O Diabo veste terno
13 Consequências
Notas iniciais
POV Edward
O cheiro doce dela me invadia.
Virei de lado.
Ela já não estava mais aqui.
Sentei na cama, sentindo minha cabeça pesar.
Céus eu havia mesmo feito aquilo?
Olhei para o chão do quarto, os preservativos estavam ali, uma prova que a noite passada não havia sido um sonho.
Droga!
Passei as mãos pelos cabelos.
Eu precisava de uma bebida forte.
Vesti a cueca boxer, e fui até o frigobar, procurando por alguma bebida.
Whisky, gelo.
Serviria por ora.
Dei um gole, e me sentei na pequena poltrona de couro.
Minha mente estava confusa, eu precisava esvazia-la.
Dei mais alguns goles até meu olhar se perder na janela.
Eu não posso ter nada com Bella.
Droga, eu já estou a chamando pelo apelido! – Minha consciência me alertou.
Não.
Eu não posso ter nada com Isabella.
Isso, bem melhor.
Mas em que diabos eu estava pensando para beijá-la?
Para leva-la para cama?! Cristo!
Meus pensamentos estavam começando a me corroer.
Ficar sentado não estava me ajudando em nada.
Levantei-me bruscamente, dando voltas pelo tapete persa da suíte.
Isabella é tão diferente de mim...
Tão cheia de vida, tão alegre...
Tão linda.
Para! Para agora de pensar nela!
Você é CEO da Runway, a revista mais aclamada e respeitada dos EUA.
Já não basta a dor de cabeça que tive com Tanya.
Tudo bem, nem todas as mulheres são como ela, mas mesmo assim...
Não.
Você não pode perder tempo com nada além da sua revista.
Tá, é claro que eu não pretendo ficar sozinho para sempre.
Eu também quero ser amado por alguém.
Um dia.
Amado por Bella?
Olha você de novo a chamando pelo apelido!
E além do mais, ela tem a merda de um namorado!
Apoiei o copo na mesa, e deixei meus olhos se perderem na vista da janela, eu precisava tirar Isabella da minha cabeça.
POV Bella
Desde o momento que eu havia voltado para o meu quarto, não consegui dormir. Tudo que eu havia feito desde que cheguei, foi chorar.
Eu estava me sentindo tão confusa, tão atormentada por tudo que havia acontecido.
Eu não conseguia parar de pensar em Edward, em seu toque ao meu corpo, do jeito que ele havia me beijado... do seu olhar no meu.
Como eu fui estupida!
Isso estava errado.
Muito errado.
Meu Deus, e Jacob? Como eu pude fazer isso com ele?
Voltei a sentar na poltrona do quarto, as lagrimas me invadindo novamente.
Então olhei para o relógio de cabeceira. Eu não havia notado que as horas haviam passado tão rápido.
Tomei um banho, e me vesti. Olhei no espelho, meu rosto estava um pouco inchado de chorar, então notei algumas marcas roxas no meu braço.
Droga, ele havia me marcado.
Eu não podia mais adiar. Eu tinha que enfrenta-lo.
Coloquei um óculo escuro e desci.
(...)
Eu estava sentada na mesa, olhando para frente do salão. Estava cheio de pessoas, gente rindo, conversando, bebendo. Então vi meu chefe sair do elevador.
Ele também usava óculos escuros.
Meu coração começou a acelerar.
Ele se sentou na mesa, e não disse nada.
Então ele olhou em minha direção.
— Nosso voo foi adiantado. Preciso que ligue no escritório da Banana Republic e avise que precisaremos adiantar a reunião das 11 horas para agora. Nosso voo será às 08:30.
Balancei a cabeça sem dizer nada.
Ele olhou para frente sem me encarar, e por um momento fiquei aliviada por ele não tocar no assunto da noite passada.
— Arrume suas coisas, saímos em 15 minutos.
Então ele se levantou da mesa e pegou o elevador.
(...)
— Tudo certo, espero que façam uma boa viajem – James disse simpático apertando minha mão.
— Obrigada. – Agradeci.
— Bom retorno Eleazar disse ao meu chefe.
Ele deu um aceno com a cabeça.
A reunião foi rápida, Edward apenas teve que ler o contrato, assinar alguns papeis, e autenticar as copias no cartório. Depois pegamos o taxi, e retornamos para o hotel. Ele não disse nada durante o curto trajeto, e eu não sabia se isso seria um bom sinal. Para falar a verdade, eu não sei se queria que ele tocasse no assunto.
Minhas malas já estavam arrumadas, e o taxi nos esperava para nos levar ao aeroporto. Finalmente retornaríamos para New York, mas as horas de viajem no avião estava me deixando tensa. Eu passaria mais 8 horas e meia com o meu chefe.
(...)
VOO 180 PARA SAN FRANCISCO.
VOL 180 POUR SAN FRANCISCO.
サンフランシスコへのフライト180。
Depois de anunciarem nosso voo, embarcamos.
Edward para variar, estava em seu telefone conversando com alguns de seus assessores.
(...)
Novamente eu estava sentada na primeira classe, e depois de nos sentarmos em nossas poltronas, pela primeira vez Edward me dirigiu a palavra.
— Quer se sentar na janela? – Ele perguntou educado.
— Claro, obrigada.
Ele deu um pigarro.
— Isabella — ele olhou para mim.
Me virei para olha-lo.
— Sim?
— Eu...
— Edward Cullen! – De repente uma voz feminina nos interrompeu.
Inferno, justo agora quando ele ia me dizer algo!
Edward olhou para mim fazendo uma careta.
— Ah, olá Athenodora. – Ele disse sem esconder seu desanimo.
— Não acredito que o encontrei aqui, que coincidência! – Ela disse sorrindo para ele.
— Claro, muita coincidência. – Ele disse revirando os olhos impaciente. – Isabella, essa é Athenodora, ela trabalha na equipe de marketing da Gucci. Athenodora, essa é Isabella, minha assistente Junior. – Ele nos apresentou.
A mulher estava usando um sobretudo elegante com meia calça, tinha os cabelos loiros tingidos em um elegante coque.
Ela me deu um sorrisinho falso.
— Você se incomodaria de trocarmos de poltronas? Eu preciso muito conversar com Edward.
Por um momento considerei dizer não aquela estranha. Mas pensando bem, seria melhor as coisas ficarem do jeito que estavam entre nós.
— Mas é claro, sem problemas. – Disse lançando um sorriso a ela.
Edward me fuzilou.
Cry baby.
Fui me sentar em seu lugar, estava apenas a três cadeiras das nossas.
Ela estava vazia, então eu me sentei na janela. – de novo.
O avião iria decolar, os alto falantes do avião avisaram que todos colocassem os cintos e desligassem todos os aparelhos eletrônicos.
(...)
Mas que inferno, o que tanto essa mulher falava? Desde que havíamos decolado essa matraca oxigenada não parava de falar.
Blablabla...Edward...Blablabla...Precisamos sair qualquer hora...
De repente pulei para poltrona vazia, e olhei para trás para espia-lo.
Ele estava olhando para cima, e tinha uma expressão muito irritada no rosto.
Segurei o riso.
Ele estava fodido de raiva.
Depois a comissaria de bordo veio trazer minha refeição, então depois de algum tempo acabei dormindo.
(...)
Acordei sobressaltada, ainda estávamos voando.
Me espreguicei na minha poltrona, e ao olhar para o lado quase tive um treco.
Edward estava sentado do meu lado.
— E-Edward. – Disse gaguejando. – Cadê a Athenodora? – Disse confusa.
— Dormindo – ele disse olhando para trás, então voltou a olhar para mim. – Achei que não iria me livrar mais dela. Alias, muito obrigado por isso! – Ele disse irritado.
Segurei o riso.
— Há quanto tempo estamos voando? – Disse dando um bocejo.
— Umas cinco longas horas. – Ele disse ainda irritado. – Estava quase pedindo para ir na classe econômica. – Ele olhou para mim.
Não consegui segurar o riso.
— Não consigo te imaginar na classe econômica. -Disse. – Você não duraria cinco minutos.
Ele pareceu recuperar o humor.
— É tão ruim assim? – Ele disse.
— Não. – Ri. – Fora o conforto, a comida e os mimos que se tem aqui, é igualzinho.
— Ah claro.
Depois fiquei olhando o cardápio, e estávamos decidindo o que pedir para comer.
Algum tempo depois, trouxeram nossas refeições. Eu havia pedido um bife grelhado com legumes, Edward pediu um carpaccio de filé mignon.
Depois ele ficou no seu notebook, e em algum momento adormeci.
(...)
— Acorda Bella Adormecida. – Senti alguém me cutucar.
Edward estava a centímetros do meu rosto.
— Chegamos.
(...)
Acho que nunca me senti tão cansada em toda minha vida!
Depois de finalmente chegarmos, Edward disse que precisaríamos passar na Runway, ele parecia ter recuperado o mal humor de sempre. — É claro que ele ainda não havia me perdoado por deixa-lo com aquela loira oxigenada. — Nesse meio tempo, eu apenas contava os minutos, que pareciam se estender, e depois que ele finalmente ficou por lá mesmo. — Por que de alguma forma ele é um obcecado pelo trabalho, e não consegue se desligar. – FELIZMENTE fui dispensada, então, o motorista dirigiu até a minha casa, e assim eu poderia descansar, e quem sabe, passar um tempo com Jacob.
(...)
Eu estava sentada no sofá da sala, tentando decidir se deveria ir até o Walmart comprar ingredientes para uma lasanha, ou se eu deveria pedir uma pizza.
Enquanto eu pensava decidi que eu precisava tomar um banho, isso sempre me ajudava pensar.
(...)
Decidi passar no mercado, e como eu havia chegado mais cedo, iria passar no apartamento de Jacob, assim eu poderia cozinhar em seu apartamento.
Tentei ligar para ele desde que cheguei, mas só caiu na caixa postal, mesmo assim deixei mensagens avisando que estaria lá quando ele chegasse do trabalho, pois eu tinha uma cópia da sua chave.
(...)
Estacionei o carro em frente ao pequeno prédio, e percebi que as luzes estavam acessas e achei estranho, afinal Jacob só chegaria dali meia hora.
Passei pelo porteiro, um senhor de uns 60 e poucos anos e lhe desejei boa noite. — E ele me deixou de ar.
Subi às escadas, e quando fui tentar destrancar a porta, percebi que a mesma estava destrancada, porém pela fresta abaixo era possível ver que as luzes lá dentro estavam acessas.
Ai Jesus Cristinho, será que alguém havia invadido a casa?
Cagando de medo, e temendo por encontrar Jason o estripador no caminho, abri a porta cautelosamente.
— Jacob? – Uma voz feminina veio de seu banheiro.
COMO ASSIM?!
Respirei profundamente tentando assimilar o que estava acontecendo.
Eu cheguei, e tem uma estranha no apartamento do meu namorado.
Ele não está em casa, mas está para chegar.
Jacob está me traindo. — De repente senti lagrimas se formarem em meus olhos.
A mulher então apareceu só de toalha enrolada em seu corpo, tinha a pele luminosa avermelhada, cabelo longo e preto, e olhou com os olhos escuros arregalados assim que me viu.
Antes que ela abrisse a boca para dizer algo, fechei a porta com força, e desci furiosamente pela escadaria do prédio.
Eu não podia acreditar que isso estava acontecendo.
Quando eu estava no meio do caminho, senti algo agarrando meu braço.
— Bella! – Jacob disse vindo ao meu encontro, ele tinha uma expressão de pânico no rosto.
Cachorro.
— Me larga! Eu não quero ver sua cara!
Corri para o meu carro, novamente senti ele me pegar nos braços.
— Bella, por favor! – Ele disse desesperado.
— Me deixe em paz! – Eu disse limpando as lágrimas do rosto enquanto entrava no carro e dava partida.
(...)
Quando eu havia destrancado a porta, Jacob apareceu.
Mas que merda! Devia ter avisado o porteiro.
Como ele chegou aqui tão rápido?
— Jacob, qual a parte do “eu não quero ver sua cara” você ainda não entendeu?!
— Bella, eu estou implorando, deixa eu entrar para conversarmos! – Ele disse suplicante.
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo.
— Acha mesmo que existe alguma forma de você me explicar tudo isso? — minhas lágrimas ainda estavam em meu rosto, e eu as amaldiçoei por isso.
Jacob olhou para o chão e passou as mãos em seus cabelos nervosamente e com cara de cachorrinho que acaba de cair da mudança.
— Bells, você está nervosa, vamos entrar para podemos conversar.
— Não Jake, não só não podemos como não temos nada para conversar! – Eu comecei a fechar a porta.
Ele empurrou a porta com força, e quando eu finalmente cansei dessa batalha (ao qual eu sabia que não venceria), desisti e deixei-o entrar.
— Tudo bem. – Eu disse suspirando. — Quem é ela? Há quanto tempo você...? — minha voz estava embargada e senti que falhava antes que eu conseguisse terminar de formar a frase.
Jacob deu um suspiro pesado.
— O nome dela é Emily Young. Ela começou a trabalhar comigo há algumas semanas. – Ele disse. — Eu fiquei encarregado de treiná-la na cozinha e fomos ficando mais próximos... E como você foi ficando cada vez mais ausente, eu comecei a me sentir solitário.
Apertei os olhos, eu não podia acreditar no que estava ouvindo.
Ele estava me culpando?
Ele continuou.
— Aos poucos a proximidade que era profissional, foi se tornando uma atração física. Sabe, você sempre tinha algo para fazer no escritório, nunca está presen...
— É o meu trabalho! – Disse irritada, as lagrimas escorrendo pelo meu rosto.
— Qual é Bella, desde que você começou a trabalhar nessa revista, eu mal a vejo! – Ele disse esbravejando. — E então naquele dia que você teve que ir na Rauph Lauren depois do seu expediente, saímos para tomar umas cervejas e acabamos trocando uns beijos, e então isso foi se repetindo várias vezes quando saíamos do restaurante. – Ele suspirou. — Eu não imaginei que justamente hoje você resolveria vir no meu apartamento, já que as vezes eu juro que penso que você se mudou para aquela droga de revista! — Ele terminou tudo e cada palavra dita dilacerava ainda mais meu coração.
Como ele podia falar sobre uma traição consentida tão descaradamente e com absurda naturalidade?
Minha tristeza foi dando lugar à raiva, e à medida que ia me recompondo, as lágrimas que ele não merecia começavam a secar.
— Como você tem coragem de falar sobre isso tão naturalmente?
Ele passou novamente as mãos no cabelo.
— Eu sei que isso soa horrível Bella, e eu não sei como dizer o quanto sinto muito! Mas eu te amo!
— Jacob, por favor! – Eu disse.
Se não fosse a minha culpa por ter traído ele também, eu juro que eu metia a mão na cara dele.
Calma Bella, você não está com tanta moral assim.
Respira. Inspira.
Mais uma vez.
Respira. Inspira.
— Jacob. – Eu tentei soar calmamente. – Eu realmente estou muito cansada agora, e sem cabeça para falar sobre toda essa merda.
— Mas Bella eu...
Senhor, me dê paciência.
— É sério Jacob, eu estou controlando minha mão para ela não sair voando na sua cara, então, por favor, vá embora, depois conversamos. — Respirei profundamente.
Ele balançou a cabeça, finalmente entendendo que eu não queria conversa.
Então ele foi para porta.
— Bella...
Fechei a porta, e me encostei nela.
Passei as duas mãos pelo meu rosto.
Inferno!
Eu precisava falar com alguém.
Peguei meu celular.
(...)
— Não acredito que aquele cachorro fez isso!—Rosalie disse indignada. — Mas Bella, essa sua história com seu chefe também não soa nada bem...Como você está?
— Ah Rose, você não faz ideia de como isso está me torturando. – Disse desabafando.
— Acho que você precisa esfriar a cabeça e pensar com calma e racionalmente. – Ela disse, e por um momento pareceu minha mãe. — Eu sei que isso tudo é horrível, e eu nem sei como reagiria se meu ursinho me traísse. Bem, talvez eu o assassinasse...- Ela parou por um momento.— Mas de qualquer forma eu acho que você deve dar um tempo, e pensar muito bem antes de tomar qualquer decisão.
Rosalie era a minha melhor amiga, desde o meu primeiro ano na faculdade, quando a encontrei chorando perto de refeitório, depois dela ter sido chutada pelo seu ex. Ficamos inseparáveis desde então, não tínhamos segredos entre nós, ela era como uma irmã que eu nunca tive.
Depois acabei encerrando o assunto, e ela me desejou “melhoras” e “Não esquente a cabeça com o cachorro”.
Então naquele momento eu estava olhando para o teto do meu quarto, e isso estava começando a me irritar.
Me levantei e sai do meu prédio.
Rosalie tinha razão, eu precisava esfriar a cabeça.
(...)
Depois de ter andado a pé por três quarteirões eu me dei conta que ainda usava o sapato de salto alto.
Pensei em voltar para casa, mas eu sabia que se fizesse isso eu acabaria desistindo de sair de novo, e eu não queria voltar.
Agora não.
Tirei os saltos, e continuei andando.
Sim, eu estava descalça andando sem rumo nas ruas de New York.
Só assim eu teria minha paz de espírito e poderia organizar meus pensamentos, classificá-los e ... eu não sei, apenas ficar sozinha.
Era o que eu precisava.
Jacob estava me traindo há algum tempo pelo que ele disse, e eu nem sei como lidar com isso.
Eu também o traí, mas isso foi diferente, foi no calor do momento e eu não estava no meu melhor estado de espirito.
Será que valia a pena jogar tudo fora agora?
Eu poderia perdoa-lo por isso? Eu realmente poderia?
À medida que eu andava, senti alguns olhares vindo em minha direção.
Já era fim de tarde, e estava começando a esfriar, e eu não estava usando nada além de uma blusa de mangas curtas e uma saia caqui.
De repente parei de andar.
Eu não havia dado conta que estava em frente ao prédio da Runway.
Cacete, de todos os lugares que o meu cérebro e pernas poderiam me levar, eu venho justo aqui!
Comecei a olhar o prédio.
Eu acho que nunca parei realmente para observa-lo de perto. Era tão grande e moderno. A arquitetura era antiga, mas de alguma forma moderno.
Senti uma mão no meu ombro, e me assustei.
Edward Cullen olhou para mim, com seus olhos verdes e profundos.
Ele ainda estava aqui?
— Você está bem? — Ele me perguntou um pouco preocupado e espantado ao mesmo tempo de me encontrar aqui. – Seu expediente é só na segunda feira. – Ele disse, e acho que ouvi um tom divertido em sua voz.
— Sim ... sim tudo ... bem. — Eu murmurei, ainda confusa ao vê-lo aqui.
— Acho que deveria usar roupas mais quentes, mal saímos do inverno. — Ele tirou o blazer azul marinho e me entregou.
— Obrigada. — Eu disse baixinho, vestindo seu blazer.
Senti que ele me olhava.
— Você não está usando sapatos. — Ele disse franzindo a testa.
Ah que saco, me deixa em paz.
Mastiguei meu lábio inferior.
Ele deu um pigarro.
— Vamos entrar antes que você congele até a morte.
Revirei os olhos.
Ele colocou uma mão nas minhas costas e me direcionou para dentro do prédio. Pegamos o elevador. Tentei ignorar o olhar das outras pessoas enquanto eu o seguia em silêncio, e discretamente inspirava seu cheiro no blazer.
Ele me levou a uma das poltronas de couro preto e depois se sentou em sua costumeira cadeira.
— Então Isabella, o que você está fazendo aqui depois de eu já ter te dispensado? Você não tem mais o que fazer? — Edward perguntou calmamente enquanto tomava um gole de sua bebida, e me olhou.
Minha vontade foi dizer que não era da porra da conta dele, e que ele deveria cuidar da própria vida.
Mas ele tinha me dado seu casaco, e isso foi um gesto muito gentil.
Comecei a reparar em suas roupas. Ele usava apenas uma camisa social branca por baixo de um suéter cinza claro, que mostrava claramente seus músculos e seu torso fascinante. Seus braços bonitos e musculosos que se destacavam claramente me fizeram sorrir por dentro. Seus bíceps se apertavam um pouco, mas eram sexy como o inferno. Este homem era fodidamente sexy.
— Você vai me responder, ou prefere continuar me comendo com os olhos? — Ele disse tomando outro gole de sua bebida.
Senti meu rosto queimar.
— Sabe, você não precisa me dizer, se não quiser — ele disse suavemente sobre os lábios curvados.
— Está usando psicologia reversa? – Disse levantando uma sobrancelha.
Ele deixou um sorriso escapar pelos lábios.
Após uma breve hesitação, decidi apenas contar a ele.
(...)
— ...E depois tivemos uma briga. E eu não sei como lidar com isso. – Disse por fim.
Ele levantou as sobrancelhas.
— E é por isso que estava andando descalça por aí. – Ele disse concluindo.
Balancei os ombros.
— Você deveria falar com ele novamente. — Ele disse. — Vocês se conhecem há muito tempo pelo que me contou. – Ele disse me encarando. — Se você ainda tem... sentimentos por esse tal...- Ele parou.
— Jacob. — disse.
— Claro, Jacob, que seja.- Ele disse indiferente. — Você deve colocar na balança o que realmente importa e dar prioridade sobre seus sentimentos. Se achar que ainda não consegue lidar com toda essa situação, que ainda precisa de algum tempo para pensar, então apenas se dê esse tempo. Ele entenderá, especialmente se ele realmente gosta de você.
Olhei para Edward sem palavras.
Era ele mesmo?
Quem pensaria que meu chefe poderia ser tão gentil. E assim poderia dar bons conselhos e, acima de tudo, sua mera presença poderia me fazer sentir melhor.
— Acho que você está certo. – Disse por fim.
— É claro que estou. – Ele disse dando um sorriso convencido.
Fiz uma careta.
— Obrigado Edward. Mas acho que vou adiar a conversa. Foi demais para mim hoje – murmurei.
— Sim, você é boa em adiar conversas. – Ele disse torcendo a boca.
Fingi que não era comigo.
De repente, meu estômago roncou e eu olhei para Edward com vergonha.
— Acho que já estou a tempo demais aqui. — Ele disse se levantando. — Você precisa comer, e eu também. — Ele sugeriu com um sorriso.
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