O Deus do Sol

19 XIX – Revelando o deus traidor


– A missão era você matar o escorpião, feito isso eu apareceria, não quer dizer que eu tenho que te mandar de volta para a praia onde nos encontramos. – falou Artêmis desencostando do bote e se virando para Liceu. – Gostou do presente de Ares?

– Muito! – Falou Liceu pegando a lança das costas. – Me senti outra pessoa usando isso. – Liceu acariciava a lança enquanto descrevia a emoção que sentia ao segurá-la.

– Nada bom. Vai acabar ficando igual ao Ares.

– Isso é ruim? – Perguntou olhando para Artêmis com um sorriso.

– Não, para você matar o deus traidor, Mas pelo lado de como você poderia ser, ou prometeu ser, seria péssimo. – Falou Artêmis desviando o olhar.

– Prometi ser? – Perguntou Liceu curioso.

– Você se lembra de qual seria a condição para ganhar a lança de Ares? – Falou Artêmis desviando do assunto.

– Que eu me lembre. Ele falou que tinha um problema no Olimpo e quando o problema não fosse mais dele, me mandaria à lança. – Falou Liceu tentando se recordar de mais alguma coisa.

– O problema no Olimpo que Ares te falou, era sobre o deus traidor. – Liceu arregalou os olhos.

– Descobriram quem é o deus traidor?

– Ele se revelou. – Liceu quase perdeu o equilíbrio, se não tivesse apoiado a lança no chão teria caído. – Ele fugiu com uma mortal, filha de Nêmeses para um templo distante. Não se sabe o por que dele ter feito isso, mas antes de partir ele destruiu um templo dedicado a Zeus, Poseidon e Hades. A antiga mulher desse deus quer que você faça uma missão para ela, o problema é que o templo dela é em Argos, e lá está cheio de soldados espartanos rondando a cidade a procura de fugitivos. Você precisará deixar sua armadura Solaris e sua lança Sanguinária nesta praia e quando você entrar no templo da deusa invocará essas armas, pois se você andar com elas em Argos os soldados acabaram por te reconhecer.

– Mas então eu levarei apenas o anel da força, a Vingadora e o cinturão da presença?

– Sim, mas não retirará a espada da bainha a menos que entre em apuros. O cinturão e a espada serão cobertos por essa túnica. – Artêmis esticou as mãos e deu uma simples túnica marrom. – Estou lhe dando essa capa, para cobrir o rosto, já que você ficou famoso em Esparta. – Liceu jogou a Sanguinária no chão e foi jogando as partes que retirava da Solaris junto a lança.

– Qual é a deusa que quer meus serviços? – Perguntou Liceu enquanto retirava a Solaris.

– Perseis, uma oceânide. Ela é vinculada com a destruição, ou algo do gênero, meio sem controle. Ela quer que você destrua o templo principal do deus traidor, o deus que fugiu com uma amante, o deus Hélio.

– Hélio é o deus traidor? – Perguntou Liceu parando de colocar a túnica que Artêmis lhe deu e virando para ver se ela contava a verdade.

– Sim, Hélio é o deus traidor, já até abandonou o serviço de carregar o sol pelo céu, Zeus pediu Apolo, como deus patrono do sol, fizesse o serviço temporariamente. – Liceu terminou de colocar a túnica e fechou a capa que vinha com uma toca, para cobrir o rosto.

– Onde fica o templo que ela quer que eu o destrua? – Liceu olhava a roupa para ver se a Vingadora fazia algum volume, percebeu que fazia então ajeitou a ligação do cinturão com a bainha.

– Não sei exatamente, mas eu sei que você tem que passar pelo templo primeiro. Ele fica próximo a maior taverna de Argos. Boa sorte. – Falou Artêmis se virando para desaparecer. – Mas antes, tenho que dar o seu presente por você ter realizado a missão com sucesso. Tenho um elmo para você, ele vai te dar uma visão bem parecida com a dos deuses. O elmo chamado “Crânio”, ele vai te dar um pedaço de como os deuses olham e pensam, mas você terá que deixa-lo na ilha e só o colocará quando entrar no templo de Perseis.

– Tudo bem. Mas eu gostaria de saber como eu vou me alimentar? Já que minha armadura ficará na ilha.

– A náiade de Poseidon lhe trará três refeições por dia. Agora estou indo para meus afazeres.

Liceu iria responder, mas viu Artêmis exalando um forte brilho. Liceu desviou o olhar, como de costume, e quando pode olhar novamente a deusa não estava mais lá. Liceu viu sua armadura, lança e elmo em meio a areia e desejou saber como um deus enxergava. Deixou a curiosidade de lado, subiu no bote e começou a remar.

Liceu continuou remando por um longo período, o céu já estava fincando carregado pelas nuvens, o céu já estava muito escuro, mostrando nitidamente que precisaria descarregar através de uma enorme tempestade e nesse momento a náiade apareceu.

– Trouxe sua comida. – Falou a náiade enquanto acompanhava o bote a nado.

– O que me trouxe? – Perguntou Liceu sem olhar para ela.

– Algumas frutas e água. – Falou a náiade olhando Liceu remar. – Está com muita fome?

– Frutas? Acho que estou precisando comer carne, estou me sentindo fraco. – Falou Liceu sem olhar para náiade.

– Não se preocupe, é uma refeição de frutas, uma de massa e a última de carne. – Liceu parou de remar e suspirou arrependido.

– Nem agradeci por você trazer minha refeição, obrigado. – Liceu falou olhando nos olhos da náiade.

– De nada. Aqui está a cesta que tem as frutas e um cantil dentro. – A náiade tirou um cesta de couro, que parecia impenetrável para a água.

– Está tendo muitos afazeres? – Liceu olhou para a mão esquerda, que não esquentou, mas lembrou do sonho onde a mulher o cumprimentava pelas costas, e então Liceu sentiu um arrependimento por ter falado sem pensar, não sabia por que, mas sentia um arrependimento.

– Até que não. Mais alguma missão? – Perguntou a náiade colocando os seios em cima do bote, para tentar chamar a atenção de Liceu.

– Sim, mas essa vai ser meio divertida, vou ter que fazer um estrago escondido. – Liceu falou olhando para os olhos da náiade.

– É melhor se apressar Poseidon quer jogar a chuva para agitar o mar. Apolo pediu para ele esperar sua travessia, já que um bote nem aguentaria a chuva.

– Me faz um favor, já que não está com muitos afazeres.

– Claro! O que você quiser. – Falou a mulher completamente empolgada, esperando que Liceu a possuísse.

– Empurra o bote enquanto eu como o lanche que você me trouxe? – Falou Liceu abrindo a bolsa de couro e comendo a maçã que havia tirado primeiro.

– Isso é sério? – Perguntou a náiade não acreditando no que acabara de ouvir.

– Você falou que faria qualquer favor. – Liceu agora esticava as pernas e dava uma grande mordida na maçã.

Liceu foi comendo, enquanto a náiade empurrava o barco lentamente. Liceu pensava com ele mesmo, que mesmo sendo um perfeito bastardo, sabia que tinha que se valorizar, além de já ter se oferecido para ela duas vezes, já tinha corrido muito atrás dela.

Liceu terminou de comer e pegou os remos, agradeceu a náiade com um aceno com a cabeça, a náiade foi embora fervendo de raiva. Liceu continuou o trajeto até no período da noite, onde a náiade voltou, mas dessa vez só trouxe a comida, deixando a cesta de couro no bote, depois ficou boiando sem ao menos olhar para Liceu. Ele comeu a comida de bom grado, agradeceu novamente, com um aceno de cabeça e a náiade levou a cesta de couro embora, junto com ela.

Liceu remou toda a noite, sem ao menos parar para descansar, já que viu o céu escurecendo mais e mais carregados de grandes e grossas nuvens. Ao trazer a terceira refeição, novamente a náiade não abriu a boca para puxar assunto algum, Liceu ainda perguntou alguma coisa para ela, mas não obteve resposta, terminou de comer, agradeceu novamente com um aceno de cabeça e voltou a remar, a náiade foi embora ainda furiosa.

Ao começar a remar, Liceu sentiu seus braços doendo muito, e percebeu que estava ficando com sono, o ritmo diminuíra e suas pálpebras ficaram pesadas. A noite foi se passando, Liceu tentava remar, mas com o passar do tempo ele piscava, e acabava cochilando por algum tempo, mas logo acordava e por instinto tentava voltar a remar, mas nunca demorava tanto tempo.

Liceu acordou com alguns pingos sobre o corpo e olhou para o céu, esquecera que a náiade não avisou porque caminho ele teria que remar, e também que estava remando sem uma direção até o momento. Mas não poderia ficar ali, já que a chuva começaria a engrossar, então se propôs a remar em qualquer direção, o mais rápido que conseguisse.

Liceu continuou remando enquanto caía uma garoa fina sobre seu corpo, até a náiade aparecer com a cesta de couro e larga-la sobre o bote, logo estava boiando sobre a água.

– Qual é a direção de Argos? – Perguntou Liceu para a náiade, mas não obteve resposta e sem muita paciência Liceu continuou – A deusa Artêmis falou que você me indicaria a direção, já que você não está indicando, acho que você esta desobedecendo uma ordem de um deus olimpiano.

– Naquela. – Apontou a náiade, mostrando que estava a direita de onde Liceu remava.

– E como eu saberei que não mudarei de posição enquanto navego? – Perguntou Liceu já falando com firmeza.

– Toda vez que eu trazer suas refeições eu lhe falarei se está na direção certa.

Liceu pegou a cesta e começou a comer, enquanto comia a náiade não abriu a boca para falar nada, nem Liceu, já que estava nervoso, por ter que ficar remando de um lado para o outro, ele não se importava de andar ou cavalgar, mas navegar era a única maneira de viagem que ele odiava.

Liceu terminou de comer, bebeu a água do cantil e agradeceu com o aceno costumeiro. A náiade foi nadando até sumir em meio as águas, Liceu voltou a remar rapidamente, foi aumentando o ritmo enquanto o tempo se passava e só parou para fazer suas necessidades.

Essa rotina se estendeu por seis dias, a chuva levemente fraca e as visitas, três vezes por dia, da náiade para lhe entregar comida e água em uma cesta de couro. No último dia Liceu chegou a praia de Argos e viu Herc pastando ao longe. Quando teve a oportunidade de mergulhar na água para ir com seus próprios pés, assim fez. Levou um pouco mais de tempo que pensava, mas chegou a praia, com a vestes ensopadas.

Liceu assoviou para Herc, que o procurou, mas não o reconheceu pelas vestes, Liceu novamente assoviou e Herc olhando para Liceu se aproximou trotando. Liceu tirou a toca e o cavalo se aproximou, ele montou no cavalo e sussurrou no ouvido do cavalo.

– Já sabe para onde ir.

E num pulo o cavalo saiu correndo deixando só a areia se levantando na água. Não demorou nem metade de um dia para Liceu chegar a Argos, mas quando estavam chegando ao portão principal fez um sinal para o cavalo reduzir o ritmo. Passou andando pelos guardas do portão, sem ninguém intercedê-lo.

Andando lentamente viu que a frente estavam seis guardas espartanos esperando pelos fugitivos, então Liceu, para não ser entrevistado, voltou para o portão e se escondeu nas sombras com o cavalo, como eles haviam chegado em Argos pela noite, não conseguiram vê-lo e os guardas do portão estavam um pouco distante. Liceu retirou a Vingadora da bainha, ao fazer isso um dos seis guardas viu algum reflexo na direção de Liceu, mas antes que avisasse os outros guardas ouviu um barulho estrondoso e ao olhar para o lado viu uma casa caindo.

Todos os outros cinco guardas correram para o local onde uma casa havia caído, por uma causa desconhecida. Liceu esperou uma leve aglomeração de pessoas no local para poder passar pelos guardas discretamente com o cavalo. A aglomeração foi gigantesca, Liceu conseguiu passar do outro lado da rua, onde não tinha pessoas, mas não foi visto e nem conseguiu ver guarda algum, já que tinha muitas pessoas no local.

Liceu adentrou em Argos e perguntou para um homem, onde ficava a maior taberna de Argos, o homem estava ligeiramente bêbado, mas apontou para a montanha por onde se estendia a cidade e conseguiu mostrar a Liceu onde ficava até comentou que tinha acabado de sair de lá.

Liceu seguiu caminhando tentando ir em direção a taberna, mas algumas das ruas por onde caminhava acabava por não ter saída, então tinha que retornar o caminho. Acabou por errar o caminho três vezes, mas não o impediu de continuar a jornada. Liceu chegou até a taberna, mas não achou o templo que Artêmis havia falado, então foi perguntar para alguns homens que bebiam na porta da taberna.

– Algum de vocês sabem onde fica o templo de Perseis? – Perguntou em uma mesa onde havia nove homens.

– O templo de Perseis e Hélio fica atrás da taberna. – Falou um homem careca se levantando.

– Muito obrigado. – Liceu fez sinal para Herc se virar.

– Caso você não saiba... – Falou o homem se aproximando de Liceu. – Temos uma pequena taxa para passar informações.

– Não sabia. — Liceu não queria confusão, então quis fazer do jeito do careca, então desceu de Herc e olhou nos olhos do homem. — Como posso pagar?

– Tem várias formas. – O careca olhou para a mão de Liceu e tentou arrancar o anel, mas ao fazer isso Liceu puxou a mão, o anel escapou da mão careca, mas não ficou da mão do Liceu, o anel caiu no chão, perto do pé de Liceu.

Liceu se abaixou para pegar o anel, mas antes disso o careca pegou as costas, encurvadas de Liceu e o jogou em cima da mesa. A mesa se quebrou e os outros oito homens se levantaram. Liceu se levantou rapidamente e acertou um soco no rosto de um homem, que não tinha sobrancelhas, que segurava um copo de vinho em cada mão, o homem caiu segurando os dois copos, mas o líquido foi derramado em seu rosto e os copos se partiram em suas mãos, quebrando e fazendo vários cortes na palma da mão do homem.

Liceu acabara de acertar um homem já chutou a região intima de outro, esse homem tinha um olho azul e o outro castanho, o homem caiu rolando de dor no chão. Mas quando os outros homens perceberam que Liceu estava disposto a brigar com todos, todos foram para a briga. O primeiro homem a atacar Liceu era um homem tão que gordo que mal conseguia abrir os olhos, ele jogou o seu copo de vinho na nuca de Liceu, que se encurvou, mais pelo susto que pela dor, já que o copo não se quebrou. Outro homem, esse deu uma chave de braço em Liceu, mas Liceu rodou o corpo do homem para bater em outro que vinha em sua direção, os dois homens se chocaram e caíram no chão.

Liceu viu que mais um homem, correndo em sua direção, esse homem era negro e de aparência africana, ele veio e acertou um soco na sobrancelha de Liceu, que caiu rodando no chão, mas se levantou rápido, ele sabia se ficasse muito tempo caído no chão os homens acabariam com ele.

O homem negro veio novamente para um ataque, mas quando se aproximou Liceu chutou o peito do rapaz, que caiu sentado no chão, rolando de dor. Um homem com uma cicatriz no nariz chegou por trás e segurou pela cintura, antes que Liceu tomasse alguma atitude um homem muito magro acertou um soco no rosto de Liceu, no mesmo local onde o negro havia o acertado, o soco não foi muito forte, mas como a região já tinha ficado frágil a sobrancelha se abriu e Liceu sentiu o sangue escorrer pelo rosto. O homem magro acertou outro soco no rosto, mas dessa vez na mandíbula, por falta de experiência, onde a mão saiu mais machucada que o rosto de Liceu.

Liceu aproveitou e pulou, apoiando o peso do corpo no homem com a cicatriz no nariz, ele aguentou o pulo de Liceu. Ele ergueu as duas pernas e acertou um chute com elas no peito do homem magro, que caiu em cima do homem negro, que estava por se levantar.

O homem com a cicatriz não aguentou o empurrão do corpo de Liceu, então os dois foram para o chão, quando Liceu rolou para o lado já virou acertando uma cotovelada no olho do homem com a cicatriz.

Liceu rapidamente rolou no chão e se levantou para ver quem estava por vir, no momento viu um homem vir para cima dele com a boca aberta, mas ele não tinha dentes na boca, ao se aproximar Liceu só se desviou do soco e acertou uma joelhada no estômago do banguela e finalizou com uma cotovelada na orelha do rapaz.

Um garoto quis atacar Liceu, mas quando chegou perto para um ataque, Liceu agarrou-o pela cintura e o jogou em uma pequena fonte que tinha ao lado. Antes de Liceu se virar o careca se aproximou e chutou as costas de Liceu, fazendo cair na fonte junto com o rapaz. Ao tentar se levantar, Liceu recebeu um soco nas costelas, e logo depois um chute no rosto.

Liceu rolou para o lado, mas antes de se levantar recebeu outro chute, mas dessa vez no peito, fazendo cair sentado. Quando ele tentou novamente um chute Liceu desviou o tronco e chutou a outra perna do homem, que caiu em cima do garoto. Liceu se levantou e tentou subir o degrau para sair da fonte, mas recebeu mais um chute no rosto, dessa vez do homem que tinha a pupila dos olhos de cores diferentes.

Liceu caiu na água novamente e viu que os outros homens se juntarem ao seu redor. Ao receber chutes de várias direções pelo corpo, então perdeu a paciência e materializou a Vingadora na mão, acumulou energia e fincou a espada no chão e liberou todo o poder no chão.

Quase toda a água da fonte se ergueu com o impacto, os homens foram jogados para longe de onde estavam. Liceu se levantou e viu o anel a alguns passos da fonte, andou até ele o pegou, o colocou no dedo anelar esquerdo, sentiu uma leve brisa no rosto e então ouviu passos molhados vindos de trás.

Se virou e viu o careca correndo em sua direção e preparando um soco, Liceu só bateu o ombro, como em um encontrão, no pulso do homem que tentava acertar o soco. O pulso do homem foi deslocado ao se deparar com o ombro de Liceu, e depois Liceu acertou um soco no peito do careca que voou pelo ar até se deparar com a parede da taberna. Depois Liceu acertou um chute no homem gordo, que ainda estava caído pelo impacto da Vingadora no chão, o gordo sobrevoou os ares, abrindo um buraco na parede da taberna.

O homem que tinha a pupila dos de cores diferentes acertou uma cadeira nas costas de Liceu, que ajoelhou ao chão, mas logo se levantou, pegou o homem e o jogou em cima do magricela, que vinha em sua direção. Os dois caíram desacordados.

O homem negro ainda tentou encarar Liceu, mesmo estando com o anel, e antes de acertar Liceu, ele pulou com o lado do ombro para cima do homem negro. Os dois, Liceu e o negro, caíram na fonte de água, Liceu caiu em cima do homem, se levantou rápido e começou a segurar o tronco do homem debaixo d’água, fazendo o homem engolir muita água. O homem negro começou a engolir muita água, mas Liceu recebeu um chute do garoto com a sola do pé, que acabou funcionando mais como um empurrão, do que como um chute em si.

Liceu caiu para a esquerda largando o homem que estava quase morto por afogamento. O garoto levantou o negro para que ele não morresse de tanto engolir água, mas quando estava tirando o homem negro da fonte de água Liceu pegou o garoto pelo ombro e o jogou contra o a coluna que ficava no meio da fonte, o garoto caiu desacordado na água, com o nariz torto e vazando muito sangue.

O homem banguela chutou as costas de Liceu, ainda estando fora da fonte, e Liceu dentro da fonte. Liceu inclinou um pouco para frente, e se virou rapidamente esticando o braço e acertando as pernas do homem, o corpo do banguela rodou rapidamente no ar, batendo com a cabeça ao chão, fazendo uma enorme poça de sangue. Liceu foi sair da fonte para terminar com o banguela, mas o velho o chutou para dentro da fonte.

Liceu caiu na fonte de costas e o velho pulou com os dois pés no peito de Liceu, Liceu urrou de dor engolindo muita água, mas se virou rapidamente e agarrou o tronco do homem e o bateu contra a quina da fonte, que parecia um degrau alto. A quina ficava na altura do umbigo de Liceu.

A coluna do homem entortou de forma surpreendente ao se chocar contra a quina. Liceu deixou o homem, que agora parecia se encaixar perfeitamente ao degrau da fonte.

– Vem me encarar, não preciso te atacar pelas costas! — O homem da cicatriz no nariz gritou perto da taberna, dava para ver o rosto nitidamente repleto de sangue pelo corte na sobrancelha.

Liceu saiu da fonte e caminhou com pressa até o homem com a cicatriz no rosto, mas ao chegar perto o cara que tinha a cor dos olhos diferentes acertou um soco no rosto de Liceu, que o fez perder o equilíbrio e se apoiar com uma das mãos no chão, antes de se levantar o cara com a cicatriz deu um chute no tórax de Liceu, para derrubá-lo ao chão, porém Liceu só sentou e antes que recebesse outro ataque rolou para o lado onde não havia nenhum atacante.

Antes de levantar Liceu girou o corpo e acertou um chute na perna do homem que tinha os olhos de cores diferentes, fazendo o cair no chão. Liceu acertou um, mas não conseguiu agir a tempo de parar o outro, o homem com a cicatriz no nariz acertou um soco no rosto de Liceu e seguiu-se um chute na boca de Liceu, que caiu estirado ao chão.

O homem com a cicatriz subiu em cima de Liceu e começou a desferir vários golpes no rosto, mesmo Liceu estando com a guarda levantada, recebeu muitos golpes no rosto, mas quando viu uma brecha nos ataques acertou um soco no baço do atacante, que se dobrou por reflexo e antes que ele recuperasse a consciência recebeu um soco no maxilar, que soltou e ficou pendurado.

Liceu retirou o homem com o maxilar solto de cima de si, sem esforço, apenas o empurrou para o lado e antes de se levantar viu o cara que tinha os olhos de cores diferentes se levantando, mas ao invés de atacar Liceu se levantou andando para trás, para não perder o inimigo de vista.

Liceu enquanto se levantava encostou-se a algo e já viu seu pescoço ser envolvido por dois braços. Liceu estava recebendo mais uma chave de braço, mas dessa vez não sabia de quem era até perceber que estava escorrendo sangue dos braços desse homem e deduziu que era o homem sem sobrancelhas, que tinha cortado as mãos com os copos de vinho.

Liceu fez as mãos acompanharem os braços do homem até chegar ao ferimento das mãos. Então apertou os ferimentos com tamanha força que arrancou do ferimento até as pontas dos dedos. O homem berrou de dor, mas não por muito tempo, pois Liceu virou acertando uma cotovelada no rosto do homem, que se inclinou, mas não caiu. Liceu o jogou contra uma parede e lá acertou vários socos no rosto e no tronco do homem.

– Ele está nos atacando por motivo algum! Sem falar que já causou muitos prejuízos a Argos! – Gritou o homem com a cor dos olhos diferentes para os guardas que se aproximavam.

– Parado! – Gritou um dos guardas. – Ou lhe mataremos sem piedade.

– Ele é procurado em Esparta! – Falou outro guarda reconhecendo Liceu sem a toca.

Antes de qualquer coisa Liceu materializou a Vingadora e a guardou na bainha, depois escalou a parede da taberna em que havia encurralado o homem sem sobrancelhas. Correu por cima da taberna para o templo, quando chegou ao final do teto do templo Liceu olhou para baixo e viu uma janela, e atrás viu os guardas correndo sobre a taberna.

Liceu pulou do teto do templo e se agarrou a janela e já entrou no templo, quando os guardas olharam de cima do templo, não encontraram rastro de Liceu e acharam um absurdo.