O Deus do Sol

23 XXIII – A Carruagem de Hélio


Liceu correu para fora do templo e viu se pai retirando a Sanguinária do pescoço de um homem, que vestia uma túnica longa e branca, com sandálias feitas de palha. Kipédius empunhava a Castigadora repleta de sangue, enquanto olhava vários cadáveres mortos no chão.

Antes de Liceu perguntar qualquer coisa Apolo apareceu, agradeceu com um aceno de cabeça Kipédius e seu pai por defenderem o templo, logo com um gesto das mãos, Apolo pediu para todos entrarem no templo.

- Apolo, cadê o centro do sol de Hélio? – Perguntou Liceu intrigado.

- Quando enviei vocês para cá, eu já mandei o centro para onde tinha que ir. – Apolo respondeu na entrada do templo, um pouco alto, já para Ipeleu ouvir.

- E o que aconteceu com o resto do sol? – Perguntou Ipeleu tentando se acostumar com a luminosidade.

- Quando vocês retiraram o núcleo e saíram de dentro dele, ele explodiu, transformado aquele deserto, em um deserto ainda maior. – Falou Apolo andando em direção ao altar do templo. – Agora vocês terão uma missão que complementa essa missão, pois se vocês acabaram com o sol, falta acabar com? – Apolo fez a pergunta esperando a resposta de um dos quatro soldados.

- A biga que a carregava pelo céu. – Liceu falou como um reflexo, mostrando que o Crânio o fazia pensar mais rápido também.

- Muito bem. – falou Apolo impressionado. – A biga vai ser algo mais estranho, pois não sei exatamente onde ela está. Sei que está protegida por um monstro muito poderoso, a Quimera.

- Mas Belerofonte matou a Quimera. – Falou o pai dos rapazes achando que estava corrigindo o deus do sol.

- Uma Quimera foi morta por Belerofonte, à filha de Equidna e Tífon, foi morta por Belerofonte. Existe outra Quimera, ela é filha hidra de Lerna e do leão de Neméia. Mas ela é mais poderosa que a outra Quimera, pois tem a pele igual a do leão de Neméia e tem o hálito da hidra de Lerna.

- Então vai ser algo bem difícil. Já que ele será invulnerável e poderá derreter vocês com o hálito. – Falou Kipédius.

- Por sorte, os dois irmãos mais velhos tem armaduras que o regeneram. – Falou Apolo.

- Mas eu sinto a dor da ferida, então vou me ferrar de todo jeito. – Liceu reclamou em baixo tom.

- Ele tem mais uma habilidade que sabemos, se um dia de vocês, por acaso, conseguir arrancar alguma das cabeças, elas irão se regenerar. – Apolo falou com muita ironia.

- E como iremos sufocar um animal de três cabeças? – Perguntou Ipeleu agora preocupado de como conseguiriam matar a Quimera.

- Fácil, fugiremos com a biga guiada por seus cavalos. – Falou Kipédius.

- Não tem cavalo, ou nem outro animal que guie a carruagem. Hélio os matou, por serem de outro deus, então não terá como fugir guiando a biga. – Apolo acabou com as esperanças de Kipédius em dirigir uma arma divina.

- Um distrai a Quimera e o outro rouba a biga. – Liceu falou já colocando em prática o plano em sua mente. – Eu distraio a Quimera e Ipeleu rouba a biga.

- Tem um problema nesse seu plano. – Falou Apolo se ajeitando para encostar-se à sua própria estátua. – Ipeleu não vai para essa missão, ele ficará para proteger o meu templo.

- Como? – Ipeleu se sentiu rejeitado. – Eu sou um guerreiro nato, e como não poderei enfrentar uma Quimera? A única viva. – Ipeleu levou a mão ao cabo da Justiceira e deu um passo à frente.

- Se Kipédius ficar no lugar de Ipeleu. Seu pai e Kipédius morrerão defendendo o templo. – Apolo falou como se não se importasse, mas ele estava preocupado se a missão falhasse. – Kipédius irá com Liceu para a viagem e Ipeleu ficará protegendo o templo com seu pai.

- Mas como iremos a um lugar onde ninguém sabe onde fica? – Perguntou Liceu imaginando quanto tempo demoraria essa missão.

- Eu falei que eu não sabia não que ninguém sabia. – Apolo corrigiu a frase de Liceu – Atenas, minha meia-irmã, sabe de muita coisa, talvez ela saiba como chegar até lá.

- Mas como entraremos em contato com ela? – Perguntou Kipédius tomando a frente, já pronto para a missão em campo.

- Não vão. Eu tentarei convencê-la e depois vocês irão para...

- Deixe-me falar com ela. Aposto que eu a convenço. – Liceu falou olhando para Apolo, e depois dessa frase, foi a primeira vez que o deus demonstrou algum sentimento.

- Você acha que pode convencer um deus? – Falou Apolo surpreso, e depois começou a rir.

- Ela tem uma dívida comigo, indiretamente, mas tem. E eu consigo convencê-la. – Liceu fez uma cara de convencimento. – Não se preocupe só a traga aqui.

- Tudo bem. – Apolo se concentrou com os olhos fechados, e Liceu pode ver que ele enviava algumas mensagens em forma de vibrações pelo ar. – Desculpe, mas ela não virá.

- Fale que é sobre Nice, e seu cajado. – Liceu respondeu sem alterar o tom de voz ou a expressão facial.

- Vou tentar usar essa. – Apolo não acreditava que Atenas apareceria, mas funcionou, Atenas apareceu sem avisar Apolo. – Você apareceu? – Apolo falou para uma imagem que se projetava da deusa.

- Sim, quem me chama? – Atenas falou olhando para os quatro homens que estavam servindo Apolo.

- Eu te chamo. A senhorita poderia me
informar onde está a biga de Hélio. – Liceu deu um passo à frente e falou
retirando o Crânio, falando com uma expressão muito calma.

- Por que eu deveria saber? – Atenas estava querendo que a conversa acabasse logo. – Estou de saída.

- Aposto que a senhorita sabe, e se não souber eu vou falar diretamente com Nice, e devolverei o presente que ela me deu, em troca do cajado que dei a ela, já que o cajado pode ser muito mais útil nessa missão do que um cinturão que trás as armas.

- Está me ameaçando? – Perguntou Atenas desacreditando do que havia ouvido.

- Não, estou colocando uma situação mais confortável para que a missão seja cumprida. Se a senhorita não pode me ajudar, acho que Nice poderia. – Liceu falou olhando nos olhos da deusa de uma forma desafiadora com um sorriso sínico.

- Sabia que nem todos os deuses gostam de você? Não gostaria de ter mais um. – Atenas falou como sua última barreira de proteção.

- É com as pedras dos outros que construo minhas muralhas. – Liceu falou andando perto da projeção da cabeça da deusa. – Terei duas deusas a mais me odiando, agora e se eu não conseguir impedir Hélio?
Melhor ter alguém me odiando, do que não ter ninguém para nada. – Liceu olhou com uma expressão séria para Atenas. – Eu só peço uma informação, se você não me der, alguém dará.

- A biga está na cidade de Athenas, mais perto do que vocês imaginam. De baixo de um templo de Zeus, esse templo tem uma escada para de atrás da estátua de Zeus, e ela levará até um templo subterrâneo, com várias passagens, uma delas terá o caminho para outro templo subterrâneo, e lá estará Quimera protegendo a biga. – A imagem da deusa evaporou no ar após dizer a última palavra.

- Você não tem noção da idiotice que acabou de fazer. – Falou Apolo desencostando da estátua. – Você poderia se meter com qualquer Deus, com exceção dos três grandes e de Ares e Atenas. Eles são insanos quando se trata de ameaças e vingança, e no seu caso acabou conseguindo os dois de Atenas.

- Não se preocupe, não morrerei enquanto não matar Hélio. – Liceu falou se virando para o deus. – Mas te qual templo de Zeus Atenas falou?

- Existem muitos templos de Zeus em Athenas. – Observou Kipédius.

- Existem muitos templos de Zeus em todo lugar. – Ipeleu falou chateado por não poder participar da missão, mas não deixava ser uma verdade.

- Acho que eu sei de qual templo Atenas falava. – O pai dos garotos falou olhando para o chão, mas sem nenhuma intenção, só a falou “em voz alta”.

- Você sabe? – Perguntou Apolo descrente.

- Sim, vi um buraco em uma parede em uma vez que fui orar para Zeus. Quando fiz uma oferenda para Zeus, vi uma pequena fenda na parede, atrás da estátua de Zeus.

- Qual o templo? – Perguntou Kipédius já querendo começar a missão.

- Perto da barraca de Junco. – Uma barraca de quem os donos tinham amizade com a família de Liceu.

- Já sei qual o templo. – Kipédius olhou para. – Vamos agora?

- O mais rápido. — Respondeu Apolo já se desmaterializando em meio aos mortais.

- Ele é quem manda. Vamos. – Falou Liceu preparando as armas.

Liceu e Kipédius saíram em seguida, deixando o pai junto a Ipeleu, que não gostou de ter ficado para proteger o templo, as depois acabou descobrindo que ficar para proteger o templo seria algo muito melhor do que ele pensava, acabou até gostando de ficar para a proteção do templo.

Liceu e Kipédius não tiveram muito assunto no caminho, como eles nunca foram irmãos muito ligados, então a caminhada se moveu em silencio a maior parte do tempo. Passaram pelos guardas de Athenas sem nenhum problema aparente, e chegaram rapidamente ao templo no qual o pai identificou para os filhos.

Mas ao chegar ao templo Liceu e Kipédius não viram nenhuma escada para ir a uma passagem subterrânea, só uma leve fissura na parede, que deveria ter vindo com o tempo. Liceu perguntou a um sacerdote se ele sabia de algum templo de Zeus na cidade de Athenas com um templo subterrâneo, mas o sacerdote só achou estranho, mas mandou verificar em outro tempo, onde tinha um sacerdote que sabia muito sobre os templos de Zeus. Os irmãos chegaram ao templo indicado e lá procuraram pelo sacerdote indicado, e conseguiram acha-lo rápido.

- Sacerdote Lísio? – Perguntou Liceu se aproximando por trás.

- Sim. – O sacerdote era muito velho, e apesar do rosto rude, indicava uma paz interior.

- Queremos saber sobre o templo de Zeus onde tem uma Quimera presa. – Falou Kipédius usando sua inteligência, mesmo Liceu achando estranha a audácia de Kipédius.

- Eu não sei nada sobre isso. — O sacerdote levou um choque, e já não demonstrava paz interior.

- Se você não nos falar, poderemos ser amaldiçoado por Apolo. Ele quer que matemos a Quimera que está presa sobre o templo. – Kipédius mentiu e Liceu levou um susto ao ouvir o irmão dizer isso.

- Vocês a matarão? – O sacerdote Lísio parecia ter ficado aliviado após ouvir qual o propósito dos dois jovens. – Não seis e conseguiram.

- Se não conseguirmos, outros virão. Para sempre ela não viverá, além de termos que recuperar um objeto para Apolo, a pedido dele.

- Eu os levarei até o templo, me sigam. – O sacerdote começou a caminhar na frente, não querendo conversa com os jovens, “enquanto menos soubesse, melhor seria”, assim que pensava o sacerdote.

- Como você sabia que iria funcionar? – Perguntou Liceu sorrateiramente, após ver o sacerdote ficar um pouco distante.

- Eu aprendi algumas coisas sobre sacerdotes, depois que comecei a construir templos.

- Que tipo de “coisas”? – Perguntou Liceu com um sorriso no rosto.

- Que eles são sacerdotes, por serem medrosos ou não ter vocação para nada. E uma coisa de que todas tem medo são de heróis, mas o que mais os fascina é ajuda-los em uma missão, principalmente se for de ordem dos deuses.

- Que idiotas! – Falou Liceu por espanto.

- Nada! Acha que eles não abusam das sacerdotisas? Esses caras são uns selvagens, enquanto maior a influência, mais eles abusam da sua influência. Muitas sacerdotisas viram sacerdotisas, pois foram abusadas pelos sacerdotes e para não ter que se casar envergonhada, se tornam sacerdotisas para ninguém fique sabendo sobre elas.

- Que universo mais perverso. Se eu pudesse acabava com esses monstros. Será que o Lísio é desse tipo? – Perguntou Liceu já ficando com o sangue esquentado.

- Se ele é desses? – Se sabe muito, pode ter certeza que ele abusa disso, não existe exceção entre sacerdotes. – Kipédius falou sem orgulho nenhum da raça que os guiava até os deuses.

- Esse é o templo. – O sacerdote foi embora depois dessa frase, sem mesmo olhar para trás nem nada.

- Então lá vamos nós! – Liceu falou tomando a frente e andando até a estátua de Zeus, o templo não era muito grande, mas era bem cuidado e havia certa quantidade de pessoas nele. – Como tiraremos todos para que ninguém veja que estamos entrando em um lugar que deveria ser escondido para eles?

- Fácil! Olhe e aprenda com seu irmão mais velho. Só entra na dança. – Kipédius olhou andou até a estátua de Zeus e olhou para todos os que rezavam para Zeus, e esperou até que todos reparassem nele. – Preciso de um sacrifício humano, alguém poderia me ajudar? – Kipédius tirou a espada e esperou a deixa.

- Eu! – Falou Liceu convicto, retirando a sua espada. – Mas eu o usarei como sacrifício. – Falou Liceu andando lentamente e olhando para Kipédius.

- Ótimo! Que os deuses escolham o sacrifício apropriado.

Kipédius andou até Liceu e desferiu o primeiro golpe, que foi desviado pela Vingadora, e Liceu contra-atacou, mas Kipédius defendeu o ataque. Depois desse golpe Liceu sussurrou uma leve frase: Acerta minha garganta. Liceu disse piscando. Kipédius fez como Liceu disse e fincou a Castigadora na garganta de Liceu, e espalhando uma possa de sangue no chão.

Todos os moradores começaram a correr desesperados para fora do templo. Quando se viu sozinho, Kipédius retirou a espada e viu seu irmão voltando à vida e o ferimento se cicatrizando.

- Vamos logo, antes que apareça algum guarda. – Kipédius falou enquanto ajeitava para carregar Liceu, já que ainda estava um pouco afetado pelo golpe.

- Me ajuda a ir até a atrás da estátua. – Liceu falou escorando no irmão, mas quando lá chegaram, viram uma parede fechada e um chão de mármore completamente soterrado.

- Nem conferimos se esse era o templo correto. – Kipédius soltou Liceu, que já estava ficando em pé sozinho.

- Me perdoe Zeus, mas é para um bem maior. – Liceu guardou a Vingadora e acertou um soco na parede fechada, e viu seu braço a atravessá-la. Depois acertou um chute na mesma linha do soco, só que mais embaixo.

Uma fenda se abriu, e por lá passaram os dois irmãos, mas quando começaram a descer as escadas perceberam que não havia luz para guia-los nos templos subterrâneos e eles também haviam esquecidos de trazer alguma coisa para iluminar o caminho.

O saírem da escada perceberam que os templos subterrâneos tinha uma iluminação completamente perfeita, por tochas e por um efeito que vinha da água, que acabava iluminado os rios de água que ficavam ao lado da passarela.

O templo estava em um estado perfeito de conservação, mas que não era limpo há muito tempo, pois tinha pó por toda a parte do templo, mas isso não incomodou os dois jovens, que foram calados para evitar sons que despertasse a fera. No tempo subterrâneo de baixo já era possível ver as pegadas, mais recentes e as mais antigas da Quimera.

Ao descer mais um templo, Liceu e Kipédius viram nitidamente a sombra de Quimera. Liceu olhou para Kipédius e não falou nenhuma frase, mas que através dos movimentos dos lábios, Kipédius entendeu que era para ele procurar a biga enquanto Liceu distraía a fera.

Kipédius foi pelo caminho contrário ao da sombra da fera, já Liceu que ansiava por uma luta andou até atrás da fera, e enquanto caminhava lentamente retirou a Vingadora e foi acumulando a maior quantidade de poder que conseguiu. E com o Crânio foi examinando se o monstro tinha alguma fraqueza, mas a única coisa que conseguiu perceber com o elmo foi a quantidade de gás tóxico que exalava da boca da criatura.

Quando viu que a espada não acumularia mais poder teve uma surpresa, a cauda do monstro, que era o corpo de uma cobra, o atacou, Liceu por extinto rebateu a cabeça da cobra com a espada. O choque foi tremendo, mas a cabeça da cobra foi uma chicotada na parede do corredor.

Liceu arregalou os olhos e correu do monstro e com a ajuda do anel dado pela Bia, que com o aumento da força, fazia o correr mais rápido e dar passada mais distante. Quando Liceu que a Quimera o alcançaria ele calculou o tempo exato, com a ajuda do Crânio, e no momento exato que a Quimera pulou para dar o bote, Liceu pulou para trás com a Vingadora levantada.

A espada passou contra a barriga da Quimera, faíscas apareceram com o choque da ponta da espada com a pele da Quimera, mas não apareceu nem um dano na pele do monstro. O monstro se virou e rugiu furioso, o rugido partiu da cabeça de leão, que jogou Liceu pelos ares, depois veio o rugido da cabeça da cabra, que saiu um jato forte verde. O jato fez Liceu rolar pelo chão, enquanto tinha sua pele queimada pelo jato expelido pela serpente viu seus braços serem separados do seu corpo.

Liceu se levantou e viu a Quimera se aproximando a passos lentos, depois olhou para seus braços, agora já estavam bem regenerados, mas ainda estava longe de Liceu poder segurar uma espada. Reparou que como estava sem os braços, Liceu estava sem os braceletes da Solaris, eles estavam na metade do caminho até a Quimera.

- Segue a minha voz! – Liceu ouviu a voz de Kipédius ecoar pelos tuneis do templo subterrâneo, mas conseguiu descobrir de onde via, pelas vibrações do ar, que o Crânio identificou facilmente, do túnel que Liceu tinha sido jogado, e que vinha atrás da Quimera.

Liceu correu até em direção aos braceletes e a Quimera correu de encontro a Liceu. O monstro de aproximava mais rápido do que Liceu se aproximava dos braceletes, mesmo quando a Quimera passou dos braceletes, Liceu não parou de correr em direção aos braceletes e no momento que ambos foram se chocar, Liceu materializou o Refletor no braço esquerdo, que não estava completamente regenerado, ainda estava sem os dedos, mas já pode colocar a palma da mão em volta do apoio.

Quando a Quimera tentou morder Liceu com a cabeça de Leão, ela foi rebatida pelo escudo, que a fez dar um rodopio no ar. Liceu já sabia o que vinha, mas não estava numa posição confortável para se defender, então recebeu a mordida da serpente no pescoço. Liceu já tinha os dedos da mão direita então segurou firme no escudo e rebateu fortemente a cabeça da serpente, que ricocheteou no ar e espirrou seu próprio veneno nos olhos da cabeça de cabra.

O monstro rugiu pelo veneno e Liceu aproveitou para acertar mais um golpe, rodou e acertou o Refletor em cima da pata traseira esquerda da fera, ela rodou deslizando pelo chão, e continuou até bater contra a parede.

Liceu viu que a fera estava atordoada e correu de encontro aos seus braceletes, e enquanto corria colocou o Refletor nas costas e ao chegar aos braceletes, o pegou sem parar de correr. Liceu correu em direção ao túnel, e correu ainda conseguindo identificar a vibração pelo ar, elas se intensificaram quando Liceu ouviu um novo grito de Kipédius.

- Liceu! Você está bem? – A voz estava muito próxima, tão próxima que quando Liceu só precisou cruzar a primeira porta que viu para responder pessoalmente.

- Melhor agora. – Liceu falou colocando os braceletes nos pulsos.

- Tive uma ideia, coloque essa máscara na cabeça da serpente. – Kipédius deu uma máscara de couro com detalhes de prata, que era do tamanho exato da cabeça da serpente. Mas é melhor se apressar, pois o bichinho de estimação dos titãs está vindo. – Kipédius entregou a couraça na mão de Liceu, que estava olhando para trás e vendo a Quimera correndo na sua direção.

- Só tenho missões fáceis. – Liceu soltou um leve sorriso e materializou o Refletor na mão direita e colocou a mão dentro da couraça.

Liceu correu e ao chegar perto da Quimera o monstro parou e rugiu com a cabeça de leão, a cabeça da cabra e por último a de dragão. Os três rugidos se misturaram, o de leão fez o ar se deslocar, o da cabra saiu o veneno corrosivo e a cabeça de dragão soltou um fato de fogo. A mistura dos jatos foi catastrófica para Liceu, pois o rugido do leão espalhou o veneno da cabra que foi incendiada pelo rugido do leão.

Liceu rebateu o golpe de forma inacreditável, pulou em forma horizontal com o Refletor à frente. O escudo defendeu o corpo todo de Liceu, e ainda chegou a acertar a cabeça de dragão. A Quimera mais uma vez rodou pelo ar e caiu atordoada, mas dessa vez Liceu já sabia como defender o próximo golpe e quando a serpente foi picá-lo, Liceu agarrou o pescoço da serpente com a mão direita e com a outra mão colocou couraça na serpente.

- Já coloquei. – Liceu gritou para Kipédius avisando e esperando o que aconteceria em seguida.

Liceu achou estranhou, pois não ouviu resposta de seu irmão, mas logo em seguida a Quimera foi puxada em uma velocidade estranha, como Liceu estava no caminho, acabou sendo arrastado até chegar ao ponto em que o monstro parou, mas Liceu continuou até bater contra a biga, que até o momento não tinha visto.

- Levanta e coloca isso entre os chifres da cabra. – Kipédius jogou um pedaço de couraça com detalhes de prata, mas esse era grosso, que tinha três pontas, duas eram ligadas retamente e a outra ponta era na metade da ligação das duas pontas.

Liceu correu por cima da Quimera e encaixou certamente na frente dos chifres e quando encaixou, criou-se uma corrente de prata da ponta que ficava na ligação das duas pontas retas, até onde Kipédius estava em cima da biga.

- Coloque essa nas presas principais do leão. – Liceu pegou a couraça no meio do ar e quando se virou para colocar nas presas do leão a Quimera começou a se levantar, mas Liceu retirou a Vingadora e acumulou poder até perceber que a Quimera reagiria. Quando a Quimera foi rugir Liceu desceu a espada de lado, fazendo o corpo da Quimera absorver o impacto e cair desacordada.

- Essa coloca na primeira “crina” e no queixo do dragão. – Kipédius jogou a couraça, que Liceu pegou no ar, que tinha dois orifícios enormes nos dentes do leão e esperou seu irmão, que logo jogou a quarta couraça. Uma couraça que cobriria a cabeça de dragão, pegando do queixo até a “primeira crina”.

- Crina é de cavalo, não era para colocar na crina. – Falou Liceu colocando a couraça na cabeça do dragão.

- Você sabe o nome? – Kipédius falou enquanto segurava as quatro correntes de prata.

- Não, mas acho que está mais para “chifre” do que para “crina”. – Liceu subiu na biga. – Essas couraças se encaixam perfeitamente na Quimera, será que ela conduzia o sol pelo céu?

- Não sei, perguntamos isso quando chegarmos ao templo. – Kipédius pegou as correntes e as encaixou nem outra couraça, um pouco maior e depois a colocou no corpo, e Liceu pode ver que era uma armadura de couro. – Será que quebraremos a estátua e o templo com a Quimera e a biga?

- Acho que Apolo nos levará antes. – A biga partiu, dando um susto em Liceu. – Quando a Quimera acordou?

- Quando eu mandei. – Kipédius falou olhando com um grande sorriso no rosto. – Não preciso dizer, meus pensamentos passam por essas correntes até chegar às cabeças da Quimera e então ela segue minhas ordens sem nenhum questionamento.

- Você se lembra do caminho? – Perguntou Liceu achando estranho, vendo que reconhecia o caminho, mas não lembravam qual era o certo, nem qual eram os próximos, até a Quimera entrar no caminho correto.

- Eu não lembro. Só a mandei encontrar a saída do templo, e como ela está aqui há muito tempo, tem a obrigação de saber qual é o caminho mais rápido. – Kipédius falou com muito orgulho de seu raciocínio lógico. – Nem todo mundo é inteligente, podem até dar um elmo mágico, mas não os deixa inteligentes. – Kipédius brincou com Liceu.

- Muito engraçado. Nem todo mundo é forte, podem até dar uma espada. – Liceu brincou de volta.

- Às vezes dão mais que uma espada. – Kipédius olhou para Liceu dando risada. – Parece que vamos quebrar a estátua de Zeus. – Kipédius falou quando viu que eles entraram em um túnel escuro com uma escada inclinada.

Os irmãos viram o leve facho de luz por onde entraram, e eles foram se aproximando e bem no momento que eles iriam se chocar contra a parede, os dois irmãos apareceram no templo de Apolo, ambos caíram ao chão. Kipédius rolou e acabou se machucando feio no chão, ficando com varias escoriações e arranhões, já Liceu antes de rolar conseguiu perceber com o Crânio e então se equilibrou na caída ao chão.

- Nem todo mundo é inteligente. – Liceu falou brincando para Kipédius.

- Engraçado de mais. – Kipédius falou se levantando e analisando os ferimentos que acabara de receber. – Foi engraçado de mas para você.