O Devorador de Ossos
10 A procura
Acordamos e fomos procurar Gabriela.
–Os mallums gostam de nos fazer de cachorrinho. — afirmou Fabrizio. — Ela pode estar na Suécia ou embaixo de nossos pés. Esse é o problema. Temos de conseguir algo em troca.
–Você está sugerindo um sequestro? — disse eu espantado.
–Sim. Mas eles não vão se importar se for qualquer mallum. Temos de pegar o mallum. — respondeu Fabrizio.
Gustavo e eu trocamos olhares. Pensei.
–Hum. Mas para isso teremos que entrar no labirinto novamente, não? — perguntou Gustavo.
Fabrizio fez que sim com a cabeça.
–Um prisioneiro importante seria uma boa. Ou John. — sugeri.
Uma risada irônica surgiu.
–Ha-ha-ha-ha... Alguém me chamou? — virei-me, era John.
Fabrizio, Gustavo e eu trocamos olhares. Suspirei.
–Não, retire-se. — disse Fabrizio.
–Digam olá ao meus amigos! Esse de chapéu é o Nathan, o de boné é o Jim. — disse John apontando para dois meninos de aproximadamente treze anos e aparência parecida.
–Diga olá à Bonzo! — disse eu atacando John com minha arma. Ele se defendeu com seu cajado.
–Calma aí, Zane. — disse John me empurrando com seu cajado para o chão.
Caí. Fabrizio fez um sinal com a mão para que eu me acalmasse.
–Saia de nossa área, ou será pior para você. — Fabrizio tentou acalmar a situação.
Gustavo piscou para mim. Comecei a rastejar para trás dos três mallums. Quando me levantei, Fabrizio gritou.
–JÁ!
Pulei em John e o imobilizei com Bonzo. Gustavo lançou flechas de fogo em Nathan. Fabrizio congelou Jim. Gustavo ficou em posição de ataque. Fabrizio colocou sua espada na garganta de John.
–Renda-se. — ordenou Fabrizio.
John suava. Gustavo apontou seu arco para Jim.
–Não! Eu imploro, não faça nada contra ele. — gritou John. — Matem-me no lugar dele.
–Olha, até que você é bonzinho para um mallum. — disse Fabrizio. — Ou você não se lembra do que seus amigos fizeram com os meus amigos?
–Não! Ele é, ele é... — gemeu John.
–Ele é o quê? — questionei.
–Meu irmão. — disse John fechando os olhos com medo de ver algo acontecer.
Gustavo, Fabrizio e eu trocamos olhares desconfiados. Gustavo fez uma chama surgir em sua mão e aproximou-a de Jim. John começou a chorar.
–Derreta-o. — ordenou Fabrizio a Gustavo.
–Não! — todos olharam para mim. — Solte John. Vamos levar Jim conosco. Se quiser o seu irmão, devolva Gabriela.
Todos concordaram. Soltei John.
–Idiotas! — gritou John.
–Idiota é você! — retruquei. Investi em John e cortei seu rosto. Começou a sangrar.
–Maldito! — disse John.
Um raio me atingiu e caí desmaiado no chão.
***
–Ahn? — gemi. — O quê? Não o derreta... Ah...
Ouvi sussurros do tipo Assopre, assopre. Acho que era Fabrizio tentando aconselhar Gustavo. Comecei a acordar aos poucos. Vi a rede de pesca do Fabrizio no chão. A sala rodava.
–Quantos dedos? — perguntou Fabrizio.
–Ahn, dez? — respondi a pergunta de Fabrizio com outra pergunta.
–Errado. Cinco. — respondeu Fabrizio. — Agora relaxe um pouco, logo você volta ao normal.
Fiz o que Fabrizio dissera. Relaxei um pouco. Gustavo me trouxe um copo d'água. Levantei e o bebi em questão de segundos. Ajeitei meus óculos e fui falar com Fabrizio.
–Ei, Fabrizio. O que houve comigo? — perguntei.
–Nós estávamos em negociação com John. Entretanto, quando você o soltou, ele te provocou e você caiu na provocação. Você cortou o rosto de John e ele te jogou um raio. Você desmaiou e só acordou agora. Isso foi ontem.
Meus olhos se arregalaram. Como eu pude estar desmaiado por um dia inteiro?
–Como assim foi ontem?
–Foi ontem Zane. Você só não morreu porque é um Guerreiro do Ar. — explicou Gustavo.
–E Jim? — perguntei.
–Está ali. — disse Fabrizio apontando para Jim, congelado.
–Como ele volta ao normal? — questionei.
–Hum... — Fabrizio pensou um pouco. — Na verdade, não sei. Acho que eu consigo reverter o processo, talvez.
Assenti. Perguntei de havia algo para comer. Fabrizio respondeu que só tinha pão. Comi três pães e tomei água mineral. O navio começou a balançar. Corremos para o lado de fora.
–Oh, meu, Deus. — gritou Gustavo.
Quando olhei para o Oceano, havia um monstro marinho gigante balançando o navio. Ele tinha a aparência de um peixe gigante, mas possuía braços e pernas. Tinha aproximadamente dez metros de altura e cinco de largura. John saiu correndo para ver o que estava acontecendo.
–Olá, amiguinhos! — disse John. — Legal minha cicatriz, não é, Zane Thois? — John lançou um raio no monstro e saiu correndo. — Fiquem com esse.
Nós não sabíamos o que fazer. O monstro era enorme.
–Já tentou unir os poderes? — perguntei.
–Não. Nem sei se dá certo. — respondeu Fabrizio.
–Pois bem. Faça surgir gelo enquanto eu faço um furacão. Gustavo, distraia o monstro. — ordenei.
Não estava concentrado o suficiente para fazer surgir um furacão. Fabrizio jogava bolas de gelo no monstro. Fechei os olhos e suspirei. Comecei a mexer as mãos. Senti uma brisa muito forte. Quando abri os olhos vi um furacão do tamanho do monstro em minha frente. Ele era formado por gelo, água e ar. Fechei os olhos e comecei a tentar movimentar o furacão. A bicho batia com mão no ar tentando espantar o meu feito. O monstro pulou por cima do navio e foi ao lado oposto do que a gente estava.
–Droga! — gritei.
Eu mal tinha conseguido movimentar alguns metros o furacão e o bicho pulara para o outro lado. Gustavo começou a mexer as mãos e um tornado de fogo surgiu a nossa frente. Com um movimento brusco, Gustavo fez com que o tornado passasse para o outro lado do navio. O monstro atacou o tornado teve seus braços queimados. O bicho urrou de dor. De repente, o monstro pulou de volta aonde estava e atacou Gustavo, lançando-o por cima dos containers. O peixe-monstro começou a chutar o casco do navio. Eu consegui movimentar o furacão. Acertei o bicho em cheio. Assim que suas escamas tocaram no furacão, o bicho evaporou.
–Consegui. — disse eu com um tom de ironia.
–Gustavo! — gritou Fabrizio.
Fomos correndo entre os containers até que ouvimos gemidos. Era Gustavo ferido.
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