O Deus do Sol
25 XXV – Um a menos
Notas iniciais
Liceu chegou no acampamento junto com as ménades, mas dessa vez Apolo não estava lá para receber e nem chegou em seguida. Todos tiveram que aguardar dois dias até o deus aparecer na frente de todos.
– Por onde esteve? — Perguntou Liceu após o deus aparecer com a barba sem fazer.
– Bem ocupado. Um deus pode dar muito trabalho. Sem contar que tive adquiri alguns afazeres novos recentemente. — Falou Apolo com o olhar vago e o rosto parecendo cansado.
– O que ele tem feito para atrapalhar vocês? — Perguntou Kipédius.
– Muitas coisas. — Respondeu Apolo retomando a sua expressão de costume, que exibia um ar de quem se sente superior.
– Mas ele não é um deus menor? Como pode dar tanto trabalho? — Perguntou Ipeleu. — Vocês deveriam impedi-lo facilmente.
– Ele sabe mais de nós do que vocês possam imaginar. Agora vamos para a última missão! – Disse Apolo olhando nos fundos dos olhos de Liceu.
– Última? – Liceu falou pra dentro e sentindo um frio na barriga.
– Sim. E nessa missão irão os três irmãos. As ménades e o pai de vocês ficaram no templo. Defenderão o templo e nas horas vagas vocês rezaram para os deuses. – Falou Apolo olhando para elas.
– Sim. – Responderam em uníssono e já se retirando. Os irmãos olharam confusos quando elas adentraram no templo e começaram a rezar dentro do templo.
– Adoro elas. – Disse Apolo. – Agora Liceu, Ipeleu e Kipédius. Hélio conseguiu soltar três monstros que a humanidade nunca ouviu falar. Eles são filhos de Ares com a titã Gaia. Essas criaturas são terríveis e não tem medos. Se conseguir matá-las seria melhor, caso não consigam adentraram com elas no submundo e as deixaram com o Tânato, o deus da morte. Quem vocês encontrarem primeiro saberá as medidas que deverão ser tomadas.
– Mas como adentraremos ao submundo? – Perguntou Kipédius temendo achar que alguém morreria nessa jornada.
– Com isso. – Apolo retirou uma espécie de punhal, mas ao invés da lâmina ser afiada, era cônica, impedindo que conseguisse cortar algo. – Essa é uma das chaves do submundo, ela abre algumas portas especiais.
– E pode ser usada em qualquer lugar? – Perguntou Ipeleu.
– Acabei de falar que só pode ser utilizada em algumas portas especiais. – Disse Apolo repreendendo Ipeleu.
– E como acharemos uma dessas portas? – Kipédius perguntou.
– Apenas quem estiver usando o Crânio conseguirá enxergar a porta. – Disse Apolo olhando para Liceu. – Você a identificará pelo símbolo de Hades, que é o elmo da invisibilidade. E dele saíra uma espécie de fumaça que os outros não enxergarão. Ela será de um verde claro e some quando chega perto do sol. Entendeu? – Apolo olhava para a expressão atônita de Liceu.
– Sim. – Respondeu balançando a cabeça, enquanto as palavras saíram quase inaudíveis.
– Liceu! Gostaria de falar com você em particular. Venha por aqui. – Disse Apolo andando contra o templo e se afastando dos outros. Liceu o seguiu a passos lentos.
– Não fique com medo do que virá a enfrentar. Você foi preparado em pouco tempo, sim. Mas foi consagrado com muitos poderes nunca visto pelos mortais. Você esta apto a enfrentar Hélio. Foi retirado sua filha, seu maior templo e sua maior fonte de poder. Ele está fraco, mesmo causando alguns estragos. Ele esta fraco. E você esta forte, muito forte. Quero que se acalme e pense que conseguirá vencer. – Apolo disse tentando tirar o frio da barriga de Liceu.
– Não vou conseguir fazer isso. Não tem como enfrenta-lo. Ele é um deus. – Disse Liceu olhando pro chão e pensando em Tífis sendo agarrado no pescoço por Zelo.
– Sabe por que os deuses nunca te puniram quando você os enfrentou? Porque todos sabiam que você precisava dessa confiança e segurança de conseguir enfrentar um deus. Eles deixavam você pensar que podia enfrenta-los e sair vivo, porque você precisava disso para enfrentar Hélio. Em qualquer outra situação, você teria sido torturado ou morto. Mas hoje você conseguiria enfrentar um deus com as armas que você possui. Você ainda não utilizou a lança de Ares e o Cranio em uma batalha. Quando retornar dessa missão, ela voltará para sua mão. E você saberá como esta forte sua confiança retornará. – Disse Apolo colocando uma de suas mãos no ombro de Liceu.
– Tudo bem. – Disse Liceu olhando nos olhos de Apolo.
– Agora falaremos dos filhos de Ares e Gaia. – Apolo olhou para Ipeleu e Kipédius e acenou para que se juntassem a ele e Liceu. – Falarei dos monstros que enfrentarão. O primeiro é chamado de Varpeus. Tem a aparência de um homem comum, seus cabelos são longos e pretos. Magro e possui olhos vermelhos. Não parece ser um monstro, mas não se deixem enganar pela aparência. Ele não tem emoções ou pensa, apenas age por instinto e se sacia de carne humana. É mais rápido e forte que os mortais normais, mas nada de muito superior. Seus dentes, unhas e ossos são tão fortes quanto ferro.
– Onde ele está? – Perguntou Kipédius interrompendo Apolo.
– Junto com os outros dois. – Falou Apolo. – O segundo é a versão mais feroz de Varpeus. O nome dele foi Lobus. Alguns dizem que ele que originou os lobos. Ele é como se fosse um lobo, mas que anda como homem. Muito mais forte que Varpeus e mais rápido, só que mais calmo. Ele é como se fosse um animal normal, não como Varpeus, uma imparável máquina de matar, herdou de Ares a satisfação de ver sangue caindo. – Apolo fez uma pausa e olhou para o céu e ficou parando por um instante.
– E qual é o terceiro filho? – Perguntou Liceu, mas Apolo não respondeu.
– Apolo? – Perguntou Ipeleu, vendo a cor dos olhos do deus sumindo.
– O terceiro filho é uma criatura horrenda, provido de uma extrema força. Não tem como descrevê-lo, ele não tem poderes além da própria força e da aparência de causar medo. – Apolo voltou a olhar para os três irmãos, mas ainda continua com os olhos esbranquiçados. – Os três monstros não sangram e conseguem se regenerar. Se vocês os cortarem, em pouco tempo ela se fechará. Se arrancarem algum membro, eles colocarão de volta e aos poucos voltarão ao normal. – Apolo começou a brilhar enquanto dizia as palavras e ficava com a pele dourada. – Levarei vocês onde foram vistos pela ultima vez.
Após dizer isso os três foram transportados para uma planície com vegetação rasteira. Os três foram jogados no chão e acabaram vomitando assim que chegaram, foi diferente das outras vezes que apareciam normais. Dessa vez estavam com sono, doloridos e com fome. Liceu levantou e olhou em volta, mas suas vistas estavam embaçadas e não conseguiu distinguir muitas coisas.
– O que ele fez de errado dessa vez? – Perguntou Ipeleu se colocando de pé com dificuldade e vendo suas pernas tremendo pela falta de força.
– Parece que não como faz uns dias. – Falou Kipédius se sentando no chão.
– E aconteceu isso. – Liceu falou retirando o Cranio e sentando de frente para Kipédius. – Antes de ele nos transportar pra cá, eu fiz o Cranio se transportar para que eu pudesse ver a cena de transporte que eles faziam conosco. Eu vi tudo. Ele esta em um estágio avançado, quase não prestava atenção em nós. Alguma coisa estava acontecendo no Olimpo e precisavam da presença dele, nos transportou do pior jeito possível, utilizando a menor quantidade de poder e concentração em nós. Não mantendo nossas condições físicas, por isso estamos exaustos.
– Por que ele fez isso se sabe que temos uma luta difícil pela frente? – Disse Kipédius não aguentando ficar sentado e deitando.
– Três lutas. – Corrigu Ipeleu. – A armadura me deixa mais inteiro que vocês. Vou pegar comida enquanto vocês descansam.
– Por mim tudo bem. – Disse Kipédius já se ajeitando para dormir.
– Eu vou com você. – Disse Liceu se pondo de pé.
– Não. Fique e proteja Kipédius. Ele não tem armadura, e não conseguiria se defender.
Kipédius já tinha adormecido no final da frase de Ipeleu. Liceu ficou sentado esperando Ipeleu, mas adormeceu em pouco tempo. Ipeleu andou pelas redondezas, acabou conhecendo o terreno e se localizando. Procurou por alguém que soubesse dos três monstros, mas só encontrou uma casa vazia. Voltou e chamou Kipédius e Liceu, falou que tinha achado uma casa abandonada. Explicou onde estavam e o que tinha visto pelas redondezas enquanto comiam frutas e um javali que Ipeleu conseguira no caminho.
Marcharam até a casa para descansarem melhor. Porem quando adentraram na casa e olharam com clareza, puderam observar tudo quebra, pedaços de gente e sangue espalhado pela casa. Quando adentraram ao quarto puderam ver ossos espelhados e pedaços de pano. Liceu conseguiu identificar que era mulher pelos ossos e a roupa, graças ao Cranio, e que tinha sangue de mais pessoas pela casa.
Liceu conseguiu achar pelos e cabelos pela casa, que não eram de humanos nem de nenhum animal. Resolveram passar a noite no recinto, após acordarem investigaram por onde foram os monstros e seguiram os rastros. Seguiram por uma floresta de onde os rastros ficavam mais fortes. Andaram até o anoitecer, quando começou a ouvir barulhos vindo de uma casa.
Tudo já estava escuro quando chegaram perto da casa. Todos com as espadas em punho correram até a casa. Liceu foi o primeiro a entrar e se deparou com um homem branco mordendo o braço de um cara enquanto ele urrava de dor. Liceu correu em direção a Vampus visando o pescoço do homem, mas foi interrompido por uma mão peluda, que o agarrou pelo braço e o atirou em direção a uma parede da casa.
A parede quebrou com o impacto do corpo de Liceu, ele acabou se ferindo com uma estaca perfurando sua coxa direita. Liceu levantou rápido, retirou a estaca e viu Ipeleu partindo para cima do Lobus. Ipeleu deixou o monstro agarrá-lo, mas antes que ele fizesse algo cortou o dedão fora do Lobus com sua espada. O monstro o largou e Kipédius pulou em cima dele fincando a espada no peito. O monstro caiu ao chão com em seu tórax.
Ipeleu vendo o monstro no chão, deferiu um golpe no pescoço do monstro com toda sua força. A espada cravou na metade do pescoço do monstro, que tentou gritar de dor, mas não saiu nada além de sangue que ele tinha ingerido.
Liceu correu e impediu Varpetos de atacar os irmãos fincando a espada no seu abdômen. Vampus tentou acertar Liceu, mas ele materializou o escudo em seu braço esquerdo e defendeu o soco do monstro. Liceu retirou a espada do abdômen e chutou o ferimento, com a sua força, Vampus atravessou a parede. Liceu se virou e viu Ipeleu deixando a cabeça de Lobus longe do corpo. Kipédius retirou a espada do peito do monstro e caminhou até Liceu.
– Ache o local do submundo. – Liceu retirou o Cranio e entregou a Kipédius junto com a chave para abrir a porta.
– Nós os manteremos ocupados. – Disse Ipeleu.
Kipédius colocou o elmo e saiu da casa. Liceu chutou a cebeça de Lobus em cima de Vampus, que tinha se levantado e estava atravessando a parede que tinha quebrado. Ele se desviou da cabeça e foi de encontro aos dois irmãos.
Liceu ficou na frente e desferiu um arco com a espada, Vampus abaixou e arranhou o tríceps de Liceu com suas unhas. Liceu não esboçou nenhuma dor, terminou de girar o corpo e acertou o escudo na cara do monstro, que caiu de costas no chão. Ipeleu correu na direção do monstro e atravessou a garganta dele com a espada.
Vampus segurou a mão de Ipeleu e a quebrou só com o aperto da mão. Ipeleu urrou de dor e acertou um chute no rosto do monstro. O monstro soltou a mão de Ipeleu, se levantou e retirou a Justiceira do pescoço e a jogou no chão. Liceu correu em sua direção e tentou acertar um golpe no seu peito, as ele esquivou e jogou Liceu longe com um chute. Ipeleu correu na direção do monstro e tentou acertar alguns socos, que foram desviados facilmente.
Ipeleu foi jogado a parede como Liceu, através de um chute no peitoral. Liceu começou a armazenar um poder na Vingadora e quando o monstro chegou perto para o ataque, Liceu a fincou no chão. Fazendo um enorme buraco no chão e lançando Vampus longe. Ipeleu pegou a Justiceira e os dois irmãos foram de encontro ao monstro.
Liceu abaixou para desviar de um golpe da mão direita de Vampus, e já cortou o baço do monstro com o passar da lâmina. Ipeleu cortou o braço esquerdo de Vampus, que tentou acertar Liceu. Liceu acertou uma espadada no ombro direito do monstro, fazendo-o cair de joelhos e Ipeleu atravessou a cabeça do monstro com a espada.
– Até que eles não são tão difíceis. – Ipeleu falou retirando a espada do crânio do monstro.
– Também achei que seriam piores. – disse Liceu chutando o Vampus, que passou atravessando mais uma parede da casa.
Liceu e Ipeleu saíram da casa e viram Kipédius gritando acenando para que viessem ao seu encontro. Os irmãos correram, mas logo ouviram rugidos e a casa desabando. Viraram pra ver enquanto corriam e os dois monstros saíram da casa pelas paredes.
Os monstros eram mais rápidos que os dois mortais, então Liceu tomou uma atitude inesperada. Agarrou Ipeleu pelo peitoral e o jogou em direção a Kipédius, onde caiu muito próximo. Liceu rezava a Bia enquanto corria, e aos poucos suas forças foram aumentando e ele correndo mais rápido.
Os irmãos Ipeleu e Kipédius correram em direção a Liceu e os monstros. Liceu quando viu que não conseguiria mais fugir dos monstros virou e bateu a Vingadora no chão. Os monstros foram surpreendidos e acabaram voando para longe. Liceu voltou a correr até alcançar os irmãos, onde Kipédius foi indicar o caminho de onde tinha achado a entrada para o submundo. Mesmo os monstros sendo mais rápidos, os irmãos chegaram primeiro ao portal. Liceu viu um buraco no chão e perto das bordas estava a estaca que Apolo havia entregado.
– Temos que jogá-los aí dentro. – Falou Kipédius mostrando o buraco. – Tânatos apareceu assim que abri e falou que era só jogá-los, o resto ele faz.
Lobus chegou primeiro e pulou em cima de Ipeleu, que apenas se abaixou e o monstro caiu no poço, mas agarrando a borda do outro lado. Vampus chegou em seguida atacando Liceu com as garras. Liceu defendeu com o escudo e tentou uma estocada com a espada na barriga do monstro, só que a criatura estava preparada e desviou do golpe e agarrou a mão de Liceu com tanta força que o fez largar a Vingadora.
Kipédius interviu e atravessando o tríceps do monstro com a castigadora, o monstro largou a mão de Liceu, que materializou a Vingadora na mão esquerda e já fincou ela no peito de Vampus. O monstro acertou um chute de Liceu, que largou a espada no peito do monstro, e com a mão direita agarrou Kipédius pelo pescoço, retirou o Cranio e mordeu o pescoço dele.
Ipeleu que estava lutando contra Lobus ouviu o grito de Kipédius. Liceu se levantou rapidamente após ver a cena e trouxe a Vingadora por pensamento novamente. E acumulou a energia que pode rapidamente e desferiu um golpe na coxa esquerda Vampus, arrancando ela com um único golpe.
O monstro caiu gritando de um lado e Kipédius caiu desacordado de frente pra ele. Liceu chutou a perna do monstro para o buraco e quando foi jogar o monstro, Lobus arremessou Ipeleu em cima de Liceu, que tinha se distraído com a luta por causa de Kipédius.
Liceu e Ipeleu se recolocaram de pé e viram Lobus vindo em sua direção. Liceu pulou com o escudo a frente do corpo e esbarrou com o monstro, que caiu após ser acertado pelo escudo. Ipeleu foi acertar o monstro caído no pescoço, mas este segurou a lâmina da Justiceira com a própria mão e a arrancou da mão de Ipeleu. Agarrou o homem novamente e virou para o buraco. Liceu pulou no caminho e segurou o irmão ao ser arremessado pelo monstro.
Ipeleu e Liceu se aprontaram para a luta com o Lobus. O monstro foi em direção aos homens, e Liceu tentou usar a mesma técnica do escudo, mas este não funcionou. O monstro segurou as bordas com suas mãos e a girou. Liceu rodou no ar e quebrou o braço ao cair no chão.
Ipeleu desferiu um golpe contra o monstro com a Justiceira, que tentou segurar a lâmina com a palma da mão de novo. Porem como o corte já havia sido profundo, a mão foi amputada por Ipeleu. O monstro gritou e Ipeleu desferiu um golpe na perna do monstro que o fez cair.
Liceu se levantou com o braço já curado e acertou a espada no pescoço do monstro, que travou na metade do caminho, por conta dos ossos. Os dois irmãos ouviram um novo grito vindo de Kipédiu, quando viraram para vê-lo descobriram que Vampus tinha arrancado a perna do irmão e estava colocando em seu corpo.
Quando Liceu foi tentar salvar seu irmão, o monstro Lobus agarrou seu calcanhar e o puxou. Liceu caiu batendo o queixo no chão, Ipeleu desferiu um novo golpe no monstro já caído. Ipeleu passou por cima de Lobus, correu em direção a Vampus e acertou um golpe no pescoço do monstro, fazendo-o dar meia volta, depois desferiu um chute forte o suficiente para derrubar a criatura no buraco.
Ouviu-se um longo grito enquanto o monstro caia no buraco. Liceu largou a espada, subiu em cima do monstro que estava quase inteiro, mesmo tendo recebido tantos golpes, e começou a esmurrar a face do monstro. Liceu quebrou a mandíbula, que ficou pendurada pela pele, quebrou os dois ossos das bochechas, deixou um dos olhos vazando e o outro inchado. Ipeleu segurou o irmão e o tirou de cima do monstro.
Liceu chorava enquanto seu irmão o tirava arrastando em cima do monstro. Ipeleu arrastou o monstro e o jogou no buraco. Retirou o punhal sem corte lá fincado e a terra e a grama cobriram o buraco como se nada houvesse de diferente estivesse ali. Liceu e Ipeleu foram para perto do irmão.
– Vou colocar minha armadura nele. – Falou Ipeleu já tirando o seu elmo.
– Nada disso. – Respondeu Kipédius interrompendo a mão de Ipeleu tentando colocar o elmo em sua cabeça. – Vão atrás do terceiro monstro, rápido.
– De jeito nenhum. Temos que te manter vivo. – Falou Liceu desesperado.
– Não ficarei vivo. – Kipédius falou com a voz já sumindo, mas um sorrindo se abrindo. — Vão e cumpram a missão.
– Ficará vivo sim. Colocaremos nossa armadura completa em você. – Disse Ipeleu tirando a mão de Kipédius do elmo.
– Não. Eu já não sinto meu coração bater, eu sangue circular ou mesmo vontade de respirar. – Falou Kipédius deixando uma lágrima escorrer.
– Para de falar bobagem, as Solaris trazem você de volta a vida. – Falou Liceu retirando seu bracelete.
– Meu desejo é que vocês me deixem morrer e não me enterre. Partam agora e não voltem atrás de mim. Fale para nosso pai que morri e combate, como um verdadeiro frego.
Ele vai ter orgulho de você. – Falou Ipeleu se levantando.
– Não! – Gritou Liceu. – Você virá conosco.
Ipeleu cravou a Castigadora na nuca de Liceu, que desmaiou com a espada fincada no pescoço. Se despediu do irmão entre as lágrimas e começou a arrastar o irmão inconsciente. Colocou em Liceu o seu elmo e usou o Cranio, começou a identificar o rastro do termeiro monstro, após de um tempo carregando Liceu, conseguiu encontrar algumas pistas e foi atrás dela.
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