O Diário De Mary Anne
6 Um anjo
Notas iniciais
Acordei no outro dia logo pela manhã, estava disposto á sair um pouco e conhecer a cidade e ir ao prédio da faculdade para pegar todos meus horários, afinal o curso começaria em dois dias.
Levantei da cama, fui ao banheiro onde tomei um rápido banho, penteei meus cabelos prendendo-os em um rabo, coloquei minha calça jeans favorita, all star, uma blusa branca básica, uma jaqueta, pois o dia havia amanhecido gelado, arrumei minha cama e ajeitei as coisas pela quarto; desci para o saguão onde a mulher que havia me recebido no dia anterior e ainda eu não sabia seu nome, me fitava sorridente:
– Como passou a noite querida?
– Muito bem, obrigado!
– Fico feliz por isso...
– Me desculpe à pergunta, mas como é seu nome?
– Que indelicadeza minha, me desculpe por não ter me apresentado, me chamo Julhys, sou a dona da Republica.
– Que isso, eu que deveria ter perguntado ontem.
– Então querida, o café da manhã já está servido no refeitório.
– Obrigado, mas tenho tantas coisas para fazer que não vá dar tempo de comer nada agora, mas agradeço por oferecer.
– Tudo bem então meu bem, divirta-se!
– Obrigado.
E então sai sem rumo algum, era um pouco arriscado, afinal não conhecia nada e muito menos sabia onde se localizava a faculdade, mas resolvi ir a pé para já ir conhecendo o território e a vizinhança. As ruas eram calmas, e as pessoas viviam com sorrisos imensos estampados em seus rostos, as crianças brincavam sem nenhuma preocupação, era um lugar tranquilo, calma e longe de todo barulho de onde eu viera. Aquela era uma cena que me fazia sentir falta da minha pequena Collin, ela iria adorar tanto morar aqui e iria ter vários amiguinhos, bom pelo menos acho que ela se daria melhor com as crianças de sua idade aqui do que em nossa cidade.
Continuei andando por mais algumas horas e me encantando cada vez mais pela cidade e pela hospitalidade das pessoas, todas sempre parecendo simpáticas e sendo amáveis comigo. Lugares realmente lindos, parques floridos e bem convidativos; a praia era belíssima, me dava uma vontade enorme de ficar lá e admira-la mais, porém ainda tinha que encontrar a faculdade, algo que estava quase impossível de se encontrar. Segui em linha reta ainda pela praia, admirando-a e aproveitando o resto da brisa da manhã, mergulhando sem querer em meus pensamentos, quando fui interrompida por uma voz não muito estranha:
– Aproveitando a praia é?
Aquela voz me era conhecida, e quando me virei me deparei com o sorriso apaixonante que ele tinha, era Jeremy.
– Bom tenho que aproveitar as coisas boas da vida né – risos – brincadeira, estou apenas conhecendo um pouco a cidade, e perdida á procura da faculdade.
– Imagino que sim – rs – mas relaxa está mais perto do que imagina dela.
– Estou? Pois pra falar a verdade já estava quase desistindo de acha-la.
– Bom se quiser posso acompanha-la até lá...
– Não, quer dizer, não precisa, não quero ser um incomodo para você; afinal você deve ter milhares de coisas pra fazer, não quero atrapalha-lo!
– Que isso Mary, não será incomodo algum...
– Bom se realmente não for incomoda-lo eu quero pelo menos uma ajuda para chegar lá.
E então começamos a andar em direção a Universidade Estadual da Carolina do Norte.
– E então Mary, de onde você é?
– Sou de New Jersey – disse admirando-o.
– Legal, e está gostando daqui?
– Estou sim, todos estão sendo muito receptivos e a cidade é incrivelmente linda!
– É porque você ainda não conheceu tudo, quando conhecer não vai mais querer ir embora.
– A é? – risos – Pode ser a cidade mais linda do mundo, mas ainda prefiro a minha.
– Duvido que daqui um tempo vá querer voltar para a sua.
– Bobo, vou sim, quer apostar?
– Aposto um beijo que não vai querer mais embora.
– Apostado, mais você já perdeu.
– Duvido muito – rs.
Continuamos a conversar até que chegamos a um campus imenso e incrivelmente lindo, era todo rodeado de arvores e das mais belas flores, tinha cores vivas, havia supostos alunos por toda a parte. Entramos e Jeremy me levou diretamente a secretaria onde eu pegaria meus horários:
– Boa tarde querida, posso ajuda-la? – Minha moça simpática diria a palavra a mim enquanto eu me aproximava de sua bancada.
– Boa tarde, é... – me confundi toda com as palavras – queria pegar meus horários das aulas...
– Me diz o seu nome e o curso, por favor!
– Mary Anne, psicologia.
– Mary Anne Parker?
– Sim.
Enquanto a moça procurava em seus arquivos do computador, fitei o sorriso e o olhar atencioso de Jeremy, até que a voz da moça me tirou rapidamente de minha distração:
– Aqui está querida – disse me entregando um papel – aqui são as aulas, aqui os horários e aqui a sala e a parte do campus – disse me mostrando cada um – se precisar de qualquer ajuda pode me procurar.
– Tudo bem, muito obrigado!
Sorri para a moça e me virei saindo da pequena sala, indo em direção a Jeremy que me esperava sentado.
– Bom... Missão comprida senhor Jeremy, já está liberado da minha companhia chata – sorri.
– E quem disse que é chata? Estou adorando acompanha-la.
– Serio?
– Está sendo um prazer ajuda-la.
– Mal cheguei á cidade e já abusei demais de você! – risos.
– Que isso Mary. Bom que tal irmos tomar um sorvete agora e você me contar mais um pouco sobre você? Isso se quiser, é claro!
– Eu iria adorar.
– Então vamos – ele disse abrindo a porta para sairmos da sala.
Caminhamos conversando sobre praticamente minha vida inteira enquanto íamos para a sorveteria; mal o conhecia, mas Jeremy tinha algo que fazia com que tudo saia tão fluente, que nem estava incomodada de contar tudo a ele. Quando chegamos à sorveteria, Jeremy comprou os sorvetes, me fazendo ficar um pouco incomodada, pois não gostava que pagassem nada a mim, porém não consegui convence-lo do contrario; e já com os sorvetes em mão fomos para uma praça e continuamos a conversar enquanto andávamos.
– Então Jeremy eu disse tanto de mim e você não disse nada de você ainda.
– É que sua vida é muito mais interessante que a minha.
– Aposto que não.
– Bom vejamos, me chamo Jeremy Hall, estou no segundo ano da faculdade, moro com meus pais... Viu nada de interessante.
– Aposto que não é apenas isso. Mas não ter irmãos?
– É... – ficou calado por alguns segundos.
– Me desculpe, perguntei algo que não devia?
– Tudo bem, não é culpa sua, é apenas uma história complicada.
– Mas então, faz alguma coisa no tempo livre?
– Bom gosto de jogar vôlei e surfar, é bom pra passar o tempo quando não tem nada pra fazer.
Então passamos a tarde toda ali conversando e nos conhecendo um pouco. Jer me levou também para conhecer alguns lugares incríveis que haviam por perto, me fazendo ficar mais encantada ainda pela cidade, tudo estava perfeito, exceto pela falta que minha irmãzinha me fazia. Quando a noite chegará Jeremy me levou de volta para á Republica.
– Obrigado por hoje, foi um dia perfeito; e me desculpe se tomei todo seu tempo.
– Mary, eu adorei passa-lo com você, temos que sair mais vezes para eu te levar para conhecer outros lugares, afinal, nossa aposta ainda esta de pé – risos. – Bom agora tenho que ir, tenha uma boa noite.
– Tenha uma boa noite você também Jer, até logo! – sorri.
Entrei e fui direto para meu quarto; guardei todos os papeis da faculdade em uma pasta e fui direto para o banho, estava louca pra tomar um e relaxar um pouco depois de andar o dia todo. Após o banho, me troquei, sequei meus cabelos, escovei os dentes, e então sentei na cama pegando meu diário, e então comecei a escrevê-lo.
Querido Diário;
Hoje meu dia foi incrível, passei-o todo ao lado do Jeremy, ele foi tão atencioso e amável comigo, ninguém jamais havia feito tanto por mim como ele fez em um dia apenas; sabe, mal o conheço e consegui me abri tanto, contei coisas que jamais conseguiria contar, talvez, sei lá, seja a tranquilidade e confiança que ele me passa. Estou falando aqui e nem contei ainda nada sobre ele, bom, o conheci ontem no aeroporto, onde por uma distração minha acabei caindo e derrubando tudo, e então ele veio me ajudar. Bom, hoje descobri onde fica minha faculdade e já passei lá para pegar os papeis, já tenho que começar a me preparar, pois em dois dias começa tudo. Conheci hoje também alguns lugares que me encantaram profundamente por sua beleza natural e sua simplicidade; também conheci a praia, que é magnifica, Collin iria gostar tanto dela. Sei que escrevi pouco, mas já está tarde e tenho que descansar um pouco. Boa noite!
Deixei o diário em cima escrivaninha e então voltei para minha cama, apaguei as luzes, fechei em meus olhos e em pouco tempo embalei em um sono profundo!
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