O Devorador de Ossos
11 Fim do navio
Gustavo estava com hematomas em todo o corpo. Sua camisa estava rasgada e seus cotovelos ralados. Ele gemia, mas estava consciente.
–Eu estou... — gemeu Gustavo. — Bem.
Fabrizio colocou Gustavo em seus ombros e fomos até a moradia de Fabrizio. De repente, o navio começou a balançar mais do que o normal. O chão começou a se inclinar e a caminhada estava ficando cada vez mais difícil. Quando olhei para trás não vi o final do navio, apenas água. Estávamos afundando.
–Não! Não! — gritei apontando para trás. Uma sirene começou a tocar.
–Temos de pegar um bote salva-vidas! — disse Fabrizio. — E rápido. Zane, leve-nos até um!
Assenti e levitei Fabrizio, Gustavo e eu até um bote. Fabrizio usou sua espada e cortou as cordas que prendiam o bote. Caímos na água. Olhei para o casco do navio, estava rasgado. Provavelmente o peixe-monstro havia cortado aquilo com suas garras.
–Aqui sem suprimento para semanas em alto mar. — disse Fabrizio. — Iremos sobreviver, mas nós precisamos saber aonde ir. Estávamos indo à Noroeste.
De repente, tive uma ideia. Certa vez Gabriela me dissera que o smartphone dela sempre funcionava, em quaisquer situações.
–Já sei! — peguei meu celular de meu bolso. — Aqui! Tem GPS.
Meu smartphone estava sem bateria. Tentei ligá-lo, sem resposta do aparelho. Tive outra ideia, segurei-o com as duas mãos e fechei os olhos. Uma brisa veio e meu celular começou a ligar. Já estava com saudades daquela música de início. Desbloqueei a tela e coloquei no GPS. O smartphone dizia que já estávamos no Mar Mediterrâneo. Era só continuar navegando à Leste.
–Aqui! — disse eu mostrando a tela do meu celular para Fabrizio e Gustavo. — Falta pouco! Muito Pouco.
Todos pareceram felizes.
***
O sol começou a se pôr e a temperatura começou a cair. Depois de uma discussão amigável, decidimos que eu iria pilotar o barco naquela noite. Não sabia nada de navegação, mas era só acelerar e virar o volante. Fabrizio e Gustavo adormeceram. A noite estava fria e escura, não conseguia ver nem o horizonte.
A noite ficava cada vez mais escura e eu não sabia para onde estávamos indo. Ouvi rajadas de vento cortavam o clima calma que o oceano me oferecia. O barulho das ondas se quebrando começou a aumentar, por um instante pensei que estivesse perto de alguma ilha ou do continente, mas, de repente, o barulho se tornou ensurdecedor e Fabrizio e Gustavo acordaram num pulo. Uma águia do tamanho de um transatlântico surgiu no escuro e começou a planar em cima do bote.
–Tibi ascende et ducam te ad ubi. — disse a águia.
–Eu, eu não sei se devo. — por incrível que parece, eu entendi exatamente o que ela quis dizer.
–Credo. — respondeu a águia.
–O que ela está dizendo? — perguntou Gustavo.
–Suba em mim e deixe-me te levar até onde precisa. Confie em mim. — respondi. — E não, eu não sei como eu entendi o que ela quis dizer, rápido, monte nela!
Nós todos subimos na águia e deixamos ela nos levar. Sem querer, nós três caímos no sono e só acordamos no local onde a águia nos deixou.
–Como assim ela nos deixou aqui?– disse Gustavo.
Estávamos no Coliseu, vários turistas nos olhavam como se fossemos loucos.
–Espere. Foi aqui! Foi aqui onde tive minha primeira batalha e entrei ao Campo de Lorem pela primeira vez. A passagem fica no sexto portão. Vamos! — disse Fabrizio.
Corremos ao portão 6, mas tivemos uma pequena surpresa. Mallums e seus monstros.
Havia um exército deles. Aproximadamente cinquenta mallums e três leões do tamanho de uma carreta. O céu se tornou escuro e começou a chover. Os leões pareciam famintos e rosnavam, tentando avançar contra nós. Toquei minha tatuagem e Bonzo apareceu em minhas mãos. Fabrizio e Gustavo sacaram suas armas e ficaram em posição de ataque.
–Guerra! — gritei.
Os mallums começaram a correr em nossa direção e os leões foram soltos. Ficamos cercados. Fabrizio congelou alguns mallums e Gustavo os derreteu, mas isso não bastou. Tentei formar um pequeno tornado, mas o leão o destruiu com um sopro. Os mallums avançavam em nossa direção, éramos muito fraco em relação a eles. Era o nosso fim.
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