O Diabo veste terno
9 Mudança de planos
Notas iniciais
POV Edward
— Droga Paul, tem certeza que não consegue mesmo adiantar o meu voo de terça-feira à tarde? – eu disse enquanto digitava nos sites de busca.
— Sinto muito senhor Cullen.— Ele disse, e eu podia imagina-lo com sua expressão apavorada. – E-eu não consegui nenhum voo mais cedo. – Eu o ouvi gaguejar ao telefone.
Bufei de frustração.
Depois que Alice havia voltado da reunião, marcamos uma reunião geral com alguns de nossos assessores da revista, na central da Banana Republic, em São Francisco — CA.
A reunião seria na quarta-feira, na sede da empresa.
Mas como é uma viajem bem longa, eu queria me adiantar, pedir a minha assistente para fazer as reservas no hotel, alugar um carro e me ajudar a me preparar melhor para a reunião.
Tamborilei os dedos na mesa.
— Então está tudo bem Paul. — disse fechando o notebook, com um suspiro pesado. – Você já sabe, primeira classe, dois lugares.
— Sim senhor Cullen. – Ele disse.
Então desliguei.
Já era quase fim de expediente, girei a cadeira em direção contrária a porta, olhando a paisagem urbana que me cercava.
Então comecei a pensar sobre o meu almoço.
Aquilo tinha sido...diferente.
Nunca almocei com nenhuma das minhas assistentes. – Até por que nenhuma durou tempo suficiente para eu conseguir decorar o nome.
Kate foi uma das minhas primeiras assistentes, até mais tarde eu promove-la a um cargo que na época estava vago, e Alice estava me deixando louco, e eu precisava de alguém experiente e de confiança.
Depois disso foram semanas e mais semanas frustrantes.
Centenas de currículos, milhares de assistentes, e nenhuma conseguia fazer a simples tarefa que era designada a elas.
Um bando de garotas incompetentes.
Ainda pensava sobre meu almoço, quando uma vozinha muito familiar tirou de meus devaneios.
— ... E eu achei melhor os de flores brancas por que mês passado...
O quê?
A que horas ela entrou?
Virei a cadeira abruptamente, encarando-a.
— Alice, você já ouviu falar sobre bater antes de entrar? – disse irritado abrindo meu notebook.
Ela revirou os olhos.
— Sabe muito bem que eu não faço isso maninho! – Ela disse sorrindo e colocando as pastas em minha mesa. – Mas agora me conta. – Ela disse arregalando os olhos e se aproximando mais da minha mesa. – Como foi o almoço com a Bella?
Como ela...
Suspirei.
É claro que esses bandos de fofoqueiros deveriam estar pelos cantos agora mesmo cochichando entre si, como se não tivessem mais nada para fazer.
Tentei soar o mais indiferente possível.
— Não foi nada demais. – disse dando de ombros.
Ela apertou os olhos, e conhecendo-a bem, sabia que isso não seria suficiente.
— Edward Anthony Masen Cullen – Ela disse meu nome inteiro, como nossa mãe costumava fazer quando estava brava, ou para chamar a minha atenção. – Está me dizendo que o almoço de hoje, no restaurante da empresa que você nunca pisou, e acompanhado de sua assistente Júnior recém contratada, não foi nada de mais?!
Franzi a testa.
Bem, colocando dessa forma...
Não. Eu não queria falar sobre isso.
Resolvi mudar de assunto.
— Está tudo certo com as encomendas da Hermés?
— Sim. – Alice informou. – Os acessórios já estão separados para segunda-feira.
— Excelente. – disse satisfeito, e aliviado por conseguir mudar de assunto.
POV Bella
Eu aguardava pelo livro.
Eu não conseguia entender como uma grande quantidade de páginas, atadas com arame, tão grande quanto um catálogo de telefone antigo, podia ser tão importante.
É claro que o motivo, era por que todos os esboços inéditos já criados, tanto pelos estilistas, como pelos editores gráficos, e todos claro, já renomados, eram compostos junto as marcas mais conceituadas do mercado de moda e caros, com certeza.
Vários colunistas das matérias ajudavam a fazer com que esse livro, esse enorme e valioso livro, fosse minimamente e detalhadamente trabalhado, e finalizado depois de muitos esforços e desespero.
Sim, muito desespero.
Por que nenhum trabalho substancial poderia ser feito até depois de Edward Cullen ir embora da empresa, porque todo o pessoal da arte e da redação passavam o dia inteiro se consultando com ele, e ele, como era uma pessoa muito “perfeccionista”— ou como eu costumava pensar, “um filho da puta arrogante”. – Não aceitaria nada vindo de fora, ou seja, nada podia ser mudado, a não ser que fosse ele quem tivesse aprovado, e ele costumava mudar de ideia toda hora.
E isso era irritante.
Portanto, quando Edward saía por volta das cinco horas, é que o verdadeiro dia de trabalho começava. – E infelizmente eu havia descoberto isso recentemente.
O departamento de artes começava a criar um novo layout e incluía algumas novas fotos que tinham chegado, — Todas elas já editadas, e escolhidas por ele. — E a redação adaptava e imprimiria qualquer exemplar que, por fim, houvesse obtido a aprovação de Edward — um gigantesco, carimbo com as iniciais “EC” ocupava toda a primeira página.
Cada redator enviava todas as mudanças diárias ao assistente de artes, que, horas depois de quase todo mundo ter ido embora da empresa, passavam as imagens, layouts e palavras por uma pequena máquina que encerava a parte de trás das páginas e os pressionava na página adequada do livro.
Então, finalmente depois desse longo e exaustivo processo é que eu entrava. Pois caberia a mim levar o livro ao apartamento de Edward. – Tarefa que por um acaso se tornou oficial hoje. — Sempre que fosse concluído — entre cinco e meia da tarde, dependendo de onde estavam no processo de produção.
Depois, na casa dele, ou onde ele estivesse, ele faria as anotações que achasse necessárias, em cima de tudo o que o pessoal dele havia produzido.
Então, no dia seguinte ele devolveria a equipe gráfica, onde todo o trabalho que tiveram recomeçaria.
Mais uma vez.
Por isso eu achava um esforço muito desnecessário.
Era um trabalho repetitivo em cima de uma coisa que já estava boa.
Enquanto eu estava esperando o livro, fiquei pensando sobre o meu dia.
Quando eu cheguei, logo imaginei que não duraria nem na hora do almoço, e já pensei que teria uma caixa de papelão com as minhas coisas dentro, e um grande pé na minha bundinha seca.
Mas pelo contrário.
Hoje fui surpreendida, não apenas por não ser demitida, mas também por ter almoçado com meu chefe.
Isso foi estranho.
Na verdade, estou até agora tentando absorver isso.
Ele falou que nunca tinha comido no restaurante, e vê-lo fazer isso pela primeira vez, foi não só esquisito como hilário.
Primeiro por que ele parece uma criança. – Uma criança mimada.
E depois, todos ficaram nos olhando. – Quero dizer, olhando para ele, por que vamos combinar, o filho da puta é lindo.
E por fim, fui oficializada a levar o livro na casa dele, toda noite. – A única parte boa, é que eu vou ganhar hora extra por isso.
Mas pensar em ir para seu apartamento estava começando a me dar nos nervos.
Mas pelo menos desta vez eu não vou fazer nenhuma cagada.
Assim espero.
(...)
O livro finalmente havia sido finalizado, e depois de eu pegá-lo com uma das assistentes de arte com uma aparência exausta, uma moça morena alta, chamada Zafrina, desci do prédio, e passei na lavanderia, e para variar, estava com os braços abarrotados de roupas, que haviam acabado de ser lavadas a seco, em cabides, envolvidas com plástico transparente, e as roupas lavadas eram sempre acompanhadas com o livro. Outra tarefa que era designada a mim, a assistente/escrava, era levar o casaco, ou qualquer outra roupa que Edward largasse no escritório, que ele fazia questão em jogar em cima da minha mesa, ou de Victória.
Então finalmente entrei em meu carro com o grande livro nas mãos.
POV Edward
De repente me peguei olhando para o relógio.
Ela entregaria o livro.
E mesmo assim, me peguei ansioso por isso.
Não, isso não estava certo.
Ela é só uma assistente.
Só isso.
Estava em meu escritório, com o notebook como sempre. Eu ainda precisava acertar alguns detalhes sobre a reunião da quarta em São Francisco. Eu já tinha as reservas no hotel, e terminava de montar um relatório, quando o celular vibrou em minha mesa.
Se for a Carmem eu vou deixar de ar.
Não, era Alice.
— Alô.
— Edward.— Ela respondeu em um tom de voz formal. E isso não era típico. – Tudo bem? Você viu que vai sair sol amanhã?
Franzi a testa.
Alice parecia nervosa.
— Tá bom Alice, sem rodeios, o que aconteceu? – disse impaciente.
Ouvi um suspiro.
— Precisamos conversar sobre quarta feira.— Ela disse séria.
Hmmm.
— O que foi?
— Não vou poder ir para São Francisco. - Ela disse finalmente. — Esqueci que havia marcado um compromisso importante com um dos executivos da Moschino, e aquela sua assistente que você demitiu no mês passado, uma tal de Lauren, lembra?— Ela disse com desdém. – Ela por um acaso já havia confirmado a reunião sem me consultar, e você imagina a minha surpresa quando eu recebi um e-mail de um dos executivos agora a pouco. – Ela disse bufando. — E eu não posso simplesmente cancelar Edward, você sabe como vai ser difícil eu conseguir isso, e a Moschino é uma marca consagrada no mercado da moda.
Merda.
Apertei as têmporas, e respirei fundo.
— Mas eu preciso...
— Calma irmãozinho, eu não ia ligar assim sem ter uma solução, já pensei em tudo!— Ela disse assumindo a sua costumeira voz de empolgação. – Na terça feira depois do almoço, eu já vou ter deixado tudo organizado nas pastas, e vou pedir para Bella se encontrar com o pessoal do departamento de design. – Ela disse rápido. – Eu mesma vou explicar a ela tudo o que precisa, e depois de situa-la, eu vou entregar as pastas para ela.
Então de repente entendi o seu plano.
— Espera aí Alice. – Eu a interrompi. – Você quer dizer que a Isabella, a minha assistente Júnior vai assumir o seu lugar na reunião da quarta? – Disse por fim.
— Dãa.— Ela disse como se fosse obvio. — É o que eu estou tentando dizer.
— Mas Alice. – disse. – Ela não vai saber explicar... – Tentei dizer.
Pude ouvir sua respiração pesada.
— Você não deveria subestimar a sua assistente desse jeito Edward. – Ela disse me repreendendo.— Pensei em Victória, mas Bella está mais situada com as reuniões do que ela. E além do mais, é apenas mais uma reunião.
Apertei as têmporas. – De novo.
— Eu não estou dizendo que a julgo incapaz. – Disse. – É sim, apenas mais uma reunião Alice, mas sabe o quanto ela será importante. Apenas estou dizen...
— Edward.— Ela me interrompeu novamente. — Tenho certeza que ela será perfeitamente capaz de te acompanhar.
E desligou.
Na minha cara.
Joguei o celular na mesa.
Merda.
Então ouvi um barulho de porta se fechando.
Ela estava aqui.
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