O Diário do Príncipe Mestiço
3 Sonhos decifrados?
Notas iniciais
Severus Snape
A garota era bonita. Tinha pele clara, cabelos ruivos e olhos verdes... belos olhos verdes. Ela estava sentada numa mesa de piquenique conversando com uma outra menina de cabelos loiros, bem magra e de pescoço longo que parecia bem zangada. O que eu conseguia ouvir era berros da menina loira. Falava algo... Aberração? Estranha?
Depois um casal sai da casa com travessas de comida. O casal parecia feliz e o homem disse algo que fez as meninas pararem de discutir. Serviram-se com arroz e frango assado e conversavam alegremente, como uma família normal e feliz...
Subi em uma grande arvore bem próxima a casa. Ficaria lá até descobrir o nome da garota com que tive os sonhos, pois os mesmos não poderiam ser por acaso... mas observando toda aquela comida, minha barriga começou a roncar e me lembrei que tinha pego uma maçã bem vermelha na floresta. Tirei-a do bolso e a mordi. De tão magro que sou, espero que ninguém me confunda com um macaco prego no subúrbio. Passei um bom tempo observando aquela família...até pegar no sono.
***
– O que você fez com o pente da minha boneca?! –alguém gritou abaixo de mim e quase cai da árvore. — É uma estranha!
– Foi magia! – eu esfreguei meus olhos e vi que abaixo de mim as duas meninas que estavam no piquenique discutiam. – Desapareceu com magia eu juro!
–Lily você é mentirosa! – disse a menina loira, revendo o nome da ruiva, a garota com que sonhei. – Mentirosa!
– Não foi mentira Petúnia! – retrucou Lily. – Quer saber... fique com o pente da minha boneca... foi sem querer. Não queria que desaparecesse mais quando toquei o pente ele sumiu.
“Será que ela...”, pensei com relutância.
– Nada mais justo! – Petúnia se virou e partiu com passos pesados resmungando. – Incrível... como ela não sabe mentir...
“Que garota grosseira!”
– Eu sei que foi magia... tenho certeza. – murmurou Lily para si mesma, indo para casa.
Meu Merlin, meus sonhos com ela pareciam fazer sentido agora. Pelo que vi, eles não tem costumes bruxos. Se ela for uma bruxa... posso ensina-la tudo que sei sobre o mundo bruxo que ela provavelmente nem sabe que existe. É isso! Mas como me apresentar para ela? Eu não sou tão... como posso dizer... sociável e não tenho amigo algum. Sem contar que a possibilidade de uma garota bem educada, limpa e de boa posição social gostar de um garoto mal vestido, pobre e não tão limpo como eu são ínfimas.
O Sol ia se pôr em alguns minutos. Tinha que voltar pelo bosque o mais rápido possível então desci da arvore e fui para casa. Ao passar pelo terreno onde eu usei magia contra aqueles valentões, vi que tudo estava como se nada estivesse acontecido. Quando cheguei a Rua da Fiação, não havia mais raios de sol e a rua estava vazia e esquisita. Eu estava acostumado com tal coisa, uma vez que muitas pessoas pensam que baixas condições sociais é sinônimo de vandalismo e criminosos.
Quando entrei em casa, senti que faltava algo que me fez esboçar um sorriso. O silêncio. Meus pais não estavam brigando, um alivio não ouvir as brigas egoístas deles. Passei pela sala de estar e fui até a cozinha algo para comer. A cozinha era pequena. Tinha uma geladeira muito enferrujada (ela me deu vários choques eletricos), uma pequena mesa de jantar, um velho fogão a gás, pia e um pequeno armário.
Não tinha nada para comer a não ser algumas frutas e alguns pedaços de pão dormido. Peguei uma pera e quando fui sair da cozinha, fui barrado pelo papai.
– Posso saber onde estava? – indagou ele com uma expressão de desprezo no rosto e voz áspera.
– Andando por ai. – respondi sem o olhar nos seus olhos.
Ele colocou a mão no meu rosto, de forma que ficou apertando minhas bochechas e o levantou para cima, de forma que ele me olhasse nos olhos.
– “Andando por ai”. – ele imitou minha voz. – Pensa que não sei o que anda fazendo?!
– Do que o senhor está falando?
Ele me imitou novamente.
– EU SEI QUE ANDOU USANDO MAGIA! ACHA QUE NÃO ESCUTEI OS RUMORES?! ESTÃO CHAMANDO ALEX E SEUS AMIGOS DE LOUCOS POR DIZER QUE VOCÊ FEZ PLANTAS O ATACAREM!
– Mas...
– CALE-SE SEVERUS! NÃO QUERO SABER O POR QUE! SE EU OUVIR MAS ALGUMA DESSAS... VAI LEVAR A MAIOR SURRA DA SUA VIDA!
–Mas pai... eles estavam me esmurrando!
– ENTÃO DEVERIA TER ENCARADO COMO HOMEM! DEVERIA TER AGUENTADO SEM FAZER ESSAS... BESTEIRAS!
– Eu perdi o controle e...
– E nada! Vá já para seu quarto. E fique lá até segunda ordem!
– Mas papai...
Ele puxou-me pela orelha e me levou até a sala. Depois me empurrou com tal força que fui parar caído perto da escada.
– Suba Severus! E se falar algo a mais vou adiantar a surra!
Subi bem rápido e me tranquei no quarto. Deslizei com as costas na porta até o chão e comecei a chorar. Estava ficando frequente as broncas que eu levava por causa da magia, que cada vez mais ficava mais forte dentro de mim. Não era justo levar broncas por ser quem você é... não é justo.
Só com algum tempo depois eu percebi que tinha ferido o cotovelo, mas não liguei.
Me levantei limpei as lagrimas, tinha que ser forte. Isso ia passar. Acendi o pequeno abajur do criado-mudo e abri uma de suas gavetas. Tirei um pequeno calendário que era do tamanho da minha mão e uma caneta esferográfica dos trouxas. Procurei o mês de setembro e marquei com um X o dia 01.
– É Severus... agora só falta um ano para que finalmente chegue o grande dia... estudar em Hogwarts...
Guardei o calendário e peguei um ursinho de pelúcia marrom que é meu único brinquedo desde que eu era um bebê, agarrei-me a ele e adormeci alguns minutos depois.
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