O Diário do Príncipe Mestiço
1 O Nascimento do Príncipe Mestiço
Notas iniciais
9 de Janeiro de 1960
Era fim de tarde... uma Tempestade de neve assolava a Cidade de Cokeworth na Inglaterra.
Ninguém estava nas ruas e o vento fazia um barulho inquietante, principalmente na Rua da Fiação que fica perto de uma área feia da cidade próxima a um rio muito poluído, cheia de casas de tijolos, fabricas abandonadas e lampiões de rua quebrados.

De uma das casas, saiu Tobias Snape, um homem alto de cabelos negros e nariz adunco vestido com um casaco esfarrapado olhando para o céu com expressão aflita, como se estivesse esperando que algo viesse do céu. De repente algo nas nuvens se mexe. Vultos? Nuvens vivas? Não. Nada disso. Era bruxos que aparatavam. Eles desceram rapidamente envoltos numa energia branca e se materializaram na frente do homem aflito.
Eram duas bruxas e um bruxo vestidos com capas pretas.
– Onde ela está Tobias? – perguntou uma das bruxas que era mais velha com uma voz muito aguda.
– Lá dentro Sr.ª Prince! Vamos ela está muito mal! – respondeu Tobias tremendo... talvez de frio ou de nervosismo.
– Vamos mamãe! Enquanto a gente conversa aqui Eileen está em trabalho de parto lá dentro! – disse a bruxa mais nova. Ela se chamava Melany, cunhada de Tobias.
– Aqui está frio! – disse o bruxo arrogantemente. – Vamos entrar Snape!
Todos os quatro entraram na casa e tiraram os casacos, os colocando em um cabideiro velho. A saleta tinha uma lareira com duas poltronas a cada lado e uma mesinha de centro com um sofá no meio. As paredes estavam com o reboco rachado e com infiltrações.
– Em que quarto ela está? – perguntou a velha bruxa.
– Subindo a escada, primeira porta a esquerda. – Tobias respondeu seguindo ela e a bruxa mais jovem. O Bruxo que as acompanhava sentou na poltrona e começou a folhear um jornal do Profeta Diário.
A bruxa velha barrou Tobias.
– Você fica...
– O que?! – Berrou Tobias. – É o meu filho que está ali!
– Eu sei mas... Você não pode. Fique aqui com meu marido sim?
– E se precisarem de alguma coisa?
– Não se preocupe. Trouxemos tudo que vamos usar para o parto.
Tobias queria protestar mas assentiu e ficou observando elas subirem as escadas. Depois ele se sentou na poltrona oposta à do Sr. Prince. Ficaram em silencio por um tempo até ouvirem Eileen gritar de dor. Tobias se levantou e começou a andar de um lado para o outro nervoso.
– Será que ela está bem? – se perguntou Tobias.
– Acalme-se homem! – disse o velho Sr. Prince, olhando por cima do jornal com uma cara azeda. – Já passei por isso três vezes. Vá se acostumando.
– Que?! – disse Tobias com indignação. – O senhor está pensando que eu vou ser uma máquina de fazer filhos?!
– Quero descendentes! Minhas outras duas filhas são estéreis por causa de uma doença rara.
–Não dá pra você fazer aquelas... besteiras magicas, trololós doidos com aqueles pedaços de pau?! Eu mal consigo sustentar eu e sua filha! – disse Tobias com rispidez
– Sua esposa...
– Tanto faz!
– Mais respeito seu... – nesse momento o Sr. Prince se levantou da poltrona e fuzilou Tobias com um olhar assustador.
– Você não manda em mim...
– Há é... – e o Sr. Prince sacou a varinha e colocou-a abaixo do queixo de Tobias. – Vamos ver como você reage a isso... Seu trouxa insolente. Estupo... – Antes que ele pudesse falar, Eileen solta um longo gemido e em seguida eles escutam o choro de uma criança.
– É um menino! – gritou a Sr.ª Prince. – Que fofinho!
O Sr. Prince guardou a varinha e Tobias saiu correndo na direção do quarto e quase tropeçou na velha escada. Quando ele passou pelo quarto, viu Eileen, uma mulher magra com um rosto pálido e azedo, que segurava um bebê minúsculo empacotado em lençóis velhos. O rosto dela estava molhado de lagrimas. Ela deu um sorriso.
– Nosso filho Tobi... Nosso filho... – ela disse.
– è... – ele falou baixinho.
– Não está feliz? –perguntou Eileen
–Há sim muito. – disse ele dando um beijo na testa dela e observando o filho.
– Qual vai ser o nome dele minha filha? – perguntou a Sr.ª Prince relutante.
– Eu pensei em alguns... – começou Eileen.
– Que tal Antony? – disse Melany. – Ou Anny
– Anny é nome de mulher! – disse o Sr. Prince, entrando no quarto. – Que tal Seryner?
– Não... esse ai é muito escabroso. – disse Tobias. – Ele vai se chamar Severus... Severus Snape.
– Não gostei. – disse Sr. Prince.
– Pois eu gostei querido. – replicou a Sr.ª Prince se virando para Eileen. – O que acha querida?
– Excelente! Será Severus Snape... Meu Severus...
Tobias pegou o pequeno Severus e deu um beijo na sua bochecha.
– Cuidado Tobias! –advertiu Eileen. – Ele nasceu prematuro. Mamãe deixará uma poção para que ele tenha um desenvolvimento saudável.
– Esta bem.
– Acho que é hora de irmos. – falou Melany com uma cara amarrada. – Vamos deixar o casal a sós com sua abe... benção.
Tobias a fuzilou. Ela iria dizer “aberração”?
– Então vamos indo! – anunciou a Sr.ª Prince enroscando o seu braço no do seu marido. Melany fez o mesmo.
– Adeus! – disseram todos eles em uníssono e em seguida desaparataram.
Tobias desceu para a saleta levando Severus e deixou Eileen descansando no pequeno quarto. Ele se sentou no sofá..
– Você é um bebê muito fofinho sabia? –disse Tobias para o filho. – Será que você é um deles? Sabe, um bruxo?
Ele olhou profundamente nos olhos negros do bebê que agarrou seu polegar.
– Você é forte. – ele riu e começou a mexer o polegar brincando. – Quer saber? Não importa se você é ou não é um bruxo. Será sempre meu filho... Só não quero que exploda a casa viu?
– E então... não vai falar nada?
“Claro que não seu bobo! Ele nasceu a alguns minutos!”, pensou ele rindo.
– Acho que vou fazer um esforço para comprar um brinquedo para você... Espero que nada piore.
Ele deu um beijo na testa do filho. Tudo parecia bem... uma família que parecia bem carinhosa... um pai cuidadoso e uma mãe bruxa... Mas as coisas mudam... as pessoas mudam... e as vezes não mudam para a melhor...
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