteis.

– Esta do jeito que a senhorita deixou. – A empregada disse.

– É lindo... – Foi tudo que Hinata disse enquanto entrava.

– Claro que sim, foi a senhorita mesma que decorou e cada móvel aqui a senhorita comprou com seu salario.

– Eu trabalho? – Hinata perguntou ainda mais surpresa, encarando Natsu agora.

– Sim, a senhorita nunca quis aceitar a mesada que Hiashi-sama oferecia então começou a fazer um estagio na empresa. – Explicou vendo como Hinata observava tudo de modo tão admirado. – Comprou cada item com as economias de um salario de estagiaria, que, convenhamos, é bem mais baixo que sua mesada anterior. É por isso que tudo é tão simples.

– Eu gosto! Consegui com meu próprio esforço.

– Era o que costumava dizer... – A empregada sorriu. – Vou deixar a senhorita se acomodar, volto mais tarde para mostrar o resto da casa.

Ela ficou um bom tempo ali, tomou banho e experimentou suas roupas, vestiu cada uma delas, fazendo varias combinações. Nenhuma era de marca cara, mas todos eram lindas e combinavam com sua personalidade. Gostava de todas!

Depois foi conhecer o resto dos cômodos e descobriu o que era pertencer a uma família rica:

O primeiro andar era para a cozinha, lavanderia, sala de jantar e de estar, e os quartos para os empregados que era mais um anexo com ligação direta para casa;

No segundo ficava os quartos de hospedes, o de Neji, Hiashi, Hinata e Hanabi, cujo quarto foi mantido intacto, outro quarto que pertencia a Hiashi e sua falecida esposa também foi preservado e se permanecia sempre trancado. Parecia que era uma forma de Hiashi assegurar que a lembrança da parte da família que perdeu nunca seja esquecida;

O terceiro andar tinha uma entrada independendo por fora da casa, era um lugar onde Hiashi recebia amigos, sócios ou clientes da empresa. Era onde ficava seu escritório particular, uma biblioteca própria e um cômodo especial onde guardava sua coleção de bebidas a amostra, também havia uma T.V. enorme, uma mesa de bilhar e um bar, obviamente;

O terraço era um lugar de lazer, além da maravilhosa vista, tinha uma churrasqueira, piscina e hidromassagem.

Hinata, com o tempo, percebeu que, de fato, aquilo não significava ser de uma família rica, mas na verdade, era ser da família Hyuuga.

Andar por aquilo todo e tentar acompanhar Natsu enquanto prestava atenção nas historias sobre cada local que ela contava era muito cansativo.

Antes do meio dia Hinata teve certeza que não deveria ter saído do hospital tão cedo. As dores do seu corpo se intensificaram de maneira inesperada, principalmente das suas costelas, o que dificultava sua respiração. Mas o irônico era que mesmo ela tendo uma pequena farmácia montada em seu criado-mudo, com tantos medicamentos que deveriam ser seguidos a risca com os horários, ainda se sentia fraca e dolorida. Não sabia que tipo de remédios usavam no hospital, mas tinha certeza que eram bem mais fortes do que os que Tsunade a receitou.

Queria muito dar uma volta no jardim antes do almoço, mas desistiu da ideia e foi se deitar em seu quarto. Fazendo, mais tarde, apenas o esforço de comer a mesa com Hiashi e Neji, conseguiram ate ter uma conversa agradável, embora a garota disfarçasse o mal-estar.

Descobrira que durante o tempo que trabalharam no escritório, o primo conseguiu o convencer da importância de Hinata rever os amigos, e assim o “jantar” acabou sendo liberado, apenas para os amigos mais íntimos.

Isso a deixou mais animada, já que sabia que logo veria Naruto novamente e poderia enfim desfazer seu erro com aquela briga estupida. Pensava e ensaiava mentalmente o que diria e como diria, ou como puxar assunto, ou pedir desculpas. E, na pior da hipóteses, pensou no que faria caso ele ainda estivesse irritado e não quisesse perdoa-la.

Passou o resto do dia em seu quarto, com pouco de energia que sobrara, só pode ficar na cama averiguando suas coisas e descobrindo mais sobre si mesma.

Desde os livros que ela comprou, mesmo ciente de que havia uma biblioteca particular em casa... Ate suas roupas que ela descobriu que ela lavava e passava, mesmo tendo empregadas em casa que eram pagas para fazer isso...

Hinata se conscientizou de uma de suas características:

O orgulho...

Ela era orgulhosa e se viu como uma garota que não gostava de depender de ninguém. Isso explicava o sentimento estranho que sentia e a impedia de revelar quando passava mal, ou contar sobre seus pesadelos e cicatrizes para alguém, ou ate mesmo não querer andar em uma cadeira de rodas.

Não, talvez fosse mais que uma característica, era um defeito, na verdade. Afinal, o que mais a impediu de pedir ajuda quando precisou?! Nada além do orgulho, provavelmente.

Só esperava que isso não atrapalhasse na hora que precisasse se desculpar devidamente.

Neji foi fazer companhia assim que Hiashi o liberou. Conversaram descontraidamente sobre a casa, a família e a empresa, mas nada que avivasse as lembranças da garota, também falaram sobre os amigos, repassando as fotos que tinham deles. Então pouco antes das cinco, ele pediu que se arrumasse para o jantar, pois logo os convidados chegariam.

Hinata estava nervosa ao pensar em como seriam essas pessoas, já que só ouviu historias e viu fotos, se todos fossem tão divertidos e atenciosos quanto Naruto era então não teria com que se preocupar. Por fim, sorrindo, voltou a imaginar como seria quando se encontrasse com ele.

***

Tsunade estava em sua sala, ainda pensando se sua decisão a respeito de sua paciente foi correta. Lembrava-se da visita que teve esta manhã que apenas serviu para enchê-la com ainda mais duvidas.

Foi um pouco depois de receber a ligação da recepção avisando de que Hiashi Hyuuga já havia chegado e estava assinando os papeis da Alta de Hinata. Pedira para ser informada, mas não imaginou que ele chegaria tão cedo, o Hyuuga estava mesmo com pressa de tirar a filha de lá.

Quando se preparava para sair para encontra-lo, a porta se abriu e sua secretaria entrou com um homem que ela não conhecia, mas lembrava ser familiar.

– Tsunade-sama, esse senhor quer falar com a senhora a respeito de Hinata Hyuuga.

– Sou Kou, o motorista da família Hyuuga. – Ele se apresentou serio. – Sinto muito se a atrapalho, Tsunade-sama, mas é um assunto de extrema importância. – Olhou para a secretaria e depois de volta para a médica e concluiu. – E particular também.

– Você ouviu Shiho, nos dê licença. – Tsunade fez um gesto simples e sua secretaria saiu. – E então...

– Antes, gostaria de explicar que bons funcionários nunca prestam a atenção no que os patrões fazem ou deixam de fazer. De fato, geralmente, o chefe sempre acaba se esquecendo de que somos pessoas normais que podem ouvir e contar coisas. – Ele disse um pouco sem jeito. – Mas eu sou um bom empregado e preso pelo meu emprego.

– Sim, é o mal das pessoas ricas e prepotentes. Não se preocupe, seja lá o que disser, seu nome não será envolvido. – Tsunade disse simples. – O que você sabe?

O jovem motorista ficou um tempo pensando, talvez criando coragem para falar.

– Ouvi quando Hiashi-sama estava conversando com o advogado no carro, era sobre o hospital e a Hinata-sama.

– Não é segredo que ele queria processar o hospital, nunca pensei que seria só uma ameaça...

– Hiashi-sama foi bem especifico sobre algumas coisas, e foi assim que eu descobrir a real situação psicológica da Hinata-sama. – Kou disse de forma cuidadosa, parecia escolher bem cada palavra. – Eu não deveria estar me intrometendo nisso, mas sinto que devo contar a alguém o que eu sei. Ela sempre foi uma garota muito gentil e não quero vê-la sofrendo de novo.

– Como assim, rapaz?!

– Aconteceu uns dois meses antes do acidente da Hinata-sama. – Kou ajeitou a postura e começou a pensar em sua historia, ele se lembrava perfeitamente do ocorrido. – Hiashi-sama iria fazer uma viajem de negócios e passaria uns três dias fora. Eu deveria leva-lo ao aeroporto e depois deixar o carro na oficina para manutenção, seria como uma folga para mim e Hinata-sama e Neji-sama já sabiam que ficariam sem motorista nesse tempo. Mas eu esqueci o cartão de preferencia da autopeça e tive que voltar para a propriedade Hyuuga antes da hora.

– Uhum. – Tsunade estava pensativa. – Prossiga.

– Quando cheguei em casa, estranhei que nenhuma das outras empregadas estar lá, a casa nunca ficava vazia. Era impossível ser uma coincidência que todas tenham saído ao mesmo tempo. – Kou respirou fundo. – Foi quando ouvi os gritos da discussão deles.

– Discussão de quem?

– Neji-sama e Hinata-sama. – Respondeu e ficou calado um tempo antes de prosseguir. – Por uma questão de respeito eu nunca passei da cozinha quando tinha que entrar na casa e eu pretendia ignorar a discussão assim como ignorava qualquer outra conversa. Ate ouvir o barulho de coisas quebrando e a Hinata-sama gritar, de desespero ou medo, então eu criei coragem e segui os sons ate o segundo andar. – Kou parou um momento pensando em como descrever as próximas cenas. – Quando abri a porta do quarto vi a Hinata-sama jogada no chão assustada e o Neji-sama indo na direção dela furioso, parecia que ele tinha sido possuído por um demônio ou algo assim, nunca o vi tão alterado. Não sei o que ele poderia ter feito de eu não tivesse chegado.

– E o que aconteceu?!

– Quando perceberam minha presença ambos tentaram disfarçar que alguma coisa estava acontecendo, Hinata-sama se levantou e Neji-sama retomou a sua postura “quase serena”. Ele saiu de casa depois disso e só voltou no dia da chegada do Hiashi-sama.

– E você contou isso a alguém?! A alguma das empregadas ou ao Hiashi?!

– Eu pretendia, mas Hinata-sama me pediu segredo. Se fosse ordem do Neji-sama eu teria desobedecido, mas, como foi ela, eu fiquei sem saber o que fazer e acabei não falando nada.

– E você não viu mais nada suspeito depois disso?

– Não. Os dois foram criados juntos desde criança, quase nunca brigavam, mas, depois desse ocorrido, eu raramente os via juntos. – Kou respondeu e baixou o olhar pensativo. – Fiquei preocupado com a volta da Hinata-sama para casa, principalmente depois de ouvir o Hiashi-sama falar dos abusos.

– Você fez bem em me contar, Kou.

Depois disso o rapaz saiu e Tsunade perdeu a vontade de ir se encontrar com Hiashi.

Ela agora tinha, sim, muito o que pensar sobre a sua decisão, parecia mesmo que foi precipitado deixar a garota partir. Porem de que adiantava se lamentar agora que não tinha volta, todos os papeis já foram assinados, não havia forma de segurar Hinata no hospital.

Tudo que restava agora era ficar de olhos abertos e esperar que Neji, ou quem quer que seja, tenha esquecido da garota nesses meses que ela ficou em coma.

Sabia que o recente estado de negação de Hiashi o faria não acreditar nela também. Mas também não podia tomar providencias contra o rapaz sem provas, ele nunca demostrou qualquer comportamento suspeito, embora essa seja uma característica de qualquer bom psicopata.

Mas ela, de fato, queria tomar outra providencia, então pegou o telefone e discou um numero.

***

As pessoas foram chegando, Hinata podia ver da janela de seu quarto, e agora se sentia extremamente insegura, não sabia como agir com os “amigos” que não estavam mais em suas lembranças.

Era como dar um tiro no escuro, poderia ser bom ou ruim. Como eles reagiriam com ela? Como ela se sentiria com eles?

Ficou sentada um tempo na cama, apenas pensando nas possibilidades, então ouviu musica vindo lá de baixo. Sabia que já estava na hora de ir e aparecer para eles, mas não tinha coragem de levantar da cama.

– Hinata, está ai?

Alguém bateu levemente na porta, era a voz de uma mulher, mas ela não reconheceu. Pensou que poderia ser uma das empregadas, mas descartou a hipótese ao notar que chamara com intimidade.

– Hinata?!

– A porta esta aberta. – Hinata respondeu receosa.

Esperou um momento e então Ino apareceu.

– Tudo bem se eu entrar? – Ino perguntou da porta.

– Pode entrar, claro.

– Ainda bem, achei que seria expulsa de novo.

– Ah, sobre isso, eu... – Hinata a encarou de forma urgente, percebendo que ficou tão preocupada com o modo que tratou Naruto que nem lembrou que havia sido grossa com Sakura e Ino também. – Eu queria... – Ela parou, não consegui concluir seu pedido de desculpas, se sufocava com aquelas palavras, era incomodo. Era o orgulho novamente agindo.

– Sem problemas, Hinata. Entendo que foi a gente que chegou em má hora e Sakura me fez prometer que não perguntaria porque você estava brigando com o Naruto. Então não se preocupe.

– Eu... Não estava em um bom dia... – Foi tudo que a morena conseguiu dizer e se sentiu decepcionada consigo mesma.

– Certo, mas esperou que esteja em um bom dia hoje, porque tem um monte de gente perguntando por você lá em baixo.

– É, eu vi alguns chegando.

– Então que tal descer, não da pra deixar o Neji fazendo sala sozinho, não é!

Hinata assentiu e foi para a porta, passou receosa pelo corredor e parou ao chegar a escada. O aparelho Mixador não estava ali antes, nem as caixas de som que estavam nos cantos do hall e a musica que tocava era eletrônica. Havia algo de diferente na iluminação também, estava mais opaca. Podia ver as pessoas dançando e conversando no grande salão.

Todos os das fotos estavam lá, mas não via nem o Neji, nem a Sakura e isso aumentou seu nervosismo, pois estava sozinha com estranhos. Naruto também não estava a vista...

Em um ato impensado começou a retroceder inconscientemente para trás, voltando ao corredor.

– Ei, onde vai?! – Ino a segurou pelo pulso quando viu que queria fugir.

– Eu esqueci algo no meu quarto.

– Sim, a coragem, provavelmente. – Ino riu um pouco. – Você esta agindo igual ao primeiro dia de aula da quarta serie.

– A gente se conhece a tanto tempo assim?

– Claro! Aliás, já que não tenho nenhum problema de cabeça, me lembro perfeitamente: Você chegou na escola, olhou para as crianças do pátio e saiu correndo feito doida de volta para sua mãe. Todo mundo ficou rindo! – Ino disse soltando Hinata que agora prestava atenção em sua historia. – Fiquei te zoando a semana toda por causa desse mico, e naquela época não era bullying.

– É, saber que eu era uma idiota me deixa mais tranquila. – Hinata disse irônica.

– Ah, quem não é idiota com 10 anos?! O ponto aqui é que fugir sempre piora as coisas.

– Fez bullying comigo e ainda viramos amigas?!

– O mundo é estranho... – Ino deu os ombros. – Olha, você não precisa ficar com medo, todos aqui gostam muito de você e se preocupam. Além disso, você logo vai perceber que é “extremamente” popular.

O sorriso sarcástico de Ino e o tom de ênfase que ela usou enquanto assumia o aparelho de mixagem e parava a musica, deixou Hinata mais nervosa.

A Hyuuga ficou quieta, observando quando as pessoas pararam de dançar, reclamando uma para as outras pela interrupção.

Se aproximou de novo do começo dos degraus, olhando-os e tentando verificar cada nome e personalidade que estudou com Neji durante a tarde, mas era difícil manter os pensamentos em ordem. Eram mais de 15 pessoas e mais chegaram nesses curtos minutos que passou ali parada, já começava a pensar em quantos “amigos íntimos” poderia ter, quando um deles, aquele de nome “Shikamaru”, se desencostou da parede de forma tediosa e olhou para cima sorrindo ironicamente.

– Olha ai, a garota mais complicada do universo.

Todos olharam para a mesma direção, diretamente para ela. Hinata começou a se sentir desconfortável, tímida, sendo alvo de tanta atenção. Alguns sorriam, outros acenavam, todos pareciam felizes ao vê-la.

– “Complicada”?! Que originalidade, Shikamaru... – Ino o respondeu em tom alto.

– Haha, não tente roubar a cena, Ino. Eu não me referia a você! – Ele respondeu debochado.

– Não fique parada ai, Hinata. Vamos cumprimentar o pessoal. – Ino a incentivou a descer as escadas, mas logo percebeu que a morena estava travada de timidez. – Pelo menos sorria para mostrar que esta bem!

Hinata balançou a cabeça, tentando organizar os pensamentos e logo começou a descer lentamente, não sabia para quem olhar ou encarar primeiro, antes mesmo de chegar ao ultimo degrau já estava sendo alvo de apertos de mão e abraços. As pessoas falavam com ela animadamente, mas era tanta coisa ao mesmo tempo que não conseguia se focar em nada em especial.

Deixou-se ser guiada e tentava dar atenção em tudo que diziam. Foi tratada assim por um bom tempo, sendo levada de um lado a outro por pessoas que ela mal sabia o nome, era arrastada para um canto por uma pessoa, conversavam um pouco e outra já aparecia cobrando sua presença, e depois outra, e mais outra...

Era difícil agradar a todos e não se sentia bem ao tentar, era um sentimento de intimidade irreal.

Não ter lembranças já começava a incomodar de uma maneira diferente. As pessoas contavam historias engraçadas ou constrangedoras, que ela simplesmente não conseguia dizer se era verdade ou não. Essa pequena reunião deveria servir para ajuda-la, mas estava piorando sua dor de cabeça.

Sendo bem honesta consigo mesma, Hinata só queria a festa para poder se encontrar com Naruto e se desculpar. Mas... Que clima teriam com essa musica horrível que Ino colocou?!

Do que precisava era de: um momento calmo; das palavras certas; e uma boa chance de conversarem a sós;

Não dessa porcaria de funk...

Ela riu um pouco do pensamento. O que importava afinal?! Naruto ainda não tinha chegado e talvez fosse demorar.

Cada vez que a porta da frente se abria, Hinata

olhava para ver se seria alguém conhecido, um loiro conhecido, mas não era e isso estava se tornando mais e mais frustrante.

***

Asuma analisava o livro com toda sua atenção e lia lentamente a pagina especifica que Kakashi lhe mostrara. Como policial, fora treinado para nunca desdenhar de nenhuma possibilidade, mas, francamente, as coisas descritas ali só poderiam mesmo ser de ficção, não conseguia levar o conteúdo a serio. Pensou um pouco e depois ergueu a cabeça para encarar o socorrista que estava sentado a cadeira a sua frente.

– Você pode provar isso?

– Se pudesse eu não pediria sua ajuda, não é?! – Kakashi respondeu simples.

– Au, sagaz como sempre... Certo, preciso de mais informações.

– Que tipo de informações?

– Que tal: Onde você conseguiu isso? Ou quem escreveu?

– Esse tipo de pergunta sempre deixa Kakashi na defensiva. – Kurenai entrou na sala, entregando um copo descartável de café para o detetive.

– Essas informações são necessárias? – O socorrista perguntou e recebeu o olhar de “policial mal” de Asuma. – Eu não sei quem escreveu. E sobre “como eu consegui?!”, bem, não foi por meios legais. Isso é um problema?!

– Se isso significa que você roubou, então, mesmo que esse caderninho servisse como prova, não poderíamos usa-lo oficialmente.

– Mas tem a garota Hyuuga também.– Kurenai disse mostrando uma foto de seu celular para Asuma.

– Ah, sim, a garota desequilibrada e sem memoria, uma testemunha inquestionável. – Ele pegou o aparelho analisando a imagem da paciente da esposa.

– Já percebi que ela tem um gênio difícil e pode se opor um pouco a terapia, mas sei que logo terei oportunidade de conseguir mais informações.

– Não a subestime tão facilmente. – Kakashi disse.

– Todos sabem que eu gosto de desafios, não é, Asuma?! – O policial não respondeu a Kurenai. – Asuma?!

– Algum problema? – Kakashi perguntou.

– Eu a conheço. – Asuma respondeu finalmente, continuava olhando fixo para o celular.

– De onde?! – Voltou a perguntar.

– Eu não sei, mas tenho certeza que já a vi antes.

– Hinata poderia ter vindo a delegacia. – Kurenai pensou alto. – Talvez pensasse em denunciar o seu agressor e desistiu.

– Eu recebo muitas denuncias infundada todo dia. Não me lembraria dela por algo assim.

Asuma pensou mais um tempo e então se deu por vencido, Hinata era familiar para ele, mas não se lembrava de onde. Deixou o celular na mesa e bebeu um gole de café.

– Então esse é o fim da linha, por enquanto. – Kakashi pegou o livro de volta, guardando em sua mochila. – Acho que minha sorte esta acabando...

– “Nossa” sorte, Kakashi. – Asuma disse com ênfase, enquanto acendia um cigarro. – Eu disse que ajudaríamos, estamos juntos nisso.

– Obito era nosso amigo também. – Kurenai disse simples.

– Nem parece que já faz três anos q... – O toque do celular de Kakashi interrompeu bruscamente o que Asuma dizia e, antes dele reclamar, o celular de Kurenai também começou a vibrar em cima da mesa. Tentou ser irônico. – Vocês combinaram?!

O Socorristas se levantou e foi para o canto da sala atender discretamente e, para o lado oposto, a psiquiatra fez o mesmo. Conversaram simultaneamente com quem quer que tenham ligado e Asuma não sabia em quem deveria prestar atenção.

– Tsunade-sama?! Algum problema? – Kakashi falou simples, ouvindo o que a chefe queria. – A Hinata?! – Ele ouviu a diretora em silencio apenas balançando a cabeça e murmurando concordando com o que ela dizia. – Essa historia poderia ser... – Se calou novamente. – Verificar?! E quanto a policia?! – Perguntou surpreso, esperou. – Não sei, contaria como hora extra?! – Ela respondeu algo que o fez coçar a cabeça, como se levasse um sermão. – A senhora está com sorte, estou com tempo de sobra para isso. Logo entrarei em contato.

– Sim, Shizune. – Kurenai atendeu e ouviu-a. – Quando? – Esperou a resposta. – Claro, mas, se for assim, eu poderia ir... – Então parou de deixou-a falar. – Não, esta bem... Se Tsunade-sama conseguir convence-lo, eu posso reservar qualquer horário. – Parou e ouviu-a por um longo tempo. – Claro, nos vemos amanhã então.

Então deligaram.

– O que foi? – Asuma perguntou.

– Shizume marcou um encontro com a Tsunade-sama para debater sobre o caso da Hinata. – Kurenai respondeu e então encarou Kakashi. – E você?!

– É o que eu sempre digo: Sou muito sortudo! – Ele deu os ombros, satisfeito por encontra uma nova pista para seguir.

***

Mais pessoas chegavam a cada minuto, deveria ter mais de 50 pessoas na casa e Hiashi não perdeu tempo para aparecer querendo expulsar a todos. Era obvio que aquilo nunca seria apenas um “jantar de amigos”. As coisas estavam saindo do controle e Neji, o idealizador de tudo, não estava lá para assumir as consequências.

Agradeceu mentalmente por ter ótimas empregados em casa:

O piano foi coberto por uma capa e os porta-retratos e todos os outros objetos pessoais quebráveis foram guardados; O acesso para o terceiro andar também fora trancado, assim como cada quarto do segundo; E os seguranças que chamou de ultima hora se mostraram uteis vigiando o jardim e a cozinha.

Surgiu ao topo da escada disposto a bancar o “Pai ditador carrasco” que ele já sabia que alguns amigos da filha o apelidaram pelas costas. Mas quando olhou para baixo, viu Hinata conversando com algumas pessoas, estava rindo de uma maneira que ele não via há muito tempo, pelo menos, não em casa...

– Quer alguma coisa, Hyuuga-sama?! – Ino perguntou.

Ele não havia notado a garota que cuidava do som e após passado a surpresa de não te-la notado, pensou um pouco em sua pergunta.

– Você é amiga da minha filha, então sabe do que ela gosta. – Ele disse ríspido. – Encontre uma musica que a agrade e que não me dê dor de cabeça.

– Pode deixar. – Ino bateu continência ironicamente.

Hiashi decidiu deixar que a festa seguisse e voltou ao seu escritório. Disfarçou o sorriso quando, no meio do caminho, ouviu a musica clássica vindo do salão.

***

A noite começara a passar mais rápido conforme Hinata foi se sentindo mais a vontade. Com o tempo, ela descobriu como reconhecer e separar seus amigos verdadeiros dos que estavam lá apenas pela festa.

Sakura apareceu duas horas depois, pediu desculpas pelo atraso, mas não entrou em detalhes sobre o motivo, apenas disse que teve problemas com uma “mula teimosa”. Hinata não fez questão de saber, pois estava feliz por ter sido resgatada, já que uma rodinha de pessoas a cercou para lhe questionar o quanto de memorias perdeu e como estava indo a recuperação. Se sentiu verdadeiramente acuada nesse momento e a amiga surgiu para salva-la.

Foram para a sala e lá ficou sentada apenas conversando com Sakura e com alguns outros que eventualmente apareciam. Os “verdadeiros amigos” pareciam saber instintivamente quando Hinata precisava de um tempo da overdose de atenção que estava ganhando.

Shino, apesar de quieto, era uma ótima companhia que merecia destaque; falava engraçado e nem sempre dava para entender o que realmente queria dizer, mas cada palavra parecia ter sido tirado de um livro de poesia;

Kiba mal ficou com ela, chegava contava uma piada e depois ia dançar ou puxar briga com alguém;

Lee dançava mal, mas não se importava com o que as outras pessoas achavam dele, era tão espontâneo que chegava a ser divertido; Ficava desafiando outras pessoas na pista de dança independente do estilo, tudo parecia competição para ele;

Tenten falava de mais, muito de verdade; qualquer coisa virava um assunto de pelo menos meia hora com ela, mas não de forma chata, era descontraída e animada de mais para ser entediante; foi ela que fez companhia quando Sakura teve que atender a uma ligação;

Shikamaru veio conversar, mas achava tudo monótono de mais; Parecia mais incomodo com a multidão e a musica do que a própria Hinata; e, por fim, acabou cochilando no sofá.

Chouji não a deixou passar fome ou sede, sempre que aparecia estava carregado de bandejas de salgadinhos, doces ou refrigerantes; era engraçado e contava varias historias hilariantes.

Ino praticamente não se afastava do mixador, ela era a DJ da festa e todos gostavam do que ela punha para tocar; entretanto, em dado momento, sob desculpa de ser uma homenagem a Hinata, trocou o ritmo eletrônico por uma sequencia de musicas clássicas de belíssima sonoridade que lhe agradava muito;

A festa fora de controle de repente se transformou e um digníssimo baile de alta sociedade e os casais foram se formando para a dança mais lenta. Alguns rapazes, ou melhor, muitos rapazes, convidaram a morena, mas ela os recusou cordialmente, finalmente entendendo o que a amiga queria dizer com aquele termo de antes, “extremamente popular”.

Hinata estava se divertindo, mas era algo incompleto, ainda se sentia um pouco sozinha. Podia ver como parecia ter, imaginariamente, um lugar vago entre os amigos. Talvez fosse só uma impressão.

Outras pessoas chegaram, e ela voltou a encarar a porta para ver se poderia ser... E não era.

Suspirou tristonha...

Sim, faltava uma piada, um sorriso, um gesto mais exagerado.

Faltava Naruto ali com ela.

Com as horas passando, a comida acabando e uma ajudinha extra dos seguranças da residência que Hiashi mandara, as pessoas foram se dispersando e indo embora.

Por fim, apenas Hinata e os novos “velhos” amigos ficaram, conversavam distraidamente jogados pelos sofás da sala.

– E ela disse: “Esse é o jeito patético de ser uma Hyuuga?!” – Tenten dizia. – Então você apenas cruzou os braços, olhou dos olhos dela e respondeu: “Não, esse é o jeito mais pratico de não desperdiçar meu tempo com ‘qualquer coisa’”.

– Ela quase voou no seu pescoço, Hina. – Ino ria quase descontrolada enquanto falava. – Nunca vi aquela garota tão fula.

– Não posso acreditar. – Hinata estava pensando. – Eu brigando na rua desse jeito...

– Você nunca precisa brigar, suas palavras acabam com qualquer recalque! – Kiba disse. – E aquela Karin sempre merece ouvir umas verdades.

– Você só diz isso por que não conseguiu pegar ela! – Shikamaru disse.

– O que esta falando?! Eu nunca quis aquela magrela! – Kiba se defendeu.

– Claro, não iria querer problemas com uma Uzumaki. – Chouji riu irônico.

Hinata prestou mais atenção agora. Uzumaki?! Como “Naruto Uzumaki”?! Em nenhum momento da conversa disseram que essa tal de Karin tivesse algo haver com o Naruto. Seria apenas uma coincidência?

– Hunf, se fosse isso, eu pegaria! Quando eu não quero problemas, hein?! – Kiba se levantou falando em um tom confiante.

– Tem certeza?! – Sakura perguntou debochada. – Não se esqueceu da ultima festa, não é?! Você apanhou tanto que, quando a policia chegou, o Naruto quase foi indiciado por tentativa de assassinato!

Todos começaram a rir e Kiba intensificou sua expressão de raiva.

– O que a Hinata vai pensar de mim agora?! Não pense que sou um fracote! Ela tá exagerando!

– Isso é verdade?! – Hinata perguntou em um tom urgente.

– Foi uma briga de igual para igual! E eu ia ganhar se a policia não tivesse chegado! – Kiba reclamou furioso.

– Claro que ia ganhar... Com a cara afundada no chão... – Tenten ironizou rindo.

– Mas o que houve? – A Hyuuga perguntou.

– Bem, eles dois arrebentaram , “acidentalmente”,o para-brisa da viatura no meio da confusão e acabaram presos. – Shikamaru respondeu.

– Então vocês foram os presos que eu tanto ouvi falar... Por que brigaram?!

– Ciúmes! – Ino disse com o tom meio irônica, mas Sakura a cutucou para que se cala-se e ela concluiu simples. – Garotos! Você sabe...

– Que seja. Sabemos quem se mostrou superior! – Tenten provocou novamente.

– Hunf, agora quero uma revanche com o Naruto para provar que sou melhor! – Kiba disse. – A proposito, por que ele não veio? Onde aquele idiota se meteu?

Hinata ao ouvir as perguntas de Kiba sobre o loiro, voltou inconscientemente os olhos para a porta, ela também queria saber onde ele estava, mas já sabia por que não tinha vindo... Obvio que estava zangado o suficiente para não quere vê-la mais.

Era irônico pensar que se preparou e pensou em todas as formas de conversar com ele, mas nunca passou pela sua cabeça dele não aparecer. Sentia culpa por isso, talvez tenha estragado tudo.

Então Neji entrou e foi direto para o grupo na sala. A primeira coisa que chamou a atenção dos jovens foi seu olho roxo e outros ferimentos mais brandos pelo corpo, a roupa estava suja também, parecia que tinha apanhado de um gorila, ou qualquer animal selvagem.

– O que te aconteceu?!! – Hinata foi a primeira a perguntar.

– Nada... – Ele disse, passou a mão pelos cabelos que também estavam desalinhados.

– Nada?! Parece que você foi atropelado por um caminhão. – Tenten disse.

– Só encontrei uma ex-namorada e o atual dela não gostou quando tentei ser “simpático”.

– Viu o que eu disse... – Ino suspirou parecendo cansada. – Meninos sendo meninos...

– Você deveria tomar cuidado... – Hinata disse e Neji apenas deu os ombros como resposta e encarou os outros.

– Já esta tarde. Hiashi-sama quer a casa vazia antes da meia noite.

– A casa vai virar abobora? – Shikamaru se levantou e olhou para Hinata. – Seu pai é tão problemático.

– Foi sorte ele não criar mais problemas ainda. – Neji disse.

– Ele não ficou zangado? – Hinata perguntou receosa.

– Ate que foi mais conivente do que imaginei quando me mandou por vocês para fora.

– Hora de ir, Ino. E não reclame, Chouji e você estão de carona comigo. – Shikamaru disse.

Todos foram embora e apesar do receio do começo da noite, Hinata estava feliz por ter conseguido se distrair por algumas horas. Voltou seus olhos para a janela, observando a escuridão do jardim. Um estranho sentimento, que não compreendia, levava seus pensamentos a Naruto novamente. Queria muito vê-lo, conversar e se resolver, mas não tinha ideia de como fazer isso.

Depois que todos saíram, Hinata ainda olhava para os quadros da parede. Neji ficou quieto um tempo ate criar coragem de falar:

– Desculpe por não estar com você essa noite. Não queria te deixar sozinha, mas foi mesmo inevitável.

– Eu gostei da festa, apesar de tudo. Todos são muito divertidos. – Ela disse, mas ainda se mantinha pensativa sobre a ausência que sentia de Naruto, será que ele a odiava...?

– Tudo bem?

– Neji-niisan, eu mudei muito?

– Como assim?

– No começo da noite eu fiquei com medo de decepcionar as pessoas. Não ser quem elas esperavam. Fiquei ouvindo historias, coisas tão... Eu não sei. Eu era mesmo daquela forma?

– Você não era... você É incrível, Hinata-sama. Não imagina o quanto. Não tem como qualquer um ficar decepcionado com você.

Hinata sorriu um pouco, mas depois voltou a se questionar: Havia, sim, decepcionado alguém, uma pessoa que não queria mais se aproximar.

Neji então se levantou e saiu da sala, fazendo sinal para que Hinata esperasse. Demorou cerca de cinco minutos e voltou com dois copos e uma garrafa de vodca.

– E aqui estamos nós de novo. – Ele disse dispondo os copos na mesinha de centro e enchendo-os pela metade com a bebida. – Fizemos o mesmo no fim da ultima festa.

– Eu não posso beber. – Hinata disse sem graça. – Estou tomando remédios, você sabe.

– Eu também não gosto de vodca. – Neji deu os ombros sorrindo. – Mas é só pelo brinde, como nos velhos tempos, não precisa beber.

Ele estendeu seu copo e esperou que a garota pegasse o dela. Então ficaram em silencio para ouvirem o pequeno som do atrito de um vidro com o outro.

– Que sua melhora seja o recomeço das nossas vidas e que estejamos prontos para o que o futuro nos reserva. – Ele disse.

Hinata sorriu imaginando o único fato futuro que ela esperava acontecer...

Será que teria outra chance de conversar com Naruto?

Notas finais
E este é o cap 10, quero saber o que acharam, hein... ?! A acusação de Kou contra Neji... Kakashi e seus misterios... Hinata sentindo falta a presença do Naruto na festa... E Neji aparecendo no final... Vou deixar vocês tirarem suas próprias conclusões ;) Alias, para quem não sabe, Natsu é uma mulher Hyuuga que apareceu em um ep filler (não lembro qual). Eu nao pretendo criar nenhum personagem nessa Fic... Por fim, antes de reclamarem dizendo "não teve Naruto nesse cap", acho que posso adiantar que os próximos quatro capítulos (que já estão semi-concluídos aqui no meu pc) serão puramente NaruHina... E garanto que estou trabalhado para serem bem especiais =) Obrigada a quem leu, ate a proxima ^.^