Tentei não pensar em como aquilo foi parar ali e simplesmente desabafei. Afinal de contas, que garota não gostaria de ter um diário? O tempo foi passando e... Gustavo? Quem é esse? Me inspirei tanto com meus textos que esqueci até de me preocupar com isso. Sempre tive uma paixão quase incontrolável por moda e compras, então dei um jeito no meu guarda-roupa, formei um brechó, montei um closet... E no amor? Digamos que me aproximei do Lucas... Até nos beijamos e chegamos a namorar. Mas como eu suspeitava...

– Será que pelo menos uma vez você pode parar com essas besteiras? — disse, super irritada. Namorando com o Lucas, descobri que não era a única a ter sérios problemas em casa e na vida social. Ele tinha VÁRIOS problemas com o pai que o batia. E não sei se isso o deixava maluco a ponto dele descontar tudo em mim. Tudo o que eu falava, qualquer comentário ou besteira que fosse, o deixava chateado.

– Não to com besteira nenhuma! Sério! Só acho engraçado quando você fica invocada comigo... — Disse ele dando um sorriso de lado. Ele era realmente bonito. Colocou uma mecha de cabelo minha de lado e me deu um beijinho da bochecha pra minha boca.

Sei que ele estava disfarçando algo de errado que estava havendo com ele. Ficando sentido com meus comentários? Uma marca roxa em seus braços e um arranhão na sua bochecha? Ele tinha brigado com o pai de novo. Mas porque não contava pra mim?

– Além do mais, eu simplesmente não sou maluco, é isso!

– Lu, psicologia não é pra gente maluca! Eu frequento um psicólogo uma vez por semana e é ótimo pra desabafar sobre qualquer coisa. Eles são super confiáveis.

– Você frequenta? É justamente isso que eu quero dizer. — Me chamem de idiota, de burra, mas não me chamem de maluca. Acho que depois de alguns meses frequentando a área de psiquiatria tomando anti-depressivos faz com que "maluco" vire uma ofensa pra qualquer um.

– Então eu sou maluca? É isso? — Levantei e saí andando pra casa. Escutava ele atrás de mim, dizendo que o remédio havia me deixado louca, mas não suportei. Fiquei vermelha de raiva. Que tipo de príncipe eu fui arrumar, hein?!

Fui dormir com a discussão que tive com Lucas na cabeça. Até que o telefone tocou de 2 horas da madrugada...

– Bela? Desce! Por favor! — O que? Não reconheci a voz de tanto sono que eu estava. — Bela, é o Lucas, desce! — Ele tinha bebido de novo.

Estava com uma camisola de seda rosa, então coloquei o roupão de seda também rosa, só que em um tom mais claro, calcei umas pantufas e alertei minha mãe. Minha mãe sabia dos problemas do Lucas com o pai e ficou tanto preocupada quanto eu. E se eles tivessem brigado sério e ele o expulsara de casa?

Desci parecendo uma maluca, três andares nunca demoraram tanto. Cheguei e o abracei.

– Lucas! Você tá bem? Ele te machucou?

– Me machucou? Quem? Meu pai? Ele nem sabe que eu vim. Vim aqui dizer que desculpa e que te amo. Sério, você não é doida, só às vezes, mas mesmo assim... — Que bafo de cachaça. — Vim aqui dizer isso... Posso ficar aqui? Meus pais vão me matar.

– O que? Onde você tava e o que você bebeu? PORQUE você bebeu tanto assim?

– Vai, amor... to com sono, me deixa subir...

– Não, você não vai, vou te deixar em casa agora. — Sabia que minha mãe ia ficar chateada, mas mesmo assim me ajudou, descendo e o levando de carro.

Não aguentava mais aquilo. Aquele não era meu príncipe.