O Devorador de Ossos

12 A Batalha do Coliseu


Estávamos lá, cercados e indefesos. Os mallum avançavam cada vez mais e os leões rugiam o mais alto que conseguiam. Nunca tinha visto tantas armas na minha vida. Espadas, arcos, martelos medievais e mais uma porção delas que eu não sei nem o nome. Um mallum pegou Gustavo e o fez de refém. Um leão começou a pular e avançou em mim. O bicho me deu uma patada, o que me fez cair. O leão me mordeu e começou a me balançar de um lado ao outro e de repente me lançou a metros de altura. Fabrizio tentou me ajudar, mas o outro leão o pegou de surpresa. A mordida do leão não me fazia ferimentos devido a minha mágica, mas mesmo assim a dor era como a de uma mordida em um humano qualquer. A dor aumentava cada vez mais e Fabrizio estava ficando cada vez mais cansado. Era certa nossa morte. Relâmpagos cruzavam os céus e uma densa neblina tomou conta do ambiente.

–Vejo que gostaram de minha surpresa, meus amigos. Ah! Ah! Ah! Ah! — disse um mallum, era John.

Todos permaneceram em silêncio.

–É, pelo jeito esse é o seu final, Zane Thois! Admita: eu venci. Curve-se ao mal, meu colega. — continuou John.

–Eu sabia que tinha rastro de você no meio. — eu disse.

–Não só dele. — disse um mallum com aspecto extremamente poderoso e sombrio.

–E quem é você? — perguntei.

–Sou Luiz Bellator Saxa. — respondeu o mallum. — O chefe desse exército. John, chame meu outro amiguinho. — Luiz mandava em John como um patrão mal-educado e seu servo inútil.

Fabrizio gritou.

–Luiz Bellator Saxa. Há tempo não nos vemos, não é? — disse Fabrizio. — Andou enganado muitos inocentes? Seu idiota.

–Ah, que honra recebê-lo de novo aqui, Fabrizio! O garoto mais inútil que já conheci, inútil e tolo. — provocou Luiz.

–Alguém me explica o que exatamente está acontecendo? — perguntei.

–Oh, Zane. Fabrizio foi um tolo que caiu em minhas armações, um imbecil. Enfim, não seja como ele. Então tome a decisão correta. — respondeu Luiz. — Agora, acabe com eles! — um relâmpago surgiu no céu.

Os mallums começaram a nos espancar. Eu já estava desmaiar quando uma rajada de vento surgiu. Ramos de espinhos nasceram do chão e amarraram as pernas de todos ali, inclusive as dos leões. A águia tinha voltado para nos ajudar.

–Zane! Fuja! — gritou uma voz.

Eu a reconheci, era a voz de Anddy.

–Como? — perguntei.

–Fuja. — respondeu Anddy.

Saí de baixo do leão e corri em direção a águia. Gustavo conseguiu escapar e me seguiu, mas Fabrizio permaneceu lá, deitado.

–Vamos salvá-lo! — gritei.

–Vamos! — concordaram Anddy e Gustavo.

Nós três fomos até o nosso colega, mas o leão conseguiu se soltar e pegou Fabrizio pela boca. O leão deu um salto e logo desapareceu no horizonte. Fabrizio tinha sido perdido. Os mallums conseguiram se soltar e vieram até nós. A águia levantou voo e atacou os leões. Uma nuvem de poeira se ergueu e a visão se tornou nula. Um mallum tentou me atacar, mas esquivei-me do golpe e revidei com um corte em seu peito. Tentei achar Anddy, mas não tive sucesso. Três mallums se aproximavam e eu estava sem saída. Olhei para o leão lutando com a águia e tive uma ideia.

Corri até o leão e montei em suas costas. Alguns vão em touros mecânicos, eu vou em leões gigantes. O leão começou a pular como um touro, mas eu agarrei em seus pelos o mais forte possível para não cair. De repente, um mallum surgiu e trás de mim e me deu uma facada nas costas. O corte parecia queimar minhas veias e eu fiquei paralisado. Minhas costas queimavam e meus olhos ardiam, meu coração estava super acelerado e eu não conseguia mover sequer meus lábios. O mallum riu e mostrou a lâmina da faca com sangue para mim, era uma faca de obsidiana. O ardor era insuportável e eu não conseguia sair dali. Eu estava morrendo, só podia ser isso.

Consegui ver flechas de Gustavo no ar.

–Gustavo! Socorro! Me ajude!

Ele não ouviu, implorei de novo.

–Gustavo! Me ajude! Socorro! Gustavo-o-o-o!

Gustavo parou de lançar flechas e veio correndo até o leão onde eu estava.

–Zane! — gritou Gustavo.

O leão ouviu Gustavo e o atacou. Gustavo correu e o leão o perseguiu por alguns metros. A águia protegeu Gustavo, que montou nela e deixou que a águia fizesse o trabalho. Anddy corria em direção ao leão que eu estava e conseguiu montar.

–E agora? — perguntei.

–Ah, eu não sei! Seja o que a Força Suprema quiser. — respondeu Anddy.

O leão pulou as arquibancadas e saiu correndo pelas ruas de Roma. A águia vinha voando logo atrás. Era incrível ver as pessoas lá, congeladas, e que depois de uma luta não lembrariam de nada. Em poucos minutos estávamos no Vaticano, onde o Papa fazia um pequeno discurso a uma multidão. Um portal se abriu no céu e o leão pulou para lá, a águia parou, mas lançou Gustavo ao leão onde nós estávamos.

Depois de um imenso clarão consegui enxergar. Era algo como o Campo de Lorem, só que maior e mais sombrio.

–Nimirúm Mallúm. — disse Anddy.

–O que é isso?

–É como o nosso Campo de Lorem, só que dos mallums. É aqui onde eles treinam. Não há lugar com tanta força sombria como este. É aqui onde todas as coisas ruins do mundo são projetadas.

–Você disse projetadas?

–Sim, Zane. Todas as mortes, desastres, erupções, atentados e outras coisas são planejadas aqui antes. Tudo de ruim é feito aqui. Eles só não conseguem controlar os guerreiros do bem, apenas. Do resto, está tudo marcado como, onde e quando vai acontecer. É incrível, mas extremamente perigoso. Luki Scribit escreve tudo há milhares de anos. Foi ele quem extinguiu os dinossauros e criou as Guerras Mundiais. Ele é o único que tem contato direto com as Forças. Há outra pessoa também, mas até hoje ela não foi encontrada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.