O Devorador de Ossos

9 A relação esquenta


Dormimos na moradia de Fabrizio. Sonhei com Gabriela.

–Acordem! — gritou Fabrizio.

Dei um pulo do colchão. Fabrizio explicara que ouviu passos e que ninguém passa por ali.

–Nenhum tripulante passa por aqui. — explicou Fabrizio. — Isso só pode significar uma coisa: mallums.

Franzi os lábios. Gustavo suspirou.

–Temos de bolar um plano. — disse Gustavo. — Hoje teremos que descobrir o local aonde os mallums moram.

–Concordo. Vamos comer e sair à busca. — afirmei.

Fabrizio assentiu e foi preparar o café-da-manhã. Havia pão, manteiga e leite. Fiquei espantado.

–Ei. — chamei Fabrizio. — Como conseguiu pão?

–Ah. Eu peguei da cozinha do navio. Eles tem uma porção deles lá.

–Entendi. — respondi.

Comemos um pão cada um. Pedi para usar o banheiro.

***

–Vamos armados. — disse Fabrizio.

Gustavo e eu assentimos. Começamos a subir as escadas. Ouvimos passos novamente.

–Ei. — sussurrou Fabrizio para mim e Gustavo. — No já nós abrimos a porta e atacamos, o.k.?

Assentimos.

–Um, dois, três e já!

Abrimos a porta com tudo e ficamos em posição de ataque.

–Acalmem-se... — disse John com um tom irônico. — Acordaram tarde, não?

–Não te interessa. Aqui é a nossa área, saia! — respondeu Fabrizio.

–O.K. Velhote fracassado. Ha-ha-ha. — John riu ironicamente.

Vi uma expressão de ódio no rosto de Fabrizio. Ele havia ficado extremamente irritado com a provocação.

–Que seja, vômito de bebê. — retrucou Fabrizio.

John olhou para os lados e saiu de nossa área. Levitei Fabrizio, Gustavo e eu e seguimos o mallum. Chegou a um container laranja, olhou para os lados e certificou-se de que não havia ninguém. Gustavo e eu trocamos olhares. Suspirei.

–Ótimo. Sabemos aonde eles moram. Vamos esperar alguns minutos e depois invadir. — ordenei.

Fabrizio e Gustavo assentiram. Esperamos alguns minutos no ar.

–Pronto, podemos invadir. — disse Fabrizio.

Coloquei todos no chão e abrimos a porta do container. Era extremamente escuro. Parecia ser um salão enorme. A única coisa que conseguíamos enxergar era um vaso oriental iluminado por velas. Gustavo teve uma ótima ideia e acendeu uma chama em sua mão. Com a luz do fogo, dava para ver duas portas e dois monstros. Eles tinham aproximadamente dois metros de altura e pareciam tartarugas. Caminhamos até a porta esquerda e fomos barrados pelo monstro esquerdo. Olhei para Gustavo e Fabrizio.

–Um, dois, três e já. — gritei.

Todos nós atacamos o monstro, que utilizou uma lança para se defender. Fabrizio congelou o monstro com sua espada mágica. Eu cortei o gelo com Bonzo e Gustavo derreteu o bicho.

–Uau... Qualquer coisa que você congela derrete e desaparece? — perguntei.

–Mais ou menos. Depois eu posso te explicar, vamos, abra a porta. — respondeu Fabrizio.

Abri a porta. Havia dessa vez quatro portas e quatro monstros-tartarugas. Gustavo e eu conversamos sobre qual porta entrar. Escolhemos a terceira porta.

–Já! — gritou Gustavo.

Fabrizio atacou o terceiro monstro com sua espada. O monstro investiu em Fabrizio com seu machado de guerra. Gustavo lançou uma flecha no rosto do bicho. Girei Bonzo com tudo, fazendo o monstro se distrair por um momento. Nesse meio-tempo Fabrizio congelou o monstro e Gustavo derreteu-o. Abri a porta. Era outro salão, dessa vez com oito portas e sete monstros.

–Acho que é um labirinto. — disse Gustavo.

–Esquerda, terceira. Temos de nos lembrar disso. — sugeri.

–Vou fazer um papel de gelo e anotar as direções. — respondeu Fabrizio.

Assentimos. Olhei para Gustavo.

–Apenas a porta número sete não possui monstro, que tal irmos por ela? — sugeri.

–Pode ser, vamos. — respondeu Gustavo.

Abri a sétima porta, que dava em um salão enorme cheio de monstros reptilianos.

–Droga! Era uma armadilha! — gritei.

Havia cerca de vinte monstros de aproximadamente um metro e meio de altura. Eles tinham a aparência de lagartos e possuíam presas enormes. Os bichos salivavam. Um deles saltou sobre mim e tentou me morder. Agarrei o pescoço do monstro e o joguei para o lado. Cortei a traquéia do monstro com Bonzo. Gustavo investiu em um monstro que se aproximava de nós. Fabrizio atacou um monstro, que acabou congelado. Gustavo lançava flechas sem parar, em meio tiroteio, vários monstro acabaram virando fumaça. Girei Bonzo com tudo. Dois monstro evaporaram.

–Gustavo! Corra até os fundos. — gritou Fabrizio. — Zane, mantenha-se ao meu lado.

Assentimos. Gustavo corria em zig-zag entre os monstros. Fabrizio correu e começou a tocar sua espada nos monstros, que começaram a congelar. Olhei para ele e comecei a cortas os monstro em pedacinhos. De repente, um monstro de três metros de altura surgiu. Ele lançava bolas de gosma contra nós e rugia. Ele agarrou Fabrizio e o jogou contra a parede. Comecei a girar Bonzo sem parar. Gustavo lançava flechas no monstro. Fabrizio permanecia imóvel. Cortei o peito do monstro com minha naginata. Gustavo fez surgiu uma bola de fogo enorme. Ele a jogou contra o monstro, que urrou de dor. O bicho se enfureceu mais ainda. Uma gosma verde saiu do chão e agarrou Gustavo pelos pés. Olhei Gustavo ser engolido pela gosma. Suspirei. Fechei os olhos e girei Bonzo com toda a minha força. Um furacão começou a sair de minha arma. Quando ele chegou ao monstro, engoliu o bicho feito macarrão. Corri até Gustavo.

–Gustavo! Gustavo! Você está bem?

–Ahn... — gemeu Gustavo. — Me tire daqui.

Comecei a tirar a gosma com minhas mãos. Aquilo era extremamente nojento. Gustavo conseguiu, com muita dificuldade, se levantar. Andamos até Fabrizio, que estava desacordado.

–E agora? — disse.

–Não sei, Zane. Vamos tentar carregá-lo de volta a sua casa.

Assenti. Voltamos. Havia oito portas. Pegamos a número sete. A porta deu em um lago cristalino.

–Oh-ou... — gemeu Gustavo. — Temos um pequeno problema.

Gustavo e eu trocamos olhares.

–É claro! Estamos vendo as portas de outro ângulo, ou seja, a porta número sete deveria ser a porta número dois. Vamos voltar pela mesma porta que entramos. — expliquei.

Entramos na porta número dois. Saímos na sala que houve a batalha. Ela já estava cheia de monstros novamente. Corremos até a porta número dois. Tivemos uma surpresa.

–Olá, meus amigos. — disse John. — Vejo que estão perdidos, não? Ha-ha.

Coloquei Fabrizio no chão e toquei minha tatuagem. Bonzo apareceu em minhas mãos. Gustavo pegou seu arco e ficou em posição de ataque.

–Gabriela. Diga-nos aonde ela está. — ordenei.

–Opa! Espera aí... Abaixa essas armas, ou você vai querer lutar com eles? — disse John apontando para uma roda de mallums.

Nós estávamos cercados. Gritei e investi em John. Três mallums me capturaram.

–Ah, coitadinho. — ironizou John.

Gustavo lançou uma flecha em John, que a evaporou com um relâmpago. John era um Mallum do Raio. Gustavo foi imobilizado por quatro mallums.

–Na trave... — disse John com um tom de ironia. — Leve-os até nossa sala! — ordenou John aos mallums.

–Você não vai conseguir ficar conosco por muito tempo, não mesmo! — gritei.

John olhou para seus amigos e riu. Fomos obrigados a andar até sua sala. Durante o caminho, Gustavo e eu trocamos olhares. Um mallum carregava Fabrizio, que ainda estava desacordado. Chegamos a um salão que possuía dezesseis portas. Eu não reparei em qual porta entramos. A porta que pegamos deu em um salão gigante, com celas por todos os lados. Monstros voavam sobre as prisões. John assobiou e um monstro voador pousou a nossa frente.

–Eam in cubiculo. — disse John.

Não fazia a menor ideia do que aquilo significava, mas subimos no monstro e começamos a voar. Depois de alguns minutos voando, chegamos a uma sala de carpete preto e estantes de livros por todos os lados.

–Gratias tibi. — disse John.

Havia um trono de mármore e uma mesa de bronze na sala. John caminhou até o trono e sentou-se nele.

–Muito bem. Gostaram de conhecer meu labirinto? — John riu.

Gustavo e eu permanecemos em silêncio.

–Dessa vez vou ser bonzinho com vocês e vou deixai-os em sua moradia. E que isso não se repita. Caso contrário, bom, acho que vocês já sabem. Zane, cuide bem de seu novo amigo. — disse John.

Como ele sabe meu nome?, pensei.

–Louis, leve Zane, Gustavo e Fabrizio até a casa do velhote. — ordenou John.

Senti um soco no pescoço e desmaiei. Gustavo, Fabrizio e eu acordamos no chão da casa de Fabrizio.

–O-o-o que aconteceu? — Fabrizio perguntou.

Expliquei a ele o que tinha ocorrido. Ele se espantou. Gustavo ainda estava um pouco adormecido.

–Pelo menos já sabemos onde os mallums moram. — disse eu tentando aliviar a situação.

–Isso não é bom, não é bom mesmo. — disse Fabrizio.