O Diário De Emily
1 Loucura + Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
Eram seis horas da manhã. Já estava tudo pronto, malas e dinheiro. Mas eu não estava pronto. A ferida em meu peito ainda era bem grande.
Eu não tinha muitas pessoas para me despedir, pois havia afastado todos de mim com minhas loucuras, mas mesmo assim meus melhores amigos vieram perguntar-me porque eu estava fazendo aquilo. Porque deixaria meu pai doente sozinho depois da perda da minha mãe. Todos me achavam tão fraco e cruel, mas eu não podia dizer-lhes nada. Assumira uma máscara de rancor e loucura. Só quem sabia de tudo era meu pai, mas ele estava impedido de me defender. Metade de seu cérebro paralisado, mas eu sentia que ele podia me entender, ele sempre me entendia.
Sophia me observava ao longe, não veio falar comigo como os outros. Seu rosto era de medo, eu não era mais aquele cara que ela gostou um dia. Mas eu também não a sentia como antigamente. Só desejava o seu bem, pois ela merecia um amor de verdade, não alguém como eu que vivera os últimos meses, totalmente perturbado pelos malditos pesadelos, pelas malditas aparições.
Era uma manhã quente. O sol nascia no horizonte. Mas a minha manhã estava fria como o gelo, escura e tempestuosa.
Antes de sair porta a fora eu observei cômodo por cômodo da casa onde vivi desde sempre. As paredes alaranjadas do corredor, os quadros floridos que a minha mãe pintava. Sua presença estava em cada canto. Às vezes era possível ouvir a sua voz.
Entrei no meu quarto pela última vez. Olhei as prateleiras agora vazias, o colchão sem sua coberta.
Abri a porta de casa e fiquei alguns minutos na varanda. Era uma casa linda aquela. As escadas eram antigas e resistentes, mas o fato era que eu amava viver ali, eu amava Gramado e as pessoas que aqui viviam. Mas teria que partir.
Respirei fundo e fui caminhando até o portão sem ousar olhar para trás. Fui ao hospital onde meu pai estava internado. Entrei em seu quarto e fiquei o observando sem ter o que dizer. Só beijei sua testa e sai o mais rápido possível antes que me arrepende-se.
Por último fui ao cemitério. A névoa da manhã ainda cobria os túmulos. Cheguei ao túmulo da Senhora Helena Fernandes Rosa, minha mãe. Fiquei sentado ali por um bom tempo. Por fim prometi a sua alma, onde quer que ela esteja que eu voltaria com a paz. Eu me negava a chorar, não gostava de chorar, mas ali foi inevitável.
Fui caminhando devagar até a rodoviária. Agora eu me sentia pronto, ou metade de mim se sentia assim. Seria uma nova batalha que eu enfrentaria sozinho, como um pequeno veleiro no meio do Oceano Atlântico, em uma tempestade. Quebrando as ondas de minha dor.
I. Loucura
O despertador tocou insuportavelmente. Eu havia esquecido o quanto é chato aquele barulhinho irritante bem no seu ouvido. Era o primeiro dia de aula, eu estava no 3°ano do médio e havia passado com sufoco na matéria de Física, depois de dedicar horas de estudo em pleno janeiro para conseguir a media. Valeu muito à pena, pois eu não queria rodar pela segunda vez no mesmo ano e por causa da mesma matéria.
Levanto lentamente, sem vontade nenhuma. Escola, tudo de novo! Fui ao banheiro e pude sentir o cheiro de torrada com peito de peru, minha mãe já esta acordada. Lavei meu rosto e me olhei no espelho. Cara inchada de tanto dormir, palidez, embora seja verão minha pele não se concilia com o sol.
Tomei um banho bem demorado, para espantar toda a preguiça das férias. Escolhi uma camiseta regata branca que por sinal eu não usava há muito tempo, por cima, um colete preto de couro com tachas metálicas, minha calça jeans desbotada e meu bom e fiel amigo, All Star. Penteei meu cabelo que estava comprido demais e sem corte e quando olhei o relógio, voei do quarto o mais rápido que eu pude. Passei reto pela cozinha e deixei minha mãe falando sozinha. Minha mochila estava pesada e os livros estavam desajeitados, o que era desconfortável para minhas costas. Dane-se, eu estava atrasada e não podia parar para arrumá-los. Cheguei à escola esbaforida, havia batido há oito minutos. Entrei na secretaria e pedi um bilhete para entrar. Rosane, a secretária que eu conhecia desde os sete anos sorriu com os mesmos dentes tortos de anos e me indicou a sala. Droga! Não podia acreditar que eu estava na turma 305! Todos diziam que iriam botar os piores alunos nessa turma!
Respirei fundo antes de entrar na sala e bati na porta delicadamente, segundos depois, ouvi vozes que diziam “entra”. Abri a porta devagar e olhei para meus novos colegas. Nem Camila nem Andressa eram minhas colegas, ninguém com quem eu falava o ano passado.
Passei reto, até a mesa da professora Rita, que o ano passado me dava aulas de português, assumira esta mesma matéria para os 3°s anos. Ela me olhou com aqueles olhos brilhantes, escondidos atrás de óculos retangulares e disse gentilmente: “bem-vinda Alexia” e me apresentou para a turma.
- Gente, essa é a Alexia, creio que todo mundo a conheça, é velha aqui no Castro de Abreu.
-Essa é a ex do Gabriel, ainda bem que ele voltou a usar óculos. — debochou um garoto rindo da sua piadinha sem graça.
- Pelo menos não é ela que é confundida com o papai-noel quando está de vermelho — falou uma garota que foi minha colega na sétima série, se chamava Bianca. Em seguida toda a classe caiu na gargalhada e eu me sentei discretamente lá no fundo, na última classe. Que ótimo sofrer bullyng no primeiro dia de aula.
- Chega, ainda falta muito para o intervalo pessoal. – falou a Prô Rita apanhando um giz e começando a escrever no quadro. Uma das tantas coisas que eu admirava na pro Rita era o controle que ela tinha sobre os alunos. Ás vezes uma só palavra que ela dizia acabava com qualquer agitação fora de hora.
Enquanto eu copiava o texto que estava no quadro, percebia alguém do outro lado da sala me observando. Eu olhei discretamente para meu observador. Era um garoto que aparentava ter uns dezoito anos, vestia-se todo de preto e usava uma bota no estilo militar. Tinha cabelos pretos e uma barba rasa cobrindo sua face branca. Devia ser novo na escola, pois eu nunca o vira antes.
Seus olhos desviaram-se rapidamente quando encontraram os meus e ele tentou parecer concentrado na cópia do conteúdo.
O sinal me pegou de surpresa e eu não tinha terminado de copiar. “dane-se”, pensei os textos de retomada não eram importantes. Agora era química com a professora Karina, que me deu aula de matemática na sexta série. Esse foi o único ano em que não precisei fazer recuperação para atingir a média.
Karina entrou na sala com aquele jeito rápido e simples de agir e os dois períodos de química passaram voando.
Até que enfim, o intervalo. Aquela sala, aquela gente barulhenta, a turma 305. Estava chato demais para o primeiro dia de aula na escola de sempre. Eu saí da sala devagar e ao passar pela porta, fiquei lado á lado com a Bianca, era uma oportunidade de agradecer por ela ter me defendido.
- Ei, Bianca, valeu por ter me defendido àquela hora. Acho que fiquei com um pouco de vergonha – falei, tentando parecer natural. Ela me olhou com um olhar interrogativo e, segundos depois, despertou o cérebro lembrando-se do que eu estava falando.
- Ah... O Pedro é um idiota, não foi por você. – disse Bianca, sem olhar pra mim e se afastando rapidamente.
Nossa!Quanta frieza! Até parece que foi ofendida. Bom... Era melhor eu sair da porta e ir procurar minhas amigas. Caminhei até o pátio principal e fiquei próxima à porta do refeitório. Então, enxerguei Andressa e Camila vindas ao longe, e quando me viram, apressaram o passo.
- Alexia, em que turma você está?- perguntou Andressa, com curiosidade;
- Eu...
- Gente, a nossa turma é legal, né Andressa? – interrompeu Camila
- Estou...
- Até que eu gostei também... – confirmou Andressa
- Na turma 305! – falei já cansada das interrupções...
- 305? – perguntaram minhas duas amigas, olhando indignadamente
- É... Sei que é a pior turma, mas né, a culpa não foi minha. – falei com indiferença
- Mas só os piores são os seus colegas? – perguntou Camila
- É, mas não ligo se forem piores em desempenho, até porque eu não sou boa o bastante para julgar ninguém, quero dizer que são os piores em atitudes, só tem poser, piriguetes, maloqueiros, mongolão, e tal...
- Nossa, que ruim, mas quem sabe você troca de turma. – soltou Andressa
- Nem vale a pena... Deixa que eu sobreviva a isso, saio viva dessa. — brinquei, querendo mudar de assunto.
- Será que a gente pode ir pra cantina? Eu to com fome e se a gente ficar paradas aqui não vai sobrar nada – falou Camila verificando o dinheiro no bolso
Em seguida fomos para a Cantina e sentamos por lá mesmo. O intervalo passou voando como todo o típico primeiro dia de aula.
Despedi-me de minhas amigas e fui para a sala de aula, sentei na cadeira e notei que tinha chegado cedo demais, só o cara que me observava estava na sala me olhando de novo. Isso já estava me deixando irritada...
- Oi – resolvi falar já que ele mal piscava ao me encarar
- Quem é você? Porque fica invadindo a minha vida? – falou ele com um olhar que expressava raiva. Assim que ele acabou de falar as palavras, eu gelei por dentro. Como assim, “eu invadi a sua vida”? Fiquei sem saber o que falar, quando as palavras mais adequadas surgiram em minha mente, apareceu do nada toda a turma de uma vez só, barulhenta como sempre e incansáveis começaram a contagiar o lugar. Resolvi me virar, atônita, sem ter o que falar. Cara doido, nem o conhecia, nem o seu nome eu sabia!
Os dois últimos períodos passavam arrastando-se e eu já estava cansada (no primeiro dia de aula). Quando bateu o sinal senti o alívio em minha mente e arrumei as minhas coisas o mais rápido que eu pude, acho que fui a primeira a sair da sala. Quando estava cruzando o portão senti uma mão furiosa agarrando o meu braço com toda a força. Virei para trás e me deparei com aquele garoto de novo.
- Não vai me responder? – disse ele me impedindo de continuar o percurso para casa
- Responder o que? O que quê você quer? Nem te conheço!
- Para de fingir garota! Você sabe do que estou falando. Encontre-me hoje perto do parque. Se você não vir vai ser pior pra você!
- Ãn? Como assim? — Falei apavorada, enquanto ele se afastava rápido, colocando um capuz na cabeça, embora estivesse calor demais para isso.
Fui para casa pensando no que ele havia me dito, e pensando no que fazer, ir ao parque perguntar o que aquele garoto queria dizer com as coisas que ele me disse.
Cheguei a minha casa fui direto ao meu quarto tomei um banho, relaxei e fiquei pensando se ia ir ao encontro daquele garoto estranho e bizarro ou se ficava ali matutando, tentando adivinhar o que ele queria dizer com aquelas coisas.
Bom, decidi ir a encontro dele, pensei melhor ir e resolver de uma vez por todas essa história estranha. Vesti-me com um short jeans, uma camiseta justa preta e um cinto, coloquei meu All Star velho fui ao parque, não consegui tirar o assunto da minha cabeça, e esqueci-me de olhar para o lado na hora de atravessar quando, de repente, sinto alguém me puxando pela cintura. Assustada olho pra trás e vejo aquele garoto que me puxa pra perto dele, com um olhar bobo, me pergunta:
- Você está bem? Foi por pouco hein? – ele deu um riso meio maroto.
Eu ainda assustada, respondi.
- É estou, nem tinha reparado que estava chegando.
- Pois é eu percebi. — Ele me disse, e sem demora eu lhe perguntei.
- Estou aqui garoto, o que você quer comigo?
Ele não respondeu. Logo perguntei novamente.
- Ande garoto, eu não tenho o dia inteiro, me responda!- falei, afastando meu corpo de suas mãos que ainda estavam envolvidas em minha cintura.
Mal falei isso e fui puxada pelo braço, ele começou a me arrastar com ele para um lado escuro do parque e eu sem entender fui exclamando:
- Pára seu doido! Para onde estamos indo? – falei exigindo uma resposta:
-Você é tão hipócrita! Você é que tem que me explicar o porquê de tudo o que já aconteceu. – falou ele se embrenhando comigo dentro da mata que havia do outro lado da rua do parque. Agora sim eu estava mais confusa ainda, não sabia o que pensar, não sabia se sentia medo, não sabia quem era ele e com quem eu estava me metendo. Chega, estava na hora de acabar com aquela situação ridícula de uma vez por todas:
- Chega! Eu não vou a lugar nenhum com você, antes de saber quem você é e o que quer comigo!- ordenei puxando-o para que ele parasse de avançar mata á dentro. Por alguns segundos ele permaneceu parado de costas para mim parecendo raciocinar o que eu estava falando ou elaborando uma resposta convincente.
Em seguida, ele se virou para mim devagar e com um olhar aparentemente calmo e disse:
- Você está com amnésia ou esta fingindo que não sabe de nada? Primeiro você começa a invadir os meus sonhos sem mais nem menos, depois começa a adivinhar meu futuro, depois começa a fazer aparições me pedindo socorro, dizendo que eu fui escolhido para “impedir” e depois aparece em carne e osso fugindo de mim! Quem você pensa que é pra mudar fazer a minha vida mudar de cabeça pra baixo e depois simplesmente esquecer?!
Demorei alguns segundo para absorver toda aquela informação. Realmente comecei a acreditar que ele estava perturbado ou drogado, comecei a ter medo. Talvez ele tenha me confundido? Ou talvez estivesse brincando? Era uma situação muito tensa para ser verdade. Reuni o máximo de argumentos que pude e olhei bem para dentro de seus olhos:
- Olhe aqui, a única coisa que eu tenho pra dizer é que você me confundiu com outra pessoa, ou que você está drogado e por isso esta falando essas coisas sem sentido. Eu nunca te vi antes na minha vida, não sou nenhuma vidente, não tenho poderes especiais e não preciso de nenhum tipo de socorro, muito menos vindo de você que é um desconhecido. – falei olhando pra ele com um olhar que expressava tranquilidade, mas que na verdade escondia certa tensão que eu estava sentindo. Em seguida virei às costas para ir embora, mas ele me impediu com indignação:
- Por que você não se lembra?! O que aconteceu?! Eu tenho sonhado com você a mais de um ano, por isso me mudei para essa cidade, porque você me pediu, porque você me fez acreditar que valia a pena! Eu achei que era real, que não eram alucinações tudo o que você me dizia, tudo o que você me revelou!... Eu não consigo entender. – falou ele pensativo, olhando para o nada e me deixando sem ação.
- Sério, acho que você deve estar confundindo seus sonhos com realidade. Procura um psicólogo ou algo do gênero pra entender essas coisas que você acha que são reais. Só não me mete mais nisso e não sai por aí abordando as pessoas que você acha que fazem parte dessas suas fantasias. – falei, afastando-me rapidamente e deixando-o lá no meio do mato, sozinho e perturbado.
Tudo o que eu queria agora era ir para casa e nunca mais ver aquele cara na minha vida. Nunca tinha acontecido algo tão absurdo, bizarro, sinistro assim comigo, eu tinha vontade de rir, mas algo dentro de mim fazia a situação parecer séria, o que me deixava intrigada.
Cheguei a casa, fui direto pra cozinha. Abri a geladeira e nada dentro dela me atraiu então fui para o armário e encontrei aquela bolachinha amanteigada que eu adorava. Enchi meu copo com leite e coloquei um pouco de Nescau. Deitei no sofá e fiquei assistindo um antigo filme que já tinha visto umas 10 vezes e mesmo assim adorava, embora minha mente estivesse longe, pensando onde estaria aquele garoto, e porque que eu, justo eu, fazia parte de sua “loucura”.
Adormeci no sofá e acordei com o cheiro de pizza vindo da cozinha e ouvindo as gargalhadas de minha mãe que provavelmente estava fofocando no telefone com a minha dinda, que eu só chamo e dinda pelo óbvio respeito que preciso demonstrar para a minha mãe. Aquela mulher para mim era só mais uma das antigas amigas dela, totalmente desconhecida, que apertava as minhas bochechas e achava que comprava meu carinho com um picolé de limão.
Fui direto para o quarto, separei um pijama e fui tomar banho para anestesiar toda a tensão daquele dia e em seguida me olhei no espelho: Aquele cabelo comprido e quebradiço estava me agonizando, era hora de cortar, embora o primeiro dia de aula já tivesse acontecido e todos já tinham visto aqueles 40 centímetros de horror pobremente descolorido. Peguei uma tesoura, depois peguei a Gillette e tirei a lamina dela, para desfiar depois que eu reduzisse o comprimento.
Fui para frente do espelho e respirei fundo. Comecei a cortar de leve, mas depois perdi o medo e soltei a tesoura sem dó nem piedade até a altura dos ombros, o comprimento ideal. Cortei a minha franja em degrade para que eu pudesse usá-la de lado. Bom, agora era hora de desfiar as pontas: fui desfiando com cuidado para que não ficasse muito volumoso. Por fim, olhando novamente para o espelho depois do trabalho feito gostei do que vi, ficou espontâneo e leve, deixou meu rosto menos “cansado”. Agora era hora de ir para a cozinha, enfrentar o olhar de espanto da minha mãe, discutir com ela, ouvir ameaças de corte do celular ou da internet, caso eu cometesse outra loucura, e por fim, poder jantar! Mas acho que eu podia pular todo esse transtorno...
- Mãe, pode deixar o meu prato em cima da minha cama? Eu estou quase saindo do banho. – menti o meu banho já tinha terminado há muito tempo.
- Ah filha, vem pra sala com a sua mãe, eu vou ficar aqui sozinha? – gritou a minha mãe provavelmente arrumando a bagunça e os farelos de bolachinha que eu deixei no sofá. Deu vontade de ir lá com ela mesmo, para evitar que a discussão se desse de manhã e que eu a fizesse ir trabalhar de mau humor, mas isso ia parecer muito cansativo.
- Mãe, por favor, deixa o prato no meu quarto? – falei esperando não precisar argumentar.
- Tudo bem Alexia, só sinto saudades do tempo em que você me contava sobre a sua vida, mas se você prefere assim... – falou a minha mãe, desapontada. Eu não queria que ela ficasse magoada, mas agora não era hora de uma discussão então preferi ficar calada.
Fui para meu quarto e comi a fatia de pizza que ainda estava quente, depois fiquei um pouco no Twitter e adormeci ouvindo Blink 182.
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