O Deus do Sol

12 XII – O Cajado da Vantagem


Liceu desceu as escadas tranquilamente, já que tinha uma altura razoável da boca do vulcão até a entrada no chão de rochas. Após descer Liceu entrou na porta e percebeu que dentro do labirinto não teria nenhum tipo de iluminação, mas isso não o impediu de entrar. Liceu conseguiu achar três escadas para níveis inferiores, pois quando achou a quarta escada não se aguentava em pé de tão cansado de andar por entre corredores, que não se podiam enxergar. Liceu perdeu a conta de quantas vezes bateu com a cara em paredes, mas isso não o desanimou, o que o desanimou de verdade foi ter que dormir nove vezes dentro do labirinto de tão cansado. Como não tinha entrada de luz por nenhuma parte Liceu não tinha como saber quanto tempo já havia passado dentro do labirinto, então parou para descansar, já que não tinha mais comida ou água em sua mochila. Liceu sentou-se e tirou a mochila de suas costas e procurou algo que pudesse ter esquecido ou guardado para emergências, mas nada achou. Liceu colocou a mochila no pescoço e resolveu deitar um pouco, se esticou e sentiu algo passar pelas suas mãos, mexeu a mão de leve e sentiu uma pequena fisgada na mão. Liceu levantou rápido e sentiu algo se espalhando por suas veias e em um ataque de fúria retirou a Vingadora a fincou no chão com toda força e lá segurou, como se estivesse acumulando energia e depois que a energia foi acumulada o chão se partiu e Liceu caiu no andar de baixo. Liceu se levantou logo em seguida e percebeu que tinha batido com a cabeça na queda e para piorar estava sentindo uma enorme dor em sua mão. Ao quebrar o chão Liceu ouviu guinchadas vindas de cima de sua cabeça e percebeu que tinham muitos morcegos sobrevoando o local assustados e como Liceu já estava em seu ataque de fúria pegou a Vingadora que tinha caído aos seus pés e tentou bater com a parte chata em alguns dos morcegos, mas não chegou a acertar nenhum morcego. Retirou também a Origem e desferiu um golpe no ar, criando uma deslocação do ar e fazendo muitos morcegos se chocarem contra o teto. Os morcegos ao perceberem que a ameaça era Liceu, voltaram-se para atacá-lo. Liceu ainda desferiu um golpe com a Vingadora em um morcego que explodiu ao ser acertado pela espada. Todos aqueles morcegos foram de encontro a Liceu, que acabou jogado contra uma parede do labirinto. Liceu então bateu a Origem no chão, criando um vendaval enorme, mas como ele não enxergava nada, não chegou a acertar nenhum morcego. Liceu recebeu mais ataques pelas costas dos morcegos que acabaram jogando contra outra parede. Liceu caiu no chão após receber o golpe, então tentou um ataque diferente, fincou a Vingadora na parede em que foi arremessado e acumulou energia suficiente para quebrá-la e após quebrá-la atravessou a e esperou ouvir o barulho dos morcegos aumentarem e quando viu que eles estavam perto bateu a Origem no chão, que fez um grande barulho de vendaval com muitas guinchadas, seguidas de várias batidas nas paredes. Liceu então andou de costas para o buraco que tinha feito esperando outro ataque dos morcegos, mas quando deu o segundo passo sentiu encostando-se a algo e como reflexo já virou fincando a Vingadora e acumulando energia seguindo de uma explosão. Um buraco abriu-se e ele pode ver que tinha quebrado a parede que dava para fora do vulcão e então pode ver a claridade de uma manhã ensolarada. Seus olhos não se incomodaram com a luminosidade da manhã fraca e então olhou para sua mão que tinha dois pontos vermelhos e estava gravemente inchada, mas aos poucos ela foi se curando e os dois pontos e o inchaço sumiu. Embainhou as espadas e resolveu subir a boca do vulcão e falar com a estátua de Nice. A subida foi muito complicada, pois o vulcão era muito íngreme e para piorar a situação os quatro níveis que Liceu desceu não eram pequenos, o que deixou a subida mais cansativa. Liceu subiu o vulcão e olhou para a estátua de Nice e gritou para ver se ouvia alguma resposta. — Nice! Não consegui achar o cajado. Dê-me outra missão. – Mas nada respondeu, então Liceu tentou novamente. – Eu estou falando com você! Sua meretriz! – Liceu desferiu um golpe no ar com a Origem, que fez uma deslocação no ar na direção de Nice, mas o ar foi ficando fraco e quando chegou na estatua não passou de uma leve brisa. – Não pode me ignorar desse jeito! Estou morrendo de fome e sede. Não sei nem quanto tempo fiquei preso dentro daquele labirinto. E você não vai me ignorar. Liceu arremessou a vingadora na direção da estátua, mas a espada foi desviada misticamente para dentro do vulcão e caiu como se fosse jogada com pouca força. Liceu ficou com mais raiva e preparou a Origem e correu na direção da estátua e quando estava para acertar a estátua o pé de Liceu pisou em uma rocha solta que o fez perder o equilíbrio e cair da boca do vulcão para dentro do vulcão. Liceu ao reparar que estava caindo pegou a Origem e a fincou na parede do vulcão, a espada foi encaixada muito bem por Liceu, mas não o deteve na queda, simplesmente foi cortando a parede rochosa, até que Liceu encontrou um buraco no meio do caminho e como estava fazendo força para encaixar a espada seu corpo foi para frente e acabou se chocando contra o beiral do buraco. Liceu conseguiu se segurar no beiral e percebeu que tinha uma caverna na parede e que de dentro da caverna vinha uma luz. — Acho que o cajado não está no labirinto. Na verdade, o labirinto é mera distração. – Falou consigo mesmo. Liceu desceu devagar e pegou a Vingadora que caiu, depois posicionou a escada de madeira para que ela passasse por perto do buraco que tinha na parede do vulcão. Liceu subiu as escadas e entrou no buraco e lá encontrou uma tocha que iluminava apenas uma alavanca. Liceu respirou fundo e puxou a alavanca. Um barulho de engrenagens rodando começou a sair de dentro do vulcão, Liceu correu até a entrada do buraco e viu as paredes do labirinto formarem uma estátua enorme, que ia do começo do chão até a boca do vulcão, só que a estátua era formada apenas da cintura para cima e o chão ficou duas vezes mais fundo, pois os níveis do labirinto formaram a estátua. Além da estátua, também se formou uma escada que ia do chão até a boca do vulcão pelas bordas, passando assim pelo buraco onde estava Liceu. No chão havia um senhor barbudo com uma longa túnica azul que se espreguiçava com grande entusiasmo, como se almejasse aquilo por muito tempo. Liceu desceu vagarosamente as escadas para ir de encontro ao velho e a estátua. — Quem são vocês? – Perguntou Liceu ao terminar de descer as escadas. — Como assim? Quem somos nós? Você vem ao nosso encontro. Acha a alavanca e pergunta quem somos nós? Você que deveria se apresentar. – Falou a estátua, agora inclinada para ver ambos os homens. — Onde já se viu isso? Não sabe nem quem somos. No meu tempo costumávamos nos apresentar. – Falou o velho olhando a estátua. — Acho que vocês não tinham esse costume não, pois nenhum de vocês se apresentou. A propósito, meu nome é Liceu. — Ainda por cima nos desrespeita. – Falou o velho, agora balançando a cabeça. – Eu sou Téorifelos, o rei da magia. — E eu sou a estátua da decisão, aquele que tem o Cajado da Decisão preso no próprio corpo. — Eu preciso desse cajado para minha missão. – Disse Liceu. — Para você conseguir o Cajado da Decisão, você precisa vencer Téorifelos em uma disputa. – Nesse momento Liceu tirou a espada e começou a andar na direção de Téorifelos. – A disputa não é do jeito que você está pensando. – Liceu parou e olhou pensativo para a estátua. — Você terá que me derrotar em um concurso de magia. – Falou o velho. — O que? Vocês estão brincando? – Perguntou Liceu indignado. — Vai funcionar da seguinte maneira: Cada um apresentará três poderes. Eu sou o juiz e eu vou escolher quem foi o vencedor e ele terá direito a um “desejo”. Que comecem a disputa. – Falou a estátua. — Só pode ser brincadeira. — Falou Liceu desapontado. O velho começou a escorregar a mão direita como se estivesse encostando a mão em alguma superfície transparente em um formato de “S”. Na terceira vez que ele repetiu o movimento, começou o acumulo de alguma substância gelatinosa no local onde ele passava a mão e depois de certo tempo a substância transformou-se em água e ela ficou na posição de “S” flutuando. O velho depois de consistir a água começou a mexê-la pelo ar conduzindo com ambas as mãos o caminho. — Esse é o seu “poder?”. – Perguntou Liceu desapontado. – Se ele fosse útil em alguma batalha poderia até ser considerável. O velho indicou com as mãos o caminho que a água percorreria a seguir, e ele apontou na direção de Liceu. A água foi com uma grande velocidade, perdendo a graciosidade e batendo contra a armadura de Liceu e o jogando contra a parede. — Serviria de alguma coisa? Em sua importantíssima opinião. – Perguntou o velho com ar de vitorioso. — Quer ver meus poderes? – Perguntou Liceu retirando a Origem da bainha e arremessando a contra a escada que se encontrava. O pedaço da escada começou a cair e quando estava chegando perto da cabeça do velho a Vingadora atravessou a pedra, transformando à em areia e cobrindo o velho em uma pequena montanha de areia. – Gostou do meu poder? – Perguntou Liceu com tom de deboche. — Que utilidade isso teria em uma batalha? – Falou o velho em meio a tossidas e a esfregões no rosto. — Talvez salvar um grupo de amigos ou inocentes. Ou até mesmo eu. Quero ver seu próximo truque. O velho fechou as mãos em volta de uma esfera invisível e lá começou a fazer uma total concentração, que resultou em o ar comaçar a se arrastar para aquela esfera invisível e cada vez mais forte, ficou tão forte a sucção do ar, que Liceu começou a ser arrastado aos poucos. Quando estava impossível de ficar em pé Liceu pegou suas duas espadas e fincou as no chão, mas mesmo assim suas pernas foram levantadas com a sucção daquela esfera, que não era mais invisível, agora ela era um branco acinzentado, parecendo uma neblina completamente densa. A esfera acinzentada parou de sugar o ar, então Liceu pode ficar em pé e observar melhor a esfera que o velho tinha criado. Quando Liceu iria fazer um deboche do poder o velho abriu as mãos deixando a esfera solta, que causou em todo o ar que foi sugado ser expandido e empurrando tudo o que estava no caminho para muito longe, principalmente Liceu, que foi parar na parede do vulcão e lá ficou até o ar se dissipar e poder se estabilizar. Quando o ar se estabilizou Liceu caiu de cara no chão e se levantou meio aturdido. Liceu deu um sorriso e pegou a Origem e a fincou no chão com toda a força, que soltou um vendaval na região onde foi fincada e como saída de ar foi para cima, várias pedras voaram em todas as direções, junto com um grande deslocamento de ar, bem parecido com o de Téorifelos, mas em uma escala reduzida. — E para acabar o meu maior poder. Téorifelos começou a passar as mãos em volta de um cabo imaginário, até ele acender uma chama e começar a se moldar como um chicote de fogo. O chicote foi se estendendo a partir dos movimentos que o velho fazia com ele, até ele bater contra o chão, quando bateu contra o chão um grande buraco se abriu e o fogo saiu sozinho da mão do velho e foi na direção em que foi confrontado, fazendo o buraco aumentar. Liceu não quis nem enrolar muito, queria o mais rápido possível o Cajado da Vantagem. Fincou a Vingadora no chão e bateu a Origem no chão, fazendo um vendaval se alastrar para o céu, quando refletiu na Vingadora, que fez um buraco maior do que o possível. — Acho que acabaram as demonstrações. – Disse Liceu. — Quem você acha que é digno de vitória, estátua da vantagem? — Claramente que Téorifelos foi bem superior com relação às magias superiores em todos os sentidos. – Falou a estátua da balança. — O que? – Falou Liceu já esperando uma derrota. — Aha! – Exclamou Téorifelos. – Mais uma vitória! — Qual o seu pedido? – Perguntou a estátua, enquanto Liceu só esperava onde iria chegar aquela história. — Quero ser imortal. – Disse o velho mago. — Sabe que pode ser morto por qualquer arma e que terá que ficar para ser o desafio dos outros desafiantes? — Sim. Sei como é. Já estou nisso há muito tempo. – Falou o velho se gabando. — E quanto a você. – Falou a estátua se virando para Liceu. – Você será expulso dessa montanha e não poderá mais participar das atividades enquanto vivo. – A estátua levantou a sua enorme mão direita e começou a formar uma nuvem vermelha arroxeada com alguns brilhos. Liceu nem quis falar nada, só retirou a Origem e fez um corte no ar, que fez uma deslocação de ar que foi na direção do pulso da estátua. Ao se chocar com o pulso, a deslocação do ar sumiu, mas cortou o pulso completamente e vários pedaços de pedra caem na direção de Liceu. Liceu bateu com força a Origem no chão na direção de Téorifelos, que foi de encontro à parede após receber o golpe de ar. Quando Liceu percebeu que as pedras o acertariam, tirou a Vingadora e fincou as duas espadas no chão, que fez as pedras se partirem com a Vingadora e com a Origem fez as pedras se levantassem para bater de encontro com as que caiam. Liceu correu de encontro ao Téorifelos com sua espada, mas quando estava chegando viu que uma sombra enorme o cobria, então olhou para cima e viu a mão da estátua vindo em sua direção. Jogou a Vingadora na mão palma da mão da estátua, que ao se chocar quebrou toda a mão até parte do pulso da estátua, o fazendo dar um grande gemido de dor. Mas antes de Liceu ir em direção a Téorifelos ele voltou os olhos no chão e viu que as pedras estavam rolando para as partes quebradas da estatua. Liceu então reparou que no peito da estatua tinha um símbolo, e percebeu que era um cajado de madeira, mas antes de pensar em tomar uma atitude para ir em direção ao cajado, Liceu recebeu um golpe no rosto com fogo, a armadura curou rapidamente a queimadura, mas antes de Liceu se virar recebeu um golpe na armadura com o chicote de água. Liceu se levantou um pouco longe e viu que a estátua preparava uma magia para ser tacada nele, então se levantou rapidamente e jogou a Vingadora, mirando o cajado da Vantagem, mas por muito pouco não acertou, porém o efeito foi muito grande, pois a estátua quase se desmanchou deixando muitas pedras caírem no chão. Liceu levantou-se rapidamente e foi para a direção de Téorifelos, que estava perdendo o equilíbrio devido as pedras que quase o acertaram. Liceu chegou perto o suficiente e desferiu o primeiro golpe, mas foi rebatido com uma bola de ar de Téorifelos. Liceu então chutou o abdômen do velho e desferiu um golpe no ar na direção do cajado da Vantagem, mas foi bloqueado por uma pedra que caia do rosto da estatua. Liceu então desferiu um golpe no chão na direção de Téorifelos, que voou por alguns metros ate se chocar com uma rocha caída. Liceu então tentou outro golpe no cajado da Vantagem, não acertou o cajado, mas acertou a Vingadora que fez o peito da estatua explodir e fazer o cajado cair de uma grade altura no meio das pedras. Liceu correu até o cajado, mas quando o segurou com firmeza recebeu uma grande explosão de ar pelas costas, que fez o bater em várias pedras até rolar várias vezes no chão e parar depois de ter se cortado todo. Quando viu que o velho acumulava uma grande quantia de ar Liceu desferiu um golpe com a Origem na direção da bola de ar, que se acumulou o ar. Então Liceu bateu a espada no chão, levantando um vendaval, que também só foi acumulado pela bola acinzentada. Liceu como uma última tentativa correu até a Vingadora e quando viu que a bola de ar explodiria bateu a Vingadora, com a parte chata, contra uma pedra grande que estava fixada perto da espada. A rocha foi com uma grande velocidade na direção de Téorifelos, que o pegou de surpresa. Téorifelos foi esmagado pela pedra, mas ao ser esmagado a bola de ar explodiu, fazendo várias pedras voarem em várias direções e Liceu para não ser arrastado pelo ar, ele fincou suas duas espadas no chão. O ar passou e Liceu pode se levantar e ver o estrago que tinha feito no vulcão e então pegou o Cajado da Vantagem e começou a subir a estátua, que ficou na mesma posição quando o cajado foi retirado. Liceu subiu a estátua e foi em direção à estátua de Nice e ao chegar colocou o Cajado da Vantagem na mão da deusa, a deusa se transformou de estátua para a divina forma dela. — Parece que você conseguiu cumprir a missão. – Falou Nice sorrindo. – Mesmo destruindo o vulcão inteiro. — Missão dada e missão cumprida. — Muito boa essa sua tese. Agora voltemos ao templo. – Uma luz cegante piscou e quando Liceu abriu os olhos viu que já estava no templo dos quatros irmãos. — Ele conseguiu cumprir perfeitamente? – Perguntou Zelo. — Demorou um pouco mais conseguiu. – Respondeu Nice. — É bom você dar um ótimo poder para ele, pois a minha missão será quase impossível de ele realizar. — Poder é só comigo. – Falou Cratos. — Vai começar. – Falou Bia. – Vocês poderiam se concentrar e pararem de frescura na frente do menino. — Menino? – Falou Liceu não gostando de como foi chamado. — “Menino” é cruel. – Falou Zelo. — Ah! Se fosse comigo. – Reclamou Cratos. — Chega! Tenho mais o que fazer. E preciso logo de minha missao concluída. – Falou Bia em alto tom. — Eu nem discuto. Ela e a “Força”. – Brincou Nice. – Mas para terminar essa discussão, lhe dou um cinturão, o Cinturão da Presença. Um cinturão que faz suas armas aparecerem quando você quiser em suas mãos. Não precisará correr atrás de suas armas em uma luta. — Isso é que é “poder”. – Provocou Zelo. — Se ele conseguir cumprir minha missão, ele não precisará de mais nenhuma arma. – Falou Cratos se gabando. — Vocês não param de discutir nunca? – Falou Bia mais irritada ainda. Liceu pegou o cinturão da mão de Nice com cuidado e agradeceu com um aceno de cabeça e colocou por baixo da proteção das coxas, que ficava agrupada no peitoral e já encontrou as espadas no novo cinturão. — Cacete! – Exclamou Liceu preocupado. – Esqueci minha mochila no labirinto. — Agora minha missão. — Falou Zelo.