O Diário Póstumo de Afrodite

3 Capítulo 2 - O dia que descobri do seu amante


Notas iniciais
Segundo capítulo curtinho de novo.. Espero que gostem e obrigada por quem está acompanhando! Beijos..

Dias depois eu me encontrava mais uma vez com o Ângelo, só que dessa vez, num restaurante renomado da cidade. Tratávamos de negócios, de como seria a exposição, de qual dos meus quadros eu exporia.

A escolha do local, iluminação e as demais questões técnicas seria responsabilidade dele.

A briga que você e eu tivemos aquele dia, já fazia parte do passado, ou assim eu pensava.

Depois daquele dia, nós voltamos a nos falar normalmente. Você não me pediu desculpas, mas eu também não fazia questão delas; só queria estar bem contigo.

Duas noites depois, transávamos novamente e, por algum motivo, eu te achei diferente. A princípio não parecia tão desejoso, mas quando fiz coisas que sabia executar muito bem e que você gostava muito, você cedeu. Eu ri internamente satisfeito, convencendo-me que ninguém, mesmo após anos juntos como era o nosso caso, resistia aos meus encantos.

Após o sexo, nos acomodamos melhor na cama e dormimos. E eu te abracei pelas costas como era de costume.

Não sabia eu, que aquela noite seria umas das últimas.

No dia seguinte, você foi trabalhar cedo e eu fui ao quartinho de empregada aos fundos do apartamento, o qual eu usava como ateliê. Estava terminando um quadro, o que seria exposto no evento do Máscara da Morte.

Durante o dia você me ligou, dizendo ter um assunto sério para tratar comigo a noite, mas quando o anoitecer chegou, porém, você desconversou, afirmando que era um problema do trabalho e que já tinha o resolvido.

Eu não questionei mais, afinal, se era realmente algo do trabalho, não tinha tanta importância. Mas gostei de saber que pediria minha opinião sobre assuntos desse tipo. Você nunca fez isso e achei que fosse um passo que estávamos avançando em nossa relação.

Lembrei-me de quando nos conhecemos, que mesmo você não indo com a minha cara, devido à minha arrogância, você se apaixonou. Na verdade, quando percebi que não havia gostado de mim, planejei inúmeras formas de fazê-lo cair de amores.

Consegui. Em meses você implorava todo romântico para que fosse morar contigo. Eu, como também me apaixonei por ti nesse percurso, aceitei sem mais delongas.

Ângelo e eu terminamos o assunto de negócios e ficamos mais um tempo sentados na mesa ao fundo do restaurante, conversando amenidades. Ele se ofereceu para pagar a conta e eu claro que aceitei, afinal, nunca fui de recusar agrados e era isso que ele estava tentando fazer.

Percebi durante o almoço que ele não tirava os olhos de mim e mesmo quando falava a respeito da exposição, olhava-me sorrindo charmoso.

Gostei dessa sensação, de se sentir cobiçado, mas fingi não perceber, pois como era casado, não poderia ficar de flertes com outro homem. E também não queria perder a pose de bom moço.

Saindo do restaurante, ele se ofereceu – mais uma vez – para levar-me embora. Dessa vez eu recusei, porque queria passar na imobiliária te contar o ocorrido (que agora estava mais que certo a proposta da exposição e, se o Máscara da Morte gostasse do resultado, até assinaria um contrato para expor mais obras minhas posteriormente).

Chegando à imobiliária, eu avistei você saindo, acompanhado de um rapaz louro, bonito, e ambos riam muito, aparentando estar muito contentes.

Você meu viu e na mesma hora seu semblante mudou. O sorriso grande que antes avistei nos seus lábios, sumiu. Você olhou do rapaz para mim, e vice-versa. Parecia desconcertado.

Veio falar comigo enquanto o rapaz encostou-se ao seu carro.

Eu estava ainda sem entender o que acontecia. No começo pensei ser nada demais, apenas que você sairia com o seu colega de trabalho, mas quando suas expressões mudaram tão de repente, fiquei desconfiado.

Você falou de forma ríspida comigo, dizendo que nos falaríamos mais tarde. Eu assenti com a cabeça e fui embora.

Em casa, eu me remoía, ficava inquieto andando de um lado pro outro esperando você chegar. Você chegou tarde.

Disse que tinha um assunto sério para falar comigo, o mesmo assunto que não conseguiu falar naquele outro dia.

Pediu pra terminarmos, alegando não mais me amar, que já tinha outro — o rapaz que eu havia visto mais cedo.

Radamanthys era o nome dele, e era um ano mais velho que eu. Disse ter se envolvido com ele há alguns meses. Trabalhavam juntos e por isso se aproximaram.

Eu desabei. Toda a alegria que havia sentido mais cedo em razão dos assuntos tratados com o Ângelo, pareceram simplesmente desaparecer, como num passe de mágica.

Chorei novamente igual àquela noite. E me humilhei como nunca imaginei em toda a minha vida.

Eu sempre fui arrogante, astuto e orgulhoso. Sempre fui eu a enganar os outros, a manipular pessoas e situações, mas agora eu me sentia terrivelmente enganado, passado para trás.

Nunca esperava isso daquele Saga ao qual conheci anos atrás, nunca. Mas você mudou tanto ao longo desses anos que eu devia ter imaginado. Sua inocência e bondade foram-se acabando pouco a pouco que eu nem me dei conta de que isso poderia acontecer.

Lembra que você criticava as atitudes do Kanon? Que dizia que o seu irmão não tinha escrúpulos? Pois é, você acabou se tornando pior do que ele. Pra ser sincero, nunca imaginei o Kanon fazendo atrocidades do tipo as que fez comigo. Kanon pode ser um irresponsável, imoral, mas não é capaz de trair os seus. Você por outro lado...

Mas eu não podia ficar só, não naquele momento, e não queria expor a vergonha pela qual estava passando, sim, porque no modo que eu enxergava a vida, ser traído da maneira como fui é a mesma coisa que ser pisoteado e jogado no lixo; uma vergonha sem limites!

Implorei para que ficasse ao menos por mais algum tempo. Bom, na verdade, implorar é uma palavra fraca para expressar o que fiz. Eu me joguei aos seus pés, agarrei suas pernas e chorei pedindo para ficar, para não me deixar só, enquanto você me empurrava e tentava sair a todo custo daquela situação que eu imaginei constrangedora demais.

Empurrou-me com mais força e eu caí. Nesse momento o pouco de compaixão que ainda existia dentro de ti, impediu que tomasse atitudes que me machucassem mais.

Levantou-me do chão e quando o abracei numa última tentativa para que desistisse de sair de casa naquele momento, você retribuiu.

Levou-me até a cama, deitou-se comigo até que eu pegasse no sono, porém depois, rumou-se mais uma vez para o sofá e ali dormiu novamente.

Notas finais
E aí o que estão achando da estória? Beijos e até o próximo..