Notas iniciais
Olá pessoas! Gostaria de agradecer as pessoas que comentaram nessa fanfic! ;) Vocês me deixaram muito feliz, e inspirada em querer continuar... Boa leitura!

POV Bella

Eu estava com as pernas tremulas, segurando a pasta, e tirando o currículo de dentro dele. Na pasta haviam cartas de referências de professores da minha universidade, e alguns certificados de atividades extras que eu havia feito. – eu não era muito de me gabar, mas tinha muitos méritos para uma recém-formada.

Victória me encarava, com uma expressão de poucos amigos.

— Anda garota! – ela disse quando parei no meio do corredor. – E me dê isso! – ela disse retirando a pasta de minhas mãos.

— Mas eu... – tentei dizer que eu pretendia usar isso durante a entrevista, mas o olhar que ela me deu fez com que eu mudasse de ideia.

Respirei fundo e bati na porta.

— Entre! – a voz de Edward soou do outro lado da porta.

Abri a porta, sentindo meu coração palpitar, de medo, de nervosismo.

Assim que a porta abriu, um escritório foi revelado. Era muito moderno, todo de vidro. Edward estava sentado em uma mesa de escritório, em frente a um notebook de última geração.

Ele desviou os olhos do computador assim que entrei.

— Com licença. – Eu disse fechando a porta atrás de mim.

Ele indicou uma das cadeiras na frente de sua mesa para que eu me sentasse.

— Quem é você? – ele disse com um olhar penetrante, juntando as mãos embaixo no queixo.

Aquele olhar penetrante, aquele queixo quadrado perfeito.

Por um momento eu até esqueci meu nome.

Ele franziu a testa, então se mexeu na cadeira.

— O que foi garota? não consegue entender meu idioma? – ele disse rudemente.

— I-Isabella Swan. – Eu gaguejei.

Droga, péssima hora para ficar nervosa.

— E o que a traz a Runway, Isabella? – seu tom de voz era seco, porém não desviava os olhos dos meus.

Desespero?

Respirei fundo tentando me recompor.

— Bem, Victória me entrevistou e disse que estava procurando uma assistente- comecei, a voz um pouco insegura, depositando o currículo em sua mesa. Quando ele assentiu com a cabeça, minha confiança aumentou um pouquinho. — E, agora, depois de falar com ela, sinto como se percebesse o tipo de pessoa que estão procurando, e estou confiante de que seria perfeita para o cargo — Ele pareceu se divertir por um momento, mas não falou nada.

Observei-o. Ele pegou o currículo de sua mesa, analisando-o por um momento. Ele não me pareceu aquela pessoa desagradável que eu havia visto antes de entrar em sua sala.

Foi nesse ponto que comecei a querer o emprego, ainda mais desesperadamente, da maneira como pessoas desejam coisas que consideram impossíveis de alcançar.

Podia não ser como entrar para Medicina, ou ter um uma matéria publicada em uma revista famosa, mas era como se fosse isso para mim.

Pelo menos em minha cabeça, me parecia um verdadeiro desafio.

— E por que está aqui, se escolheu jornalismo? – ele continuava a me encarar com seus olhos verdes penetrantes.

No primeiro minuto em que pisei no prédio da Runway, percebi que ali não era o meu lugar. Minhas roupas e meu cabelo eram inadequados. Percebi o quanto eu fugia dos padrões deles.

Eu nunca fui uma pessoa antenada em moda. Qual era a última tendência? qual acessório combinava com o que? Eu não sabia, mas também não ligava nem um pouco para isso. E, no entanto, eu queria muito conseguir trabalhar ali. Além disso, como Victória havia dito “era um emprego pelo qual milhares de garotas se matariam para conseguir”.

— Bom... – eu dei um sorriso nervoso, que mais soou como uma careta. – Depois de me formar, eu vim para New York com intuito de ser jornalista, mas mandei currículos para vários lugares inclusive para outras revistas, e...

— Seja objetiva, eu não tenho o dia todo. – Ele respondeu seco.

Engoli em seco, tentando me focar na resposta.

— Recebi uma ligação de Leah, dos recursos humanos, dizendo que estavam recrutando pessoas para ocupar o cargo de assistente júnior. Basicamente foi isso. – disse por fim, respirando aliviada.

Ele balançou a cabeça, mas ainda me encarava, então correu seus olhos para meu currículo, sua expressão era irritada.

— Grego, isso é sério? – ele disse apontando para o currículo, na parte em que estavam “idiomas”. Não pareceu nada feliz. — Eu esperava francês, ou pelo menos algo mais útil! — Ele disse encarando-me novamente.

Ah, qual é, sempre foi meu sonho saber Grego, assim quando alguém dissesse: “por acaso eu estou falando Grego?” eu pudesse responder: “Se estivesse, eu saberia.”— mas é claro que eu fiquei quieta, apenas dando um sorrisinho amarelo.

Eu estava quase lhe pedindo desculpas, mas me contive. Tentei arrumar minha postura na cadeira, não havia reparado que eu estava me afundando — de medo.

— Infelizmente, não falo uma palavra em francês, Sr. Cullen, mas tenho certeza de que isso não será nenhum problema. — Ele voltou a juntar as mãos.

— Isso sou eu que tenho que dizer, Sra. Swan. — Ele disse seco.

Nossa que grosso.

— Aqui diz que estudou na universidade de Washington?

— Sim, eu me especializei em língua inglesa, mais especificamente em redação. Escrever sempre foi uma paixão da minha vida. – Por um momento me arrependi de ter dito tais palavras, pela expressão de seu rosto.

Mordi o lábio, tentando me conter.

Edward pareceu arrumar a postura.

— Então, essa sua afinidade com a redação significa que não está particularmente interessada em moda? — Ele pegou o copo da mesa, e deu um gole na água e depois tornou a pô-lo na mesa, em silêncio. Reparei então em seus lábios. Tinham um desenho tão perfeito, mas estavam em uma linha fina, refletindo seu humor.

Humor do cão.

— Err. – disse nervosa. — Não, é claro que não. Eu adoro moda... — menti descaradamente. — Estou bastante ansiosa para aprender ainda mais sobre isso, já que acho que seria maravilhoso escrever sobre este ramo... — O que eu estava falando?

Contenha-se— meu subconsciente me cutucou.

— E que revistas você costuma ler regularmente, Isabella? – ele me encarou novamente.

Que revistas eu lia regularmente?

— Bem, agora que estou morando aqui, assino o Newsweek e The New Yorker, mas leio regularmente The Buzz...

— E Runway, Isabella? — interrompeu-me, inclinando-se sobre a mesa e me olhando ainda mais atentamente do que antes. – Você alguma vez já leu?

Fui pega desprevenida. Não menti, não elaborei nada, nem mesmo tentei me explicar.

— Não. – Eu disse por fim.

— E antes de hoje, você nunca havia ouvido falar sobre mim. – não era uma pergunta.

— Err, não. – Eu respondi sentindo-me murchar.

— E você é uma pessoa que não tem estilo, ou senso de moda.

— Bem, acho que isso depende de... – tentei me defender.

– Não. Isso não era uma pergunta. – Ele disse me encarando.

Então tá.

— Mas durante a faculdade, eu era editora chefe do jornal. – Tentei me defender. – e também ganhei uma competição de jornalistas universitários, sobre um artigo sobre a chamada ética de tra...

Ele fez um gesto com as mãos, me fazendo parar de falar.

— Isso é tudo. – Então voltou sua atenção para o seu notebook.

Ele estava me cortando?

Era isso. Eu sentia que a minha chance havia acabado. Levante-me da cadeira, e virei-me para a porta, estava com a mão na maçaneta.

Espera aí.

Eu iria desistir fácil assim?

Seria justo eu deixar me derrotar tão facilmente?

Não mesmo.

O que eu tinha a perder?

Então liguei o “botãozinho do foda-se”, e virei-me novamente para encara-lo.

— Sabe, eu posso não ter todos os méritos que busca em uma assistente. – Edward olhou para cima, eu havia conseguido sua atenção. — Não sou magra no padrão de uma modelo -ou seja, anoréxica. — não sou glamurosa, ou alguém que entenda realmente de moda. Mas sou inteligente, e aprendo rápido. Se me contratar, eu vou dar o meu melhor e...

Então neste momento, uma mulher baixinha, a mesma que eu havia visto, entrou em sua sala interrompendo-me.

— Edward, acabei de conseguir a modelo para posar na capa de inverno. – ela disse com várias pastas na mão. – O problema é que...

— Não está vendo que eu estou com gente na sala, Alice? – de repente ele desviou os olhos de mim, para encarar a garota baixinha, tinha um olhar furioso.

— Ah, desculpe. – Ela deu um sorrisinho sem graça. – Ah, a garota que vi agora a pouco. – Ela disse sorrindo para mim. – Espero que meu irmão não a tenha assustado muito. – Ela disse olhando para ele, que tinha uma expressão nada amigável no rosto.

Irmão?

Se bem que isso explicaria ele não estar gritando com ela, assim que entrou na sala.

— Sou Alice Cullen. – Ela disse estendendo a mão.

— Isabella Swan. – Eu disse.

— Então, vai preencher a vaga de assistente? – ela perguntou animada.

— Bom, eu...

— Será que agora eu posso terminar a entrevista, ou as moças preferem continuar fuxicando aqui na sala? – ele disse rudemente.

— Bom, para falar a verdade... – Alice começou, então Edward lhe deu um olhar que até eu fiquei com medo.

— Já estou saindo! – Alice disse recolhendo as pastas e vazando da sala.

Assim que Alice fechou a porta, Edward deu um grande suspiro, e voltou a me encarar.

Fez-se um imenso silencio na sala. Edward ainda continuava com seu olhar penetrante sobre mim.

Eu queria poder desviar os olhos, mas era como se houvesse um imã entre nós.

Então ele finalmente desviou o olhar, apertando um botão em sua mesa.

— Victória, venha na minha sala. – Ele disse.

Cinco segundo depois, ouvimos o som de alguém batendo a porta.

— Entre. – Ele disse.

— Me chamou, senhor Cullen?

— Quero que acompanhe a sra. Swan até a porta.

Anh?

Como assim?

Ele não disse que queria terminar a entrevista?

É, acho que “literalmente” — meu subconsciente riu.

Fiquei decepcionada. Eu esperava ao menos uma resposta por parte dele.

— Obrigada pelo seu tempo, Sr. Cullen. – Eu disse o encarando antes de sair da sala.

Ele pareceu surpreso pelas minhas palavras.

Dirigi, voltando para casa, sentindo lagrimas em meu rosto.

(...)

— Então, o cara simplesmente te mandou embora, sem dar uma resposta? – Jacob afagava meus cabelos. Sentia minha cabeça latejar, estava deitada em seu colo depois daquele dia estressante.

— Sim. – Eu disse virando-me, para olha-lo.

Depois da entrevista, eu havia decidido ir direto para o seu apartamento, eu precisava contar para ele o que tinha acontecido. Comecei desde o momento em que pisei no prédio da Runway. Então ele parecia pensar em algo.

— Sabe, Bella, eu não entendo por que você queria tanto esse emprego. – Ele disse olhando para baixo. – Eu sei que parece uma grande oportunidade, mas... – ele pegou minha mão, espalhando beijos por todas as direções. – Você disse que o cara é arrogante, e que quer a vida inteira anotada. Isso não me parece trabalho para uma jornalista fazer.

— Eu sei. – disse me ajeitando em seu colo. — Sei que não ia ser nada de editorial nesse emprego, mas tenho certeza de que seria capaz de escrever alguma coisa depois de alguns meses que estivesse lá. — disse. — Quer dizer, dizem quem consegue trabalhar para ele, por no mínimo um ano, consegue o emprego que quiser depois.

Ele apertou meu braço e se deitou do meu lado.

— Meu amor, eu sei que é uma escritora brilhante, e sei que você será fantástica em qualquer lugar em que estiver. Se não deu certo nesse, pense que você tem outros lugares para trabalhar.

Assenti com a cabeça.

Jacob tinha razão.

Mas mesmo com esse pensamento, eu não conseguia parar de pensar em Edward Cullen.

Notas finais
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