O Deus do Sol
13 XIII – Tífis, o Argonauta perdido
– Minha missão será fácil, para o seu adversário. – falou Zelo com uma cara de mistério e ansioso para ver Liceu cumprir a missão.
– Adversário? – Perguntou Liceu.
– Claro! Eu sou o deus da rivalidade. Você achou que teria que fazer o que? Pescar? – Perguntou com sarcasmo e um pouco irritado. – Te levarei para um campo aberto e lá você terá que esperar até eu trazer seu adversário. É bom ir se aquecendo enquanto busco-o.
– Quem será o meu adversário?
– Tífis.
– Não conheço.
– Ele era um argonauta.
– Argonauta? Os soldados que foram com Jasão em busca do velocino de ouro?
– Isso mesmo.
– Graças aos deuses. Terei um verdadeiro adversário.
– Aos deuses não. Graça ao deus da rivalidade. Mas não fique muito contento, porque do mesmo jeito que você tem apetrechos, ele tem, acho que os poderes dele ainda são melhores que o seu.
– Melhor ainda! Terei um adversário com vantagem. Acho que essa missão pode ser até melhor que a missão do Ares.
– Fiquei sabendo que você apanhou muito do Ogum.
– Quando você me levará para enfrenta-lo?
– Agora. – Zelo abriu a mão na direção de Liceu e uma luz ofuscou os olhos de Liceu, e quando viu já estavam em uma campo aberto.
– O que? – Perguntou Liceu ainda desnorteado.
– Fique aqui enquanto busco Tífis.
– Espere um momento. – Zelo olhou para Liceu com uma cara de poucos amigos.
– Não é primeira vez que você tenta me dar ordens.
– Me desculpe, mas eu nem descansei, não dormi, não comi. Como enfrentarei um oponente da minha altura se não estarei no meu melhor estado?
– Você não é da altura dele. E além disso, será melhor para você. Agora aguarde enquanto busco Tífis.
Zelo sumiu em uma ofuscante luz. Liceu lembrou, novamente que estava sem sua mochila, e lá estavam sua água e comida. Então pegou a Origem e a Vingadora e começou a desferir alguns golpes no ar, até que para não se cansar parou e olhou para o céu e rogou em pensamento para Hélio te dar forças e conseguir matar o oponente. Abaixou a cabeça guardou as espadas e olhou para a armadura e o novo cinturão, rogou para Hélio liberar o poder máximo da armadura.
Liceu sentou ao chão e começou a rogar para todos os deuses, cada um para orientá-lo da certa forma na batalha. Não era desespero, era segurança e gratidão para com os deuses.
Zelo estava demorando tanto que Liceu resolveu testar o novo poder, então pegou a Origem e a jogou o mais alto que pode, quando desejou que a espada aparecesse em sua mão, a espada que já estava longe no ar brilhou e na mão de Liceu apareceu a espada. Então testou com a Vingadora, jogou visualizando um oponente, e a espada começou a se perder da visão de Liceu, então quando pediu a espada em sua mão esquerda, ela apareceu sem tranco ou com a velocidade que estava.
Então Zelo apareceu com Tífis ao lado, um senhor alto e com muitas manchas brancas pelo corpo, além de ter o cabelo todo grisalho e uma aparência de velho, mas em melhor forma que Liceu, além de carregar uma pequena lança na cintura e uma luva de bronze escuro, muito estranha, na mão direita. Ele usava uma túnica muito parecida com a de Cratos, mas esta era vermelha, da cor do vinho.
– Esse é a criança que tenho que matar? – Perguntou Tífis.
– Sim. A luta só acaba quando um dos dois estiver morto. – Respondeu Zelo. – Mas, quem ganhar não ficará com as armas do oponente. Duas das armas do derrotado ficará comigo e a outra com seu deus protetor. No caso de Liceu, será Apolo, e no caso de Tífis, Ares.
– E no caso da lança do Ares que tenho? – Perguntou Liceu. – Mesmo ainda não tendo ela, é minha.
– Ela voltará para Ares, ele falou que ela seria sua enquanto vivesse, depois que morresse voltava para ele.
– Vai ser mais fácil do que pensei. – Falou Tífis – Esse moleque deve ser tão
fraco quanto qualquer mortal.
– Antes de vocês começarem a briga, quero que apresente seus poderes. Para não haver deslealdade.
– E o ataque surpresa? – Perguntou Liceu – A graça é matar com um golpe que o oponente não esperava.
– Vão ter que dar esse golpe com seu oponente sabendo de seus poderes.
– Tudo bem. Eu, Tífis, tenho as cinzas de Héracles espalhada pelo corpo, o que me da a força dele, além de o Arsenal de Hefestos, essa arma pode se transformar
em qualquer arma que eu quiser, desde um arco que já vem com as flechas, até uma lança. E meu último poder é a Luva de Hares, essa luva abre qualquer porta, espiritual ou terrena, então eu posso me deslocar pelo espaço em pouco tempo. E com esses poderes te matarei. – Falou Tífis fazendo o Arsenal se transformar em uma lança.
– Isso é fraco perto do que tenho a Vingadora, uma espada que não perde a velocidade quando arremessada e tem a força de um deus, fazendo desintegrar qualquer coisa, quando a pressiono. Tenho também a Origem, a espada que consegui de Ogum, essa espada da golpes com o ar. Também tenho a Solaris, essa armadura é capaz de curar toda doença, machucado ou peste que ataque meu corpo, além de me dar parte das habilidade do deus-sol. O cinturão me dá o poder de retomar minhas armas na minha mão, não importando em que distância esteja as armas.
– Agora que todo mundo sabe quais serão os perigos que enfrentarão, pode começar o combate até a morte.
Liceu ia perguntar alguma coisa quando Tífis fez o Arsenal se transformar em uma lança, que enquanto se transformava ele já desferia um golpe no pescoço de
Liceu, porém Liceu percebeu que poderia perder a luta antes de começar a combater e então fez um movimento com a mão vazia em direção da lança que vinha encontro do seu pescoço. Na hora em que a mão foi se chocar contra a lança a Vingadora apareceu na mão de Liceu e desviou a lança para o lado.
– Golpe baixo. Assim você espera me vencer? – Perguntou Liceu.
– Eu já venci, é questão de tempo até ocorrer o óbvio.
Tífis tentou mais um ataque, mas desta vez ele fez o arsenal se transformar em um machado com uma ponta, o machado era tão grande quanto a lança. Tífis fez um movimento de fincar o Arsenal na cabeça de Liceu, mas este já estava preparado para o golpe e quando esquivou tentou cortar o tórax do seu oponente, que foi interrompido pelo cabo do machado e quando Liceu tentou atacar com a Origem, que apareceu na sua mão, Tífis empurrou o cabo do Arsenal para cima, fazendo Liceu voar uma grande distância até se espatifar no chão.
Liceu se levantou e viu muito sangue no chão, sabia que se não fosse pela Solaris, ele teria virado um monte sangue. Levantou e não viu Tífis por nenhuma parte e então uma sombra apareceu em cima do seu corpo, como se algo estivesse tampando o sol e quando olhou para cima viu Tífis caindo com o Arsenal transformado em uma grande espada. O Arsenal foi cravado no rosto de Liceu e os pés de Tífis no peitoral da Solaris.
Tífis olhou para o rosto de Liceu e retirou a espada e achou que seu oponente tinha sofrido poucos danos, mas era certeza de que estava morto. O arsenal estava
coberto de sangue, mas Tífis nem ligou.
– Cadê a minha recompensa? – Gritou Tífis se virando na direção de Zelo.
– Nas suas costas. – Respondeu Zelo.
Quando Tífis se virou recebeu um corte no tórax da Vingadora e depois foi levado por um enorme vendaval, que foi ocasionado pela Origem ao toque do chão. Liceu se preparou para a briga, intacto fisicamente, mas ele ainda sentia as dores dos ferimentos mentalmente, o que o deixava cansado e com pouca disposição para a briga.
– Não te matei, porque não queria mata-lo pelas costas. Digamos que isso só foi um alerta. – Gritou Liceu para Tífis.
Tífis se levantou e acionou a Luva de Hades, que abriu um portal azul em volta dele o que o fez desaparecer, porém Liceu já esperava por algo e viu uma sombra que vinha de cima de sua cabeça, então desferiu um corte no ar com a Origem na
direção da sombra, que fez um barulho de metal rugindo e então sentiu uma mão firme apertar o seu pescoço e com a outra imobilizar o seu braço que segurava a Origem até soltar a arma. Liceu por extinto atacou com a outra mão, que segurava a Vingadora, mas Tífis o levantou no ar o jogou de cabeça contra o chão.
– Não resista. Essa luta quem venceu fui eu. Eu falei com as irmãs do destino e elas me falaram que minha última luta será contra um deus e você não é um deus. Sabe o que significa? Que eu matarei o deus traidor e viverei como um herói e nunca mais terei que fazer nada. A não ser transar com mulheres e comer o dia todo.
– Acha que isso é ser um herói? – Perguntou Liceu se levantando e sentindo sua dor aumentar enquanto os ferimentos se curavam – Eu não sou um herói. Sabe por quê? Heróis salvam vidas e não matam qualquer que seja o inimigo. Você pode achar que é muitas coisas, menos herói. Você já salvou quantas vidas? Eu não salvei nenhuma. Aposto que você está tendo a mesma merda de vida miserável que eu, matando a primeira coisa que mandam você matar e passando de cidade em cidade arranjando confusão e no final, tendo que sair da cidade. Você deve ter mulheres caindo aos seus pés, sangue de centenas de homens em suas mãos, mas nenhuma dívida de gratidão.
Tífis pegou Liceu pela garganta com as duas mãos e apertou o mais forte que conseguiu a cabeça de Liceu só não foi separada do corpo, porque Liceu estava com a Solaris.
– Vamos ver quanto tempo a armadura te deixa vivo sem ar. – Falou Tífis apertando o pescoço de Liceu e o levantando do chão.
Quando os olhos de Liceu se fecharam e seu rosto já estava negro de tanto sangue que corria pelo seu rosto, para oxigenar o corpo Zelo pegou Tífis e o separou de Liceu.
– O que você está fazendo? Ele vai voltar à vida. – Falou Tífis indo em direção ao corpo de Liceu que voltava a respirar como se acabasse de sair de um afogamento.
– A luta acabou. – Disse Zelo se colocando na frente de Tífis.
– Mas ele ainda não morreu.
– Morreu, mas a armadura faz tipo uma corda que sempre o trás do submundo.
– Eu ganhei? – Perguntou Tífis todo animado.
– Sim. Mas você disse algo que me fez pensar. – Falou Zelo com uma cara de mistério para Tífis.
– E o que? Que terei uma vida de deus na terra? – Falou Tífis se gabando.
– Não. Que seu último confronto seria com um deus. Advinha o que eu sou?
Tífis ficou surpreso com a atitude de Zelo e então fez um portal e apareceu perto do Arsenal, mas quando foi pegar sentiu Zelo torcendo o seu braço e quebrando em seguida. Zelo virou o corpo de Tífis e enfiou a mão no corte que Liceu tinha feito. A mão de Zelo entrou até o final do pulso e saiu com o intestino inteiro
de Tífis, que cariu gemendo de dor. Zelo pegou o arsenal do chão e quis que se transformasse em um grande martelo e desferiu um golpe na cabeça de Tífis, fazendo virar um monte de gosma, cheia de sangue e ossos quebrados.
– Por que você me ajudou? – Perguntou Liceu impressionado.
– Eu não te ajudei, eu salvei a sua vida. – Exclamou Zelo – Se não tivesse agido ele teria arrancado sua armadura, e sem ela você morre.
– Mas por que você não deixou ele arrancar minha armadura? – Insistiu Liceu.
– Ele era muito arrogante.
– Não foi isso. Ele falou que a última luta dele seria contra um deus e depois que ele matasse um deus seria o maior herói que já existiu.
– Não é bem assim. A última luta dele seria contra um deus, o resto ele deduziu.
– Mas ainda não entendi por que você o matou.
– É uma história complicada.
– Faremos um trato. – Liceu estava curioso para saber o motivo que fez Zelo salvá-lo. – Se você me contar a história pode ficar com a arma que seria de minha posse.
– Rapaz, eu salvei sua vida, você me deve isso.
– Na verdade ele ganhou então você teria que ficar com as minhas armas, mas só poderia ficar depois que eu morresse. Então você acabaria ficando sem nenhuma e ninguém ficaria com essas armas.
– Fácil eu mato você agora e fico com todas.
– Não fica não. Não temos um trato. Conte-me a história que a arma dele que seria minha, vai para você.
– Tudo bem. – Falou Zelo não gostando de ser enrolado. – Nêmeses foi visitar o oráculo de Apolo, a algum tempo atrás, para ver qual seria o futuro do seu filho. Zeus permitiu que ela fosse e a acompanhou durante a viagem, ao chegar no oráculo, ele não pediu nada em troca, nenhum presente disse que falaria a profecia, pois era uma emergência. O oráculo recitou um verso rimado, que eu esqueci, mas era mais ao menos assim: “Um deus com medo do futuro lutará com a própria carne, só um mortal com um deus conseguiram na pele fazer um furo e assim o parará. O mortal será de um deus menor, mas guiado por um filho de Zeus. Para os Olimpianos será o maior, mas na eternidade ele nem nasceu”.
– Que merda de rima. – Ridicularizou Liceu.
– Acho que era assim. Então Zeus falou para quatro dos maiores filhos dele: Atenas, Artêmis, Apolo e Ares. Cada um deveria reunir um discípulo e treiná-lo, oferecendo missões e insistindo para os outros deuses entregar-lhes missões. O deus do Tífis era Ares. Sei que o mortal que Artêmis treinava morreu, numa missão de Apolo. Só resta você, o seu deus é Apolo, e o mortal de Atenas, que ainda vive.
– Mas eu nunca encontrei Apolo, e ele nunca me treinou. Como eu posso ser um mortal influenciado por ele.
– Sua primeira missão foi com quem? – Zelo queria que Liceu descobrisse por si só.
– Hélio, por quê?
– Quem é o deus-sol? Hélio ou Apolo?
– Apolo, Hélio é o deus que carrega o sol.
– Isso. A armadura que você carrega faz seu corpo se regenerar por qual motivo?
– Pelo sol.
– Uma coisa eu sei, Tífis já tinha encontrado Ares, quando o mortal encontra seu deus protetor, o mortal acaba mudando muito, se desenvolvendo mais do que um ser humano normal, chegando aos pés de um semideus que nasceu com dom para lutar. Tifis era um argonauta, ele tinha experiências em lutas, tinha armas que qualquer deus gostaria de ter, como Ares lutou para conseguir uma luta entre ele e você. Apolo foi contra em todos os sentidos. Eu deixei a lutar acontecer, mas não disse se deixaria de intervir na luta. Zelo achou que ele ficaria famoso após a luta contra o deus traidor, mas eu já sabia que a profecia falava que tinha que ser filho de um deus menor, mas não seria reconhecido. Até onde nós, os deuses menores sabemos, todos os heróis escolhidos eram filhos de mortais, mas todos nós desconhecemos as mães mortais, exceto a mãe de Tífis, ele era filho de mortais então tinha certeza que não poderia ele mata você. Pois você, Liceu, e o herói de Atenas são incertos se são mortais ou semideuses, já Tífis era certeza de que ele era um mortal com poderes de semideus, por isso intervi na luta.
– Nossa! Não sem nem o que dizer. – Liceu estava chocado com a notícia. – Quer dizer que eu vou ter que matar um deus traidor?
– Pode ser você ou o herói de Atenas, mas não se sabe nem ainda quem é o deus traidor. Mas Zeus já determinou que o deus que ajudar o herói que matar o deus traidor terá os poderes e a obrigação do deus traidor, mas essa regra só vale para os quatro filhos de Zeus que puderam escolher seus mortais.
– Vocês, deuses, tem cada problema.
– Você ainda terá um longo caminho a percorrer. Ah! Quase me esqueci. Perguntei a Ares, por que ele ainda não te enviou a lança.
– E por qual é esse motivo? Que eu estou querendo saber, na luta contra Tífis teria ajudado bastante.
– Ele disse que só lhe enviará a lança quando descobrirem qual é o deus traidor, enquanto ele não souber, não quer ter suas costas desprotegidas. Ele quer ter segurança de que se alguém o ataca-lo pelas costas, ele poderá se defender com todas as suas forças.
– Mas ele é o deus da guerra e da carnificina. Ninguém pode com ele em uma luta mano-a-mano.
– Na verdade, um ataque desprevenido, seja de qual deus que for, é um ataque quase fatal. Claro que deuses não morrem tão facilmente, mas nós podemos ser detidos facilmente por outro deus que ataca pelas costas.
– Agora entendi. – Disse Liceu ainda achando que Ares estava se preocupando de mais.
– Você terá agora a missão de Cratos, o deus do poder. Depois a missão de Bia, a deusa da força. Mesmo Cratos sendo meio carrancudo ele gosta bastante de você. Cuidado com a missão que ele lhe dará, não será fácil como imagina. Quando se fala em poder, ele quer dizer o poder que sua alma tem e não o do seu corpo. Vai ser um enigma que você terá que usar sua força, sua habilidade, sua agilidade, seu raciocínio, seus reflexos, seus sentimentos e, principalmente, sua consciência. Posso te dar uma noção de como seria a missão da Bia, você terá que derrotar alguém mais forte que você, na força. Pode ter certeza disso.
– E como farei isso?
– Com o poder que Cratos lhe der, por isso escolhi a ordem. Eu iria me colocar em primeiro, para lhe orientar sobre as missões de cada um, mas Nice estava com pressa então tive que me colocar em segundo. Eu até lhe daria uma arma pelo luta, mesmo você aceitando, mas fizemos um trato e você terá que seguir sabendo mais do que tendo. Boa sorte, voltaremos agora para o templo e você terá que cumprir a missão de Cratos com êxito.
– Uma luz forte foi criada ao redor de Liceu e Zelo, então ofuscou a visão de
Liceu, quando pode abrir os olhos Liceu já estava no templo encarando as estátuas
de Bia, Nice e Cratos; e olhando Zelo que se transformava em estátua.
Fale com o autor