O Deus do Sol
7 VII – Uma missão e uma maldição
VII – Uma missão e uma maldição
Liceu chegou a casa e entrou correndo e viu Kipédius, Mineléia e seu pai conversando aflitos.
- Quem morreu? – Perguntou Liceu vendo a cara de todos de preocupação.
- Liceu? – Falou o pai com espanto.
- Liceu! – Gritou Mineléia correndo para abraçá-lo.
- Você está bem? – Perguntou Kipédius já levando um susto.
- Hoje sim, mas a alguns dias me meti em uma emboscada que não tinha tamanho. Já
brigou com uma mulher que carrega uma foice e se regenera a cada golpe
recebido?
- Você fez o que? – Perguntou o pai já ficando enfurecido.
- Como é que é? – Mineléia perguntou já se largando do irmão.
- Lembra do velho que eu ajudei? – Falou Liceu para o pai.
- Sim.
- Lembra que ele me mandou voltar no outro dia, mas saindo junto com o senhor?
- Sim.
- Ele foi enviado por Hélio e me deu uma missão: Matar Enante, a foice, uma mulher que era filha de Hélio, mas largou o pai e se juntou a Dionísio.
- E você fez isso? – Perguntou Kipédius reparando na armadura do irmão.
- Sim e olha o que ganhei como recompensa. – Liceu mostrou a armadura que vestia para os que olhavam para ele.
- Você matou uma mulher por uma armadura? – Perguntou o pai já gritando enfurecido.
- Não. Um deus me deu uma missão e quando um deus manda você fazer algo, você faz não importando o que é. Missão dada é missão cumprida. – Liceu respondeu já nervoso.
- Não importando? Você tem que prestar atenção para as coisas que faz Liceu. – Falou o pai já perdendo a calma.
- Não vou discutir com você o porque de Hélio pedir para eu matar Enante.
- E como você sabe que foi Hélio mesmo? – Falou o pai mais alto.
- Um dos motivos é a armadura que visto agora, ela foi feita com pedaços do sol. Quem mais consegue essas coisas? E sem falar que no dia em que encontrei o velho, estava muito escuro e uma luz veio do céu e iluminou o velho, quase fiquei cego de olhar a luz no velho.
- Como você pode matar uma mulher a sangue frio? – Berrou o pai.
- Foi fácil, ela me cortou tanto que tive que revidar. E só para o senhor saber cada golpe que eu dava nela, ela se curava e mal sentia a dor. Mas eu não.
- Não acredito no que você se tornou. – Falou o pai, agora com a voz calma – Devolve minha espada e saía dessa casa.
- Eu posso até sair, mas a espada eu não devolvo. – Falou Liceu com os dentes cerrados.
- Como é? – Falou o pai injuriado.
- Isso mesmo. Não devolvo a espada. – Falou Liceu se virando para a porta de saída.
- Liceu devolve a espada e esfria a cabeça. – Falou Kipédius querendo apaziguar as coisas.
- Já disse que a espada não devolvo.
- Liceu, Ipeleu está no bosque procurando você e ele anda com a roupa de guarda de Atenas. Você não iria querer lutar com ele. – Disse o pai em tom de ameaça.
- Ele não iria querer lutar comigo.
- Liceu larga a espada. – Disse Kipédius.
- Vem pegar – Liceu se virou e viu que Kipédius apontava o arco para a sua cabeça. – Então você é desse tipo? Tem medo de lutar, mas não tem medo de atirar pelas costas?
- Se você não soltar a espada eu atiro a flecha e acabo com sua vida.
- Tudo bem. – Liceu tirou a espada da bainha e jogou no chão, mas quando a espada bateu no chão Liceu viu que Kipédius olhou para a espada e foi nesse momento em que Liceu deu um passo largo e agarrou o arco do irmão e o virou.
Kipédius com o susto que levou disparou a flecha, que acertou apenas o chão. Liceu acertou um soco na cara do irmão, que largou o arco. Liceu segurou o arco de Kipédius e acertou o próprio com o arco na cabeça, o som do corpo de Kipédius caindo no chão foi muito baixo comparado ao grito que Mineléia deu. Kipédius desmaiou com a cabeça sangrando, Liceu largou o arco no chão e foi em direção a espada, pegou ela, mas quando foi colocá-la na bainha seu pai agarrou seu punho e o torceu, fazendo Liceu largar a espada no chão. O pai de Liceu acertou um chute com o joelho no rosto do garoto, que andou cambaleando até a parede, mas virou-se rápido e foi no momento que viu o pai vir em direção dele para acertá-lo no rosto com a espada. Liceu desviou a espada com o bracelete da mão direita e deu uma cotovelada no rosto do pai, que largou a espada. Liceu chutou o baço do pai com a sola do sapato e pegou a espada que agora estava ao seu lado.
Liceu pegou a espada e foi de encontro ao pai, bateu no rosto do próprio pai com a parte chata da espada fazendo-o cair. Liceu só ouvia os gritos de sua irmã em desespero e quando foi aplicar o segundo golpe viu sua espada ser bloqueada por uma lança, depois recebeu um escudo de encontro ao seu ombro livre. Liceu se levantou do chão e viu seu irmão mais velho, Ipeleu, com uma armadura completa.
- Ola Ipeleu. – Disse Liceu com um sorriso no rosto.
- O que você fez? – Perguntou Ipeleu observando seu pai e irmão, Kipédius, sagrando no chão.
- Kipédius ameaçou de soltar uma flecha em minha cabeça, então bati com o arco na cabeça dele, não se preocupe, ele vai viver. Agora o pai resolveu me atacar com a espada, então tive que dar a surra que ele dava em mim quando pequeno.
- Você é louco? Vai pagar pelo que fez com minha família. – Disse Ipeleu se colocando em posição de batalha.
- Não se preocupe eu já vou embora. Fui exilado da família, só reagi aos golpes que recebi. Agora licença.
- Daqui, só você ou eu, saí vivo. – Disse Ipeleu disparando sua lança no peito de Liceu.
Liceu desviou a lança com a espada e atacou visando o ombro do irmão, que bloqueou com o escudo. Ipeleu rodou. Fazendo Liceu perder o controle da espada e acertando as costas da armadura com a lança. Liceu virou e tentou acertar Ipeleu novamente com a espada, mas Ipeleu defendeu novamente com o escudo e acertou a armadura de Liceu com a lança.
- Já teria te matado duas vezes. – Falou Ipeleu se gabando.
- Você acha que se eu não tivesse a armadura eu atacaria desse jeito? – Liceu respondeu já nervoso. – Não estou para brigas hoje. Deixe-me ir embora.
- Deixo, mas não vivo.
- Se é assim que você quer.
Liceu atacou novamente Ipeleu que defendeu com o escudo, mas Liceu segurou a parte de cima do escudo e virou para a esquerda, torcendo o braço de Ipeleu, e acertou a parte chata da espada na cabeça de Ipeleu, que caiu desacordado.
- Mineléia. Cuide de Ipeleu e Kipédius. – A garota já não gritava mais. – E de seu pai. Adeus. Não voltarei a essa casa novamente.
- Liceu! Leve a cesta de pães e frutas na cozinha. Você não sobreviverá sem a cesta. Não está dando mais frutas nas árvores ultimamente. – Mineléia falava traquila. Foi na cozinha e pegou a cesta e entregou nas mãos de Liceu, voltou-se rápido e foi cuidar de Kipédius.
Liceu saiu de casa e foi encher o cantil no rio. Depois começou a caminhar pelas florestas e lá encontrou uma mulher parecida com Mineléia, que estava com um vestido azul claro que cobria os pés.
- O que você fez não foi justo. – Disse a mulher se aproximando de Liceu.
- Queria que eu os matasse? – Disse Liceu encarando seu rosto.
- Não. Digo ao que você fez a Enante.
- Como você sabia dela? Ouviu a conversa?
- Sim. Eu acho que você deveria ter procurado o templo que Kipédius construiu primeiro.
- Quando um deus manda você fazer algo, você faz não importando o que é. Missão dada é missão cumprida. – Disse Liceu repetindo o que gravara na memória em sua infância.
- Não é bem assim. Você agiu por vingança e não pela justiça.
- A diferença entre justiça e vingança é a emoção que você usa para realizá-las.
- Muito bem. Mas você matou Enante porque um emissário de Hélio mandou ou porque ela te machucou na noite anterior?
- Pelos dois motivos. Agora o que você tem haver com isso?
- Tudo e nada.
- Quem é você?
- Sou a deusa que te dará a próxima missão.
- Deusa?
- Nêmeses, a deusa da vingança, da justiça e do castigo.
- O que você irá querer que eu faça?
- Tem um homem extremamente belo que vive vagando de cidades em cidades procurando a mulher mais bela de todas, mas ele acabou ferindo muitas dríades, ninfas e mortais. Claro que foi sentimentalmente, mas isso não me interessa. O que realmente me interessa é que elas pediram vingança e isso é comigo mesmo. Eu quero que ele sofra por muito tempo, muitos anos, o resto da vida dele.
- Você quer que eu o torture até os últimos dias de sua vida?
- Não. Tem algo pior para ele. O nome dele é Narciso e ele foi instruído a nunca olhar seu reflexo, pois ele morreria se assim fizesse. E eu preciso de alguém que faça isso. Por vingança e não por justiça.
- Você quer que eu mostre o reflexo dele para ele?
- Sim. Mas você não poderá usar sua espada e sua armadura quando o encontrar.
- Por que?
- Ordem minha. Você colocará sua armadura e sua espada em uma bolsa e não irá tirá-las da bolsa até matar Narciso.
- Matar?
- Desculpe. Até o fazer ele olhar o próprio reflexo. Lutará com ele e o colocará na frente da água e quando ele ver o seu próprio rosto, sua missão estará cumprida.
- O que eu ganho em troca?
- Ganhar em troca? No seu “juramento” fala que você tem que cumprir e não pedirnada em troca. Por essa sua frase pagará caro e não receberá missões tão cedo. Agora cumpra o que te mandei ou você andará com dois deuses te amaldiçoando. Ou acha que Dionísio o venera por ter matado Enante? – Nêmeses estralou os dedos na frente dos olhos de Liceu, que piscou assim que ouviu o barulho, quando abriu o olho ela já não estava mais lá.
Liceu retirou sua armadura e colocou a na cesta de comida, junto com sua espada e foi para o templo. Ao chegar ao templo encontrou uma árvore com o corpo em formato de mulher chorando. Liceu se assustou e colocou a mão em sua cintura, procurando sua espada, mas nada controu.
- Droga! – Exclamou Liceu em reflexo de se lembrar o que Nêmeses tinha dito.
- O que foi isso? – A mulher em forma de árvore se virou e viu que tinha um homem carregando uma cesta e assustado com ela. – Não se preocupe moço, não o matarei, nem te machucarei. O único ódio que tenho é para Narciso.
- Narciso? Nêmeses mandou-me para matar esse homem.
- Nêmeses? Então ela ouviu minha prece. Se você falar o que acabou de fazer eu e minhas irmãs voltaremos a dar frutos nesse bosque.
- Você mora no bosque?
- Sim e vivo aqui a muito tempo.
- E por que nunca te vi se moro dentro do bosque?
- É porque eu e minhas irmãs não tínhamos o porque sair das árvores, mas apareceu Narciso e nos deixou enfeitiçada pela sua beleza. Mas ele negou nós todas então resolvemos punir todos os homens que se alimentavam de nós. Não dando mais fruto algum.
- Não se preocupe farei o que Nêmeses disse, e acabarei com ele.
- Então faça o mais rápido possível.
- Você sabe por onde ele foi?
- Sim, ele seguiu o leito do rio se correr o alcança em menos de dois dias.
- Muito obrigado. – Liceu se preparou para partir, mas se virou para ver a dríade pela última vez, foi quando ele deu alguns passos e se virou e viu uma árvore, que estava naquele local desde muitos tempos.
Liceu achou estranho, mas decidiu continuar caminhando para terminar logo sua missão. Caminhou por três dias seguindo o leito do rio, mas não viu nada a respeito de Narciso.
No quarto dia de caminhada viu uma mulher ajoelhada segurando uma adaga curta enquanto chorava tanto, que ficava até difícil de respirar. Liceu foi chegando perto da garota e quando ela ouviu passos firmes no chão, chegou a abrir um sorriso e olhou na direção do barulho.
- Olá. Meu nome é Liceu. – A garota nada respondeu, pois tinha voltado a chorar bruscamente. – Acho que você chora por Narciso, estou certo? – A garota aumentou o choro, chegando a berrar, depois que ouviu o nome do rapaz que Liceu procurava. – Não se preocupe. Suas preces, e de todas as outras mulheres, foram ouvidas por Nêmeses. A deusa da vingança me mandou matar esse idiota de uma forma bem dolorosa. – A mulher diminuiu o choro e virou-se para falar com Liceu.
- Como você irá matá-lo? – Perguntou a jovem, com alguma dificuldade por conta do choro que ainda atacava.
- Na verdade não sei como ele morrerá, mas disseram para ele nunca olhar seu reflexo e eu farei isso. Acho que ele pegue fogo olhando para o próprio reflexo.
- É isso o que vai fazer? – A garota respirou fundo e controlou seu choro, levantou as mãos, que seguravam a adaga na direção do tórax.
Liceu entendeu o que a garota faria, ela iria se suicidar pelo jovem que a negou. Liceu sentiu um ódio maior pelo jovem que negava tantas mulheres. Ele pensou em quantas mulheres teriam se suicidado por conta do jovem que procurava a perfeição.
- Faremos o seguinte. Não se mate e veja Narciso morrer. Venha comigo e mostre-me o caminho que Narciso morrerá e você e tantas outras mulheres estarão vingadas.
- Você o matará mesmo?
- Sim, agora mostre-me o caminho.
- Me siga.
- Faz muito tempo que ele foi por aqui?
- Nem mesmo meio dia.
- Então poderemos alcançá-lo em menos de um quarto de dia?
- Menos, ele anda devagar.
- Ótimo. Esse idiota me faz perder a calma.
- Só me prometa uma coisa.
- Claro.
- Que não terá pena dele quando for matá-lo e nem se sinta com dó de machucar alguém tão belo, tudo bem?
- Você acha que teria dó de um idiota que feriu tantas mulheres por dentro e que deve ter levado a tantas outras ao sofrimento?
- Acho que sim, pois eu tive dó de matá-lo. Por isso quis me matar.
- Não se preocupe. Dó eu não terei desse imbecil.
Liceu e a garota caminharam sem conversar mais. Até que iram um homem deitado no chão olhando para o céu dormindo.
- Será que é ele?
- Com certeza, eu reconheceria aquelas pernas em qualquer lugar.
- Agora irei mostrar a cara que ele nunca desejaria ver, a dele mesmo.
- Espere um momento. Você não usará suas vestes de combate ou sua espada?
- Vejo que ele não carrega nada disso, seria desonesto usar contra ele.
- Desonesto? E quanto as mulheres que ele feriu, foi honesto?
- Tudo bem. A verdade é que Nêmeses falou que eu não poderia usar minhas armas contra ele. Só corpo-a-corpo para mostrar o rosto dele no rio.
- E por que ela falaria algo assim?
- Porque ela deve ter uma resposta.
- E qual seria?
- Ela tem a resposta e não eu. Agora fique aqui e não faça nada enquanto eu não voltar.
- Leve pelo menos a espada.
- Não posso. Ordens são ordens. Agora fique quieta.
Liceu se aproximou do rapaz que estava deitado. Liceu ao se aproximar foi reparando no corpo do jovem, para ver se ele seria um oponente difícil na luta e percebeu que o jovem tinha o corpo atlético, mas nada que o colocasse em vantagem na luta, a não ser pelo rosto do rapaz.
Liceu olhou demoradamente e percebeu o porque do rapaz atrair tantas mulheres, ele ficou com receio de ter que machucar um rosto daquele então pensou em outro jeito de fazer o rapaz ohar o próprio reflexo sem ter que machuca-lo.
- Acorda rapaz. – Falou Liceu encostando o pé no baço do rapaz.
- Oi. Quem é você? – Narciso perguntou sem abrir os olhos.
- Um cara cumprindo uma ordem de uma mulher.
- Um homem recebendo ordens de mulheres? Ridículo.
- Até você ter uma mulher de verdade, você não entenderá o porque eu estou fazendo isso.
- Continua ridículo.
- Você não deveria dormir em um local desse.
- E por que não?
- Perigos diversos. Já chegou a pensar que alguém poderia te matar enquanto dorme?
- Acho impossível, principalmente por conta d meu rosto. – Narciso abriu os olhos e se sentou.
- Vai achando. Com a fama que você tem. Muitas mulheres querem vingança.
- As mulheres não querem vingança, quando se fala de mim.
- Você é muito confiante quando se trata de você mesmo. – Liceu pegou seu cantil e se aproximou do rio.
- Minha fama. Você está em uma missão de uma mulher e me encontra me alertando de perigos. Por que você não me matou quando pode?
- Quem disse que teria que te matar? – Liceu terminou de encher o cantil e se virou para encarar Narciso.
- E o que mais você teria que fazer em nome de uma mulher? – Narciso agora estava de pé e olhando com a cara completamente fechada. – Quem te mandou? Artêmis?
- Por que você insiste nisso? Eu não vim aqui para te matar.
- Eu ainda não acredito em você.
- Tudo bem, não vim aqui só para matar um idiota que não sabe como tratar as mulheres e nunca teve uma para saber como era. Acho que você gosta é de homens.
- O que você disse?
- E disse que... – Narciso pulou sobre Liceu. Os dois mergulharam no rio, mas Narciso segurou o pescoço de Liceu debaixo d’ água e voltou a falar. – Você acha que poderia me matar assim tão fácil? Você acha que você foi o primeiro que me contrataram? Seu completo imbecil. Agora você morrerá por suas mentiras.
Liceu a posição das suas pernas debaixo d’água e pode dar dois chutes no abdômen de Narciso que o soltou e caiu na água. Liceu levantou o mais rápido e começou a respirar ofegante até que recebeu um soco no rosto de Narciso que tentou afoga-lo de novo, mas Liceu conseguiu sair facilmente das mãos de Narciso e encontrou uma falha em eu posicionamento, mas na hora que foi aplicar o golpe, sentiu algo o impedindo então na hora de dar o soco não saiu nada forte, o que só fez Narciso dar um sorriso e acertar um soco com as costas das mãos no rosto de Liceu. Liceu caiu na água e tentou se levantar antes de Narciso tentar afoga-lo e assim conseguiu, Narciso não conseguiu colocar Liceu debaixo d’água, mas Liceu deu um chute na perna de Narciso e virou acertando um soco na supercílio de Narciso. O supercílio de Narciso abriu e jorrou sangue por todo o rosto de Narciso. Narciso colocou a mão no ferimento e olhou com espanto para Liceu, mas Liceu sentia que tinha dado o golpe por extinto e não porque queria feri-lo. Liceu tentou dar um hute em Narciso, mas ele o segurou e virou a perna de Liceu, que caiu a água. Narciso pisou com o pé esquerdo no peito de Liceu, depois colocou o joelho por cima do tórax de Liceu e agarrou firmemente na testa de Liceu, para tentar afogar o garoto que tinha aberto seu supercílio. Liceu segurou a respiração o máximo que conseguia e esperou a água parar de se mexer. A água parou e Liceu pode ver com clareza o rosto de Narciso, que fazia uma expressão de espanto e admiração. Liceu empurrou os punhos de Narciso, que perdeu o controle e levantou rápido para procurar seu próprio reflexo no rio novamente. Liceu levantou e pode respirar a vontade, teve a curiosidade de o que tinha acontecido com Narciso.
Narciso estava balançando a água e reclamando para que ela ficasse parada. Liceu pegou Narciso pela cintura e o arrastou para fora da margem, enquanto Narciso se debateu o máximo que pode e esbravejava contra Liceu, mas este não dava importância para que ele dizia. Depois de um tempo Liceu soltou Narciso que correu para a margem do rio e lá ficou olhando para o próprio reflexo apaixonado por ele mesmo e lá disse coisas que só ele pode ouvir.
Liceu estava encarando a atitude que Narciso teve perante a seu reflexo, quando percebeu que a garota que lhe mostrara onde encontrar o Narciso.
- Acho que ele não vai pegar fogo. – Disse ela se aproximando de Liceu.
- Acho que errei, mas acho que ele pegou o pior de todos os castigos.
- Se apaixonar por si próprio?
- Não. Ver algo e saber que não pode possuir, mesmo estando tão perto.
- Mas você acertou outra coisa.
- E o que acertei disso tudo?
- Que ele gostava de homens. – A garota de um sorriso. – Meu nome é Talithas, mas me chame de Tah.
- Talithas? Bonito nome, mas acho melhor te chamar de Tah. Meu nome é Liceu.
- Filho de quem? Eu sou filha de Mythos, soldado de Esparta, e Zarynis, filha de Posthus.
- Hoje eu sou filho da Grécia, maior potência do mundo, hoje e sempre.
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