O Devorador de Ossos
7 Saímos do porto
Poooooow. Esse foi o barulho que escutamos quando o container foi colocado no navio.
–O que houve com minha mão? — perguntou Gustavo desesperadamente.
–Você se lembra do pássaro-monstro e da empilhadeira-humana? — perguntei.
–Sim, mas... — Gustavo fez um olhar de pena. — Como?
–A empilhadeira... — Gabriela disse olhando para mim. — Ela... Tinha duas lâminas. Ela investiu em você e cortou sua mão. Você desmaiou.
Gustavo olhou para baixo e balançou a cabeça. Gabriela e eu passamos a mão nas costas de Lheo, que começou a chorar. Uma chama apareceu na mão que restara, ele a apagou.
–Meu arco... — disse Gustavo. — Como? Como vou usá-lo?
–Daremos um jeito. Relaxe. — respondeu Gabriela.
–Campo de Lorem. Precisamos de Leonardo. Mas, como vamos para lá? — perguntei. — Existem portas para lá em todo lugar, não é?
–Acalme-se, Zane. — Gabriela explicou. — Nós só podemos entrar no Campo de Lorem por outra porta com a autorização de um Guerreiro do país. Por exemplo, assim que chegarmos à Itália, se um Guerreiro italiano nos permitir entrar, nós entramos.
Mordi os lábios.
–Podemos improvisar algo para colocarmos no lugar da mão de Gustavo. Aqui existe vários containers de latão. Podemos usar um pedaço deles, moldar, não sei. — sugeri.
–Enfim. Vamos sair daqui e analisar o navio. — interrompeu Gabriela.
–Temos de roubar três roupas do navio. — disse Gustavo. — Assim passaremos despercebidos.
–Boa ideia! — disse.
Abri a porta do container e pisei no lado de fora. Uóóóóóó. Estávamos nos containers do topo. Eu caí. Me segurei no container debaixo.
–Zane! — gritou Gabriela. — Se segura! Vamos te ajudar. Acalme-se.
Gabriela e Gustavo trocaram olhares. Gabriela abriu sua mochila e tirou uma corda. Amarrou a corda em um saco de trigo e colocou alguns sacos em volta.
–Pronto. Zane, tente escalar. — disse Gabriela.
Balancei a cabeça positivamente. Comecei a movimentar os braços. Como eu sou pesado, pensei. Movimentei as pernas. Consegui subir alguns centímetros. Depois de alguns minutos eu peguei o jeito e consegui escalar o container.
–Ufa. — disse eu aliviado. — Essa foi por pouco, tinha me esquecido desse risco. Obrigado.
Deitei na minha cama de sacos de trigo e relaxei. Quanta tensão em um dia. Gustavo e eu quase morremos.
–Como vamos fazer para nos locomover? — perguntei.
–Podemos amassar com fogo os containers de forma com que fizesse uma escada. — sugeriu Gustavo.
Gabriela e eu concordamos. Sugeri que Gustavo descesse pelo ar, já que eu conseguia levitar uma pessoa.
–Eu vou descer Gustavo até o chão com o ar. Depois, vou subindo você. — disse eu apontando para Lheo. — Enquanto você sobe, vai fazendo furos nos containers com fogo. Que tal?
Gustavo concordou. Desci Gustavo.
–Pode começar a furar! — gritei.
Gustavo fez com que uma chama aparecesse em sua mão e fez um furo, mais ou menos de 30x20 centímetros. Ele fez um acabamento para que não cortássemos as mãos e pés quando escalássemos. Ele repetiu o processo diversas vezes até chegar ao topo.
–Vou descer. — disse eu com o trabalho terminado.
Todos concordaram. A descida foi fácil. Em poucos minutos já estava no chão do navio. Gabriela desceu e em seguida fiz com que Gustavo levitasse até o piso, já que ele não consegue mais escalar. Um tripulante apareceu.
–Deixa comigo. — disse.
Corri em direção ao homem e dei-lhe um soco no meio da cara. Abri um container e o joguei lá. Tirei suas roupas e coloquei em mim. Elas ficaram um pouco grandes, mas dá para o gasto. Tranquei o tripulante no container.
–Não acha maldade de nossa parte deixar um inocente num container? — perguntei.
–Talvez, mas, onde vamos deixá-lo, então? — respondeu Gabriela.
Gustavo viu outro tripulante. Atacou o homem e o jogou no mesmo container no qual eu havia jogado outro homem. Um outro tripulante apareceu.
–Sua vez, Gabriela. — disse Gustavo.
Gabriela investiu no tripulante, que caiu no chão. Gabriela o jogou no container e pegou suas roupas.
–O que vamos fazer com eles? — perguntei.
–Hum. Não... — Gustavo foi interrompido por um estouro dentro do container. De lá, saíram três monstros reptilianos. — Já sei o que fazer.
–Gustavo, corra. Você não pode lutar, não agora. — disse Gabriela.
Toquei minha tatuagem e Bonzo apareceu. Investi em um monstro. Cortei o braço dele, que urrou de dor. Gabriela investiu no monstro no meio. Ela furou o olho do bicho e depois sua traquéia. A criatura derreteu.
–Hum. Boa. — disse.
Investi no mesmo monstro que ataquei anteriormente. Cortei a traquéia do bicho, assim como Gabriela. A criatura evaporou. O monstro que sobrou atacou Gabriela, que esbarrou em um container e caiu. Fiquei furioso e ataquei o réptil. Antes que Bonzo atingisse o monstro, a criatura m investiu em mim e me jogou para o alto. Caí no chão. Pensei que ia morrer. Mas o monstro virou fumaça diante de meus olhos.
–Cuidado, Zane. — disse Gustavo, rindo.
Ri junto com Lheo.
–Obrigado. — disse.
–O.K. Vamos ver Gabriela. — respondeu Gustavo.
Me levantei e corri à Gabriela, que estava acordada, porém estava confusa. Abanei o rosto de Gabriela e ela começou a melhorar.
–Uau, essa foi por pouco. Vamos investigar o navio. — disse Gabriela.
Gustavo e eu ajudamos Gabriela a levantar. Andamos até a porta dos dormitórios. Aquilo parecia um labirinto. Cheio de canos e portas. Havia uma placa.
Control Tower — right
Dormitories — left
Toilet — left
–Vamos à esquerda, em busca dos toaletes. — disse Gustavo.
Assentimos e seguimos à esquerda. Tinha outra placa.
Woman
Man
–Gabriela, analise o banheiro das mulheres. Zane e eu vamos analisar o banheiro masculino. — disse Gustavo.
O banheiro masculino tinha aproximadamente dez metros quadrados. Havia cabines de banho e de privadas. Parecia limpo. Saímos e fomos ao lado de fora esperar Gabriela.
–Limpo. — disse Gabriela depois de alguns minutos de espera.
–O masculino também. Vamos analisar o resto do navio, entrar em casa porta e ver no que sai. — disse Gustavo.
–Hello! — disse um tripulante.
–Hey! — respondi.
O homem entrou no banheiro.
–Vamos entrar naquela porta! — ordenei.
Abrimos a porta. Tinha uma escada. Descemos três andares e chegamos a um depósito.
–O que vocês fazem aqui? — perguntou um sentinela.
Dei um chute na barriga do sentinela e corri. Gabriela e Gustavo me seguiam. O sentinela levantou e chegamos ao final do depósito. Sem opção disse:
–Vamos entrar aqui! Nesse tubo de ar condicionado. — murmurei.
Gustavo derreteu os parafusos e entramos. Gustavo entrou primeiro, Gabriela foi em seguida e eu fui o último. Fechei a grade do ar condicionado e começamos a engatinhar pelo tubo. O sentinela apontou sua lanterna ao ar condicionado.
–Foi por pouco. — disse Gabriela.
Chegamos a uma bifurcação do tubo.
–E agora? — perguntei.
–Direita. — respondeu Gabriela.
Obedecemos. Seguimos o tubo direito. O navio começou a balançar. Bati a cabeça com tudo na parede de alumínio. Gustavo disse para que ficássemos parados até o navio parar de balançar.
–Acho melhor nós continuarmos a rastejar até encontrarmos uma saída. — disse Gabriela.
–Tudo bem. Vamos! Engatinhando. — ordenou Gustavo.
Após alguns minutos na tubulação, encontramos uma saída. Eu espiei pelas frestas da grade.
–Temos de tomar cuidado. — disse. — A sala de comando é aqui. Gustavo, derreta os parafusos.
Gustavo obedeceu. Eu fui o primeiro a sair. O comandante estava usando fones de ouvido no máximo, dava para escutar os chiados do que ele estava ouvindo. Gabriela foi a segunda e Gustavo o último. O capitão levantou e pegou uma rosquinha. Eu gelei.
–O.K. Como vamos sair daqui? — cochichei.
–Ali, uma porta, podemos abri-la e sair. O comandante não irá nos ouvir. — murmurou Gabriela.
Fomos engatinhando até a porta. O comandante virou-se e quase nos viu. Eu levantei e corri atrás de um pilar, enquanto Gabriela e Gustavo foram debaixo da mesa do capitão. Fiz um sinal para que eles viessem até a mim. Gabriela mexeu os lábios, decifrei que ela disse como?. Pensei. Vi uma caneta no chão. Rastejei até ela e a joguei na parede. O comandante se virou e foi ver o que era. Nesse meio tempo, Gustavo, Gabriela e eu abrimos a porta e saímos correndo.
–Foi por pouco. — disse.
–Vamos voltar até o nosso container. Podemos, mais tarde, criar pontos de encontro e descobrir passagens. — sugeriu Gabriela.
–Seria bom. — Gustavo concordou.
Passamos pela porta dos dormitórios e dos banheiros. E, enfim, chegamos ao pátio de containers. Caminhamos mais alguns metros e chegamos até o nosso.
–Zane, suba primeiro. — disse Gustavo.
Assenti. Comecei a escalar. Depois de alguns minutos, consegui chegar ao container. Destranquei a porta e entrei. Gabriela subiu. Em seguida, levitei Gustavo.
–Lar doce, ahn, salgado, lar. — ironizou Gabriela.
Gustavo e eu rimos. Ouvimos vozes. Abri com calma a porta do container e olhei para baixo. Chamei Gabriela.
–Mallums. Droga. — disse Gabriela, furiosa. — Temos de tomar cuidado com eles. Eles sabem que nós estamos aqui, mas sabem aonde.
Fechamos a porta e pensamos em um plano para nos livrar deles.
–Devemos achar onde eles dormem, se reúnem. — disse Gabriela. — Se for um container, você, Zane, irá jogá-lo no mar. Caso contrário, devemos pensar em alguma outra coisa.
Gustavo e eu assentimos.
–Eu desco e sigo eles.
–Zane, não. É muito perigoso. — disse Gabriela.
Fiquei furioso e retruquei.
–Gustavo perdeu a mão por nós. Eu posso segui-los! E eu vou!
–Eu não quis perder a mão, né ô! Cabeça de vento! Obedeça Gabriela. Nós podemos ir juntos, se quiser.
–Isso, Zane. Ouça o Gustavo! — disse Gabriela.
–Agora, vamos dormir, já está tarde. — terminou Gustavo.
–Eu preciso ir ao banheiro. — Gabriela reclamou.
–E eu também!
–O.K. Leve Gabriela ao banheiro em segurança, Zane. — ordenou Gustavo. — Eu vou dormir.
Assenti. Levitei Gabriela e eu. Descemos calmamente até o chão. Caminhamos até a porta do banheiro.
–Fica de vigia? Por favor.
–Claro, Gabriela.
Gabriela entrou no banheiro. Após alguns segundos ouvi um chamado.
–Zane-e-e-e!
Entrei com tudo no banheiro.
–Uma barata! — disse Gabriela.
Olhei para o rosto de Gabriela e ri. Pisei na barata e saí do banheiro. Após alguns segundos Gabriela saiu de lá.
–Pronto. Agora pode ir ao banheiro. Vou ficar de vigia. — disse Gabriela.
Assenti. Entrei no banheiro e fiz xixi. Lavei as mãos e saí.
–Pronto? — perguntou Gabriela.
–Sim. Vamos.
Caminhamos e chegamos ao pátio de containers. Gabriela sugeriu que fossemos observar o oceano. Assenti.
–Uau... A Lua está linda. — falei.
–Sabe, há alguns anos atrás fiz um cruzeiro. Foi o momento em que me senti mais forte.
–Entendo. Acho o oceano magnífico. — comentei.
O navio começou a balançar. Gabriela se desequilibrou e caiu da grade. Tchuáááááá. Esse foi o barulho de quando o corpo de Gabriela atingiu a água.
–Não! Gabriela! Gabriela! Gabriela! — gritei.
Sem resposta. Peguei uma bóia e a joguei no oceano. Eu não conseguia enxergar Gabriela no escuro. Avistei uma lanterna a cem metro de mim. Corri e fui pegá-la. Acendi e apontei no mar. Não avistei Gabriela. Fiz com que o ar me levitasse até o oceano. Passei a mão na água, estava muito gelada. Uma onda vinha em direção ao navio. No horizonte, avistei uma tempestade. O mar começou a se agitar. A onda veio e quebrou no casco do navio. Vi o corpo de Gabriela sendo jogado contra o costado. Voei até lá e peguei-a pelos braços. O ar me levitou de volta ao navio.
–Gabriela? — perguntei.
Ela gemia. Fiz com que o ar nos levitasse até o container onde estávamos ficando. Gustavo acordou.
–O que houve? — perguntou Gustavo.
–Ela caiu no oceano quando o navio balançou. Ela não deveria estar intacta? Ela domina a água.
–Mallums... — gemeu Gabriela.
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