O Diabo veste terno
1 O temido
Notas iniciais
POV Bella
Só podia ser muito azar meu pegar um engarrafamento logo naquela manhã.
Meu chefe vai me matar.
Meu chefe vai me matar.— eu repetia a mim mesma.
— Abre logo esse semáforo, merda! – eu gritava dentro do carro, com os vidros fechados. É claro que ele não me ouviu, e continuou vermelho.
Quando finalmente abriu, engatei a marcha errada, era a minha cara mesmo. O carro deu um solavanco, e quase que bato em um taxi que estava parado na minha frente.
Merda!
Então para completar, o meu celular começou a tocar.
Olhei para o banco de passageiros.
Era Victória, é claro.
— Isabella!— ela dizia em um tom autoritária do outro lado da linha. – Onde você está? me diga que está chegando.
— Sim, eu estou per...
— Nem pense em se atrasar hoje, sabe que temos uma reunião ás 7:15.
— Tudo bem.
Ela já havia desligado.
Grossa.
Quando entrei na revista Runway, eu jamais imaginei que a minha vida mudaria tanto.
É Claro que meu chefe precisava ter duas assistentes...
Na época, sua assistente sênior, Kate, havia sido promovida a editora de beleza da Runway, e Victória, a assistente Júnior, iria substitui-la, o que deixava a vaga de assistente Júnior vago.
Eu era uma recém-formada em jornalismo e havia acabado de me mudar para New York, e estava desesperada por um emprego.
Na época, isso me pareceu uma ótima chance.
Embora eu odiasse o temperamento de minha colega de trabalho as vezes, eu a achava um anjo rodeado de flores quando comparada ao meu Chefe.
Edward Cullen.
Atravessei a Broadway Avenue, e de repente um exercito de táxis vieram na minha direção.
Só podia ser brincadeira.
Era hoje que eu não chegava na Elias Clark.
Inferno!
Então novamente meu celular começou a tocar.
Ah não, agora era o meu Chefe.
Engoli em seco antes de atende-lo.
— Isabella.— ele disse com um tom de voz arrogante do outro lado da linha. – Quero que traga meu café quando chegar. E não se atrase! — e desligou.
Não deu tempo nem de eu dizer um simples “ok”.
Mantenha a calma. – Disse a mim mesma, enquanto esfregava minhas têmporas.
Eu já estava atrasada o suficiente, e ainda tinha que pegar a droga do café para o meu chefe, e ele só gostava do da Starbucks, que por um acaso estava longe de onde eu estava.
Ah doce inferno...
Já que meu chefe ia me matar mesmo na hora que eu chegasse, comecei a refletir em como eu vim parar nesse emprego.
Eu não sabia nada quando fui à minha entrevista e entrei nos infames elevadores do prédio “Elias Clark” há quase um ano atrás.
Eu não tinha noção que todos os colunistas de fofocas mais bem relacionados da cidade, socialites e executivos da mídia eram obcecados por essa revista.
Eu nunca havia visto tantas mulheres magras, tão bem produzidas, com cabelos e maquiagens tão perfeitos, sapatos de salto alto caros (e que não pareciam nem um pouco confortáveis)
Também nunca havia visto homens tão bonitos.
Eram tão perfeitos, não podia ser natural.
Parecia um desfile de moda.
Por um momento, me questionei se havia entrado no prédio errado.
— Com licença. – eu disse a uma mulher loira, que estava de costas, conversando com um homem muito elegante. – Este prédio, é o Elias Clark?
A mulher me olhou como se eu fosse alguma deficiente mental.
Então ela apenas apontou o dedo a uma enorme placa com o nome do prédio que estava na parede bem no meu nariz.
Atá, essa eu mereci.
Analisei suas roupas, o que fez com que de repente eu repensasse nas que eu estava usando, quando olhei para baixo.
Me senti malvestida.
Eu não havia pensado isso ao me olhar no espelho de casa, antes de sair.
Para falar a verdade, eu achava que estava muito elegante, vestindo minha única saia que não era curta demais para uma entrevista, e que caia perfeitamente acima do meu joelho. Minha meia calça preta, e meu suéter cinza claro, que eu vestia por cima de uma blusa social branca de gola, que me deixava com um ar "Nerd" como meu namorado Jacob costumava dizer.
Mas olhando para essas pessoas no prédio, eu parecia um trapo velho.
Peguei o elevador, e quando ele abriu no meu andar, uma garota saiu de uma porta de vidro, chorando.
— Ele. É. Um. Monstro! – A garota dizia meio a soluços, para uma mulher que estava sentada no balcão de recepção. — Quem aguenta ele? — continuou chorosa, deveria ter a minha idade. Usava uma roupa muito mais elegante que a minha, era magra, alta e usava um salto alto também, como as mulheres do andar de baixo.
Qual o problema dessas mulheres que trabalhavam aqui? – Pensei.
— Ele só sabe gritar com as pessoas! – ela continuava soluçando.
— Eu sei. Eu sei. – Uma garota de cabelos castanhos até os ombros a consolava. — O que acha que tive que passar nos meus primeiros anos aqui Jess? – a garota dizia, dando tapinhas reconfortantes no ombro da amiga.
Misericórdia.
Eu mal havia chegado ao meu andar para a entrevista, e já havia uma cena dessas.
Então de repente a garota que chorava me encarou com os olhos vermelhos.
— É você que veio para a entrevista? – ela disse enxugando os olhos com a mão.
— Sim. – disse confusa.
Então a garota começou a gargalhar.
— Boa sorte então! – ela disse indo em direção ao elevador que eu havia saído. — Aproveite enquanto sua sanidade ainda está intacta! – então o elevador fechou.
Eu hein, o que ela quis dizer com isso?
Minha sanidade? Oi?
Andei mais a frente, indo em direção a mesa da garota morena. Seu crachá dizia que se chamava Angela.
— Olá, tenho uma entrevista com...- Olhei o papel com o nome que a mulher do RH havia me dado por telefone. — Victória Nomad.
Antes que a moça pudesse me responder, fomos interrompidas por alguém.
— Isabella Swan? – Uma mulher ruiva surgiu de uma porta de vidro, com um tom de voz arrogante.
Balancei a cabeça para ela.
Ela olhou-me de cima a baixo, parecendo achar graça em algo.
— Ótimo. Os recursos humanos têm um senso de humor bem esquisito mesmo! – ela disse balançando a cabeça. – Venha.
Olhei para a mulher do balcão, ela me deu um olhar de pena.
Entramos por um corredor, era todo de vidro. Então a mulher ruiva começou a falar.
— Eu era a segunda assistente de Edward...Mas a primeira assistente foi promovida, então agora eu sou a primeira. — a ruiva dizia com um ar superior. Continuamos a andar pelo corredor.
— Então eu a estou substituído? – conclui.
Ela se virou para me olhar.
— É. Estou tentando...- ela disse com um tom quase irritado. — Edward demitiu as últimas duas garotas que eu contratei nas últimas semanas. Estou convocando mais pessoas, é claro. – ela disse balançando a cabeça. – Preciso de alguém que consiga sobreviver aqui, sabe?
— Claro. – eu disse. – Quem é Edward?
A ruiva parou de andar por um instante, virando-se devagar, e olhando-me com uma expressão dura.
— Olha aqui garota, eu vou até fingir que não ouvi isso! – ela continuou a andar, e eu acelerei meus passos para acompanha-la.
Credo, que mau humor!
Quando chegamos a uma outra sala, Victória se virou para mim.
— Edward Cullen é só o homem mais influente no que se diz respeito a indústria da moda, e sem dúvidas, o CEO de revista mais importante do mundo. Eu disse do mundo garota! – ela disse enfatizando. – A chance de trabalhar para ele, de observa-lo editar e se reunir com escritores e modelos famosos, ajudá-lo a realizar tudo o que ele realiza diariamente... Bem, acho que não preciso nem dizer que é um emprego pelo qual milhares de garotas se matariam para conseguir.
UAU. Esse tinha sido um discurso e tanto.
— Me parece uma ótima oportunidade, adoraria ser escolhida. – disse por fim.
Victória deu mais uma olhada para mim parecendo achar graça, então falou.
— Isabella, a Runway é uma revista de moda...Ou seja, ter interesse em moda é crucial.
Não entendi o que ela quis dizer.
— Por que acha que eu não sou interessada em moda? – perguntei a ela.
Ela revirou os olhos, e quando pensei que fosse dizer algo, ela olhou para o seu celular, arregalando os olhos.
— Ah meu Deus! Não! Não!
A mulher parecia que tinha visto um fantasma na tela.
— O que foi? – eu perguntei.
Fui ignorada por ela, que correu para o telefone em uma das mesas.
— Ele está a caminho. Sim. Avise a todos!
Quem está a caminho?— pensei confusa.
Então de repente uma grande quantidade de pessoas começou a correr desesperadas de um lado para o outro no andar em que eu estava.
Uma mulher baixinha, surgiu naquele momento. Parecia algum personagem saido de algum desenho da Disney. Ela tinha feições de uma fada, e veio em direção a ruiva, seus cabelos eram curtos e pretos, e apontavam para todas as direções. Era muito elegante, e segurava várias pastas nas mãos.
— Ele não deveria vir agora. – ela disse balançando a cabeça.
— O motorista dele acabou de me avisar, parece que ele teve problemas com algum de seus sócios, e precisará adiantar a reunião das 7:30. – A ruiva disse a mulher baixinha.
— Ah céus, hoje será um dia daqueles... – ela suspirou. Então de repente pareceu notar a minha presença ali. – Olá. – ela sorriu. – quem é você?
Quando eu ia abrir a boca para falar, a ruiva me interrompeu.
— Uma tentativa de contratação para o Sr. Cullen. – ela disse como se duvidasse que isso fosse acontecer.
Então a mulher baixinha abriu uma das portas de vidro e gritou.
— Estejam prontos! Ele já está subindo!
Victória correu em uma bancada, pegando um copo de cristal, e uma garrafa de água de marca cara, e abriu uma sala que ficava a frente, despejando água dentro do copo.
Mais pessoas desesperadas continuavam a correr pelo andar, arrumando papeis em suas mesas, jogando pacotes de salgadinho fora, vi uma mulher arrancar sua sapatilha, colocando um elegante sapato de salto alto. Depois outra mulher retocando o batom pela câmera do celular.
Gente, que que tá acontecendo aqui?
Então vi Victória correndo novamente, com várias revistas na mão, organizando-as na mesa, e depois voltando a velocidade da luz na porta de vidro, enquanto ajeitava suas roupas, e passava as mãos em seus cabelos.
Então um homem, muito elegante surgiu.
Ele tinha uma aparência jovem, os cabelos eram loiro acobreados, bagunçados, seus olhos eram verdes, tinha uma expressão de autoridade no rosto, e vestia-se elegantemente com um sobretudo preto.
O homem era um deus grego.
— Eu não entendo qual a dificuldade em confirmar uma entrevista! – ele disse em um tom rude assim que pisou na sala, jogando seu sobretudo em Victória.
— Desculpe Sr Cullen. – ela disse com um tom de voz manso. — eu confirmei na noite passada, mas...
— Não estou interessado em detalhes de sua incompetência! – ele disse a cortando.
Fiquei chocada.
De repente senti todo o encanto se quebrar.
— Apenas avise a Jane que não vou aceitar aquela garota que ela me mandou para fazer a edição sobre moda Francesa. — ele disse. — Eu quero uma nativa. Qual o problema de vocês em entenderem o que eu quero? — Ele parecia irritado.
— Sim, senhor. – ela disse, enquanto anotava em um bloquinho.
— E sobre a festa de Marcus... – Ele parou de andar por um momento. – Quero que o motorista me pegue as 09:30 em ponto e me busque as 09:45. Mais tempo do que isso eu não suportarei. Entendeu Victória? – ele disse, fazendo-a pular.
Mesmo a conversa não sendo comigo eu também pulei assustada.
— Sim, senhor Cullen.
— E diga para aquela incompetente do departamento de tecidos, que não, pela 40° vez, eu não quero que me envie amostras, a não ser que isso seja solicitado.
— Tudo bem. – ela anotava tudo que ele dizia.
— E depois quero que ligue para minha ex-mulher, e diga que não poderei ir a reunião com seus publicitários esta semana, pois tenho uma conferência em Seattle.
— Ok.
— Depois ligue para a florista, e envie um buque de aniversário para minha mãe, e mandem assinar um cartão em meu nome.
— Certo.
O homem mandava em cada detalhe de sua vida, e a assistente anotava cada palavra que ele dizia. Eu já estava perdida na primeira coisa que ele havia solicitado a ela.
— E depois mande Alice na minha sala, preciso acertar alguns detalhes sobre a edição da capa deste mês.
Victória balançou a cabeça, anotando no bloquinho.
— Você ouviu o que eu disse? – ele disse irritado.
—S-sim, senhor.
— Então responda o que eu digo, droga! – ele disse com o tom de voz rude.
Soltei um gemido baixo.
Isso pareceu chamar sua atenção, então ele direcionou aqueles belos olhos verdes em minha direção, e depois os desviou no mesmo instante, enquanto abria a porta de sua sala.
— Quem é aquela? – ele disse a ruiva.
Victória pareceu procurar pelo que ele dizia, como se por algum motivo tivesse esquecido de minha presença.
— Ninguém. – ela disse. – Quer dizer, é só uma garota que o RH mandou para o novo cargo de assistente. – ela disse revirando os olhos. — mas eu a estava entrevistado, e ela não serve...
— Então acho que eu mesmo terei que entrevista-la — ele disse a cortando. — Já que as ultimas duas que você me enviou, eram totalmente incompetentes. – disse mais rígido. — Então, mande-a entrar. Isso é tudo. – ele disse batendo a porta.
Victória voltou com sua cara de bunda em minha direção, e fez sinal para que eu entrasse na sala de Edward.
Ai meu deus. — Pensei enquanto caminhava em direção a sua sala.
Fale com o autor