O Deus do Sol
8 VIII – Preocupação ou vingança?
- O que você fará agora? Tah perguntou para Liceu olhando enquanto ele colocava sua armadura. — Agora voltarei para o templo onde encontrei Nêmeses e falar que a missão que ela me deu está concluída. E você? Liceu agora fixava seu cinto e sua espada. — Eu voltarei para minha casa e procurarei minhas coisas para viajar com você. — Viajar comigo? Tenho duas perguntas para você: Por que você viajaria comigo? e Por que eu iria querer você por perto?. — Porque precisarei de alguém para terminar a missão que pedi a Nêmeses. E porque você não tem que me querer por perto, e sim, você vai ter que fazer o que pedi para Nêmeses. — Como é? — Minha família foi destruída por Narciso. Eu o vi caminhando uma vez e ofereci abrigo para ele. Ele aceitou e o levei para casa. Antes de mostra-los para meus pais, eu o coloquei no quarto. Falei com eles e expliquei que gostava dele, mas que achava que ele não gostava de mim. Quando minha mãe viu o garoto ela se apaixonou por ele e acabou falando que o amava, meu pai ficou enfurecido e levou minha mãe a força para fora de casa. Eu falei tudo o que sentia para ele. Narciso olhou nos meus olhos e falou que eu não era nada para alguém tão bonito quanto ele. Ele agradeceu por poder passar a noite e foi embora. Eu me ajoelhei e comecei a chorar. Fui para fora de casa depois de um tempo e vi que minha mão estava sendo espancada por meu pai. Soltei um grito. E vi que meu pai olhou para mim com espanto e olhou e percebeu o que tinha feito. Ele correu para a floresta enquanto eu vi o rosto de minha mãe desfigurado. Encostei a mão no tórax dela coberto de sangue e percebi que o coração dela na batia. Depois percebi que o culpado de tudo foi Narciso. Mas a morte de minha mãe o culpado foi meu pai. E ele tem que morrer e você terá que se vingar por ele ter matado minha mãe.
— Aquele idiota destruiu sua família assim tão fácil? — O castigo que ele merece já recebeu, agora é a vez de meu pai. — Falaremos com Nêmeses a respeito disso. — Enquanto vamos para o templo, poderia me falar de quem é filho? — Não conheci minha mãe. E não tenho pai. — Tem irmãos? Ou irmãs? — Já tive. — Estão mortos? — Já faz alguns dias. — Que eles fiquem no Elísio. — Só minha irmã, os irmãos viveram no Tártaro. — Como eles morreram? — Quando poderemos partir, mesmo? — Me desculpe. Vamos agora. Os jovens caminharam alguns dias até chegarem no templo, mas nada tinha lá. Nenhuma mulher com cabelos negros e pele alva usando um vestido azul claro que se arrastava pelo chão. Os dois resolveram esperar até o anoitecer e nada apareceu até ambos dormirem. Após os dois dormirem de cansaço Nêmeses apareceu e abaixou-se perto de Liceu, passou as costas de sua mão no rosto do rapaz e sussurrou seu nome. — Liceu, acorde. O rapaz levantou as pálpebras bem devagar, mas quando viu um forma distorcida no meio da noite em sua frente levou um susto, colocou a mão em sua bainha e retirou sua espada seguido de um golpe, mas Nêmeses segurou seu pulso firmemente e não recebeu golpe algum. Calma, garoto, sou eu. — Nêmeses? — Não acorde sua amiga. Ela deve dormir. — Como me saí? — Foi arrogante e grosseiro comigo. Desferiu um golpe tão absurdo no rosto de Narciso que está inchado até agora, quando eu disse que não queria ele com nenhum arranhão. E ainda quer que eu aprove uma vingança tola em um homem. — Eu acertei um soco nele para sobreviver. Ou queria que eu apanhasse sem tentar lutar? Não é vingança é castigo por ele ter matado a própria mulher. E com relação a grosseria, me desculpe. — Está desculpado. Mas mesmo assim não concordo com a vingança sobre o pai da moça, pois se eu aprovasse matar os entes familiares que se desmancharam por causa de Narciso, você morreria antes de terminar de acabar com eles. Sem contar que você até enfrentaria alguns deuses. — Esse imbecil causou tanta desgraça? — Mais do que você possa imaginar. Mas faça por isso mesmo, ache o pai da moça, mas não o mate. Apenas o prenda e deixe que ela tome a decisão que achar correto, desde que não envolva você o matar. — Eu não poderei mata-lo? Mas posso quebrar ele, igual o que ele fez na mulher? — Desde que não o mate. Agora tenho que ir. — Por onde o pai dela foi? — Ele está a caminho de Esparta, mas não deixe ele chegar lá. — Por que? — Ordem minha. Você ainda está com a maldição de não receber missões dos outros tão cedo, então use isso como passatempo. A garota não acreditará em nada de que você disser, então pegue uma rosa e coloque fogo nela. A deusa começou a desaparecer e sua voz foi ficando cada vez mais distante. — Depois que cumprir a minha ordem terá que esperar alguns dias até achar no alto das montanhas de Esparta o templo de Ares. — Templo de quem? — Ares. — Hades? — Não o templo de Hades. O templo do deus da guerra. Depois dessa frase a deusa sumiu por completo. — E agora? Onde é que eu acho uma rosa? Liceu começou a vasculhar aos arredores, quando ouviu de onde tinha dormido uma voz feminina — Espero que não tenha tentado fugir Liceu. — Não estou fugindo. Respondeu gritando Estou fazendo o que Nêmeses mandou eu fazer. — E foi exatamente o que? — Ela falou para eu ir com você em direção a Esparta e temos que encontrar o seu pai antes dele chegar lá. Ela falou que você não iria acreditaria. — E não acredito. — Por isso ela mandou eu acho uma rosa e colocar fogo. — Para que? — Não sei, não duvido da vontade dos deuses. — Por que meu pai iria para Esparta? — Não deu templo de perguntar. Ela falou o que tinha para falar e sumiu. — Até parece que uma deusa desceria aqui só para falar algumas frases com você. Mas já que é para ir para Esparta o mais rápido possível, esqueça a merda dessa flor e vamos logo. Os dois caminharam pela estrada de terra que levaria até Esparta por um longo período. Não estavam conversando, principalmente de baixo de um sol que estava na posição mais alta do céu. O dia foi passando e parecia que a temperatura só elevava. Mal descansaram pela noite e já começaram no dia seguinte a caminhar por vários dias, até que não aguentavam mais de cansaço.
— O que você acha que seu pai fará em Esparta? — Não sei, mas ele não vai fazer nada lá. — E por que você acha que não? — No ritmo que estamos caminhando chegaremos vários dias na frente dele. — Mas quanto tempo ele teve de vantagem? — Dois dias. — Então, acho que ainda estamos atrasados. Espera um minuto o que é aquilo? Liceu apontou para algo no horizonte. — Acho que é uma rosa. — Você acha? Como se acharia uma rosa nesse local tão deserto? — Acho que é normal. — Normal? Nêmeses me mandou colocar fogo em uma rosa para você acreditar que eu tinha falado com ela. — E por que você acharia que colocar fogo em uma rosa provaria algo? — Não sei, mas se ela mandou. Tenho que cumprir. — E para que colocaríamos fogo em uma flor, como você mesmo disse, em um local tão deserto? — Só saberemos o propósito, se colocarmos fogo nela. Liceu acendeu um uma tocha e olhou antes para Talithas antes de colocar fogo na rosa, ela estava com cara de descrente. Liceu colocou a tocha de encontro na rosa, depois que tirou a tocha de perto da rosa a tocha estava desapagada e a rosa pegava fogo sem se despedaçar. Liceu olhava para a flor sem se despedaçar e não acreditava que algo assim poderia acontecer. — Você pode acreditar em algo assim? Liceu perguntou para Talithas, mas não ouviu resposta. Você poderia acreditar em algo assim? E foi nesse momento que Liceu olhou para o rosto de Talithas e percebeu que mesmo olhando a flor não estava prestando atenção. Você está bem? Liceu encostou no ombro da garota e a balançou de leve, mas mesmo assim não houve resposta por parte dela. O que deu em você? — Oi. Ela respondeu para Liceu, mas ainda não estava concentrada. O que foi? — Você está bem? O que aconteceu com você? Por um instante você não me ouviu enquanto eu falava. — Por que a flor está inteira sem pegar fogo? Talithas estava apontando para a flor enquanto tentava se lembrar o que tinha acontecido. — Como assim? A flor não pegou fogo? Você não viu ela pegando fogo? — Não. Eu vi você encostando a tocha, mas quando você tirou de perto ela não estava pegando fogo. — Como assim? Ela pegou sem se despedaçar. Enquanto você ainda estava em um transe que não deixou você ver a rosa pegar fogo. Mas agora você pelo menos acredita que eu vi Nêmeses? — Não. Talithas demorou para responder e quando assim respondeu desviou os olhos para o chão e começou a andar. Vamos, se não meu pai fugirá. — Assim é que se fala. Mas você não viu nada enquanto a rosa pegava fogo? — Já disse que não. Agora vamos. Não fale durante o caminho, isso cansa mais rápido. — Tudo bem. Talithas não foi muito agradável nos dias que passaram. Liceu não tentou piorar as coisas, então passou os dias seguintes sem falar nada. Mas no último dia de caminhada à caminho de Esparta ouviram um rugido como se fosse de leão, mas o problema é que o rugido tinha origem do céu, quando os dois olharam para cima viram um passado grande voando por cima da cabeças dele. Talithas gritou de medo, enquanto Liceu a derrubou no chão e retirou sua espada, mas o monstro não parou para enfrenta-lo, então continuou voando a caminho de Atenas. — Você viu aquilo? Perguntou Talithas depois de dois dias sem caminhada. — Se vi aquilo. Eu quase matei aquilo. — Quase matei? Aposto que você morreria antes de eu gritar de medo. — Você acha que sou tão fácil de matar? Como é o nome dele? — Irei parar de pensar assim quando você amarrar aquele cara. Liceu seguiu para onde Talithas apontava. Ela apontava para trás onde um senhor de idade caminhava olhando para baixo. Não se esquece que ele já foi um soldado de Esparta. E o nome dele é Altineos. Liceu não se intimidou por olhar um velho que tinha o peso um pouco acentuado e que andava encurvado. Liceu começou a achar que ele seria fácil até de mais. — Senhor! Liceu gritou para chamar a atenção dele. — O que você quer? O velho gritou de volta se colocando em uma postura de intimidação. — Poderia me ensinar um caminho, pois eu e minha mulher nos perdemos da rota certa. Posso me aproximar para falar sobre isso? — Claro meu jovem. — Segura minhas coisas. Vou chegar correndo e tentar derrubar ele com um golpe. Liceu deu a mochila onde ele guardava a armadura e a espada para Talithas. — Não é uma boa ideia. Ele vai ser mais fácil se você usar espada. — Se ele está desarmado eu luto desarmado. Liceu começou a correr devagar na direção de Altineos, mas ao se aproximar aumentou o passo e quando chegou perto do velho pulou na direção da cintura dele, mas o velho se desviou do pulo de Liceu e ainda acertou um soco no ombro esquerdo de Liceu, que caiu rolando e sem controle. Liceu levantou e olhou para o senhor Altineos que puxava uma adaga de sua manga esquerda, a adaga parecia velha, mas bem conservada. Altineos olhou para Talithas e mostrou uma expressão de raiva, enquanto o pai encarava a filha Liceu deu alguns passos para se aproximar do senhor, mas quando estava perto o suficiente o senhor virou rapidamente e fez um rasgo no peito de Liceu, que não conseguiu se desviar completamente, mas ficou irritado com o machucado e acertou um soco no rosto do senhor Altineos sem mesmo olhar para o senhor. Altineos perdeu o equilíbrio, por conta do soco que não esperava. Liceu sentiu uma ardência no ferimento, como se a adaga fosse magica ou viesse com algum veneno, mas não era nada que o impedisse de lutar contra o velho. O senhor Altineos levantou-se e pegou a adaga que estava caída no chão e resolveu ir para cima de Liceu para mata-lo. O primeiro golpe foi um reto, tentando enfiar no coração de Liceu, mas ele segurou o pulso de Altineos e o girou para a esquerda. Liceu trocou a mão que segurava o pulso de Altineos e acertou uma joelhada no peito de Liceu e continuou com os golpes no peito do senhor que agora gritava de dor. Liceu continuou com os golpes até que percebeu que o corpo desmaiou em seus braços. Liceu soltou o velho e o viu cair no chão desacordado. Ele voltou e pegou algumas cordas que tinha em suas coisas e voltou para amarrar o velho, quando virou viu que o senhor Altineos estava segurando firmemente a adaga, ele abriu os olhos e fincou a adaga na perna de Liceu que por extinto segurou a mão que segurava a adaga e quebrou o pulso do senhor Altineos, mas logo caiu no chão desacordado. Talithas correu e decapitou o próprio pai com a espada de Liceu, depois largou a espada e segurou firme no cabo da adaga e a retirou da perna de Liceu, que levantou o corpo gritando assustado. — Calma. Já retirei a adaga. Talithas falou tentando acalmar Liceu. — Quanto tempo fiquei desacordado? — Quase nada. Logo que desacordou eu peguei sua espada e fiz justiça com minhas próprias mãos. — Você o matou? — Sem pensar duas vezes. — Sabia que Nêmeses falou que você teria que mata-lo ou deixa-lo vivo? — Não. Por que você não me falou antes? — Eu estava esperando a hora certa. Parece que você me defendeu assim tão rápido? — Não fiz por você, fiz o que você não teve habilidade para fazer. — Tudo bem. Então vamos logo para Esparta. — Só um minuto seu ferimento na perna. — O que tem ele? — Ele não está sangrando. — O que? — Nem o ferimento do peito. — Mas como pode? Liceu colocou a mão levemente sobre o ferimento e sentiu uma pontada de dor e quando retirou a mão do ferimento tinha as gotas de sangue em seus dedos que tocaram o ferimento. — Mas por que não está escorrendo sangue pelas aberturas? — Isso é uma boa pergunta. Vamos para algum templo para descobrir o que essa adaga tem de especial. — Tudo bem, mas antes me fala a verdade. Você o matou por que queria vingança ou por que ficou preocupada comigo? — Vingança. Agora vamos. Liceu e Talithas foram para Esparta conversando descontraidamente e brincando durante o caminho, mas quando chegaram na portão de Esparta ouviu alguns guardas para a identificação. — Quem são vocês? Perguntou o líder do pelotão, que continha seis guardas. — Eu sou Talithas, filha de uma mãe assassinada pelo meu pai que morreu de desgosto após descobrir que queria ser traída por um rapaz que eu era apaixonada e vim para Esparta tentar um nova vida. — Nossa? Como pode viver após acontecer algo assim? Perguntou um o guarda mais novo. — Acho que a minha vida foi pior. — E você quem é? — Sou Liceu, filho exilado da própria casa por matar, com a ajuda do meu irmão, oito homens que tentaram estuprar minha irmã. Acho que Esparta será um bom local para recomeçar minha vida.
— Um momento. Por que sua túnica está rasgada no peito? Perguntou o líder do pelotão. — Encontrei a moça fugindo do pai que usava uma adaga para tentar mata-la. Ajudei a moça, mas me custou uma túnica e dois ferimentos. Um no peito. Liceu abriu o rasgo na túnica e mostrou o corte, que parecia maior que antes. E um corte na coxa. O corte da coxa também estava maior. — Liceu, por que parece que os cortes aumentaram? Talithas perguntou com medo do que poderia acontecer. — Como assim o corte aumentou? Perguntou um dos soldados. — Eu fui ferido por uma adaga que não tirou sangue de mim e parece que o corte também aumenta, além de não sair sangue. Liceu respondeu. — Não saiu sangue? — Isso mesmo, só ficou o corte, mas nenhum sangue esparramado pode ver que minha roupa está limpa. — Deixe-me ver essa adaga. O líder do pelotão agora estava com uma expressão nada boa sobre o assunto. — Essa é a adaga. Liceu retirou no meio de suas coisas e estendeu para o guarda ver. — Não me vem nada relacionado a ela. É melhor procurar os sacerdotes e esclarecer suas dúvidas antes que piore os ferimentos. Porque ela parece mesmo mágica. — Ou envenenada. Disse um dos guardas. — Entrem e sigam direto para o templo de Zeus seguindo as plantações vocês acharam o templo. — Eu pensei em procurar o templo de Ares. Disse Liceu se relembrando da conversa com Nêmeses. — Não existem sacerdotes no templo de Ares. Só existem sacerdotes no templo de Zeus. — Mesmo assim, para onde é o templo de Ares? — Você acha que um deus que gosta de carnificina irá te curar? — Não acho nada disso, mas mesmo assim quero visitá-lo. — Tudo bem. O templo fica no leito de um rio que fica atrás da cidade principal. Boa sorte e veja os sacerdotes. — Muito obrigado, agora vamos Talithas.
Fale com o autor