O Diabo veste terno
14 Quente e frio
Notas iniciais
POV Bella
Edward estava dirigindo há algum tempo. Ele disse que iriamos em um restaurante. A princípio pensei em recusar seu convite, mas estava com fome demais para me negar uma refeição.
E talvez isso fosse me distrair.
Ele mantinha uma música suave em volume baixo, não reconheci a melodia.
— Por que estava até agora na Runway? -Perguntei a ele. Ele olhava para frente atentamente, e quando pensei que fosse me deixar de ar, respondeu.
— Precisei assinar alguns contratos pendentes, e sim, poderia esperar até segunda-feira, mas até lá tenho infinitas planilhas para analisar, dezenas de fotos e artigos para separar, e acho que está a tempo suficiente na Runway para perceber que o trabalho nunca tem fim. – Ele disse me olhando por um momento, e depois voltou a olhar para frente.
Pensei por um breve momento.
— Não entendo. – Disse.
— O que? – Ele perguntou.
— Você tem tantos funcionários, por que exatamente precisa fazer esse tipo de coisa, quero dizer, isso tecnicamente seria trabalho do departamento gráfico, não?
Olhei para o lado, ele deu um sorriso torto.
— Touché sra. Swan. — Ele disse. – Mas há certos trabalhos que só são satisfatórios quando é você mesmo quem faz. Afinal é como dizem: “o olho do dono que engorda o gado.”
Filosofia interessante.
Então depois de um tempo ele parou o carro.
— Chegamos.
Paramos em frente a um sofisticado restaurante, “Carbone.” — que a julgar pelo nome deveria ser italiano. — E caro.
Edward desceu do carro, acho que para se adiantar.
Quando eu ia abrir a porta, surpreendentemente foi ele quem abriu.
(...)
— Já estão prontos para pedir? – Uma garçonete de uns vinte e poucos anos perguntou, olhando apenas em direção a Edward.
Eu ainda olhava o meu menu.
— Isabella? – Ele me perguntou.
— Vou comer um canelone. – Disse.
— Vitela com aspargos, canelone...- De que? – Ele perguntou.
— Hmmm. -Olhei para o cardápio novamente. – De espinafre e queijo Brie.
— Deseja mais alguma coisa? – Novamente ela olhou apenas para ele.
Não sei por que, mas a pergunta soou com duplo sentido.
Só acho.
— Uma garrafa de Domaine Sarragousse Coteaux D´aix en Provence. — Ele completou em um Frances impecável. — Isso é tudo. – Ele disse sem olhar para ela, estava olhando em minha direção.
A mulher fez uma cara um pouco insatisfeita e se afastou da nossa mesa.
Disfarcei um riso.
— Como entende tão bem sobre vinhos? – Perguntei enquanto pegava um pãozinho e o mordiscava. Ele mostrou esse talento durante nossa viajem, o que me fez questionar.
Ele deu de ombros.
— Apenas me baseio sobre os meus gostos. – Ele disse. – Tudo tem a ver com a harmonização. Por exemplo, alimentos mais cítricos combinam com um vinho branco. Eu poderia sugerir um Domaine Eric Dampt Vieilles Vignes 1999, que também harmonizaria muito bem com peixes e frutos do mar. Já pratos mais apimentados...- Ele disse pegando um pãozinho da cestinha como eu havia feito, cortando um pedaço com os dedos. – Combinam com vinhos mais adocicados. Eu diria um Château Troplong Mondot Grand Cru Classé Saint-Émilion.- Então colocou um pedaço do pão na boca, e completou. — Vinhos tintos tendem a ser mais doces.
— Impressionante! – Disse. – E esse que você pediu agora?
— É um Rosé. Vai harmonizar muito bem com os nossos pratos.
— Não sabia desses seus talentos. – Disse. – Pensei que era o sommelier quem indicava essas coisas.
— E é. – Ele disse colocando o pão de lado. – Na verdade aprendi isso com meu pai. – Ele pareceu perdido em pensamentos por um momento.
Sua expressão mudou, ele parecia... Triste?
— Tudo bem? – Perguntei.
— O que? -Ele pareceu voltar a realidade. Então deu um pigarro. – Sim, claro. É que pensar em Carlisle é... – Ele deu um suspiro.
Então me toquei.
Ai como sou asna!
— Me desculpe Sr. Cullen, eu não sabia...Eu...
— Tudo bem. -Ele disse levantando a mão. – E já disse que pode me chamar de Edward.
— Sinto muito. – Disse.
Edward deu um aceno.
Então nossos pedidos chegaram.
(...)
— ...Então foi por isso que resolveu estudar Grego? – Ele disse abismado enquanto dirigia para me levar para casa.
— Foi o que eu disse. – Disse dando de ombros, e ele riu.
A chuva lá fora, transformou a cidade em uma névoa. Só então comecei a perceber que estávamos indo rápido demais, apesar disso, o carro se movia com tanta uniformidade e calma que eu nem estava sentindo a velocidade. Somente quando eu via as imagens borradas através do vidro, que eu comecei a reparar.
Ele era um lunático no trânsito.
— Aposto que sabe falar vários idiomas. – Provoquei.
— Não tantos quanto gostaria. – Ele deu de ombros. — Mas atualmente, além do Inglês é claro, sei Francês, Italiano, Espanhol e me arrisco em dizer que falo Português.
Poxa, isso é bastante.
Isso me fez sentir uma batata.
Então reparei no som baixinho que tocava, desta vez reconheci a melodia.
— Clair De Lune? – perguntei feliz por saber o nome da música.
— Você conhece Claude Debussy? – Ele perguntou.
— Não muito — admiti. — Mas quando morava com Reneé, eu sempre a ouvia tocar músicas clássicas em casa. Essa era uma das minhas favoritas.
— É uma das minhas favoritas também — ele olhou para mim, então sorriu.
Por um momento estávamos em silencio, apreciando apenas a melodia tranquilizadora no carro, enquanto a chuva continuava a cair.
— Como é sua mãe? – Ele perguntou de repente quebrando o silencio.
Me ajeitei no banco do carro.
— Ela é muito parecida comigo, mas é mais bonita — eu disse.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Eu acho que me pareço mais com meu pai, Charlie. Minha mãe é mais espontânea e divertida, as vezes irresponsável e um pouco excêntrica...- Disse sorrindo. – E eu diria que uma cozinheira um tanto criativa e imprevisível. – Disse me lembrando das várias experiencias durante a minha infância e adolescência. – Ela é minha confidente e melhor amiga. – Disse por fim.
As vezes quando eu pensava em minha mãe, me batia uma tristeza. Era tão mais fácil quando morávamos juntas.
Então me senti no direito de lhe fazer uma pergunta.
— Por que escolheu trabalhar com o ramo de moda? – Disse.
Ele ainda olhava para frente.
— Meu pai começou a empresa. Ele queria criar uma revista na qual tendência e sofisticação pudessem andar juntas. Mas ele não queria apenas criar uma revista de moda. Não. – Ele disse. — Ele queria inovar esse setor também. Carlisle era muito visionário. – Ele disse, e eu podia ouvir em sua voz o quanto ele idolatrava o pai. — Antes da Runway se tornar o que ela é hoje, ele teve muito trabalho. – Ele parou de falar por um momento. Quando pensei que fosse encerrar o assunto, ele continuou. — Ele queria criar uma empresa onde pessoas pudessem trabalhar em diversos setores, e isso fez com que mais tarde ele necessitasse de funcionários com habilidades diferentes, e assim ele compôs o seu primeiro time que levou a Runway ao mercado da moda, e mais tarde ele consolidou aquilo que imaginou.
— Então você e Alice estão na Runway para continuar o trabalho do pai de vocês? – Conclui.
— Basicamente sim. Alice estudou moda pensando em trabalhar na empresa.
— E você não? – Perguntei confusa.
— No começo não. E depois que tive que assumir a responsabilidade, eu não sabia se conseguiria dar procedimento.
— Por que? – Perguntei.
Eu não conseguia imaginar ele não conseguindo fazer qualquer coisa.
— Na época em que eu assumi a Runway, eu me senti muito pressionado. Era todo o trabalho do meu pai, e eu não estava preparado para assumir tanta responsabilidade. Eu não sabia nada do que sei hoje. Eu jamais havia trabalhado com qualquer ramo. Eu havia acabado de concluir a faculdade de administração, e não era o ramo em que eu pensava em trabalhar. Posso dizer que foi um exaustivo processo evolutivo profissional.
Então finalmente ele parou o carro em frente ao meu prédio. – E eu ainda continuava com seu casaco.
— Obrigada pelo jantar. – disse. – E por me ouvir.
— Foi um prazer Isabella.
— Pode me chamar de Bella. – Disse.
Ei, de onde veio isso?
— Gosto de te chamar de Isabella. – Ele disse.
Senti minhas bochechas corarem.
Dei uma última fungada em seu casaco.
Ele tinha o seu cheiro. A chuva havia parado.
Comecei a tirar o casaco para devolver a ele.
— Até segunda. – Eu disse, e me virei para abrir a porta.
— Isabella? – Ele me chamou. — Eu me virei para olha-lo e ele estava inclinado na minha direção, seu rosto glorioso á apenas alguns centímetros do meu.
Senti meu coração acelerar.
— Tenha uma boa noite — ele disse e me deu um sorriso torto.
Sua respiração soprou em meu rosto, me deixando fascinada.
Era o mesmo cheiro que exalava em seu casaco.
Eu pisquei tentando me recompor, então ele se afastou.
O que eu ia fazer mesmo?
Ah é, sair do carro.
Sai toda desengonçada do carro como se estivesse bêbada.
E eu posso jurar que ouvi uma risada, antes dele ligar o motor e dar partida.
(...)
Depois do fim de semana sozinha e deprimida, segunda-feira finalmente havia chegado e bateu a minha porta. Eu não queria abrir, mas fui obrigada a fazer porque o trabalho exigia.
Com um suspiro pesado, levantei da cama.
Depois de um banho não muito demorado como gostaria, abri meu closet. Estava parada em frente a ele, decidindo o que vestir. Eu gostava de usar calças grossas de lã com padrões diferentes, além de blusas longas e botas macias. Mas hoje eu queria parecer bem. Então, eu coloquei uma meia calça preta, um cardigã cinza-claro, uma saia preta que cobria metade das minhas coxas e uma jaqueta bege no final, que terminou no mesmo nível da minha saia. Combinei a roupa com botas pretas e uma bolsa na mesma cor dos meus sapatos.
Antes de sair do meu quarto, olhei pela janela e automaticamente meu rosto desmoronou.
Estava chovendo.
(...)
Enquanto dirigia, tentei pensar sobre o que Edward havia dito. “Colocar na balança o que realmente importa” e “dar prioridade sobre meus sentimentos”.
Tinha sido uma conversa muito madura aquele dia, apesar de tudo que havia acontecido antes. Ele foi muito atencioso com toda a situação. E o nosso jantar na sexta-feira foi muito agradável.
Jacob havia me ligado no mínimo umas 30 vezes durante o final de semana, e claro que fiz questão de ignorar todas as suas ligações.
Antes de parar no semáforo, meu celular começou a vibrar.
— Edward vai se atrasar, mas acho bom você se adiantar e vir logo. – Victória falou em seu tom arrogante de sempre. — Quero que pegue três expressos descafeinados, sem açúcar. No caminho passe na Hermès e pegue as caixas das encomendadas.
Então ela desligou.
Pelo visto seria mais um daqueles dias.
(...)
Estacionei em frente ao prédio da Runway, com cuidado para os copos de cafés não virarem em mim, e com a outra mão segurava as encomendas da Hermès.
Quando cheguei ao meu andar, apenas Victória estava em sua mesa, digitando algo no computador.
— Bom dia. – Disse me sentando em minha mesa.
Ela olhou para minha cara, e fez uma careta, como aceno.
Peguei os cafés, e coloquei no escritório de Edward, ele ainda não havia chegado. Assim que me virei, dei de cara com ele.
— Bom dia Isabella. – Ele me cumprimentou.
— B-bom dia. – Gaguejei nervosa.
Eu odiava ser pega de surpresa. Ele me deu apenas “bom dia” e eu não conseguia reagir sem gaguejar.
Ele parecia de bom humor, o que era raro, principalmente pela manhã. Então meus olhos correram pelo seu corpo. Ele estava vestindo um suéter cinza claro, um sobretudo bege, e uma calça jeans escura e sexy como inferno. Eu estava parada no meio do seu escritório, e apenas quando Alice entrou abruptamente em seu escritório sai de meu transe.
— Bella! – Ela disse animada. — Como vai?
— Bem Alice. – Disse.
— Como foi a viagem? Você gostou de San Francisco? Você viu a ponte, ela é linda né? O voo foi cansativo? Precisamos...
— Alice, acho que agora não é hora de bombardear Isabella com tantas perguntas. – Edward disse interrompendo Alice, que fez uma careta.
Então ela olhou para mim, e depois para Edward.
— Hey, vocês dois combinam!
O QUÊ?!
Edward e eu nos olhamos, e em seguida olhamos para Alice.
— As suas roupas. – Ela disse. – Elas combinam!
Só então notei que nossas roupas tinham as mesmas tonalidades: Cinza claro, bege e preto. Ela tinha razão, elas combinavam, e isso me fez sorrir.
Edward deu um pigarro.
– Preciso dos esboços que você fez para a edição de primavera. — Ele disse mudando de assunto. — Isabella, ligue para Jane, e peça para ela enviar as fotos em meu e-mail agora, e depois preciso que ligue para Harry e peça para ele passar em minha sala.
— Tudo bem Sr. Cullen.
Voltei para minha mesa, para fazer as ligações.
(...)
A hora estava passando rápido, o que era incomum em uma segunda-feira. Tive que colocar meu celular no silencioso, por que Jacob começou a me ligar insistente, e ele sabia que eu estava trabalhando, o que era muito sem noção da parte dele.
O que ele esperava?
Que eu atendesse seus telefonemas assim, no meio do meu expediente? Acho que o final de semana o ignorando não foi o suficiente para ele entender que eu não queria conversar com ele.
Na hora do almoço, estava me sentindo com o estomago embrulhado, então apenas peguei uma maça, e sai do refeitório.
Resolvi caminhar um pouco pelo centro. – Não muito distante do prédio, afinal Edward era imprevisível, e ele poderia me ligar a qualquer momento dizendo que teríamos alguma reunião urgente, ou me pedindo para ir em qualquer lugar.
E para ele não importava que fosse meu horário de almoço.
Quando estava na metade da esquina, senti algo segurar meu braço.
— Bella. – A voz rouca de Jacob me pegou de surpresa.
Eu não esperava o encontrar aqui.
— Jacob! O que acha que está fazendo aqui? – Disse irritada.
— Bella, por favor, precisamos conversar!
Então reparei em seu rosto, ele parecia magro e com olheiras profundas.
Merda, ele estava péssimo, e isso fez meu coração afundar.
— Jacob, eu...
— Por favor Bella. – Ele implorou. – Me dê uma chance.
Olhei para ele, e por um momento não consegui raciocinar direito.
Ele estava ali na minha frente, implorando, e eu ainda carregava a culpa por tê-lo traído também, o que nessas circunstancias me fez me sentir ainda mais mal por toda aquela situação.
— Tudo bem. – Disse suspirando. — Hoje, depois do meu trabalho eu passo no seu apartamento para conversarmos. – Disse.
Ele me olhou e deu um sorriso. – Vou ficar te esperando.
(...)
Depois do almoço, e de ter encontrado Jacob inesperadamente na rua, minha cabeça ficou confusa.
Ele estava tão mal.
Eu nunca o vi assim, e saber que eu era responsável por isso só faziam as coisas piorarem.
Tudo bem, ele também tinha uma imensa parcela de culpa, mais ainda assim...
— ...Você ouviu o que eu disse?
De repente a voz de Edward me fez voltar para realidade. Então percebi que varias pessoas olhavam em minha direção, Edward estava parado em frente à minha mesa, e eu não havia ouvido sequer uma palavra que ele havia dito.
— Desculpe Sr. Cullen, eu não...
— Estava prestando atenção que eu disse? Sim, percebi. – Ele disse em um tom seco. – Espero que agora esteja me ouvindo. – Ele disse me encarando.
Engoli em seco.
Apenas balancei a cabeça.
— Alice teve que ir até Syracuse, então Victória está no departamento gráfico agora. – Levantei a cabeça e olhei em sua mesa, eu não havia percebido sua ausência. — E eu preciso de uma de minhas assistentes comigo durante a reunião.
— Reunião...
— Financeira. – Ele me informou. – Convoquei alguns assessores e preciso que anote algumas pautas da reunião. Isso é tudo.
(...)
Já havia um tempo que Harry Clearwater estava falando, ele estava explicando sobre o balanço do mês, e sobre todos os gastos e retorno que haviam entrado para revista.
Era a primeira vez que eu participava desse tipo de reunião, já que era sempre Victória que era responsável por esse tipo de coisa.
—... E em comparação ao mês passado, com os últimos balanços financeiros que foram feitos, tivemos um aumento de 23% sobre os lucros da revista, o que mostra que tivemos um aumento de 7% a mais sobre os meses anteriores.
— Obrigada Sr. Clearwater. – Edward disse em seu tom formal. – Isso mostra que nossos patrocinadores, e investidores estão no rumo certo. Terei uma reunião na quinta com um dos assessores da Gucci, e na sexta feira falaremos sobre todos os pontos discutidos. Isso é tudo.
Então ele apenas encerrou a reunião, e as pessoas apenas balançaram a cabeça se levantando da mesa.
(...)
O restante do dia passou normalmente, eu havia entrado e saído do prédio tantas vezes, e mesmo com tantas coisas para fazer, não conseguia tirar a imagem de Jacob da minha cabeça. Eu disse que iria em seu apartamento depois do trabalho, mas não sabia como iria reagir a conversa, e já estava começando a sofrer com antecedência.
Senti meu celular vibrar.
Era Edward.
— Isabella, você está voltando?— Seu tom era rude como sempre.
— Sim, estou, eu...
— Quero meu café em minha mesa quando chegar, descafeinado e puro.
Então desligou.
(...)
Para variar, aquele inferno da Starbucks estava lotado, e quando finalmente chegou a minha vez, uma das funcionárias fez uma tremenda confusão com os pedidos, e acabou que tive que perder mais 15 minutos esperando pelo pedido de meu chefe.
Tive que respirar fundo varias vezes para não surtar.
Quando o motorista parou o carro em frente ao prédio, senti meu celular vibrar. – De novo.
— Alô?
— Está preparando pessoalmente meu café Isabella?— A voz de Edward soou do outro lado da linha. — Porque, pelo que eu me lembre, eu o solicitei há vinte e cinco minutos. Não consigo ver nenhuma razão para meu café não estar em minha mesa como solicitado. – Sua voz era irritada.
Ah que cacete. Ele voltou ao modo filho da puta.
— Hmm, bem, sinto muito ter demorado tanto Sr. Cullen, mas houve uma pequena confusão com...
— Você sabe muito bem como detalhes não me interessam, não sabe?
— Sim, é claro, mas acontece que eu já...
— Estou ligando para dizer que quero o meu café, e quero agora. Não quero ouvir nenhuma desculpa Isabella. Eu. Quero. Meu. Café. Agora!
E desligou o telefone, e as minhas mãos estavam tremendo tanto que deixei cair o celular no chão.
Inferno!
(...)
Ele estava ao telefone quando entrei, sua capa da Gucci estava em cima da minha mesa. Minha raiva subiu mais três niveis.
Será que o mataria dar mais dois passos até o armário e pendurar seu próprio casaco? Por que tinha de jogá-lo em cima da minha mesa?
A porta de seu escritório estava aberta, então apenas deixei o café sobre a mesa, voltei para minha mesa, e olhei para Victória, que estava ocupada demais ao telefone, para reparar em mim, e pendurei o casaco.
Durante o caminho até chegar em nosso andar, pensei por um breve momento em cuspir na sua bebida, mas consegui me conter.
Então olhei para cima, e ele estava parado em frente à minha mesa.
Isso não poderia ser bom.
— Isabella. – Ele tinha um tom calmo. — O café está gelado. Não entendo por quê. – Agora o tom era irônico. – Ah, sim, é por que demorou muito! Vá buscar outro!
Ah senhor, será que eu cobrei juros das trinta moedas de Judas?
Respirei fundo e me concentrei em evitar demonstrar o ódio em minha cara.
Senti o olhar de Victória sobre mim, e sabia que o olhar era de divertimento.
Dei um suspiro audível, e peguei meu casaco, afinal, milhares de garotas se matariam pelo meu emprego, não é?
Fale com o autor