O Deus do Sol
10 X – Ogum, o senhor da Guerra e do Ferro
Liceu foi quem deu o primeiro golpe, mas foi facilmente desviado por Ogum, que tentou um contra golpe, visando tirar a cabeça de Liceu, mas ele abaixou e com a mão direita apoiou no chão e com o pé esquerdo acertou um chute no abdômen de Ogum. Ogum recuou após ter levado um chute certeiro e percebeu que Liceu queria dizer algo com o rosto como “Se eu quisesse, você estava morto”.
Liceu rodou a espada e se colocou em posição de defesa, Ogum não perdeu tempo e tentou acertar Liceu, mas dessa vez sem tempo para que Liceu contra atacasse. Liceu percebeu que o homem era um ótimo condutor da espada, mas precisava de algo para que ele o acertasse. Liceu conseguiu se defender de todos os golpes que Ogum fez, até que resolveu contra atacar, então quando Ogum tentou um golpe de cima para baixo, Liceu pulou com o ombro em cima do tronco de Ogum, que caiu de costas no chão.
Liceu após derrubar Ogum rolou para o lado, já esperando um golpe de espada em suas costas, mas não aconteceu. Liceu levantou e olhou Ogum levantando muito irritado. Ogum pegou a espada e jogou em direção a Liceu, que conseguiu se esquivar por muito pouco. Liceu achou estranha a reação de Ogum, e Liceu pensou consigo mesmo. “Perder a cabeça e tentar tudo em um golpe desse? Vai ser mais fácil do que eu pensei”. Mas na hora em que Liceu foi para cima de Ogum, ele tirou uma lâmina grossa das costas e um cabo na perna, juntou as duas partes e formou um machado, não muito grande, mas que faria um grande estrago no crânio de uma pessoa.
Ogum resolveu testar a nova arma e tentou cortar Liceu no meio, mas ele desviou e tentou acertar um golpe de espada no peito de Ogum, tentando matar de uma vez, mas ele desviou a espada de Liceu facilmente com o machado. Ogum tentou mais uma vez acabar com a vida de Liceu com um único golpe, mas ele já estava preparado para essa reação e recuou um passo para trás e começou a esperar Ogum atacar. De poucos em poucos ataques Ogum foi tentando matar Liceu, que só recuava e esperava por novos golpes, até que depois de dar vários passos para trás Ogum ficou nervoso e partiu correndo com fúria para cima de Liceu, mas ele rolou para o lado e pegou a espada de Ogum que tinha caído ao chão.
Liceu escondeu a espada, que tinha acabado de pegar, fazendo pose com o corpo na diagonal, escondendo a espada de Ogum nas costas. Ogum não percebeu a espada que Liceu tinha pegado e correu na direção dele de novo e tentou dar um novo golpe tentando separar o tronco das pernas, mas Liceu abaixou o suficiente para esquivar do golpe, e já girou o corpo virando com a mão da espada de Ogum no peito do próprio dono da arma.
Ogum não ficou surpreso com o golpe, mas já tentou acertar um novo golpe com o machado. Liceu já esperava por isso, então bateu sua espada em cima do machado, que caiu no chão, e com a outra espada cortou o braço de Ogum, mas não esperava pelo soco com a outra mão no seu rosto.
Liceu caiu rolando no chão largando as armas no chão. Liceu tentou se levantar, mas sentiu tudo ficando embaçado e com os sons distorcidos, Liceu viu Ogum pegando o machado e vindo para cima dele. De repente Liceu sentiu seu ferimento sendo curado e sua força sendo revigorada e na hora que foi receber o golpe de decapitação, rolou para o lado e acertou um soco no cotovelo de Ogum, que fez o osso quebrar. Liceu levantou acertando um soco no queixo de Ogum e pegou o machado e foi para mata-lo, mas Ogum tinha um truque e na hora que foi ser atingido pelo machado retirou uma ponta de lança, só que de ferro, de suas costas, e jogou em Liceu, para pará-lo.
Liceu parou para não ser acertado pela ponta da lança, largou o machado e correu para pegar as espadas. Liceu pegou as espadas enquanto Ogum montava sua lança. Depois que os dois estavam prontos para a briga, Liceu foi quem iniciou, tentando se aproximar, mas Ogum o afastava com golpes com a lança e nesse estilo continuou por algum tempo, Liceu tentando atacar Ogum, mas este se defendendo e afastando Liceu com a lança.
Ogum tentava acertar alguns golpes em Liceu, mas não eram golpes muito difícil de se escapar. Liceu estava farto da briga demorar tanto, então tentou atacar com sua espada, mas foi bloqueada pela lança, mas antes de receber o contra golpe jogou a espada de Ogum tentando acertá-lo e assim conseguiu. A espada fincou no tríceps de Ogum, que não aguentou a dor e largou a lança. Liceu tentou aproveitar para matar Ogum com sua espada, mas na hora que foi mata-lo Ogum acertou Liceu com um soco, do braço que estava quebrado. Liceu não acreditou no que estava vendo, o braço antes quebrado estava agora perfeito e retirando a espada do outro braço. Após tirar o ferimento não cicatrizou, então Liceu percebeu que Ogum só poderia ser morto pelas suas armas.
Liceu jogou sua própria espada em Ogum, mas este o esquivou com facilidade e foi para o ataque, Liceu corria na direção do machado, mas antes de chegar ao machado Ogum chegou a ele. Ogum tentou decapitar Liceu com um único golpe de sua espada, mas Liceu rolou e pegou o machado de Ogum e tentou acertá-lo, porém Ogum era um ótimo lutador e tinha experiências em lutas, desviou o machado facilmente com a espada e agarrou o pescoço de Liceu com a mão livre.
- Meu Deus cura também. – Ogum falou a frase depois que aproximou o rosto de Liceu contra o dele.
Ogum levantou Liceu no ar e levantou a espada, gritou e a aldeia inteira gritou de volta. Liceu pensou rápido e acertou um soco no ferimento causado pela espada de Ogum, nele mesmo. Ogum gemeu e deixou Liceu cair no chão. Liceu aproveitou a oportunidade e acertou um soco no abdômen de Ogum, que caiu duro no chão. Liceu correu até o machado, mas quando estava perto a espada de Ogum acertou o machado e as duas armas voaram para longe, então Liceu viu que Ogum estava vindo para uma luta sem armas. Liceu não queria arriscar brigar de mãos limpas com um cara daquele tamanho, então correu em direção a lança, mas quando pegou a lança Ogum já estava ao seu lado segurando o cabo, evitando assim os golpes de Liceu. Ogum acertou com a outra mão um soco em Liceu, que largou a lança e rolou no chão.
Liceu viu a lança sendo jogada para longe e os guardas recolhendo as armas, entretanto Liceu percebeu que seu rosto não tinha ficado inchado e que o soco que ele teria dado em Ogum tinha sido mais forte do que ele poderia. Liceu então lembrou que a armadura já tinha o curado uma vez e que Ares havia lhe falado de um poder que ele ainda não conhecia que vinha da armadura e chegou a pensar que a armadura talvez lhe desse um pequeno poder do deus Hélio.
Ogum partiu para a luta sem nenhuma arma em punho, tentando mais um soco no rosto de Liceu, que defendeu facilmente e contra atacou com um golpe no peito do seu oponente, que fez um longo trajeto pelo ar até se deparar com o chão. Liceu andou vagarosamente até os homens que seguravam as armas, ao se aproximar os homens largaram as armas e se afastaram. Liceu guardou sua espada na bainha e jogou a lança e o machado para perto de Ogum, após ter deixado Ogum com duas armas Liceu pegou a espada de Ogum e ficou com ela em punho.
Ogum se colocava em posição de luta com um sorriso no rosto, enquanto Liceu corria na direção de Ogum com a espada em punho. Ogum ao ver que Liceu estava muito próximo, segurou a lança à cima da cabeça e abaixou rapidamente até chegar ao chão, quando tocou no chão uma nuvem de areia se levantou e jogou Liceu para longe.
Liceu levantou atordoado e viu que Ogum guardava sua lança nas costas e começava a empunhar o machado, quando Liceu se levantou Ogum fez o mesmo gesto com o machado e uma nova nuvem de fumaça se levantou, que surtiu um efeito maior ainda, fazendo Liceu voar por cima de duas casas que estavam atrás dele.
Liceu caiu em uma rua atrás quebrando vários ossos pelo corpo, mas enquanto se levantava a armadura foi curando-o. Ogum chegou rápido na rua com a multidão da cidade atrás gritando seu nome e já festejando a vitória.
- Se ele pode, eu também posso. – Liceu correu em direção a Ogum que fez o mesmo gesto com o machado, mas antes de ele encostar o machado no chão Liceu fez o mesmo movimento só que mais rápido, levantando uma nuvem de areia e varrendo grande parte da multidão junto com Ogum.
Liceu correu pelo corredor que tinha se formado em meio a multidão e viu Ogum ajudando uma mulher a se levantar, ao ver essa cena ficou irritado com sigo mesmo por ter machucado tantas pessoas indefesas, seu único objetivo era Ogum. Então Liceu esperou Ogum se ajeitar e terminar de ajudar algumas das mulheres idosas que estavam caídas.
Ogum ajudou as mulheres e se preparou para a batalha novamente, mas antes gritou para Liceu. – Sem esses golpes.
- Tudo bem. – Liceu respondeu e afirmou com a cabeça.
Ogum se preparou para a batalha com a lança e veio a passos curtos, mas Liceu não tinha mais paciência para uma luta tão extensa e afinal de contas ele queria rever Talithas. Liceu correu para se confrontar com Ogum o mais rápido possível, mas Ogum ainda andava a passos curtos, até Liceu se aproximar, porque quando Liceu se aproximou Ogum apoiou um dos joelhos no chão e esperou seu adversário.
Liceu pulou em cima de Ogum, que rolou com facilidade e atacou em um movimento horizontal com a lança, que acabou por raspar na armadura de Liceu. Liceu se recompôs e partiu para cima de Ogum, que desviou do golpe de sua própria espada e bateu no rosto de Liceu com a cabo da lança e depois atacou com a ponta da lança no peitoral de Liceu, que caiu secamente no chão.
Liceu viu que não estava mais com a benção dos deuses, então fechou os olhos e chamou por Hélio, logo em seguida sentiu um calafrio e se levantou em um pulo e acabou por perceber que sua armadura brilhava intensamente, como se fosse completamente feita de ouro, então sentiu seu vigor físico se revigorar.
Ogum foi dar mais um ataque em Liceu, mas este defendeu com um ataque na lança, que fez Ogum perder o equilíbrio, mas como um bom guerreiro improvisou um golpe rodando a lança, visando o pescoço de Liceu, que segurou o final do cabo da lança antes de chegar ao seu pescoço. Liceu puxou a lança, mas já esperava que Ogum não soltasse, então empurrou a lança contra o peito de Ogum, que recebeu o impacto e caiu no chão largando a lança. Liceu largou a lança logo em seguida e retirou sua espada, tentando acertar um golpe em Ogum, enquanto estava caído no chão. Ogum retirou seu machado e defendeu a espada que vinha em sua direção e já contra atacou com um chute no peitoral de Liceu, que caiu em frente a Ogum, ambos rolaram e se levantaram com armas em punho.
Ogum tentou acertar Liceu com o machado, mas Liceu defendeu com sua espada e atacou Ogum com a espada dele mesmo. Ogum desviou de sua espada e esqueceu-se de seu machado, que foi arremessado por Liceu, mas Ogum com a mão que antes estava vazia pegou a espada de Liceu da mão do próprio dono e tentou acertar o pescoço do seu oponente. Liceu por extinto largou a espada de Ogum e abaixou para desviar do golpe. Quando desviou do golpe sentiu suas mãos tocarem em algo em cima do chão, Liceu olhou rápido e viu a lança de Ogum, então a agarrou firme e a levantou contra o abdômen do próprio dono.
Liceu viu Ogum caindo de joelhos sem força nenhuma para tentar qualquer coisa, então para evitar o sofrimento dele, Liceu pegou a espada de Ogum e desceu ela na cabeça do semideus que era odiado por Ares. Quando a espada encostou no crânio de Ogum uma nuvem de areia se fez e o corpo de Ogum foi espalhado por grande parte da vila, fazendo assim, voar sangue e os órgão dele por toda a parte. Liceu pegou a espada de Ogum e guardou em suas coisas. Liceu reparou que todos olhavam para ele com um ódio supremo, mas ele também reparou que ninguém iria ataca-lo, então pegou suas coisas e foi em direção a vila onde desembarcou, para ver se ainda conseguiria pegar o bote do velho.
A caminhada de volta não foi fácil, mas Liceu conseguiu fazer em um tempo menor que do da ida, chegou a vila e procurou pelo barco do velho, que achou em pouco tempo. Subiu a bordo e deitou em sua cama de palha onde dormiu por um longo período.
Liceu acordou no outro dia sem dores, mas ainda vestia a armadura e a espada na bainha de seu cinto. Achou estranho de não ter se incomodado com a espada e a armadura enquanto dormia. Levantou e foi para o convés ver como estavam as coisas e viu o velho sentado, só deixando o vento levar o barco. Liceu chegou perto do velho e perguntou. – Falta muito para chegar na Grécia?
- Muito? Rapaz, você dormiu por dois dias, já estamos chegando a Grécia, ainda nessa tarde chegaremos.
- Isso explica porque estou com tanta fome.
- Você teve uma briga feia para ficar nesse estado. Nunca tinha visto um homem dormir de armadura por vontade própria.
- Briga, foi mais uma surra. Tive sorte por sair vivo, já o outro cara não.
- Você veio na África só para apanhar?
- Ordem dos deuses.
- Quais “deuses”?
- Ares. Ele queria que eu acabasse com um cara que leva fama por ele.
- E quem era esse cara?
- Ogum.
- Ogum? – O velho se levantou da cadeira e ficou espantado ao ouvir quem tinha acabado de ser morto.
- Sim, por quê?
- Não acredito que você matou Ogum.
- Por que não?
- Com exceção de mim, todos aqui neste barco devem favor a Ogum. Fique calado, não fale para ninguém quem você acabou de matar. Tome um pouco de água e vá dormir, quando desembarcarmos você desce e nunca mais suba neste barco. Você me entendeu?
- Sim, agora vou me deitar.
Liceu tomou um pouco da água que estava em um barril e foi-se deitar. Não conseguiu dormir, mas o tempo passou rápido para quem ficou deitado muito tempo. Quando o velho desceu e falou para eles que já estavam chegando, então Liceu pegou suas coisas e foi para o convés, se despediu do pessoal quando ainda estavam chegando ao porto, até que ao deixar sua trouxa cair a espada de Ogum apareceu para todos.
Liceu pegou a espada e guardou-a na trouxa e logo colocou a trouxa nas costas. Um dos soldados achou que já conhecia a espada e quis saber da onde conhecia a espada.
- Essa espada que você deixou cair é bastante familiar. Parece que já a vi em algum lugar.
- Não tenho ideia de onde possa ter sido.
- Eu também já vi essa espada. – Reconheceu o outro homem. – Pega ela, para eu me lembrar de onde foi.
- Não dá pessoal. Eu já irei descer e se vocês não se importam eu quero ver logo minha mulher e passar a noite com ela.
- Tudo bem. – Falou o homem que tinha puxado o assunto.
- Nossa! Não pode ser. – Falou o homem que queria que Liceu mostrasse a espada.
- O que foi agora? – Perguntou Liceu.
- Acho que eu sei onde vi essa espada.
- Onde? – Liceu já temia que o homem tivesse se lembrado onde tinha visto essa espada.
- Com Ogum.
- Droga – Praguejou Liceu.
- Não pode ser. Como ele teria pegado a espada de Ogum.
- Só se fosse matando ele. – Liceu ouviu isso e olhou para o velho, mas o velho nem queria ver onde isso terminaria.
- Impossível. Um mortal matar Ogum.
- Impossível!
- Mas já que você falou, essa espada me lembra muito a espada de Ogum.
- Não é que lembra mesmo?
Antes de ouvir mais alguma coisa Liceu pulou do barco e nadou o pouco que tinha que nadar. A última coisa que ouviu foi de um dos homens gritando ao fundo “Você está com saudades dela mesmo!”. Liceu chegou ao porto um pouco antes do barco e correu na direção do templo de Ares, mas como ainda estava muito machucado não correu por muito tempo. Chegou ao templo extremamente cansado. Liceu se aproximou da estátua de Ares e cortou o braço, fazendo o seu sangue ser derramado no pote com um buraco no meio.
A estátua de Ares estremeceu e despertou gritando, mas foi só no momento.
- Você fez o serviço? – Perguntou a estátua com uma cara de impaciência.
- Sim. – Liceu mostrou a espada de Ogum para Ares.
- Ótimo! Mas está tendo uns problemas aqui no Olimpo e estou precisando usar muito minha lança, quando o problema não for mais meu, te entregarei a lança. Agora procure o templo que fica em Argos, dos 4 deuses irmãos, Zelo, Cratos, Nice e Bia. Cada um deles tem uma missão para você. Tenho que ir.
- Ares! – Gritou Liceu chamando a atenção antes que ele fosse.
- O que? – Ares não gostou da atitude de Liceu, isso era visivelmente claro.
- Preciso que me cure antes que eu morra, os ferimentos já estão quase se rompendo. Se eu tirar a armadura eu morro.
- Está certo. Já tinha me esquecido.
Na mão da estátua de Ares, apareceu uma fumaça vermelha com as bordas pretas, que dentro brotavam relâmpagos e fogo. A fumaça foi passando até chegar na mão da estátua. Ares apontou a mão para Liceu e a fumaça voou na direção dele e entrou pelo nariz, pela boca e pelos olhos. A estátua voltou a sua posição original e Liceu saiu do templo com uma dor insuportável em seu peito e outra na sua coxa.
Ao chegar fora do templo viu um pedaço de carne podre escorrendo pela sua túnica, saindo de sua coxa ferida. Liceu levantou a túnica e viu que sua perna estava curada, mas também viu uma carne completamente podre escorrendo da sua coxa, então Liceu pegou a e jogou ao chão. Quando voltou a andar normalmente sentiu algo escorrendo pelo seu peito, então retirou a armadura e viu a mesma carne podre grudada na sua túnica e nos seu peito, jogou ela junto com a outra, entrou no templo e pegou uma tocha e colocou fogo nas duas massas negras que carregavam um cheiro horrível.
Mesmo estando molhadas pelo sangue, as massas que tinha saído do corpo de Liceu pegaram fogo rapidamente. Liceu se limpou com um pano que colocou ao fogo e foi para o quarto que tinha alugado com Talithas.
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