O Diário do Príncipe Mestiço
2 Sonhos e Pesadelos
Notas iniciais
10 anos depois — Severus Snape
Eu corria pelo bosque atrás de uma voz, uma voz feminina suave.
– Você não vai me achar! – disse a voz rindo. – Vamos Sev! Não sabia que era tão molenga!
– Você vai ver o molenga! – gritei em resposta.
Eu parecia realmente feliz pela primeira vez em minha vida. Eu corria bem rápido, louco para chegar até quem me chamava.
– Severus é um molenga! Severus é um molenga!
– Venha aqui e vai ver o molenga! – eu ri. Sabia que era uma brincadeira e não tinha por que sentir raiva.
Corri mais um pouco e cheguei em uma clareira com um gramado extenso e muitas arvores ao redor. Parecia o Paraíso. Olhei para todos os lados a procura da garota e vi uma parte de seu braço atrás de uma arvore. Corri na direção dela e quando cheguei perto vi somente seus cabelos ruivos antes do sonho se dissolver.
– E por que você me exige tanto?! – ouvi meu pai gritar com arrogância.
– Eu tenho estado doente Tobias! – replicou minha mãe.
Papai estava brigando com a mamãe de novo. Me sentei na cama dando um bocejo e esfregando os olhos, observando o meu velho quarto. As paredes eram mal rebocadas, a cama de solteiro era bem velha e tinha um rangido incomodo quando me mexia. Tudo era velho... o guarda-roupa que não tinha quase nada dentro, o criado mudo, a cômoda e o espelho rachado.
Me levantei e fui para a frente do espelho. Minha aparência era a mesma de sempre. Cabelos negros despenteados e com muita oleosidade, roupas díspares e velhas... enfim... Eu do jeito de sempre... um garoto esquecido por todos.
Olhei para o relógio enferrujado que estava no criado mudo. Eram quase 10 horas da manhã. Não iria descer para tomar café da manhã com aqueles dois discutindo o tempo todo. Desci as escadas e vi eles brigando na cozinha. Corri e sai pela porta da frente sem que eles me vissem.
Era esse o meu dia... Eu sempre saia de casa quando eles brigavam e as vezes voltava só a noite. Eles nem percebiam minha ausência. Era como se eu não existisse. Mas quem precisa deles? Eu posso me virar sozinho não é? Pois sou um bruxo.
Caminhei com as mãos nos bolsos da calça pela estranha rua que eu morava, com postes quebrados e calçadas sujas até chegar a um pequeno terreno baldio com alguns balanços de brinquedo e um escorregador quebrado. As plantas rasteiras do terreno eram um pouco altas quase no meu joelho.
Sentei-me em um dos balanços e fiquei pensando nos sonhos que ando tendo nos últimos dias. A garota ruiva aparecera em todos eles. Toda vez que eu estava próximo de ver seu rosto, o sonho mudava ou eu acordava. Eu não sabia quem ela era pois não tenho amigos, mas sabia que ela me deixava feliz... pelo menos nos sonhos.
Fiquei me balançando sentindo a brisa do vento e pensando qual a hora melhor de voltar para casa, até três meninos trouxas das redondezas apareceram.
– Olha só o que temos aqui! – disse um dos garotos, que era magro e alto.
– Um favelado ou um sem teto? – disse um outro garoto gordo rindo.
– Não gente, é só o sujo do Snape! – Zombou Alex Rider, um garoto de treze anos alto e atlético que se achava mais que os outros. Um típico valentão que vive zoando com a cara de todos. Aposto que não adivinha quem ele mais adorava infernizar... Eu.
– Eu não tenho nada para dar a você... – comecei a dizer e ele avançou em cima de mim e segurou a gola da minha blusa, quase me sufocando. – Por favor... para...
– Eu mandei você trazer dinheiro pra mim... E você não trouxe!
– Minha família não tem dinheiro...
– Eu não perguntei! – ele berrou e deu um sorrisinho maldoso. — E agora você irá apanhar para aprender a me obedecer!
–Me solta! Por favor!
Ele me empurrou, derrubando-me no chão. Os seus dois amigos me levantaram e seguraram-me a força. Eu tentei sair, mas eles eram mais fortes.
– Você vai levar uma surra para nunca mais esquecer que deve conseguir o que quero! – gritou Alex fazendo aquele típico gesto de bater o punho cerrado na outra mão. – Toma isso!
Nesse momento ele começou a socar minha barriga com muita força. Doía muito. Era como se eu tivesse tendo várias dores de estômago ao mesmo tempo.
–Toma isso! E isso! Peça piedade! – ele não parava de me esmurrar. – Há! Há!
– Acaba com ele Alex! – disse um dos garotos que me segurava.
Depois de mais alguns socos, Alex mandou os garotos me jogarem no chão.
– Você é fraco... não passa de um pobretão imundo! – disse Alex e seus amigos riram.
De repente, a dor dos socos começa a mudar, se tonando um sentimento de raiva... muita raiva. Ainda caído no chão, eu o olhei e disse:
–Cala a boca! – isso fez os amigos dele calarem-se.
– O que você disse? – indagou Alex com desdém.
– Mandei calar sua boca!
– Ora seu... – ele levou sua perna para trás para me dar um pontapé mas ele não deu...
Uma raiz tinha se enroscado no seu pé.
– O que é isso?! Perguntou Alex com espanto e finalmente tive forças me levantar.
– Sua destruição. – afirmei com um sorriso torto.
O vento soprou com mais forças a vegetação rasteira parecia estar se movendo com se tivesse vida. Alex tentava se soltar da pequena raiz, mas ela era muito resistente... não tinha como ser natural. Meus poderes mágicos estavam se manifestando.
Mias raízes começaram a aparecer e algumas enroscavam os amigos de Alex.
– Socorro! – gritavam eles.
– O que você é? – indagou Alex com cara de medo. Eu ri já que ele era visto como um valentão e não como uma criancinha indefesa.
– A pessoa com quem nunca deveria ter mexido.
As raízes continuavam a prende-los e eles gritavam loucos por socorro. Não demoraria para alguém ouvir. Tentei fazer parar, mas não conseguia... Se me vissem seriam capaz de fazer horrores pois os trouxas não entendem a magia.
Eu tinha duas escolhas: Ficar e descobrirem que sou um bruxo ou correr para o estranho bosque que nunca entrei que havia ali perto...
Prefiro o bosque estranho. Corri para o bosque e deixei os garotos gritando de desespero torcendo para meu afastamento fazer o feitiço dissipar-se.
Corri por alguns segundos até não escutar mais os valentões e me sentei numa pedra.
Pensei que os bosques de Cokeworth fossem poluídos, mas esse aqui parecia preservado. Explorei um pouco os locais e quando me dei conta tinha atravessado o bosque. Isso não foi tão impactante pois vi algo no quintal de uma bela casa que me deixou pasmo. Eu tinha certeza que era ela... a garota dos meus sonhos.

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