Acordamos e fomos procurar Gabriela.

–Os mallums gostam de nos fazer de cachorrinho. — afirmou Fabrizio. — Ela pode estar na Suécia ou embaixo de nossos pés. Esse é o problema. Temos de conseguir algo em troca.

–Você está sugerindo um sequestro? — disse eu espantado.

–Sim. Mas eles não vão se importar se for qualquer mallum. Temos de pegar o mallum. — respondeu Fabrizio.

Gustavo e eu trocamos olhares. Pensei.

–Hum. Mas para isso teremos que entrar no labirinto novamente, não? — perguntou Gustavo.

Fabrizio fez que sim com a cabeça.

–Um prisioneiro importante seria uma boa. Ou John. — sugeri.

Uma risada irônica surgiu.

–Ha-ha-ha-ha... Alguém me chamou? — virei-me, era John.

Fabrizio, Gustavo e eu trocamos olhares. Suspirei.

–Não, retire-se. — disse Fabrizio.

–Digam olá ao meus amigos! Esse de chapéu é o Nathan, o de boné é o Jim. — disse John apontando para dois meninos de aproximadamente treze anos e aparência parecida.

–Diga olá à Bonzo! — disse eu atacando John com minha arma. Ele se defendeu com seu cajado.

–Calma aí, Zane. — disse John me empurrando com seu cajado para o chão.

Caí. Fabrizio fez um sinal com a mão para que eu me acalmasse.

–Saia de nossa área, ou será pior para você. — Fabrizio tentou acalmar a situação.

Gustavo piscou para mim. Comecei a rastejar para trás dos três mallums. Quando me levantei, Fabrizio gritou.

–JÁ!

Pulei em John e o imobilizei com Bonzo. Gustavo lançou flechas de fogo em Nathan. Fabrizio congelou Jim. Gustavo ficou em posição de ataque. Fabrizio colocou sua espada na garganta de John.

–Renda-se. — ordenou Fabrizio.

John suava. Gustavo apontou seu arco para Jim.

–Não! Eu imploro, não faça nada contra ele. — gritou John. — Matem-me no lugar dele.

–Olha, até que você é bonzinho para um mallum. — disse Fabrizio. — Ou você não se lembra do que seus amigos fizeram com os meus amigos?

–Não! Ele é, ele é... — gemeu John.

–Ele é o quê? — questionei.

–Meu irmão. — disse John fechando os olhos com medo de ver algo acontecer.

Gustavo, Fabrizio e eu trocamos olhares desconfiados. Gustavo fez uma chama surgir em sua mão e aproximou-a de Jim. John começou a chorar.

–Derreta-o. — ordenou Fabrizio a Gustavo.

–Não! — todos olharam para mim. — Solte John. Vamos levar Jim conosco. Se quiser o seu irmão, devolva Gabriela.

Todos concordaram. Soltei John.

–Idiotas! — gritou John.

–Idiota é você! — retruquei. Investi em John e cortei seu rosto. Começou a sangrar.

–Maldito! — disse John.

Um raio me atingiu e caí desmaiado no chão.

***

–Ahn? — gemi. — O quê? Não o derreta... Ah...

Ouvi sussurros do tipo Assopre, assopre. Acho que era Fabrizio tentando aconselhar Gustavo. Comecei a acordar aos poucos. Vi a rede de pesca do Fabrizio no chão. A sala rodava.

–Quantos dedos? — perguntou Fabrizio.

–Ahn, dez? — respondi a pergunta de Fabrizio com outra pergunta.

–Errado. Cinco. — respondeu Fabrizio. — Agora relaxe um pouco, logo você volta ao normal.

Fiz o que Fabrizio dissera. Relaxei um pouco. Gustavo me trouxe um copo d'água. Levantei e o bebi em questão de segundos. Ajeitei meus óculos e fui falar com Fabrizio.

–Ei, Fabrizio. O que houve comigo? — perguntei.

–Nós estávamos em negociação com John. Entretanto, quando você o soltou, ele te provocou e você caiu na provocação. Você cortou o rosto de John e ele te jogou um raio. Você desmaiou e só acordou agora. Isso foi ontem.

Meus olhos se arregalaram. Como eu pude estar desmaiado por um dia inteiro?

–Como assim foi ontem?

–Foi ontem Zane. Você só não morreu porque é um Guerreiro do Ar. — explicou Gustavo.

–E Jim? — perguntei.

–Está ali. — disse Fabrizio apontando para Jim, congelado.

–Como ele volta ao normal? — questionei.

–Hum... — Fabrizio pensou um pouco. — Na verdade, não sei. Acho que eu consigo reverter o processo, talvez.

Assenti. Perguntei de havia algo para comer. Fabrizio respondeu que só tinha pão. Comi três pães e tomei água mineral. O navio começou a balançar. Corremos para o lado de fora.

–Oh, meu, Deus. — gritou Gustavo.

Quando olhei para o Oceano, havia um monstro marinho gigante balançando o navio. Ele tinha a aparência de um peixe gigante, mas possuía braços e pernas. Tinha aproximadamente dez metros de altura e cinco de largura. John saiu correndo para ver o que estava acontecendo.

–Olá, amiguinhos! — disse John. — Legal minha cicatriz, não é, Zane Thois? — John lançou um raio no monstro e saiu correndo. — Fiquem com esse.

Nós não sabíamos o que fazer. O monstro era enorme.

–Já tentou unir os poderes? — perguntei.

–Não. Nem sei se dá certo. — respondeu Fabrizio.

–Pois bem. Faça surgir gelo enquanto eu faço um furacão. Gustavo, distraia o monstro. — ordenei.

Não estava concentrado o suficiente para fazer surgir um furacão. Fabrizio jogava bolas de gelo no monstro. Fechei os olhos e suspirei. Comecei a mexer as mãos. Senti uma brisa muito forte. Quando abri os olhos vi um furacão do tamanho do monstro em minha frente. Ele era formado por gelo, água e ar. Fechei os olhos e comecei a tentar movimentar o furacão. A bicho batia com mão no ar tentando espantar o meu feito. O monstro pulou por cima do navio e foi ao lado oposto do que a gente estava.

–Droga! — gritei.

Eu mal tinha conseguido movimentar alguns metros o furacão e o bicho pulara para o outro lado. Gustavo começou a mexer as mãos e um tornado de fogo surgiu a nossa frente. Com um movimento brusco, Gustavo fez com que o tornado passasse para o outro lado do navio. O monstro atacou o tornado teve seus braços queimados. O bicho urrou de dor. De repente, o monstro pulou de volta aonde estava e atacou Gustavo, lançando-o por cima dos containers. O peixe-monstro começou a chutar o casco do navio. Eu consegui movimentar o furacão. Acertei o bicho em cheio. Assim que suas escamas tocaram no furacão, o bicho evaporou.

–Consegui. — disse eu com um tom de ironia.

–Gustavo! — gritou Fabrizio.

Fomos correndo entre os containers até que ouvimos gemidos. Era Gustavo ferido.