O Diabo veste terno
10 Evento
Notas iniciais
POV Bella
Depois de pendurar as roupas, coloquei o livro na mesinha de entrada, então algo passou em minha mente: Ele disse: “Você sabe exatamente onde deixar o livro.”
Será que ele estava sendo sarcástico, ou era mesmo a mesa certa?
Não.
Só podia ser a mesinha da entrada.
Estava me preparando para pegar o elevador, quando o ouvi me chamar.
— Isabella. – Ele disse de seu escritório.
Congelei o dedo no botão do elevador, senti meu coração perder um compasso.
Ai senhor, será que ele esperou todo esse tempo só para me demitir?
Respirei fundo, peguei o livro da mesinha e fui em direção ao seu escritório.
Quando cheguei a porta, eu estava literalmente apertando o livro no peito, em um claro sinal de nervosismo.
— Sente-se. – Ele disse educado, me indicando um sofá de couro preto.
Olhei ao redor de seu escritório.
Era muito parecido com o da Runway, mas aqui parecia um ambiente menos formal.
Era bem decorado.
Ele tinha bom gosto.
Então ele estendeu o braço, e levou alguns segundos até eu entender que ele queria o livro.
— Ah, desculpe. – disse entregando a ele.
— Isabella, precisamos conversar sobre quarta. – Ele disse cruzando as mãos em baixo do queixo.
Franzi a testa.
Sério mesmo que ele queria falar sobre trabalho?
Agora?
Suspirei, e me sentei no sofá.
— Como sabe, na quarta-feira tenho uma reunião na sede da Banana Republic. – Ele disse, e olhava sério para mim, acho que queria ver se eu prestava atenção. Eu me esforcei muito para não ficar olhando para o teto. — E com a minha ausência e a de Alice na empresa até sexta, você ficou encarregada de todas as encomendas, e como deve imaginar, a entrega do livro ficou suspensa. – Ele apontou para o grosso volume em sua mesa. – E também deveria encaminhar todas as ligações e recados no meu e-mail pessoal. – Ele disse me encarando com aqueles olhos verdes profundos. – Mas houve uma mudança de planos. – Ele disse torcendo a boca de lado em uma careta.
Cacete, até fazendo careta o homem era um Deus Grego.
Arrumei a minha postura no sofá, tentando me focar na conversa.
— Mudança de planos?
— Alice acabou se esquecendo de um compromisso marcado há muito tempo, e ele coincidiu de ser no mesmo dia da viajem, então Alice estará na empresa durante toda a semana.
Por um momento senti um imenso alivio.
Com Alice na empresa eu não precisaria me preocupar em chegar adiantada, ou com qualquer tarefa extra.
E o melhor de tudo: ele não estaria na empresa!
Eu quase tive que esconder um sorriso de satisfação ao me lembrar disso.
Então Edward me tirou dos meus devaneios.
— ...Por isso ela mesmo fez questão em coloca-la em seu lugar durante a viajem.
— C-como? – Gaguejei surpresa.
— Estou dizendo que você vai comigo na reunião em San Francisco na quarta-feira. – Ele franziu as sobrancelhas. – Algum problema?
Espera.
Ele estava dizendo que eu, EUZINHA aqui, iria até o outro lado do país com ele?
Justo quando eu pensei que me veria livre dele?
— Eu só posso ter salgado a santa ceia.
— O que? – ele disse franzido a testa.
Eu falei isso alto?
Cacete.
— Nada. – Respondi – Mas eu pensei que Victória fosse a sua assistente sênior, não é ela quem deveria...
— Quem eu devo ou não chamar para me acompanhar é um problema inteiramente meu. – Ele me cortou.
Nossa que cavalo.
Então se levantou da cadeira.
— A questão, é com esse imprevisto eu preciso de alguém que seja capaz de me acompanhar, e como você está mais situada com a minha agenda, e as reuniões que foram realizadas durante a semana, Alice propôs que você devesse ficar em seu lugar. – Ele se sentou na beirada de sua mesa. — Ela lhe dará todas as orientações que julgar necessárias. Isso é tudo.
Bom, pelo que eu entendi eu não tinha escolha.
Muito obrigada Alice.
Mas mesmo assim, eu senti que precisava me posicionar.
— Sr. Cullen, com todo respeito, mas eu não sei se...
— Antes que tente encontrar uma desculpa nada razoável Isabella, quero que pense nisso como uma oportunidade de provar que não passa de uma simples assistente e que é perfeitamente capaz de se virar em qualquer situação.
Ah, nossa, não sabia que eu precisava provar alguma coisa.
Arrogante.
— Tudo bem. – Tentei manter minha postura firme, e estava me segurando para não lhe mostrar o dedo do meio também.
Então quando ele voltou a me ignorar e voltou sua atenção ao seu notebook, percebi que já era hora de eu ir embora.
(...)
— Então quer dizer que além do cara te fazer de escrava a semana toda, ainda vai ter que acompanhar ele nessa reunião? – Emmett parecia inconformado.
— E essa não é nem a pior parte pelo que eu entendi. – Rosalie disse rindo. – Quer dizer, deu pra entender que o cara é um mal amado, mas pelo amor de Deus Bella, você tem que ir na casa dele todos os dias?
— Pois é. – Eu disse tomando um gole da minha bebida. – Mas o importante é que eu sobrevivi a mais uma semana.
— Eu ainda acho que ele não passa de um sanguessuga Bella. – Jacob disse colocando a sua garrafa vazia na mesa. – Ele não faria isso com você se você fosse homem.
— E vocês não estariam tendo essa conversa também!– Rosalie devolveu a ele, que lhe devolveu o olhar debochado. – E eu duvido que ser homem faria alguma diferença para ela.
— É verdade. – disse concordando, então contei a eles sobre quando ele chegou gritando no celular hoje mais cedo.
Quando Jacob disse que ia pegar mais cervejas, me aproximei de Rosalie e Emmett e contei sobre o meu almoço com Edward.
— Não creio! – Rosalie disse chocada. – Então isso significa que ele não é tão ruim...
— Shhh.- sussurrei. — Isso não muda absolutamente nada. – Disse depressa. – Mas não contem nada ao Jacob, sabe como ele é ciumento.
Eles concordaram, então Jacob chegou com as nossas bebidas e rapidamente mudamos de assunto.
(...)
— Fica bem quietinha. – Edward sussurrou em meu ouvido, enquanto ele puxava a minha calça para baixo.
Ele me levantou com facilidade me colocando em cima da cama.
Ele usava sua calça social preta, e a camisa branca estava com alguns botões abertos.
Ele ficou parado por um momento, me observando.
Eu estava apenas com as roupas de baixo, com os batimentos audíveis. Então ele se aproximou, e se deitou por cima de mim, e começou um caminho de beijos desde o meu pescoço, então devagar desceu para o meu ombro, peito, barriga. — Que a essa altura já estava me deixando com a respiração ofegante de excitação.
Ele espalhava os beijos por todo meu corpo, então foi descendo cada vez mais, até chegar no meio das minhas coxas, onde ele delicadamente afastou minhas pernas, e pressionou-se contra meu sexo, já molhado. Ele desceu minha calcinha, e afundou sua língua pela minha entrada.
Gemi de prazer, e agarrei seu cabelo, onde ele me torturava, me chupando com força e urgência. Então de repente ele parou, e voltou a beijar o meu pescoço, até chegar na minha boca, onde meu gosto se misturou com o seu aroma doce.
Ele parou o beijo e me fitou com seus olhos verdes, que estavam com as pupilas dilatadas, cheios de desejo e não disse nada.
Então novamente ele voltou a pressionar sua boca na minha, sua língua logo começou a buscar mais espaço dentro da minha boca, enquanto seus dedos foram descendo pelo meu corpo.
Acordei com a mão no peito.
Meu coração batia descompensado, meu corpo estava suado e quente.
Olhei para o lado, onde Jacob dormia profundamente.
Isso foi um sonho?!
Coloquei as duas mãos no rosto.
O que estava acontecendo comigo?
O sonho tinha sido tão real!
Isso não estava certo.
Só podia ser estresse do meu trabalho.
Eu tendo que levar o livro toda noite em sua casa, depois, tem essa viajem na quarta feira, e agora eu tendo sonhos eróticos com o meu chefe, pelo amor de Deus!
Fui até a cozinha, pegar um copo de água, eu precisava me acalmar.
Olhei para o relógio.
Eram 03:47 da manhã.
Era sábado, e felizmente eu não trabalhava nos finais de semana.
Fui até a sacada do apartamento.
Hoje eu estava dormindo no apartamento de Jacob, e eu adorava vir aqui observar a cidade.
Então de repente me lembrei do apartamento de Edward, e que eu não tinha chegado a observar a vista...
Não.
Para de pensar no seu chefe cacete!
Eu olhava para o horizonte, onde New York estava amanhecendo, e tentei focar meus pensamentos em outras coisas, que não envolvessem Edward Cullen.
POV Edward
A semana parecia ter voado, quando percebi já era segunda-feira.
Meu motorista me levava a empresa, enquanto isso fiz algumas ligações, dispensando qualquer compromisso que surgissem durante a semana da viagem.
Então, resolvi ligar para minha assistente, como eu costumava fazer durante as manhãs.
— Alô.— Ela disse do outro lado da linha.
— Quero que ligue para o departamento de tecidos, e confirme se os pedidos das encomendas já chegaram, mande Alice na minha sala assim que ela chegar. – Disse depressa. — Ah, e quero um expresso espumante descafeinado, e sem açúcar. Isso é tudo.
— T-tudo bem. – Ela gaguejou do outro lado da linha.
Então desliguei.
Alguns minutos depois, o motorista estacionou o carro em frente ao imenso prédio da Elias Clark.
Entrei no prédio, e como de costume, as pessoas pareceram nervosas, andando de um lado para o outro. Então vi um vulto de cabelos castanhos avermelhados andar apressadamente e pegar o elevador.
Senti um sorrisinho se formar em meu rosto.
Eu não perderia essa oportunidade.
Coloquei a mão entre as portas do elevador antes de fecharem completamente, e vi os olhos castanhos de Isabella se arregalarem.
Surpresa ou medo?
Talvez um pouco dos dois.
— Bom dia Isabella. – Disse educadamente.
Ela franziu a testa.
O que? Eu também sei ser educado. — Quando eu quero.
— Bom dia. – Ela disse e olhou para baixo, envergonhada eu acho. Suas bochechas estavam coradas, e percebi que ela segurava o meu café.
— Alice já chegou? – Perguntei enquanto o elevador nos levava ao nosso andar.
— Não. – Ela me informou. — Mas ela me ligou e disse que se atrasaria, e pediu para avisar que as encomendas chegarão as 07:15.
— Excelente. – disse pegando o café de sua mão.
O elevador abriu, e logo em seguida Victória veio em minha direção com a minha agenda já impressa.
— Esta agenda está toda errada! – Disse a ela. – Isabella, quero que imprima a minha agenda que você alterou na sexta feira, e passe a Victória todo o cronograma alterado.
— Sim senhor.
Então fechei a porta de meu escritório.
POV Bella
Fui até o meu computador, onde toda a agenda de Edward estava alterada, e passei a Victória, que mantinha uma expressão nada amigável no rosto.
— Você podia ter me mandado no e-mail. – Ela disse ranzinza.
— Esqueci de fazer isso, desculpe. – Disse.
As coisas pareciam estar normais, menos o fato de eu ter tido aquele sonho erótico com o meu chefe.
Quando ele entrou no elevador eu não sei como eu não virei o copo de café em mim.
Aquele olhar penetrante em meu sonho não saia da minha mente.
Mas felizmente eu tinha muitas tarefas para manter a minha mente ocupada.
(...)
Eu havia acabado de sair da Abercrombie & Fitch, onde o senhor do humor inconstante havia pedido para pegar as encomendas, eu estava parecendo um cabide ambulante andando com todas aquelas caixas e roupas em plástico transparente.
Eu estava indo em direção a limosine quando o meu celular vibrou.
Era Victória.
— Edward quer que você vá até a Hermés, por que eles não vão poder fazer as entregas hoje, e depois passe na Starbucks e traga três expressos descafeinados sem açúcar, e quentes. E ande logo!
E desligou.
Respirei fundo e entrei na limosine.
(...)
Eu havia acabado de sair do elevador e me dirigi para o meu andar, quando parei onde estava.
— E QUANDO VOCÊ PRETENDIA ME AVISAR? – Edward estava gritando, sua porta estava aberta. – NÃO ME DIGA QUE VOCÊ ESQUECEU DAS MINHAS ENCOMENDAS. NÃO IMPORTA, NEM QUE VOCE TENHA QUE FRETAR UM AVIÃO VINDO DO INFERNO, VOCE VAI DAR UM JEITO DE PEGAR!
Como ele estava em seu escritório, apenas me dirigi a minha mesa, sem fazer barulho.
Alice então surgiu, com várias pastas na mão.
— Olá meninas. – Ela disse com um tom de voz mais baixo, então balançou a cabeça ao olhar em direção a sala do irmão.
— ÓTIMO. – Ele continuava a gritar. – ENTÃO APENAS FAÇAM A MERDA DO TRABALHO DE VOCÊS DIREITO, POR QUE EU NÃO QUERO MAIS TER QUE ME ESTRESSAR COM FUNCIONÁRIOS INCOMPETENTES!
— Deve ser o departamento de tecidos. – Alice sussurrou para nós duas. – Eles confirmaram as encomendas, mas algum funcionário acabou despachando as encomendas da Runway para Flórida.
Isso era péssimo.
Significava que o Edward Cullen insuportável que já estávamos acostumadas, estaria mais insuportável ainda.
— VICTÓRIA! – Ele gritou de sua sala, e por um momento eu quase me levantei correndo, mas aí lembrei que eu tinha sido promovida a Isabella.
Quando ela fechou a porta, Alice se aproximou de minha mesa.
— Bella, eu preciso de um super mega favor seu. – Ela disse ainda com o tom de voz baixo. – Eu sei que eu já estou abusando da sua boa vontade, mas é urgente.
— Pode falar Alice. – Eu disse distraída.
— Eu precisava ir para um evento, hoje à noite, que estão fazendo com um estilista famoso, Marc Jacobs. – Por um momento o nome me soou familiar, acho que era marca de bolsas. — E o Edward precisa dos desenhos da nova coleção, que ele iria entregar para mim, mas eu não posso ir neste evento por que eu combinei de adiantar alguns desenhos com o departamento gráfico. E o Edward odeia frequentar estes eventos. Mas se você for, eu entrego o livro no seu lugar, e eu vou te recompensar, eu juro.
Então ela fez aquela expressão de fada para mim, com seus olhinhos suplicantes.
— Tudo bem Alice, eu vou.
— Ah você é demais Bella! – Ela disse me dando um beijo na bochecha. – Eu vou te passar o endereço.
(...)
Edward já havia saído da empresa, e eu já estava com o endereço em mãos.
Alice queria que eu fosse com a limosine da empresa, mas eu disse a ela que eu preferia ir dirigindo, assim não precisaria voltar na Runway para pegar o meu carro. E é claro que ela fez eu trocar de roupa, e me colocou em um vestido preto, um tanto curto demais para o meu gosto, mas eu gostei. Ela disse que eu poderia ficar com ele, como pedido de desculpas. – E eu diria que era um pedido bem caro.
Ela me desejou boa sorte, e que eu aproveitasse o evento.
Cheguei em frente onde o GPS estava indicando, e pelas luzes e a musica que estava tocando, só podia ser aqui.
Entrei dentro do grande salão, que parecia ser um ambiente muito sofisticado, e falei que estava representando a Runway, e logo o segurança abriu a corrente vermelha, me dando passagem.
Haviam muitas pessoas, todas com roupas sofisticadas, e com bebidas caras em taças de cristal.
Eu só precisava localizar o tal Jacobs, pegar os desenhos e ir embora.
— Aceita uma bebida senhorita? – Uma garçonete morena, disse segurando uma imensa bandeja de prata, com várias taças.
— Obrigada. – Eu disse pegando a bebida.
Era de graça mesmo, eu ia aproveitar.
Então resolvi perguntar para um grupo de pessoas se eles sabiam onde o Jacobs estava.
A mulher do grupo apontou em direção a uma rodinha que se formava no centro do salão, e que eu deveria ter deduzido.
— Com licença. – Eu disse ao me aproximar das pessoas. – Marc Jacobs?
Um homem moreno, e sorridente olhou para mim.
— Sou eu.
— Sou Isabella Swan, trabalho para Edward Cullen, na Runway. Alice me mandou em seu lugar.
— Ah sim, ela me ligou avisando. – Ele sorriu. – Prazer em conhece-la. – Ele disse estendendo a mão.
— O prazer é meu. – Disse sorrindo, retribuindo o cumprimento.
— Venha, por aqui. – Ele disse, e eu o segui.
Então ele retirou de uma bolsa de couro preta uma pasta marrom.
— Estes são os esboços da minha nova coleção, pensada inteiramente na primavera. São extremamente secretas. – Ele disse piscando.
— Pode deixar que eu guardarei com a minha vida. – Disse brincando.
— Faça isso. Agora, já que está trabalhando para Edward, acho que precisa de uma bebida. – Ele disse olhando para minha taça. – Mais forte.
Então fomos em direção ao bar.
— Com licença, a garota vai querer o ponche. – Ele informou ao barman.
Ele me entregou a taça e sorriu.
— Esse é fatal. Aproveite.
Então saiu, indo se misturar a multidão.
Quando eu ia beber, um homem me interrompeu falando.
— Sabe, ele estava falando sério. – Ele disse, e eu nem havia notado a sua presença ali.
— Me desculpe? – Eu disse confusa.
— O ponche. – Ele disse apontado para minha taça. – Eles costumam batizar essas coisas, e você não parece ser uma moça que gosta de acordar na cama de estranhos.
Larguei a taça no balcão.
— Sou Jasper Hale. – Ele disse estendendo a mão.
— Isabella Swan. – Disse. Estendi a mão e me perguntei o que ele estaria querendo comigo.
— É um prazer conhecê-la. — Ele tirou um maço de cigarros do bolso de seu blazer preto e o ofereceu a mim. Eu recusei, e logo em seguida ele voltou a guardar. Seu blazer preto parecia caro e bem cortado, talvez até mesmo feito sob medida para se ajustar ao seu manequim, mas inexplicavelmente sexy, e foram seus olhos azuis que chamaram mais atenção. Azul claro. Ele tinha um estilo europeu. Cabelos loiros e cacheados. Parecia mais velho do que eu, na faixa dos trinta.
— Então, o que a trouxe a uma festa como esta, Isabella?
Era estranho eu conversar com um desconhecido, mas ele não parecia ser nenhum psicopata, então...
— Trabalho na revista Runway. Sou assistente de Edward Cullen.
— Ah, a revista Runway! – Ele disse surpreso. — Deve seu um lugar legal de se trabalhar, se está envolvida com sadomasoquismo e esse tipo de coisa. – Ele deu um gole de sua bebida. — E aí, está gostando?
Eu não tinha certeza se eu tinha ouvido direito, mas considerei a possibilidade de ele ter entendido que não era tarefa fácil trabalhar nesse meio da moda. E ele também parecia ser um homem esperto o bastante para saber que não era exatamente o que parecia ser aos que viam de fora.
— Sim — respondi, tentando parecer evasiva, mas ao mesmo tempo espontânea. — É um lugar legal. Não era bem o ramo que eu gostaria de estar, na verdade, preferia estar escrevendo, mas acho que não é um mau começo. – Disse. — E você, em que trabalha?
— Sou escritor.
— Ah, é? Isso deve ser legal. — Esperei não ter parecido tão condescendente, ou debochada quanto achei, mas era realmente maçante essa história de todo mundo em New York se intitular escritor, poeta, ator ou artista plástico.
Quando eu estava na faculdade, costumava escrever para o jornal de lá, e por um momento pensei: poxa, eu cheguei a ter um ensaio publicado em uma revista mensal, uma vez, quando estava no segundo grau. Isso me fazia uma escritora também?
— O que você escreve? – Tentei mostrar interesse.
— Bem, principalmente ficção, mas, na verdade, estou trabalhando no meu primeiro romance. — Ele bebeu mais um gole de sua bebida. — É uma história contada da perspectiva de uma jovem, sobre como foi viver neste país durante a Segunda Guerra Mundial. Sabe como é, ainda estou terminando minha pesquisa, transcrevendo entrevistas, fazendo mais pesquisas e coisas assim. – Ele fez uma pausa. — Sabe, você parece ser uma garota inteligente Isabella, gostaria de ler alguma coisa sua. – Ele disse de repente. – Este é o meu cartão, tem meu telefone e e-mail. – Ele me entregou o cartão branco, com uma caligrafia sofisticada.
Fiquei surpresa. Esse cara era um autor prestigiado, o que diabos estava querendo comigo?
— Isso seria fantástico — eu disse.
Já estava ficando tarde, eu já havia comprido a minha tarefa aqui, e estava cansada de conversar com esse estranho, embora ele perecesse muito simpático.
— Eu preciso ir. – Disse finalmente.
— Está com medo de mim Isabella? — Ele disse, lançando-me um sorriso provocador.
— Medo de você? – Sorri. — Por que eu teria medo de você? A menos que haja uma razão. — Eu não pude evitar flertar, ele tornava isso tão fácil.
— Eu a acompanho até a porta. – ele disse.
(...)
— Obrigada — eu disse formalmente, estendendo a mão. — Foi realmente um prazer conhecê-lo, Sr. Hale.
— Jasper. – Ele disse sorrindo. — Para mim também, Isabella. — Ele pegou minha mão, que por um momento pensei que ia apertar, então ele levou-a aos lábios. Até então eu havia visto isso acontecer apenas nos filmes de época. E deixou os lábios ali uma fração de segundo mais do que deveria. — Espero que nos vejamos de novo em breve.
Então me afastei, e voltei para o meu carro, sentindo que ele me observava enquanto eu dava a partida.
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