O Diário do Príncipe Mestiço
4 Lily, você é uma bruxa.
Notas iniciais
Severus Snape
Acordei com o som do meu velho despertador.
– Só mais um pouquinho... – murmurei dando um longo bocejo e sem abrir os olhos, tentei desligar o despertador, tateando o criado-mudo como um cego. – Meu Merlin...
Abri os olhos, sentei-me na cama ainda tonto de sono e apertei no botão que desliga o despertador, mas ele não parou. Bati, balancei e quase o joguei pela janela mas a droga do despertador não parava de tocar.
– Será que dá pra parar ou está difícil?! — e ele simplesmente parou. Coloquei-o de volta no criado-mudo. — Bugiganga imprestável.
Me levantei e fui até a janela sentir a brisa da manhã e vi ao longe, o bosque.
“Lily...”, foi a primeira coisa que veio a minha cabeça. Como pude esquecer?
Peguei novamente o despertador e vi que era oito e meia da manhã.
– Ah não! – exclamei puxando meus cabelos. – Estou atrasado!
Sai correndo para o pequeno banheiro do lado do meu quarto. Ele tinha uma pia rachada, um sanitário e uma banheira. Lavei o rosto, escovei os dentes e vesti as dispares e velhas roupas de sempre. Desci as escadas fazendo a maior barulheira, como a de pelotão de soldados correndo com aquelas botas. Fiquei temeroso que papai viesse brigar comigo, mas não veio, o que foi totalmente estranho.
– Para onde vai com tanta pressa? – perguntou mamãe sentada no sofá, folheando um exemplar do Profeta Diário . Seu rosto estava coberto pelo mesmo. Só observei suas mãos que estavam pálidas como sempre.
– Isso é um exemplar atual do Profeta Diário? – indaguei, sem perceber que ela queria mesmo uma resposta para sua pergunta.
– Sim... E responda minha pergunta, pois não vou perguntar novamente. – ela continuava com o rosto atrás do jornal.
– Eu sou vou dar um passeio... – respondi inocentemente. – Posso ler depois?
– Sim, pode. Agora vá logo tomar seu café da manhã. Tem alguns pães, manteiga e suco de abóbora.
– Sério que você preparou isso para mim?
– Vá comer logo e não se esqueça de deixar o que sujar na pia. – Ela não olhou nem uma única vez para mim.
– Sim senhora. – e corri para a cozinha quando me lembrei de Lily.
Quando entrei na cozinha, fiquei estupefato. Os pratos estavam se lavando sozinho, havia panelas com alguma comida com um cheiro ótimo. A louça se guardava, espanadores e vassouras limpavam o local, era incrível. Nunca vira mamãe fazer magia daquele tipo, especialmente por causa de papai.
Sentei na mesa, preparei o meu pão com manteiga e coloquei um copo de suco. Depois ataquei o lanche, colocando mais comida que minha boca podia aguentar dentro dela e bebendo grandes goles de suco. Eu sei o que está pensando:
“Ai Severus que falta de educação!”
Eu lhe respondo:
“Ninguém está vendo não... e diga a verdade... quem nunca fez isso quando estava apressado?”
Depois de engolir a comida, sai correndo para a porta da frente e mamãe falou comigo baixando o jornal.
– Severus... você está... diferente. – disse ela fitando-me com o olhar.
– Diferente como? – perguntei olhando para mim mesmo.
– Sei lá... acho que mais alegre... feliz.
– Ah isso... acho que estou como sempre. – Não admiti... mas era verdade eu estava sim mas feliz. – Tchau.
– Tchau. – disse ela levantando o jornal novamente.
Corri pela Rua da Fiação, até chegar ao terreno baldio com o pequeno Playground abandonado. Em seguida entrei no bosque e corri o mais rápido possível. Depois de poucos minutos eu estava na clareira que Lily ia todas as manhãs. A clareira era bonita, com arvores, flores e um belo gramado. Como eu sei que Lily vem aqui? Eu venho a observando a várias semanas e ainda não tive coragem de me apresentar. Esse tempo todo foi o bastante para ver a grande capacidade magica que ela tem, apesar de não conhecer sua natureza mágica.
Ela ainda não havia chegado, mas eu ouvia ela cantarolando ao longe. Me escondi no buraco do tronco de um salgueiro sem vida próximo e finalmente ela chegou.
– Se-rei-as... vivem no mar com o papai tritão... têm corpo de homem e rabo de peixão! – cantava Lily com sua voz doce colhendo algumas flores e colocando nos bolsos de seu vestido florido. – Comem frutos do mar.... E algas super coloridas... Mas adoram, simplesmente, Nadar!
Eu não pude deixar de sorrir com essa música engraçada. Ela é tão incrível e doce que parecia não existir, ser de outro mundo.
Ela passou um tempinho apreciando as flores, até sua irmã chata chegar.
– O que está fazendo sozinha aqui? – questionou Petúnia se aproximando de Lily..
– Nada. Só estou brincando. – respondeu Lily calmamente. – Você quer brincar comigo?
– Claro que não! – Petúnia virou a cara para o lado. — Quero me poupar de presenciar suas esquisitices.
– Não são esquisitices! – replicou Lily. — É magia! Olha!
Ela pegou uma semente do chão e estendeu o braço para mostrar a Petúnia. A semente começou a se mexer e depois se abriu, fazendo brotar uma pequena flor.
Petúnia arregalou os olhos e depois fez uma cara amarrada. Ela deu um tapa na mão de Lily, que a fez correr dela.
– Você estragou a magia!
– Você é esquisita! Esquisita! – começou a berrar a chata da Petúnia e Lily correu mais um pouco, ficando bem próxima ao salgueiro em que eu estava escondido. – Volte aqui! Eu vou contar para a mamãe! Você é Esquisita! Você é Esquisita! Volta aqui!
Não ia mas admitir que ela xingasse Lily daquela forma, a minha Lily... tá, isso não saiu direito. Me revelei saindo do tronco do Salgueiro. Petúnia me observou de cima a baixo, calou-se e saiu correndo, mas Lily continuou lá.
Peguei arranquei um pedaço da vegetação rasteira e joguei no ar. Ela bateu as folhas como um pássaro e pousou na mão de Lily. Ela sorriu eu retribui, meio desajeitado.
– Você é especial... como eu! – ela exclamou, radiante
– É... É... – eu mal conseguia falar. Coloquei minha mãos para trás pois estavam suando muito. – Sou como você.
– Me chamo Lily Evans. – ela estendeu sua mão. — E você?
– Eu? Eu... sou Seve...Severus Snape. – enxuguei o suor das mãos nas minhas vestes sem que ela percebesse e trêmulo, apertei sua mão.
– Você está tremendo... – ela disse, soltando minha mão.
– Isso... isso não é nada. — Não me culpes pela minha falta de socialização está bem... eu estava nervoso. – Foi um prazer conhecer você Lily. Até mais.
Ela deu uma risada.
– O que foi?
– É que você não gaguejou quando quis se despedir.
– Ah... é que... é que eu... – Droga! Eu não consigo nem falar direito perto dela.
Ela deu outra gargalhada.
– Desculpe... – pediu ela inocentemente.
– Não tem problema... – claro que não. Eu que estava sendo o palhaço.
– Mudando de assunto... Quando descobriu que era especial? – e ela fez um gesto para que eu andasse pela clareira com ela. – eu descobri a alguns meses.
– Bem... Eu sempre soube que era um... um menino especial. – Respondi, evitando a palavra bruxo.
– Como assim?
– É que minha mãe também é como eu...
– Sério? Meus pais... eles não são assim. – ela baixou a cabeça.
– Eu sei...
– Sabe? — ela questionou-me. — Como?
– Desculpe ser intrometido... mas faz várias semanas que observo você e sua família. Desde que a vi pela primeira vez percebi seu grande talento magico. Você me perdoaria por ter sido um bisbilhoteiro?
– Sim eu o perdoo. Aliás, você só estava observando. Tenho certeza que você é daqueles garotos bem tímidos não?
– Ah sim... você nem imagina. – dei um sorriso largo. Ela me fazia sentir-me bem melhor que com minha família.
Andamos pela clareira conversando coisinhas qualquer e rindo. Fomos para a sombra que um salgueiro bonito e vivo fazia e nos deitamos na grama. Ficamos observando as nuvens.

– Por que sua prima Petúnia é tão chata?
Ela deu uma risadinha.
– Ela não é prima, é minha irmã.
– Sério? Por que vocês são tão diferentes.
– Ela, ficou meio ranzinza desde que demostrei minha magia a ela.
– É inveja. Por que ela é comum e você especial.
– Que maldade Severus.
– É a realidade, mas mudando de assunto... você sabe o que tudo isso significa Lily? Digo, nossa magia?
– Que somos especiais?
– Também, mas há algo mais...
– O que Severus?
– Não sei como vai entender isso, mas vou lhe contar coisas que ainda não sabe. Coisas que os trouxas nem sonham que existem.
– Trouxas? — Lily olhou para mim. — Do que você está falando?
– Eu vou te explicar tudo. Começando pelo que sou na realidade, pelo que você é... – afirmei, com total segurança em mim mesmo. — Lily, Você é uma bruxa.
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