O Deus do Sol

9 IX – A missão dada por Ares


- Não é para o outro lado o templo de Zeus? – Perguntou Talithas vendo que Liceu caminho na direção diferente.

- Deve ser, mas não temos que ir para o templo de Zeus.

- Você quer ir mesmo para o templo de Ares?

- Ordem de Nêmeses.

- Você também não me falou disso.

- Tem muitas coisas que não te falei.

- Tipo o que?

- Se não te falei até agora, por que falaria agora?

- Para eu não ficar surpresa quando houver necessidade de mentir.

- A maior parte da arte da mentira é formada pelo improviso.

- Pare de ser idiota, mas a pergunta é: Por que o ferimento aumentou?

- Não sei. O veneno da adaga faz a pele inchar ao redor do ferimento e depois ela desincha.

- Pode ser. Mas por que ainda não sangrou?

- Essa eu não tenho idéia.

- Olha um hotel. Quer se cadastrar e depois nós vamos para o templo de Ares?

- É bom ter um lugar para passar a noite.

Liceu e Talithas entraram em uma casa, com aparentemente, três andares. Logo ao entrar viram um balcão com um garoto dormindo. Liceu se aproximou e cutucou o garoto no ombro, mas o menino nem mostrou sinal de ter acordado, mas isso não impediu Liceu de cutucar mais forte, só que dessa vez, na cabeça. Dessa vez funcionou e o garoto levantou levemente as pálpebras, depois de um certo tempo ele levantou o tronco e a cabeça rapidamente e olhou desesperado para Liceu.

- Oi, meu nome é Liceu. Tem algum quarto?

- Dois quartos. – Corrigiu Talithas.

- É. Dois quartos.

- Temos vários quartos disponíveis. Vocês não estão juntos?

- Só como amigos. – Disse Talithas, mas Liceu em seguida corrigiu o garoto.

- Na verdade isso não é de seu respeito. Agora tem dois quartos disponíveis ou não?

- Me desculpe, tem sim senhor.

- Ótimo. Quanto custa cada um?

- Trinta moedas a diária?

- Trinta? – Talithas estava impressionada. – Por que custa tanto?

- Na verdade somos os mais baratos na região.

- E por que está tão vazio? – Liceu observou o caderno de anotações e viu que não tinha nenhuma hospedagem nos últimos dias.

- É que os jogos estão sendo sediados em Tebas, então todos vão para lá. Quem vai conseguir ver os jogos daqui?

- Mas mesmo assim não explica o quarto tão caro.

- A média aqui em Esparta é cinqüenta. É mais barato uma espada que um quarto.

- Eu percebi. Agora me responde: Tem algum quarto com camas separadas?

- Não que eu saiba.

- E como vocês algum quartos para irmãos? – Perguntou Talithas já se queixando do local antes de se hospedar.

- Vocês são irmãos?

- Não. – Responderam os dois juntos.

- Então. Por isso não alugamos quartos com camas separadas. Todo quarto aqui tem camas de casal. Para casais ou para dar mais comodidade a pessoa que vir se hospedar.

- Tudo bem. Queremos o quarto mais perto da escada.

- Venham comigo.

- Vamos pegar um único quarto? – Perguntou Talithas.

- A menos que você comece a vender seu corpo não teremos como pagar dois quartos.

- Vocês vão dar um belo casal.

- Garoto você gosta da sua mão que segura suas chaves? – Perguntou Liceu.

- Acho que sim.

- Se você quer que ela continue ligada ao seu pulso é melhor ficar quieto. – Disse Liceu após tirar sua espada da bainha.

- Não trate o garoto desse jeito. Não ligue...como é seu nome mesmo garoto?

- Panathys, mas meus colegas me chamam de Pana.

- Como eu dizia...não ligue para ele Pana, só finge ser ameaçador, mas na verdade é um bezerro, não faz mal a ninguém. Só fica assim quando está longe da mãe.

- Não conheci minha mãe.

- Esse é o quarto. – Pana abriu o quarto e mostrou para os dois, era simples, mas muito bom.

- Acho que vai servir. – Liceu tirou o saco com trinta moedas e entregou ao garoto. – Agora sai daqui, tenho coisas a fazer.

- Só fingiu que queria quarto separados. – Nesse momento Liceu olhou para o garoto e retirou a espada, mas o garoto já tinha deixado a chave na cama e estava correndo pelas escadas.

Liceu foi sair do quarto, mas Talithas segurou o braço de Liceu e o puxou para dentro. Liceu olhou pensativo para Talithas que agora retirava a espada da mão dele e a colocava na bainha. Talithas pegou a chave e trancou a porta e deixou a chave na fechadura olhou para ele e piscou o olho direito. Foi se aproximando dele e o beijou, enquanto se beijavam ela o conduziu até a cama, sentou no colo de Liceu, que passava as mãos nas coxas de Talithas.

Liceu parou de beijar a boca de Talithas e falou uma frase sem pensar no significado dela. – Não sei como Narciso não quis você. – Nesse exato momento Taltithas parou de beijar Liceu e olhou para ele com uma tremenda fúria, saiu de cima do colo do rapaz e começou a se vestir com outra roupa. O rapaz não entendeu a atitude dela. – O que foi?

- “O que foi?” você ainda me pergunta.

- Você se ofendeu com o que eu disse?

- Você me lembra do cara que eu fiquei perdidamente louca e quis que ele morresse na hora que eu resolvo tomar uma iniciativa, porque você está viajando comigo a mais de vinte dias e não fala nada. Quando eu tomo coragem você estraga o momento lembrando do cara que acabou com a minha família.

- Calma. Foi sem intenção. Tentei fazer um elogio.

- Da próxima vez, fala que eu estou bonita. Agora coloca sua armadura e vamos para o templo de Ares.

- Desculpa, agora volta aqui.

- Nem pensar. Se você não quiser receber mais um corte dessa adaga. – Talithas retirou a adaga e aproximou a do pescoço de Liceu. – É melhor você se vestir.

- Tudo bem. Já estou me arrumando.

Liceu e Talithas se trocaram e foram para o templo de Ares, mas não foi fácil encontra-lo. No primeiro dia de procura do templo ninguém conseguiu dizer onde era o templo e nunca tinham ouvido falar do templo de Ares onde eles procuravam.

No segundo dia de procura depois de mais de meio dia de procura um homem conseguiu informá-los onde ficava o templo, mas procurando entre as redondezas eles não viram nada de templo e nenhum dos pontos de referência que o homem disse. No terceiro dia Liceu sentiu uma dor forte no peito e na coxa, onde ficava os ferimentos, e percebeu que os cortes estavam maiores, mas ainda assim não derramava sangue pelos ferimentos.

O terceiro dia Talithas convenceu Liceu a procurar os sacerdotes de Zeus, mas nada de útil foi dito. Os sacerdotes falaram que a adaga não tinha nada de especial e que os ferimentos foram feitos para Liceu se disponibilizar mais para os deuses. Após ouvir as frases arrogantes dos sacerdotes, Liceu quebrou o nariz de um com um soco e tirou a mandíbula do outro com um chute.

O quarto dia Liceu estava sendo procurado pelos soldados de Esparta, mas dessa vez eles acharam o templo de Ares e viram uma estátua do deus e logo aos pés da estátua tinha uma cuia com um fino buraco no meio, onde claramente era derramado o sangue para os sacrifícios. Liceu pegou sua espada e fez um corte no braço e derrabou o sangue na cuia, mas nada aconteceu. Talithas sem falar nada tirou a adaga que pegou de seu pai e colocou no buraco que estava cheio de sangue. A adaga encaixou perfeitamente, um barulho estranho fez acima deles e a estátua se mexeu.

- Que mortal ousa me chamar? – Perguntou a estátua com tentando se mexer, mas não poderia mexer nada abaixo da cintura.

- Eu ouso. – Disse Liceu encarando a estátua que tinha, pelo menos o triplo de seu tamanho.

- E quem é você mortal?

- Sou Liceu o que carrega a armadura de Hélio.

- Ah! Sei quem é você. Nêmeses jogou uma maldição por um período, o que fez você demorar para me achar. Um momento. Que adaga é essa?

- Uma que me feriu e deixou uma espécie de machucado diferente.

- Claro que sim. Onde conseguiram essa adaga?

- Com meu pai. – Disse Talithas sem olhar para o rosto da estátua.

- Que bela jovem. Como era o nome de seu pai, Altineos.

- Altineos? Ah, sim. Conheço esse homem.

- Esse cadáver. – Corrigiu Liceu.

- Cadáver, certo. Belo golpe Talithas. – A estátua falou piscando para a garota. – Irei contar a vocês a história dessa adaga. Talithas já se perguntou o “por que” de nunca ter conhecido os pais de seu pai?

- Já, mas ele nunca quis me falar.

- Claro que não, uma história trágica. O pai de Altineos tinha uma mulher e vivia feliz com ela, até que Afrodite reparou no seu avô e percebeu que ele era muito bonito e tentou ter um caso com ele, mas ele negou e falou que nunca trairia sua mulher, mas ele fez isso apenas para ver falar para sua avó que ele nunca trairia ela, nem com uma deusa. Mas ele tinha um romance com a irmã de sai mulher, mas dizendo o que disse para sua mulher, acabaram as desconfianças dela para cima dos dois. Afrodite ficou muito chateada, eu falei com Hélio e pedi para que ele investigasse seu avô e descobrir uma falha, depois de seis dias ele veio me falar que a cada três dias seu avô se encontrava com a amante. Eu esclareci para Afrodite que pediu algo que o matasse sem dor, mas que ele visse que piorava e a cada dia que assava era um dia mais perto da doença que infestava seu corpo. E eu assim fiz, me passei por um velho e entreguei para sua avó essa adaga e falei para ela voltar para a casa imediatamente. Seu pai, que estava com ela, foi quem perguntou o “por quê” e eu só falei que eu tinha passado pela casa deles e que tinha visto uma mulher entrando no recinto. Sua avó voltou com Altineos para casa e encontrou os dois tendo uma relação. Em um único momento de fúria ela enfiou a adaga no pescoço do marido e fez um grande corte no abdômen da irmã.

- E foi assim que eles morreram? – Perguntou Talithas inexpressiva.

- Obviamente não. Eu tive que arranjar uma arma que atendesse os desejos de Afrodite. E tive a sorte de ter uma adaga em meu arsenal.

- Qual o veneno que essa adaga carrega?

- É um veneno que tive que criar. Esse veneno cria uma ligeira película em cima do ferimento, não deixando o sangue caindo. O veneno também inibe a dor do ferimento, mas essa película vai se esticando e acaba ficando mais fina até se romper. O pai de Altineos ficou com a película no pescoço tão fina que foi decapitado pelo vento. A amante ficou com a película da barriga tão fina que ela foi estripada por uma coceira. Já sua avó foi morta com a adaga em seu coração, mas foi na segunda tentativa que seu peito rompeu e o coração saiu pelo buraco no peito.

- Isso quer dizer que eu vou morrer aos poucos sem sentir dor?

- Vai sentir na hora que a película se romper. – Ares tentou consolar o rapaz.

- E qual é a cura desse veneno? – Perguntou Talithas.

- Não existe. Quer dizer, ninguém nunca procurou. – Falou Ares.

- Como assim? E como eu vou ficar vivo? – Liceu agora estava muito preocupado.

- Tem um jeito.

- E qual seria esse jeito?

- Tem que me fazer um favor e eu aciono um botão que tem na armadura e ela irá te curar.

- Qual é o favor?

- Você terá que ir para a África e matar um semideus que se autodenomina o Senhor da Guerra. E como todos sabem que eu sou o único Senhor das Guerras, quero ele morto.

- Isso é fácil.

- Mas terá que ir sem a garota.

- Por que eu não posso ir? – Perguntou Talithas indignada.

- Porque os africanos idolatram mulheres de pele clara. Se você for o rapaz morrerá tentando te salvar dos homens, mas não conseguirá e você acabará morta depois de ser estuprado por mais de vinte homens.

- Que história mais trágica. – Disse Liceu.

- Acho que ficarei por aqui mesmo.

- Mas tem um pequeno problema. – Disse Liceu. – Como enfrentarei o batalhão de soldados espartanos que estão vindo atrás de mim com os ferimentos, pois qualquer corte poderia fazer meus órgãos virem para fora do corpo.

- Fácil eu te curarei perante eles e os que duvidarem pegarão fogo no mesmo instante. Mas a cura não será permanente. Você continuará curado até o dia em que o ferimento provocasse sua morte.

- Me lembra de morrer seu amigo.

- Você tem que viver como meu amigo e morrer amigo de Hades. Bom, agora meu tempo já se esgotou, terei que ir e você cumprir sua missão. Boa sorte e me traga a cabeça daquele que se diz “Senhor da Guerra”. — Após terminar a frase a estátua se endireitou na posição em que estava antes de ser possuída por Ares, logo que a estátua parou de se mexer a porta do templo foi escancarada, fazendo com que Liceu e Talithas levassem um susto.

- Vocês serão mortos pela justiça de Esparta.

- Ares não nos quer mortos. Ele falou que quem duvidasse pegaria fogo.

- Não vejo ninguém pegando fogo. – Disse um dos guardas.

Liceu retirou a armadura e a parte da túnica que cobria o peito, quando todos perceberam metade do ferimento já tinha se cicatrizado e continuava sendo curado aos poucos, mas era visível a melhora do ferimento.

- Alguém duvida que os deuses querem que eu viva? – Liceu falou em alto e bom tom para todos ouvir e tremer diante da cena que se apresentava.

- Ainda acho que isso é um... – O soldado espartano pegou fogo e começou a rolar no chão em meio a berros. Os outros soldados viram a cena espantados, pois o fogo que atingia o soldado que duvidou era diferente. O fogo tinha as chamas alaranjadas e estava fazendo o soldado em cinzas rapidamente. Quando o ferimento do peito de Liceu terminou de cicatrizar o soldado duvidoso já tinha virado cinzas.

Liceu e Talithas saíram do templo e caminharam para o quarto que eles teriam alugado ao chegar. E lá começaram a trocar carícias de novo. Liceu pegou Talithas no colo ao chegar e a jogou na cama e começou a tirar a roupa da garota, enquanto ela acariciava as pernas do rapaz até que sem intenção ela passou o dedo sobre o ferimento cicatrizado na perna de Liceu. O ferimento se rompeu e metade do dedo da garota entrou no ferimento. Liceu gritou de dor e cai no chão olhando a pele que foi facilmente cortada por uma unha.

- Parece que Ares não curou o seu ferimento. – Talithas olhava o seu dedo indicaros cheio de sangue.

- Você acha? – Perguntou Liceu em tom irônico.

- Chega de papo. – Talithas agachou para dar um beijo em Liceu.

- Chega mesmo. Tenho que ir cumprir a missão que Ares me deu. – Liceu levantou e se esquivou do beijo da garota.

- Nem vamos terminar?

- Depois de você enterrar seu dedo em minha coxa? Lógico que não. Sem falar que imagina o que vai acontecer com meu peito se continuarmos. Tenho que terminar essa missão logo ou se não poderei morrer em qualquer combate.

- Tudo bem, mas promete que a primeira coisa que você fazer quando chegar será comigo.

- Prometo. Agora eu estou de partida. Arranje um emprego, que não seja de prostituta e vá mantendo o quarto, eu só levarei dinheiro para a viajem.

Liceu pegou sua sacola e foi para docas. Chegou nas docas perguntou se teria algum navio de partida para a África e um senhor respondeu que o seu barco teria atrasado e que partiria em pouco tempo e falou que o preço estava de acordo com o que Liceu queria pagar.

Liceu embarcou e encontrou dentro do barco seis homens, mas não quis se enturmar com nenhum. Encontrou o quarto que o senhor tinha indicado e por lá ficou durante algum tempo. A viagem seguiu durante alguns dias e aos poucos Liceu foi se enturmando, mas a viagem não teve nenhuma surpresa ou algo que fizesse muita diferença.

Liceu desembarcou na África depois de três dias de viajem e foi falar com um homem, mas não conseguiu entender nada do que o homem dizia, mas para sua sorte o senhor que velejou o barco estava por perto e ajudou Liceu com as perguntas sobre o Senhor da Guerra, acabou por descobrir que o nome dele era Ogum e que morava a duas vilas da qual Liceu se encontrava, não demoraria nem dois dias de caminhada.

Liceu seguiu o caminho que o nativo mostrou e quando chegava ao segundo dia de caminhada, quando seu cantil estava quase vazio e sua comida já tinha quase acabado encontrou a vila que tinham te avisado. Liceu chegou no centro da vila, descansou um belo tempo, por conta da viagem, até que um garoto veio falar com ele, mas Liceu não entendeu e fez um gesto com a mão para o garoto ir embora. O menino não quis ir embora até que Liceu puxou a espada e apontou para o garoto, no momento em que viu sua vida sendo ameaçada, o garoto correu para longe gritando. Liceu reparou que o pessoal da vila começou a encará-lo, então Liceu retirou o manto que cobria sua armadura e colocou ao lado do seu cantil e das frutas, que já estavam todas pretas, que carregava. Liceu ficou com a espada em punho e olhou para todos que o cercavam, alguns guardas foram aparecendo com escudos e lanças, todos os equipamentos de madeira. Antes que atacassem Liceu gritou “Ogum” para tentar explicar o motivo pelo qual tinha visto, mas não pareceu que os guardas da vila entenderam, pois eles começaram a se aproximar em posição de ataque.

Liceu continuou falando alto o nome de quem ele queria enfrentar, mas os guardas não deram ouvidos e continuaram avançando. Liceu sabia que não tinha mais jeito de fazer pará-los então resolveu entrar no combate.

Liceu observou que teria que enfrentar cinco guardas, todos com lanças e escudos de madeira. O primeiro ataque foi do último guarda a esquerda, uma estocada com a lança, que Liceu desviou e contra atacou com a espada em cima do escudo, para evitar ferimentos no guarda, o escudo se partiu em pequenas lascas e fez o guarda cair rolando no chão. O guarda nem tinha parado de rolar no chão quando veio o ataque do segundo, que tentou perfurar a armadura com a lança, mas só fez Liceu perder o equilíbrio e cair rolando e se preparando para os outros ataques que viriam.

Liceu se levantou, mas viu que nenhum guarda quis ataca-lo e então reparou na ponta da lança do guarda que tinha te atacado pelas costas. A lança tinha sido destroçada e só metade ela estava inteira. Já o escudo que Liceu acertou do guarda, que ainda tentava se levantar depois do golpe, tinha sido feito em pequenos pedaços, não podendo ser usado para nada.

Liceu percebeu que os homens estavam com medo de enfrenta-lo então disse mais uma vez o nome do homem que queria realmente enfrentar e depois fez um sinal de morte para os soldados. O sinal de a espada passando no pescoço fez os guardas ficarem com mais medo e então ouviu-se no fundo da multidão uma voz grossa que faziam todos dar licença. Quando até os guardas deram licença para o dono da voz grossa passar, Liceu pode ver com clareza quem era o dono da voz grossa. O homem era muito mais alto que Liceu e era também mais forte fisicamente, isso era claro só pela estrutura física do homem. Liceu ficou impressionado com o tamanho do homem que começou a falar com a multidão, e depois apontou uma espada completamente diferente para Liceu e falou.

- Você, Deus?

- Não. – Respondeu Liceu balançando a cabeça. – Deus meu me mandou aqui. – Liceu falava expressando pelas mãos.

- Qual Deus é seu? – Perguntou o homem soltando um breve suspiro após descobrir que Liceu não era nenhum tipo de Deus.

- Deus Ares me mandou aqui.

- Ares? – O homem começou a rir e depois gritou algumas palavras para a multidão, o que fez todos rirem junto com ele. – Deus Ares mandou muitos homens para cá, mas nenhum matou Ogum.

- Então ele não mandou homens de verdade. – Liceu colocou a espada em forma de ataque.

Ogum entendeu o que ele quis dizer, então pegou sua espada e colocou o escudo, que carregava nas costas, no chão e ficou em posição de ataque. Ambos os guerreiros se aproximaram e olharam-se nos fundos dos olhos.