Sabia! Sabia que tinha sido ele! Não, não sabia. Espera aí... Ele? Lucas? Sério? Um menino da minha sala, da minha idade, meio bobo e infantil... Era ele que estava no meu sonho? Mas porque?

Eu estava com mil perguntas na minha cabeça, como sempre. Esse era um problema que eu tinha constantemente pela quantidade de coisas que acontecem de vez na minha vida e eu fico sem tempo para resolve-las com calma. Mas aí esqueci de todas essas perguntas e apenas lembrei de como ele me fez rir e esquecer o quão mal eu estava. Deve ser por isso que sonhei com ele, porque ele consegue aliviar a dor. Além de ser meu amigo e muito fofo... Bom, não que isso signifique nada, certo? Será?

Continuei conversando com Lucas o resto da aula, e cada vez mais percebendo como ele era fofo e gentil comigo, além de engraçado, mesmo com aquele seu jeito meio "de criança" e bobinho. Bom, mesmo assim, tinha que me focar em outras coisas e me concentrar em algo que não fosse homens! Já tive experiências ruins demais em um ano só! Tinha que me distrair com outro tipo de coisa... Mas o que?

Cheguei em casa meio que flutuando, com um sorriso bobo no rosto. Minha mãe foi logo perguntando o que eu tinha e se era dor de barriga ou algo do tipo. Minha mãe... Era outra que conseguia falar mais besteiras do que eu! Falei que não, que tinha apenas sido um dia muito bom. Percebi a cara da minha mãe de "Nossa, que milagre!" e me senti meio ofendida. É como se eu fosse a pessoa mais depressiva do mundo, mas na verdade eu não era. Só estava passando por um momento difícil. Por falar em momento difícil, uma das mil perguntas que estavam na minha cabeça reapareceu, martelando e me deixando louca... "Porque o Gu saiu do colégio?" Tive que descobrir e tentei falar com um amigo nosso em comum. Abri sua página no Facebook e pra que? Vi muitas fotos dele com o novo casal de pombinhos. Pareciam mais felizes do que nunca. Minha barriga embrulhou. Como uma pessoa pode ficar com a outra por tanto tempo e desaparecer completamente, sem sentir nenhum pingo de falta? Sem nem pensar de vez em quando? Eu ia vomitar, tinha que me distrair com algo ou arranjar algum tipo de cirurgia que removesse de vez borboletas do estômago. Tomei um banho quente e fui para o meu quarto, tentar (tentar mesmo) estudar. Achei que conseguiria estudar Biologia, já que é minha matéria preferida, quando achei um caderninho rosa bebê, de veludo e em um saquinho fofo, como se tivesse sido embrulhado para presente. Abri e vi que estava todo em branco, sem nenhum risquinho. Estava com tantas coisas passando pela minha cabeça que comecei a escrever tudo, desabafar nas folhas de papel e me senti muito mais leve.

"Porque não ter um diário?" pensei. Fiquei com um pouco de medo da minha mãe ler, mas ela já teve minha idade, deve entender que um diário seria uma coisa secreta e intima minha, não sei... Mas, outra pergunta surgiu na minha cabeça: de onde surgiu aquele caderno? Obviamente não foi da minha mãe e nem do pai, pois eles teriam me dito se tivessem me presenteado com algo, como qualquer outro parente meu se tivesse o feito. Alguma amiga? Acho que não, senão eu teria me lembrado e já teria começado a usa-lo há muito tempo. De onde será que veio esse diário?